- … o segredo de viver reside principalmente em separa aquilo de que se gosta daquilo que não se gosta. A sua dificuldade é que sempre arranjou muito pouco para inscrever no lado positivo do balanço.
- Todo o mundo existe no passado.
- Isto devia ser tudo. Porém, pequenos milagres são entretecidos no desenho de todos os grandes acontecimentos.
- Talvez, quando se sente a falta de uma coisa o suficiente, seja possível forçá-la à existência.
- Uma pessoa é aquilo que sente que é. Ou, se não, deve sentir-se aquilo que é. Mas se uma pessoa for uma coisa que não sabe que é, quais são os sinais? Qual é a sensação de não ser quem se pensa que é?
- A tarde torna-se fim da tarde,
- O fim da tarde em noite.
- Há perguntas que é melhor não fazer. Há outras, quando feitas, que é melhor ficarem sem resposta.
… o poder de se furtar à vista é simplesmente uma forma mais profunda de androgenia.
… uma pessoa que se conhece formalmente não revela mais do que o papel que desempenha.
- … a diferença na dimensão do cérebro correspondem ao grau civilizacional e à capacidade de pensamento abstracto em todo o mundo.
- … começou a sentir-se deslumbrada com a plenitude do mundo, com a plenitude das coisas que não compreendia.
- O secretismo sugere profundidade e é esta sugestão que excita a fantasia das pessoas quando o vêem.
- A convicção não passa de uma sensação banal no estômago.
- Anglicidade é mesmice e o conforto da repetição.
- A inacção alimenta todo o género de males. É quando temos tempo para meditar que ficamos mais vulneráveis.
- Nem dentro, nem fora, nem participante, nem espectador indiferente, torna-se um deus menor do registo, observando as acções dos outros com concentração desapaixonada, marcando-os como pontos ou pequenas figuras no seu livro de quadrícula rectangular.
- Apesar da universidade ser geralmente entendida como uma instituição dedicada à excelência académica, é, na realidade, uma máquina de formação de carácter. O carácter não é inteligência.
- Custa-lhe acreditar, mas se a vida lhe ensinou uma coisa, foi que a fé é facultativa.
- Nós somos pessoas do dia a seguir.
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sexta-feira, dezembro 29, 2006
quarta-feira, dezembro 27, 2006
A Morte de Um Apicultor, L. Gustafsson
- … cada sítio pertence a uma época diferente.
- As doenças dão-lhes uma identidade. Isto é ainda mais verdadeiro para alguns dos mais velhos e humildes. A doença dá origem a um interesse pelas suas pessoas que nunca lhes for a dispensado quando tinham saúde.
- Talvez sejam sempre as nossas ideias que amamos.
- Não precisamos conviver com a realidade, podemos tranquilamente voltar a viver com a nossa ideia.
- Qual a distância máxima a que podemos amar uma pessoa? Resposta: menos de um milímetro. E sem nome.
- Parece não haver nada de que o subconsciente tenha tanto medo como a sensação de ser ninguém. E, servidor prestável, comecei a fabricar-me uma biografia!
- As pessoas que virão a significar alguma coisa para nós, encontramo-las não uma, mas pelo menos vinte vezes, antes de levarmos a sério o aviso.
- Eu tinha uma necessidade extraordinária de ser visto, naquele tempo. Se conseguimos seduzir alguém, então também conseguimos ser vistos.
- Sempre suspeitei que todas as soluções se encontravam algures entre a minha vida e outra.
- Desde que comecei a ter dores a sério, acontece uma coisa muito curiosa: são outras idades, outras recordações, que começam a tornar-se importantes para mim.
- A dor dramatizava o facto de eu ter um corpo, não, de eu ser um corpo.
- Nunca tinha compreendido que a possibilidade de nos concebermos a nós próprios como uma coisa una e ordenada, como um eu humano, depende da existência de uma probabilidade de futuro. O próprio sentido do eu assenta no facto de ele poder existir no dia seguinte também.
- Todas as coisas acabam por ter o sentido que nós lhe damos.
- O paraíso oferece problemas interessantes. O que é um estado de felicidade que se prolonga indefinidamente?
- … a palavra “eu” é a mais vazia de todas. É o ponto oco da língua.
- Recomeçamos. Não nos rendemos.
- O ser humano, esse estranho animal, balançando entre animal e esperança.
- O medo de enlouquecer é no fim de contas o medo de nos transformarmos noutra pessoas.
- No fundo de cada pessoa há um enigma impenetrável. O negro da pupila não é mais do que essa noite sem estrelas. O negro no fundo dos olhos não é mais do que as trevas do próprio universo.
- Só como enigma o ser humano assume toda a sua grandeza e transparência.
- Ninguém está em sua casa no universo.
- Eu, eu, eu, eu… ao fim de apenas quatro repetições uma palavra sem sentido.
- Era de um negro diferente, o negro esperto e enxuto dos répteis. Comparado com o olho de um réptil, o de um mamífero parece viscoso, meio embriagado pelas forças quentes da vida. O réptil olha a direito para o escuro, com um olhar seco. Sabe deus o que ele vê. Algo – diferente?
- As doenças dão-lhes uma identidade. Isto é ainda mais verdadeiro para alguns dos mais velhos e humildes. A doença dá origem a um interesse pelas suas pessoas que nunca lhes for a dispensado quando tinham saúde.
- Talvez sejam sempre as nossas ideias que amamos.
- Não precisamos conviver com a realidade, podemos tranquilamente voltar a viver com a nossa ideia.
- Qual a distância máxima a que podemos amar uma pessoa? Resposta: menos de um milímetro. E sem nome.
