A apresentar mensagens correspondentes à consulta abril ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta abril ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

terça-feira, janeiro 20, 2004

Abril Despedaçado

Abril Despedaçado (2001) PosterAbril Despedaçado conta a história de Menino, assim mesmo, Menino, mas com uma pronúncia do interior do Brazil, exactamente aquela com o erres enrolados. Menino esse que nos relata a sua história de amor fraternal e o seu fascínio e encamento pelas sereias.

Bem no interior desse imenso país, no início de século, existem duas famílias rivais cujo obtuso sentido de honra e vingança exige alternadamente a vida de cada um dos seus homens. Homens esses que crescem com o peso da "obrigação" de vingar os seus queridos tirando a vida, única e exclusivamente, de quem a ceifou ao seu ente mais próximo, sem nunca derramar o sangue de inocentes pelo meio.
Neste vai e vem de vinganças, a família de Menino, que de tão desgraçada nem um nome lhe deu, encontra-se em clara desvantagem. O seu filho mais velho foi o último morto a enterrar, agora a sombra da morte sobre Tonho, o filho do meio, restando depois apenas Menino. Com a linha do tempo cada vez mais curta, Tonho tem ainda viver nos poucos dias a vida que sempre lhe foi proibida pelo pai autoritário. E é neste dias que os dois irmãos se encantam pela sereia e pelo circo e que a coragem e dignidade de Menino termina com este ciclo vicioso de mortes.
Abril Despedaçado é um filme a ver. Um dos exemplos do mais recente cinema brasileiro e com o qual se fica a conhecer um pouco do seu interior.

sábado, outubro 21, 2006

De Abril Despedaçado

Este título significa para mim a descoberta de uma nova realidade, um novo mundo que não tinha noção que pudesse existir. Uma realidade que me parecia longínqua no tempo, mas que se me revelou ainda viva.
Escrito em 1974 por Ismail Kadaré, Abril Despedaçado transporta-nos para os áridos planaltos albaneses onde impera o kanun, uma lei consuetudinária com origem em tempos imemoriais, e caracterizada pelo fatalismo e pela impossibilidade de fuga. Em 2002 o realizador brasileiro Walter Salles adaptou esta história de fatalidade ao cinema, transpondo a acção para o recôndito e igualmente árido interior brasileiro. E se o cenário não é o mesmo, o que provoca adaptações ao enredo, no entanto, este mantêm a sua essência inalterada.
Em ambos, o drama humano é tratado com extrema delicadeza e subtileza, mostrando o vazio e a falta de perspectivas a que as personagens estão votadas. A incapacidade de lutar contra o peso da tradição que é tão opressiva quanto o horizonte árido que as rodeia, no qual a vida parece sempre condenada e onde a morte é um dado sempre presente e visível.
O kanun, que dá um aparente livre arbítrio aos homens, encontra apenas uma ligeira fuga, ou antes, um breve adiar da sua sentença pelo amor. Deste modo o papel da mulher apresenta-se como redentor, sendo ela a única figura capaz de desafiar a velada e imposta autoridade, pois devido à sua aparente fragilidade está fora do alcance do kanun, mas como é igualmente observadora exterior e vitima, é a única capaz de o questionar.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Abril Despedaçado, I. Kadaré

- … todo aquele edifício de morte, era ele quem o tinha erigido.
- Estamos a aproximar-nos da zona obscura, da zona onde as regras da morte se situam antes das regras da vida.
- Há gente idiota, mas não existe um estado estúpido. Se o estado faz de conta que não vê o que se passa, é porque sabe muito bem que a sua máquina judiciária ia emperrar ao primeiro confronto com o antigo código.
- Como todas as coisas grandiosas, o kanun está para além do bem e do mal.
- É simultaneamente absurdo e fatal, como todas as coisas grandiosas.
- De algumas pancadas batidas a uma porta pode depender a sobrevivência ou a extinção de gerações inteiras.
- … os vivos não passam de mortos de passagem por esta vida…
- a pouco e pouco, o espírito enchia-se de uma nebulosidade acinzentada. Qualquer coisa mais do que nevoeiro mas menos do que pensamento. Qualquer coisa de intermédio, opaco, extensível e lacunar. Mal uma zona do seu cérebro se descobria, logo outra se encobria.
- E sentiu que aquela era uma pergunta que podia preencher toda uma existência humana.

Photobucket - Video and Image Hosting

quinta-feira, agosto 17, 2006

Como as cerejas

Gosto quando um livro/filme/música/quadro me leva a um filme/quadro/música/livro, sendo a ordem dos factores relativamente irrelevante.
Gosto que ao ver um filme como Mondigliani, assumidamente ficcional, me faça descobrir a veracidade por detrás da verosimilhança e assim rever os quadros de Picasso e de Mondigliani. Descobrir a existência de Utrillo e que Chaim Soutine não é só a personagem calmuca de um dos Contos Imprevistos de Roald Dahl. E para quem não conhece, foi este senhor que escreveu Charlie e a Fábrica de Chocolate que Burton adaptou ao cinema. Assim, chega-se a casa, pega-se na enciclopédia e ocupa-se mais uns bites na base de dados. E talvez seja agora a vez de descobrir Gertrud Stein e Jean Cocteau.
Gosto das invisíveis ligações que se tecem em tudo o que nos rodeia e apreendemos. Como quando ao ler H. Kunzru e Salman Rushdie constato o quão importante é a questão da identidade para um povo colonizado, uma questão próxima da realidade da nossa colonização e tantas vezes abordada por Agualusa. Somos o quê?
Pelo que apreendo a anglicidade e a lusofonia têm diferenças, ou talvez eu assim o sinta por não sentir o completo efeito da lusofonia, pois não é um conceito que me seja imposto. No entanto, sinto que a anglicidade de Dahl, Lodge, Kunzru e Rushdie são um conjunto de regras e convenções sociais quase intransponíveis.
A lusofonia, se é que são realmente conceitos paralelos ou até comparáveis, não o parece ser. Talvez seja devido ao nacional porreirismo.
Mas gosto de receber as linhas que se inscrevem nessas histórias e com elas tecer mas um pouco da minha malha de entendimentos.
Por isso, quando revistas e até iogurtes sugerem livros, não nego à partida um autor que desconheço. Nunca se sabe onde uma nova página nos levará.

P.s. E nem a propósito, entre escrever e postar este artigo comprei o livro Abril Despedaçado de Ismaíl Kandaré que serviu de base ao filme homónimo do brasileiro Walter Salles. Se a história é a mesma o cenário é bastante diferente.

terça-feira, abril 05, 2005

Sabedorias

A três de Abril o cuco há-de vir, e se não vier até oito está preso ou morto.

Não planeies demasiado a vida ou podes estragar os planos que a vida tem para ti.

Cuidado com o que desejas, porque pode acontecer.

O problema não é tanto encontrar uma pessoa com quem apeteça dormir, mas sim encontrar uma pessoa com quem apeteça acordar.