Nem todas as férias são iguais, nem todas as férias conseguem em nós a sensação de zerar todas as contas. Nem todas as férias ou pausas ou companhias ou locais confluem para um novo ânimo, para a sensação de paz pela qual há muito aspirava. Por isso, quando essas férias acontecem guardamo-las em nós como um tesouro incalculável, feito de risos, de água morna, de tranquilidade, do ar ao fim da tarde a bater no nosso rosto e a secar o nosso cabelo, de um sorriso amistoso, do pôr do sol, do constante e apaziguador chilrear. Saí rejuvenescida, tranquila por ter descoberto um dos segredos da felicidade. Pronta para as próximas contas de cabeça e ciente de que agora basta fechar os olhos para regressar por momentos ao paraíso, não perdido, mas felizmente só partilhado por alguns.
De muitos agradecimentos, um em especial ao Mário pelo convite singelo. Recebi mais do que poderia alguma vez imaginar.
sexta-feira, agosto 04, 2006
De vozes graves…
Resolvi pesquisar no meu porta CDs (é verdade ainda não aderi ao mp3) e o resultado foi:
Nana Caymi
André Sardet
Sting
Elvis Costello
Joss Stone
Mick Hucknall
André Sardet
Sting
Elvis Costello
Joss Stone
Mick Hucknall
Tori Amos
Bryan Ferry
Marisa Monte
Anne Sofie Von Otter
Bono
Maria Bethânia
George Michael
Chris Isaak
Freddie Mercury
Bruce Springsteen
Amália
Robbie William
Leonard Cohen
Carlos do Carmo
Bryan Ferry
Marisa Monte
Anne Sofie Von Otter
Bono
Maria Bethânia
George Michael
Chris Isaak
Freddie Mercury
Bruce Springsteen
Amália
Robbie William
Leonard Cohen
Carlos do Carmo
Definitivamente, vozes graves…
quarta-feira, agosto 02, 2006
No dia em que eu nasci...
21
São os crianções. Eternamente joviais, têm uma loucurasadia que os faz interessar-se em várias coisas aomesmo tempo. Podem sobressair-se nas artes dramáticasou em qualquer área de expressão que use as palavras.Magnéticos e musicais, amam a beleza, a arte e adança.
quarta-feira, julho 19, 2006
segunda-feira, julho 17, 2006
O Senhor Ventura, M. Torga
- À hora menos esperada da razão, damos connosco a sorrir dos rigores dos nossos critérios.
- Evidentemente que nem todas as existências têm a mesma significação. Mas, em última análise, também as menos relevantes são indispensáveis ao conjunto. Enriquecem-no. sem elas, certas horas intermédias e simples, duma expressividade humilde, ficariam por revelar. E a harmonia é o todo, o grande e o pequeno de braço dado.
- O pior defeito dela era não ser capaz de se mostrar fraca quando a própria vida o pedia. Era não poder atenuar as arestas das suas palavras, nem vestir a expressão nua das suas emoções.
- Ah, eu acredito que esta fidelidade inconsciente ao granito, ao luar e à urgeira encerra uma grande lição de vitalidade e de singularidade. Vejo nela uma prova do nosso destino nacional e universal.
- A lógica de cada vida é tão perfeita, que até mete aflição.
- Evidentemente que nem todas as existências têm a mesma significação. Mas, em última análise, também as menos relevantes são indispensáveis ao conjunto. Enriquecem-no. sem elas, certas horas intermédias e simples, duma expressividade humilde, ficariam por revelar. E a harmonia é o todo, o grande e o pequeno de braço dado.
- O pior defeito dela era não ser capaz de se mostrar fraca quando a própria vida o pedia. Era não poder atenuar as arestas das suas palavras, nem vestir a expressão nua das suas emoções.
- Ah, eu acredito que esta fidelidade inconsciente ao granito, ao luar e à urgeira encerra uma grande lição de vitalidade e de singularidade. Vejo nela uma prova do nosso destino nacional e universal.
- A lógica de cada vida é tão perfeita, que até mete aflição.
sexta-feira, julho 14, 2006
Excissão
Vi-me recentemente utilizada como peão num jogo de forças em que sendo eu o elo mais fraco pouco ou nada podia fazer senão uma participação que me dignificasse, embora não pudesse nunca a vir a ganhar. Primeiro a convicção de participar o melhor possível e depois a raiva pelos obstáculos injustos e sobre os quais fui mantida na ignorância. Depois a percepção de como cada um jogava os seus trunfos e fazia os seus passos. E eu como não vou dar murros em pontas de facas porque quem sai magoado e mutilado sou eu e a minha capacidadade de sacrificio não vai tão longe, corto somente mais um pedaço da minha ingenuidade e o espaço que fica é ocupado pelo crescente cepticismo e cinismo.
sexta-feira, julho 07, 2006
Uma outra história… de mim
Uma das primeiras imagens de que tenho memória é relacionada com a morte. Mas, no entanto, nenhuma delas, alguma vez, me invocou qualquer sentimento de trauma ou dor ou medo. Somente estranheza e intriga.