- Parece não haver nada de que o subconsciente tenha tanto medo como a sensação de ser ninguém. E, servidor prestável, comecei a fabricar-me uma biografia!
- As pessoas que virão a significar alguma coisa para nós, encontramo-las não uma, mas pelo menos vinte vezes, antes de levarmos a sério o aviso.
- Eu tinha uma necessidade extraordinária de ser visto, naquele tempo. Se conseguimos seduzir alguém, então também conseguimos ser vistos.
- Sempre suspeitei que todas as soluções se encontravam algures entre a minha vida e outra.
- Desde que comecei a ter dores a sério, acontece uma coisa muito curiosa: são outras idades, outras recordações, que começam a tornar-se importantes para mim.
- A dor dramatizava o facto de eu ter um corpo, não, de eu ser um corpo.
- Nunca tinha compreendido que a possibilidade de nos concebermos a nós próprios como uma coisa una e ordenada, como um eu humano, depende da existência de uma probabilidade de futuro. O próprio sentido do eu assenta no facto de ele poder existir no dia seguinte também.
- Todas as coisas acabam por ter o sentido que nós lhe damos.
- O paraíso oferece problemas interessantes. O que é um estado de felicidade que se prolonga indefinidamente?
- … a palavra “eu” é a mais vazia de todas. É o ponto oco da língua.
- Recomeçamos. Não nos rendemos.
- O ser humano, esse estranho animal, balançando entre animal e esperança.
- O medo de enlouquecer é no fim de contas o medo de nos transformarmos noutra pessoas.
- No fundo de cada pessoa há um enigma impenetrável. O negro da pupila não é mais do que essa noite sem estrelas. O negro no fundo dos olhos não é mais do que as trevas do próprio universo.
- Só como enigma o ser humano assume toda a sua grandeza e transparência.
- Ninguém está em sua casa no universo.
- Eu, eu, eu, eu… ao fim de apenas quatro repetições uma palavra sem sentido.
- Era de um negro diferente, o negro esperto e enxuto dos répteis. Comparado com o olho de um réptil, o de um mamífero parece viscoso, meio embriagado pelas forças quentes da vida. O réptil olha a direito para o escuro, com um olhar seco. Sabe deus o que ele vê. Algo – diferente?
quarta-feira, dezembro 13, 2006
De crimen capitallis
Este livro sim, trouxe-me o Porto que percorri nestas férias. Os lugares são lugares reais, são lugares que visitei e fiquei a conhecer. Os jardins de Serralves e o seu anfiteatro, a baixa da cidade e os seus locais, o viaduto da alfandega, a penumbra da marginal. Agora, falta ficar a conhecer os locais comerciais, como; bares e restaurantes. E claro, muitos, muitos outros locais.
E este foi mais um capítulo na vida das personagens Jaime Ramos e Isaltino de Jesus e fornece uma maior viagem ao passado de Ramos. É um policial em que poucos ou nenhuns pormenores são revelados e que nos permite também uma incursão por terras brasileiras – ou não fosse esta outra paixão do autor – e pela sua pintura. Para quem viu há uns meses a série Um Só Coração alguns destes pintores brasileiros que se seguem não são novidade, mas aqui ficam:
E este foi mais um capítulo na vida das personagens Jaime Ramos e Isaltino de Jesus e fornece uma maior viagem ao passado de Ramos. É um policial em que poucos ou nenhuns pormenores são revelados e que nos permite também uma incursão por terras brasileiras – ou não fosse esta outra paixão do autor – e pela sua pintura. Para quem viu há uns meses a série Um Só Coração alguns destes pintores brasileiros que se seguem não são novidade, mas aqui ficam:
Tarsila do Amaral - Llasar segall - Ismael nery - Vicente do Rego Monteiro - António Gomide - Victor Brecheret -
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Um Crime Capital, F. J. Viegas
- … tinha recomeçado a vida depois de um divórcio por desinteresse mútuo.
- Era uma chuva fria porque vinha do mar. mas não era salgada, nem tinha aquela leveza da espumas das ondas.
- O que esperava que acontecesse então? – Que me traísse só. Que mos pusesse como uma mulher os deve pôr a um homem. Com categoria, claro, evidentemente. E com classe. E, se possível, em segredo. Ela era capaz disso tudo.
-… a partir dos quarenta, salvo erro, tomam-se opções muito claras sobre o casamento, as conveniências e as aparências.
- Dava-me jeito. Mas suponho que não vale a pena falar do que me dava jeito. O mundo é como é.
- … ao contrário do vinho, que não tem finalidade alguma quando é bebido com prazer.
- … não gostava de sonhos, nem de pesadelos, nem do próprio sono, até. Preferia a memória, que poucas vezes o traíra, e ele sabia que isso era uma sorte.
- … os bares devem ter uma luz própria, um tipo de bebidas e um tipo de frequentadores e todos os bares devem ter os seus homens perdidos, passageiros desesperados do fim da tarde, bebedores silenciosos, fumo nas paredes, mas sobretudo aquele silêncio de que ele gostava.
-O meu mundo acaba na Praça de Espinho, aos sábados, para comprar peixe. Daí para baixo já é o fim do mundo.
- A minha vida misturou-se comigo. Quer dizer, apareceu na história que andava a trabalhar. Como é que isso se resolve?
- Acredito só em coisas simples: maldade, inocência e vingança. A justiça é outra coisa, e nunca a encontrei. Mas encontrei a inocência, encontrei a maldade e encontrei a vontade de vingança. -
O que fazes com essa idade? Não reservaste nenhuma memória que te salve, nenhum nome que te absolva, nenhum caso amoroso que explique as tuas tragédias pessoais, particulares, únicas, desinteressantes, tão banais que aparecem explicadas em todos os livros.
- Só ficamos surpreendidos de vez em quando, e isso é só quando queremos ou quando estamos distraídos. Já nada me surpreende.
-Falta-te alguma experiência literária para seres um bom polícia. Todos nós devíamos antes de entrar para isto ler uma biblioteca, interessarmo-nos por alguns livros. Eu comecei muito tarde. O Carvalho começou muito mais tarde. Mas é fundamental.
- Mas o preço funciona em função da sua raridade e do mito que se criou.
- Tímido o sorriso. É o sorriso que se usa nestas alturas, o dos parcialmente vencidos nas pequenas batalhas. Aprendera a usa-lo há muito tempo e praticara-o com aplicação nas circunstâncias indicadas e mesmo nas outras, nas que requeriam descrição, dissimulação ou só frieza.
- O amor é a última das ilusões, a última ilusão, o último instante de luz.
- A vida toda é só um arquivo monumental de que se escolhem duas ou três passagens, dois ou três minutos.
- Era uma chuva fria porque vinha do mar. mas não era salgada, nem tinha aquela leveza da espumas das ondas.
- O que esperava que acontecesse então? – Que me traísse só. Que mos pusesse como uma mulher os deve pôr a um homem. Com categoria, claro, evidentemente. E com classe. E, se possível, em segredo. Ela era capaz disso tudo.
-… a partir dos quarenta, salvo erro, tomam-se opções muito claras sobre o casamento, as conveniências e as aparências.
- Dava-me jeito. Mas suponho que não vale a pena falar do que me dava jeito. O mundo é como é.
- … ao contrário do vinho, que não tem finalidade alguma quando é bebido com prazer.
- … não gostava de sonhos, nem de pesadelos, nem do próprio sono, até. Preferia a memória, que poucas vezes o traíra, e ele sabia que isso era uma sorte.
- … os bares devem ter uma luz própria, um tipo de bebidas e um tipo de frequentadores e todos os bares devem ter os seus homens perdidos, passageiros desesperados do fim da tarde, bebedores silenciosos, fumo nas paredes, mas sobretudo aquele silêncio de que ele gostava.
-O meu mundo acaba na Praça de Espinho, aos sábados, para comprar peixe. Daí para baixo já é o fim do mundo.
- A minha vida misturou-se comigo. Quer dizer, apareceu na história que andava a trabalhar. Como é que isso se resolve?
- Acredito só em coisas simples: maldade, inocência e vingança. A justiça é outra coisa, e nunca a encontrei. Mas encontrei a inocência, encontrei a maldade e encontrei a vontade de vingança.
O que fazes com essa idade? Não reservaste nenhuma memória que te salve, nenhum nome que te absolva, nenhum caso amoroso que explique as tuas tragédias pessoais, particulares, únicas, desinteressantes, tão banais que aparecem explicadas em todos os livros.
- Só ficamos surpreendidos de vez em quando, e isso é só quando queremos ou quando estamos distraídos. Já nada me surpreende.
-Falta-te alguma experiência literária para seres um bom polícia. Todos nós devíamos antes de entrar para isto ler uma biblioteca, interessarmo-nos por alguns livros. Eu comecei muito tarde. O Carvalho começou muito mais tarde. Mas é fundamental.
- Mas o preço funciona em função da sua raridade e do mito que se criou.
- Tímido o sorriso. É o sorriso que se usa nestas alturas, o dos parcialmente vencidos nas pequenas batalhas. Aprendera a usa-lo há muito tempo e praticara-o com aplicação nas circunstâncias indicadas e mesmo nas outras, nas que requeriam descrição, dissimulação ou só frieza.
- O amor é a última das ilusões, a última ilusão, o último instante de luz.
- A vida toda é só um arquivo monumental de que se escolhem duas ou três passagens, dois ou três minutos.
terça-feira, novembro 21, 2006
Minto até ao Dizer que Minto, J. L. Peixoto
- Nenhum dos seus gostos podia ser partilhado com uma multidão de desconhecidos.
- … não sei explicar todas as rodas dentadas daquilo que aconteceu.
- Estar errado é mentir sem saber. Errei quando disse tudo e quando não disse nada. Errei quando disse todos, ou ninguém, ou sempre, ou nunca. Seria tão bom se tivesse uma explicação simples para o mundo.
- Cheguei à rua quando a tarde chegava ao seu próprio descanso.
- … aceitar que os homens com mais de dois metros vêem o mundo de uma maneira que nunca poderei compreender completamente.
- … não sei explicar todas as rodas dentadas daquilo que aconteceu.
- Estar errado é mentir sem saber. Errei quando disse tudo e quando não disse nada. Errei quando disse todos, ou ninguém, ou sempre, ou nunca. Seria tão bom se tivesse uma explicação simples para o mundo.
- Cheguei à rua quando a tarde chegava ao seu próprio descanso.
- … aceitar que os homens com mais de dois metros vêem o mundo de uma maneira que nunca poderei compreender completamente.
sexta-feira, novembro 17, 2006
Timbuktu, P. Auster
- … não há criatura que consiga ser alguma coisa nesta vida se não houver alguém que acredite nela.
- A diferença não residia no facto de um ser pessimista e o outro optimista, mas sim no facto de o pessimismo de um ter conduzido a um etos de medo, ao passo que o pessimismo do outro produzira um ruidoso e refractário desdém por Tudo Aquilo que Existia.
- Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. Isso é o melhor que um homem jamais poderá fazer.
- Eu próprio as pus muitas vezes e a única resposta a que cheguei em toda a minha vida é aquela que não responde a nada: porque eu quis que fosse assim. Porque não tive alternativa. Porque não há respostas a perguntas destas.
- E o poeta? O poeta, suponho, ficou algures no meio, no intervalo entre o melhor e o pior de mim.
- … uma jogada desesperada no vil jogo o Ego, que era precisamente o jogo em que toda a gente perdia, em que ninguém jamais poderia ganhar.
- Os pombos podiam ser mais estúpidos que os cães, mas era por isso mesmo que Deus lhes tinha dado asas em vez de cérebros.
- … era a prova provada de que o amor não era uma substância quantificável. Havia sempre mais amor algures e, mesmo depois de se ter perdido um amor, não era de modo nenhum impossível encontrar um outro.
- … a primeira vez que compreendia que a memória era um lugar, um lugar real que se podia visitar, e que passar um bocado no meio dos mortos não era necessariamente mau, que, na realidade, isso podia ser uma fonte de grande conforto e felicidade.
- É esse o problema com a gente miúda. Podem ter as melhores intenções, mas não têm poder nenhum.
- A diferença não residia no facto de um ser pessimista e o outro optimista, mas sim no facto de o pessimismo de um ter conduzido a um etos de medo, ao passo que o pessimismo do outro produzira um ruidoso e refractário desdém por Tudo Aquilo que Existia.
- Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. Isso é o melhor que um homem jamais poderá fazer.
- Eu próprio as pus muitas vezes e a única resposta a que cheguei em toda a minha vida é aquela que não responde a nada: porque eu quis que fosse assim. Porque não tive alternativa. Porque não há respostas a perguntas destas.
- E o poeta? O poeta, suponho, ficou algures no meio, no intervalo entre o melhor e o pior de mim.
- … uma jogada desesperada no vil jogo o Ego, que era precisamente o jogo em que toda a gente perdia, em que ninguém jamais poderia ganhar.
- Os pombos podiam ser mais estúpidos que os cães, mas era por isso mesmo que Deus lhes tinha dado asas em vez de cérebros.
- … era a prova provada de que o amor não era uma substância quantificável. Havia sempre mais amor algures e, mesmo depois de se ter perdido um amor, não era de modo nenhum impossível encontrar um outro.
- … a primeira vez que compreendia que a memória era um lugar, um lugar real que se podia visitar, e que passar um bocado no meio dos mortos não era necessariamente mau, que, na realidade, isso podia ser uma fonte de grande conforto e felicidade.
- É esse o problema com a gente miúda. Podem ter as melhores intenções, mas não têm poder nenhum.
terça-feira, novembro 14, 2006
De portus ficcionis
Visitei agora o Porto.Ficção porque julguei que só agora saberia identificar alguns dos seus locais e assim compreeender as suas intesidades e profundidades. No entanto, a maioria dos contos desta colectânea elaborada son a égido da Porto 2001 tanto poderia, a meu ver, ter como pano de fundo o Porto como qualquer outra cidade. Claro que são mencionados locais, mas estes nem sempre conferem qualquer intensidade às histórias de que servem de cenário. São apenas isso: cenários, e não personagens de súbtil intervenção, como inicialmente esperava.
Talvez o erro seja meu. Não se deve esperar nada dos livros, apenqas receber o que eles estiverem dispostos a revelar.
Curioso é o facto de todos os textos dos autores brasileiros terem como temática o resgate de um passado familiar: uma mãe, um avô, uma infância, uma memória de palavras. É a maldição deste nosso país irmão que encontra em Portugal um sempre presente fantasma do passado. Nunca é a visão de um começo, de uma tábua rasa de descoberta, há sempre um grão de passado. Essa fatalidade nacional que nós mascaramos de saudade e que inevitavelmente passamos aoutros paises da lusofonia. Portugal é sempre um retorno e nunca um início.
Talvez o erro seja meu. Não se deve esperar nada dos livros, apenqas receber o que eles estiverem dispostos a revelar.
Curioso é o facto de todos os textos dos autores brasileiros terem como temática o resgate de um passado familiar: uma mãe, um avô, uma infância, uma memória de palavras. É a maldição deste nosso país irmão que encontra em Portugal um sempre presente fantasma do passado. Nunca é a visão de um começo, de uma tábua rasa de descoberta, há sempre um grão de passado. Essa fatalidade nacional que nós mascaramos de saudade e que inevitavelmente passamos aoutros paises da lusofonia. Portugal é sempre um retorno e nunca um início.
sábado, novembro 04, 2006
Porto. Ficção, VVAA
- Mas as freiras não esquecem nunca. São os elefantes de Deus.
- O homem nasceu só e vai morrer só. Por mais que tentem encobrir a verdade de Deus.
- A saudade é essa forma de fazer do horror o orgulho da nação.
- Os nossos contemporâneos da infância são a prova viva de que um dia também fomos jovens.
- Sem eles, a nós não restava mais do que a velhice.
- O homem nasceu só e vai morrer só. Por mais que tentem encobrir a verdade de Deus.
- A saudade é essa forma de fazer do horror o orgulho da nação.
- Os nossos contemporâneos da infância são a prova viva de que um dia também fomos jovens.
- Sem eles, a nós não restava mais do que a velhice.
Bernardo Carvalho
- Qualquer poeta sabe que se deve começar pelo espaço…
- … o espírito do corpo como o espírito do lugar, começa exactamente pelo seu exterior.
- O grande problema do poeta é trabalhar demasiado a metáfora, esquecer demasiado a intriga.
- … o espírito do corpo como o espírito do lugar, começa exactamente pelo seu exterior.
- O grande problema do poeta é trabalhar demasiado a metáfora, esquecer demasiado a intriga.
Lídia Jorge
- Minha infância foi tão extensa que nunca notei esse tamanhinho do lar. Ainda hoje, esse tempo é o lugar mais extenso do universo.
- Uma reapredizagem tão profunda implica uma radical perca de juízo. Isto é, implica a infância.
- Uma reapredizagem tão profunda implica uma radical perca de juízo. Isto é, implica a infância.
Mia Couto
- … atingiu os sessenta anos de idade. Era altura de pensar na vida. Ou melhor, na morte e nas suas inconveniências.
Pepetela
- … os dias são o arco de luz que só a memória perfaz…
- Uma cidade não se dá, come-se devagar como um nome estranho que resiste na boca, uma cidade não tem horas certas, de repente estamos na hora absoluta, às vezes é só um minuto essa hora.
- … um nome é a paz de qualquer chegada.
Rui Nunes
- Como uma árvore, às vezes penso, o homem pode subir alto, mas as raízes não sobem. Estão na terra, para sempre, junto da infância e dos mortos.
Vergilio Ferreira
quinta-feira, outubro 26, 2006
O Perfume, P. Suskind
- Tinha horror aos pormenores técnicos, porque os pormenores significavam sempre dificuldades e as dificuldades significavam sempre uma perturbação da sua tranquilidade de espírito, o que lhe era impossível suportar.
- Apenas escolhera a vida por uma questão de desafio e pura malvadez.
- … o espírito do que havia sido, liberto dos importunes atributos da presença…
- Conhecia no máximo raríssimos estados de um morno contentamento.
- A infelicidade de um homem resulta em não querer manter-se tranquilamente no seu quarto, onde pertence.
- … passara a vida a renunciar, ao passo que nunca havia possuído e perdido depois.
- Apenas escolhera a vida por uma questão de desafio e pura malvadez.
- … o espírito do que havia sido, liberto dos importunes atributos da presença…
- Conhecia no máximo raríssimos estados de um morno contentamento.
- A infelicidade de um homem resulta em não querer manter-se tranquilamente no seu quarto, onde pertence.
- … passara a vida a renunciar, ao passo que nunca havia possuído e perdido depois.
terça-feira, outubro 24, 2006
A Poeira que cai sobre a terra, F. J. Viegas
- … gostava de promessa, questões de fé - era coisa de céptico.
- Um homem vive com pouco quando não vive de nada.
- Homens solitários não aprendem novos caminhos…
- Males de amor não me interessam … o amor é um incómodo.
- Sentimentalismo é fácil de mais, banal demais. Versos. Palavras com efeitos certos, com sentidos muito parecidos ao seu contrario.
- … a primeira inutilidade a ser destruída, o amor.
- A primeira vez que ele enfrentara a morte aconteceu numa manhã em que se olhou ao espelho e percebeu que tinha quarenta e cinco anos e compreendeu que metade da sua vida tinha sido gasta, desperdiçada ou apenas vivida.
- … aprendera que as grandes histórias de amor terminam com o frio da morte, terminam no frio da morte. E que, muito frequentemente, o amor leva à morte…
- A delicadeza da vida abandonada incomodava-o. aquela delicadeza.
- E há casas, porque as casas são fundamentais numa história.
- … as explicações são um luxo inacessível muitas vezes, uma contrariedade para toda a vida.
- Um homem vive com pouco quando não vive de nada.
- Homens solitários não aprendem novos caminhos…
- Males de amor não me interessam … o amor é um incómodo.
- Sentimentalismo é fácil de mais, banal demais. Versos. Palavras com efeitos certos, com sentidos muito parecidos ao seu contrario.
- … a primeira inutilidade a ser destruída, o amor.
- A primeira vez que ele enfrentara a morte aconteceu numa manhã em que se olhou ao espelho e percebeu que tinha quarenta e cinco anos e compreendeu que metade da sua vida tinha sido gasta, desperdiçada ou apenas vivida.
- … aprendera que as grandes histórias de amor terminam com o frio da morte, terminam no frio da morte. E que, muito frequentemente, o amor leva à morte…
- A delicadeza da vida abandonada incomodava-o. aquela delicadeza.
- E há casas, porque as casas são fundamentais numa história.
- … as explicações são um luxo inacessível muitas vezes, uma contrariedade para toda a vida.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Abril Despedaçado, I. Kadaré
- … todo aquele edifício de morte, era ele quem o tinha erigido.
- Estamos a aproximar-nos da zona obscura, da zona onde as regras da morte se situam antes das regras da vida.
- Há gente idiota, mas não existe um estado estúpido. Se o estado faz de conta que não vê o que se passa, é porque sabe muito bem que a sua máquina judiciária ia emperrar ao primeiro confronto com o antigo código.
- Como todas as coisas grandiosas, o kanun está para além do bem e do mal.
- É simultaneamente absurdo e fatal, como todas as coisas grandiosas.
- De algumas pancadas batidas a uma porta pode depender a sobrevivência ou a extinção de gerações inteiras.
- … os vivos não passam de mortos de passagem por esta vida…
- a pouco e pouco, o espírito enchia-se de uma nebulosidade acinzentada. Qualquer coisa mais do que nevoeiro mas menos do que pensamento. Qualquer coisa de intermédio, opaco, extensível e lacunar. Mal uma zona do seu cérebro se descobria, logo outra se encobria.
- E sentiu que aquela era uma pergunta que podia preencher toda uma existência humana.
- Estamos a aproximar-nos da zona obscura, da zona onde as regras da morte se situam antes das regras da vida.
- Há gente idiota, mas não existe um estado estúpido. Se o estado faz de conta que não vê o que se passa, é porque sabe muito bem que a sua máquina judiciária ia emperrar ao primeiro confronto com o antigo código.
- Como todas as coisas grandiosas, o kanun está para além do bem e do mal.
- É simultaneamente absurdo e fatal, como todas as coisas grandiosas.
- De algumas pancadas batidas a uma porta pode depender a sobrevivência ou a extinção de gerações inteiras.
- … os vivos não passam de mortos de passagem por esta vida…
- a pouco e pouco, o espírito enchia-se de uma nebulosidade acinzentada. Qualquer coisa mais do que nevoeiro mas menos do que pensamento. Qualquer coisa de intermédio, opaco, extensível e lacunar. Mal uma zona do seu cérebro se descobria, logo outra se encobria.
- E sentiu que aquela era uma pergunta que podia preencher toda uma existência humana.
terça-feira, agosto 22, 2006
Duas Mulheres Em Novembro, V. G. Moura
- … o que vivi, é meu e ninguém mo tira.
- … nada volta para trás quando a roda da vida desanda.
- … nada volta para trás quando a roda da vida desanda.
sexta-feira, agosto 11, 2006
O Sorriso ao pé das Escadas, H. Miller
- Sermos nós próprios, unicamente nós próprios, é algo de extraordinário. Mas como chegar a isso, como alcança-lo? Ah!, eis o truque mais difícil de todos. Difícil, exactamente, porque não envolve esforço. Tentas não ser isto nem aquilo, nem hábil nem desajeitado… estás a perceber? Fazes o que te vem à mão. De boa vontade, bien entendu. Porque não há nada que não tenha a sua importância. Nada.
- … há milénios que os seres humanos se enganam no caminho, há milénios que todas as suas buscas e interrogações desaguam num beco sem saída.
- … há milénios que os seres humanos se enganam no caminho, há milénios que todas as suas buscas e interrogações desaguam num beco sem saída.
segunda-feira, julho 17, 2006
O Senhor Ventura, M. Torga
- À hora menos esperada da razão, damos connosco a sorrir dos rigores dos nossos critérios.
- Evidentemente que nem todas as existências têm a mesma significação. Mas, em última análise, também as menos relevantes são indispensáveis ao conjunto. Enriquecem-no. sem elas, certas horas intermédias e simples, duma expressividade humilde, ficariam por revelar. E a harmonia é o todo, o grande e o pequeno de braço dado.
- O pior defeito dela era não ser capaz de se mostrar fraca quando a própria vida o pedia. Era não poder atenuar as arestas das suas palavras, nem vestir a expressão nua das suas emoções.
- Ah, eu acredito que esta fidelidade inconsciente ao granito, ao luar e à urgeira encerra uma grande lição de vitalidade e de singularidade. Vejo nela uma prova do nosso destino nacional e universal.
- A lógica de cada vida é tão perfeita, que até mete aflição.
- Evidentemente que nem todas as existências têm a mesma significação. Mas, em última análise, também as menos relevantes são indispensáveis ao conjunto. Enriquecem-no. sem elas, certas horas intermédias e simples, duma expressividade humilde, ficariam por revelar. E a harmonia é o todo, o grande e o pequeno de braço dado.
- O pior defeito dela era não ser capaz de se mostrar fraca quando a própria vida o pedia. Era não poder atenuar as arestas das suas palavras, nem vestir a expressão nua das suas emoções.
- Ah, eu acredito que esta fidelidade inconsciente ao granito, ao luar e à urgeira encerra uma grande lição de vitalidade e de singularidade. Vejo nela uma prova do nosso destino nacional e universal.
- A lógica de cada vida é tão perfeita, que até mete aflição.
terça-feira, junho 27, 2006
Vinte e Zinco, M. Couto
- Vinte e cinco é para vocês que vivem nos bairros de cimento. Para nós, negros pobres que vivemos na madeira e zinco, o nosso dia ainda está por vir.
- Afinal, onde a noite mais escurece é em volta do pirilampo. S
- Forte, ser forte que o fracos não gozam as História.
- … você não manda, você só dá ordens. Entendeu?
- Só matas os que eles deixam morrer.
- … os vivos têm sombras que se desenham no tempo.
- Cada ser tem duas margens, uma em cada lado do tempo.
- Dois irmãos são como duas abóboras: podem chocar mas nunca quebram.
- Deus criou a bebida, o homem fez o copo.
- Deus fez a árvore para que o homem não sentisse medo do tempo.
- Triste é escolher entre o mau e o pior.
- E dá azar avançar directo num assunto. O besouro, antes de entrar, dá duas voltas à toca.
- Não diga isso, que as palavras chamam as sucedências.
- O que dá estranheza na guerra é que ela não nos sai da memória, de tal modo que dela não recordamos exactamente nada.
- Quem não tem parentesco com a vida não chega nunca a morrer devidamente.
- A guerra é vaidosa: se ostenta mesmo nos lugares onde se diz ser a exclusiva moradia da paz.
- Não era defeito de visão mas falta de outras luzes que nos desvendam para outras vidas.
- A exibição da fragilidade é a defesa do fraco.
- O que importa não é passear de noite mas deixar a noite passear-se em nós.
- Não são os brancos que são gente sozinha. Sua cultura é que é muito solitária.
- Afinal, onde a noite mais escurece é em volta do pirilampo. S
- Forte, ser forte que o fracos não gozam as História.
- … você não manda, você só dá ordens. Entendeu?
- Só matas os que eles deixam morrer.
- … os vivos têm sombras que se desenham no tempo.
- Cada ser tem duas margens, uma em cada lado do tempo.
- Dois irmãos são como duas abóboras: podem chocar mas nunca quebram.
- Deus criou a bebida, o homem fez o copo.
- Deus fez a árvore para que o homem não sentisse medo do tempo.
- Triste é escolher entre o mau e o pior.
- E dá azar avançar directo num assunto. O besouro, antes de entrar, dá duas voltas à toca.
- Não diga isso, que as palavras chamam as sucedências.
- O que dá estranheza na guerra é que ela não nos sai da memória, de tal modo que dela não recordamos exactamente nada.
- Quem não tem parentesco com a vida não chega nunca a morrer devidamente.
- A guerra é vaidosa: se ostenta mesmo nos lugares onde se diz ser a exclusiva moradia da paz.
- Não era defeito de visão mas falta de outras luzes que nos desvendam para outras vidas.
- A exibição da fragilidade é a defesa do fraco.
- O que importa não é passear de noite mas deixar a noite passear-se em nós.
- Não são os brancos que são gente sozinha. Sua cultura é que é muito solitária.
Que a bala do corpo se retire
Num disparo ao avesso se desvire
E o sangue aberto se arrependa
E retorne ao leito onde escorreu
Que, enfim, a espingarda seja morta
E se escreva na campa deste tempo:
- aqui jaz a bala
- sentenciada por mandato
- da vida contra o homem.
Num disparo ao avesso se desvire
E o sangue aberto se arrependa
E retorne ao leito onde escorreu
Que, enfim, a espingarda seja morta
E se escreva na campa deste tempo:
- aqui jaz a bala
- sentenciada por mandato
- da vida contra o homem.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Sobre a Mão e outros Ensaios, J. Lobo Antunes

Dos vários ensaios que constituem o livro, tive uma maior empatia pelos de pendor mais humanista e uma óbvia maior dificuldade com os mais técnicos, o que é compreensível dada a minha formação e sensibilidade. No entanto, todos eles foram bastante elucidativos e uma fonte de aprendizagem. São vários os temas abordados e apesar da linha condutora de cada um ser una, há sempre pontos de interligação entre todos, e podemos sempre compará-los com a nossa experiência de vida.
Um dos temas é a relação médico-paciente e de como, numa época actual de desenvolvimento tecnológico, esta relação é de maior afastamento, sendo imperativo consciencializar os profissionais da saúde para a necessidade do toque humano aquando do tratamento da doença que ao debilitar e fragilizar o doente o deixa desamparado. A restituição de motivação ao combate da doença passa muito pelo toque e encorajamento de quem está perto e o médico e com certeza alguém em quem se deposita a maior das confianças neste período. Consequentemente, o tratamento da dor e do sofrimento causados pela doenças merece uma outra reflexão, com a apologia dos cuidados paliativos como forma de dar dignidade aos últimos momentos de vida de doentes na sua maioria em agravado estado de agonia.
Marcantes são as pessoas que nos influenciam, os nossos mestres de quem recebemos a sabedoria que tentamos alcançar e tentamos levar mais além. Marcante é também o poder do toque de uma mão e os seus vários tipos de toque, como a expressão de emoções e as capacidades e habilidades técnicas que esta confere.
A possibilidade de acesso à informação e ao conhecimento por parte dos pacientes coloca novos desafios aos médicos. Por um lado o crescente número de neo-hipocondríacos que se assumem quase como mais sábios que aqueles que os vão tratar, como os pacientes que apesar das respostas tentam procurar mais, preparar-se mais. Este acesso é também um dos factores que distingue o paciente das denominadas doenças da pobreza e da riqueza. Dependendo de estratos sociais, estilos de vidas e possibilidades económicas, diferentes doenças são-lhes características. Há, no entanto, uma maior preocupação pela maioria da população em adoptar novos estilos de vida saudáveis, com o objectivo de aumentar não só a qualidade como a quantidade de vida. E este aumento traz por sua vez consequências em termos de saúda o que levanta novos desafios à comunidade médica.
Por último, uma referência a dois temas que o autor aborda em ensaios diferentes mas que também não os dissocia: a literatura e a morte. A primeira considera-a uma professora na arte de lidar e conhecer o ser humano, uma arte que o médico não pode descurar, salientando-o que foi em vários livros que aprendeu a conviver com a morte como final inevitável de um paciente e sugerindo que todos os médicos deveriam ler algumas obras literárias.
sexta-feira, janeiro 13, 2006
D. Giovanni, J. Saramago

Comendador – Os mortos não comem, são comidos.
...
Leporello – Senhor, já vou, já fui, já não estou.
Leporello – Senhor, já vou, já fui, já não estou.
...
Leporello – O futuro é um mar contido na concha das mãos de Deus, normalmente vai caindo sobre as nossas cabeças como o contínuo fluir de uma cascata, mas, de vez em quando, sempre há um pedacinho maior que se solta.
Leporello – O futuro é um mar contido na concha das mãos de Deus, normalmente vai caindo sobre as nossas cabeças como o contínuo fluir de uma cascata, mas, de vez em quando, sempre há um pedacinho maior que se solta.
...
Don Giovanni – Nunca cantei serenatas à lua. À luz da lua, sim, mas nunca à lua. Não gasto o meu tempo com satélites. Tragam-me estrelas, e então cantarei.
Don Giovanni – Nunca cantei serenatas à lua. À luz da lua, sim, mas nunca à lua. Não gasto o meu tempo com satélites. Tragam-me estrelas, e então cantarei.
Adeus, Minha Concubina, L. Lee

- Um espectáculo constitui um breve encontro entre os actores e o público. A doçura repousa na brevidade e no melancólico desfecho. A representação permite ao actor ser alguém importante e aos espectadores partilhar uma parte dessa vida extraordinária.
- Os actores gozam da admiração de centenas de estranhos que são transportados para for a das suas vidas insignificantes pelas profundas emoções representadas diante deles. Mas esse encontro só dura umas horas. No dia seguinte, todos os participantes voltam à existência de todos os dias e tornam-se novamente em estranhos.
- O amor era como um jogo – se a pessoa ficasse a jogar durante muito tempo, arriscava-se a perder. A vida era como uma flor de feijão – reflectiu pesarosamente – ligeiramente adocicada e de cor ambígua, mas calorosa.
- Mas nada é imutável em todo o mundo. Até os mares podem transforma-se em campos férteis e terras férteis sem ser engolidos pelo mar.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Tão veloz como o desejo, L. Esquivel

- quanto tempo demora o desejo a enviar o sinal correcto e quanto tempo passa antes de chegar a resposta esperada? As variáveis são muitas, o que é inegável é que todo o processo começa com um olhar.
- … o mais importante não era o idioma utilizado mas a intenção presente naquilo que se comunicava.
- Terei de aprender a ouvir o seu silêncio para encontrar as respostas.
- O que não quis o meu pai ver que o deixou cego? O que quis reter com tanta força, que até parkinson lhe deu?
- Amar é um verbo. Demonstramos o nosso amor através de acções. E uma pessoa só se sente amada quando a outra lhe manifesta o seu amor com beijos, abraços, carícias e demonstrações de generosidade. Uma pessoa que ama procurará sempre o bem-estar físico e emocional da pessoa amada.
- E se é bem verdade que não só de pão vive o homem, também não pode sobreviver só de amor. Talvez por isso seja tão triste um apaixonado pobre. Por mais satisfatória que seja uma relação a nível emocional e sexual, a falta de dinheiro pode afectar e minar, pouco a pouco, até a maior paixão.
- … possuir significava depender e ele era demasiado livre para querer comprar amarras.
- Depois do amor não há coisa mais importante que a confiança e um dos benefícios da vida a doi9s é precisamente a possibilidade de desfrutar dela plenamente.
- Para poder perdoar é necessário aceitar o que não se pode mudar…
- A sua ausência é incomensurável. Não é possível explicar, não é possível transmitir a experiência de ficarmos sós. A única coisa que me parece evidente é eu já não ser a mesma.
- Eu pensava que estava bem preparada para enfrentar a sua morte, mas não. Nunca estamos preparados. O mistério da vida e da morte é demasiado poderoso. Não há mente que o consiga abarcar. Com dificuldade entendemos o que se passa ao nível da terceira dimensão. Sabemos apenas que os mortos já cá não estão, que partiram e nos deixaram sós. Todo aquele que já viu um corpo sem vida sabe do que estou a falar.
- No pó habitam milhares de milhões de presenças de seres que povoaram a Terra.
- … às vezes a vida é muito ingrata, mas não importa, o mais interessante no processo da comunicação é permitir-nos tomar consciência de que as palavras que saem do nosso corpo, seja na forma escrita, falada ou cantada, voam pelo espaço carregadas do eco de outras vozes que já antes de nós as tinham pronunciado.
- No fim de contas, é isso que importa. Que alguém perdura na memória graças ao poder transformador das suas palavras.
- … o mais importante não era o idioma utilizado mas a intenção presente naquilo que se comunicava.
- Terei de aprender a ouvir o seu silêncio para encontrar as respostas.
- O que não quis o meu pai ver que o deixou cego? O que quis reter com tanta força, que até parkinson lhe deu?
- Amar é um verbo. Demonstramos o nosso amor através de acções. E uma pessoa só se sente amada quando a outra lhe manifesta o seu amor com beijos, abraços, carícias e demonstrações de generosidade. Uma pessoa que ama procurará sempre o bem-estar físico e emocional da pessoa amada.
- E se é bem verdade que não só de pão vive o homem, também não pode sobreviver só de amor. Talvez por isso seja tão triste um apaixonado pobre. Por mais satisfatória que seja uma relação a nível emocional e sexual, a falta de dinheiro pode afectar e minar, pouco a pouco, até a maior paixão.
- … possuir significava depender e ele era demasiado livre para querer comprar amarras.
- Depois do amor não há coisa mais importante que a confiança e um dos benefícios da vida a doi9s é precisamente a possibilidade de desfrutar dela plenamente.
- Para poder perdoar é necessário aceitar o que não se pode mudar…
- A sua ausência é incomensurável. Não é possível explicar, não é possível transmitir a experiência de ficarmos sós. A única coisa que me parece evidente é eu já não ser a mesma.
- Eu pensava que estava bem preparada para enfrentar a sua morte, mas não. Nunca estamos preparados. O mistério da vida e da morte é demasiado poderoso. Não há mente que o consiga abarcar. Com dificuldade entendemos o que se passa ao nível da terceira dimensão. Sabemos apenas que os mortos já cá não estão, que partiram e nos deixaram sós. Todo aquele que já viu um corpo sem vida sabe do que estou a falar.
- No pó habitam milhares de milhões de presenças de seres que povoaram a Terra.
- … às vezes a vida é muito ingrata, mas não importa, o mais interessante no processo da comunicação é permitir-nos tomar consciência de que as palavras que saem do nosso corpo, seja na forma escrita, falada ou cantada, voam pelo espaço carregadas do eco de outras vozes que já antes de nós as tinham pronunciado.
- No fim de contas, é isso que importa. Que alguém perdura na memória graças ao poder transformador das suas palavras.
quarta-feira, dezembro 28, 2005
A Honra Perdida de Katharina Blum, H. Boll
Repare-se que integridade combinada com inteligência organizativa não é coisa desejada em parte nenhuma, nem sequer nas prisões e nem tão pouco pela administração.
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