Segundo relatos, quando a minha avó paterna, que vivia connosco, faleceu, fui eu, com cerca de dois anos, que abria a porta de casa e fui chamar a nossa vizinha. Apesar desse relato, não tenho qualquer memória desse momento. Recordo sim o velório da minha avó, do qual tenho duas imagens.
A primeira corresponde à de dois homens vestidos de negro e empunhando cada um um castiçal a entrarem pela porta adentro. E eu olhava para eles do alto dos meus dois anos e eles pareciam muito grandes e muito estranhos. Dois desconhecidos vestidos de negro.
A segunda imagem é a da minha avó no caixão aberto, creio que forrado a veludo grená, e com as mãos cruzadas sobre o peito. Os ditos castiçais encontravam-se em cada topo do caixão e eu observava tudo isto ao colo do meu pai.
Como já referi, nenhuma destas imagens me traumatizou, nem o facto do velório ter sido naquele onde pouco depois se transformou o meu quarto. Mas para mim toda aquela situação foi estranha. Objectos e pessoas desconhecidos a entrarem assim em nossa casa. E para quê? Sim porque para uma criança dessa idade, o conceito de morte mais não é que uma ausência que não se percebe porquê. Apenas, alguém lá estava antes e agora não está. Foi algo de surreal. Mas também de uma certa naturalidade. Observei aquilo com uma neutralidade que não me afectou.
Talvez por isso quando vejo Sete Palmos de Terra me reveja um pouco naquela família. Porque em nenhum outro filme, série ou livro, tenha reconhecido aquele sentimento de neutralidade relativamente à morte. É algo que vemos, envolve certos rituais institucionalizados que raramente compreendemos, acontece sem uma razão aparente e que apenas podemos observar. Não podemos evitar, apenas aceitar.
Segundo relatos, quando a minha avó paterna, que vivia connosco, faleceu, fui eu, com cerca de dois anos, que abria a porta de casa e fui chamar a nossa vizinha. Apesar desse relato, não tenho qualquer memória desse momento. Recordo sim o velório da minha avó, do qual tenho duas imagens.
A primeira corresponde à de dois homens vestidos de negro e empunhando cada um um castiçal a entrarem pela porta adentro. E eu olhava para eles do alto dos meus dois anos e eles pareciam muito grandes e muito estranhos. Dois desconhecidos vestidos de negro.
A segunda imagem é a da minha avó no caixão aberto, creio que forrado a veludo grená, e com as mãos cruzadas sobre o peito. Os ditos castiçais encontravam-se em cada topo do caixão e eu observava tudo isto ao colo do meu pai.
Como já referi, nenhuma destas imagens me traumatizou, nem o facto do velório ter sido naquele onde pouco depois se transformou o meu quarto. Mas para mim toda aquela situação foi estranha. Objectos e pessoas desconhecidos a entrarem assim em nossa casa. E para quê? Sim porque para uma criança dessa idade, o conceito de morte mais não é que uma ausência que não se percebe porquê. Apenas, alguém lá estava antes e agora não está. Foi algo de surreal. Mas também de uma certa naturalidade. Observei aquilo com uma neutralidade que não me afectou.
Talvez por isso quando vejo Sete Palmos de Terra me reveja um pouco naquela família. Porque em nenhum outro filme, série ou livro, tenha reconhecido aquele sentimento de neutralidade relativamente à morte. É algo que vemos, envolve certos rituais institucionalizados que raramente compreendemos, acontece sem uma razão aparente e que apenas podemos observar. Não podemos evitar, apenas aceitar.
terça-feira, junho 27, 2006
Vinte e Zinco, M. Couto
- Vinte e cinco é para vocês que vivem nos bairros de cimento. Para nós, negros pobres que vivemos na madeira e zinco, o nosso dia ainda está por vir.
- Afinal, onde a noite mais escurece é em volta do pirilampo. S
- Forte, ser forte que o fracos não gozam as História.
- … você não manda, você só dá ordens. Entendeu?
- Só matas os que eles deixam morrer.
- … os vivos têm sombras que se desenham no tempo.
- Cada ser tem duas margens, uma em cada lado do tempo.
- Dois irmãos são como duas abóboras: podem chocar mas nunca quebram.
- Deus criou a bebida, o homem fez o copo.
- Deus fez a árvore para que o homem não sentisse medo do tempo.
- Triste é escolher entre o mau e o pior.
- E dá azar avançar directo num assunto. O besouro, antes de entrar, dá duas voltas à toca.
- Não diga isso, que as palavras chamam as sucedências.
- O que dá estranheza na guerra é que ela não nos sai da memória, de tal modo que dela não recordamos exactamente nada.
- Quem não tem parentesco com a vida não chega nunca a morrer devidamente.
- A guerra é vaidosa: se ostenta mesmo nos lugares onde se diz ser a exclusiva moradia da paz.
- Não era defeito de visão mas falta de outras luzes que nos desvendam para outras vidas.
- A exibição da fragilidade é a defesa do fraco.
- O que importa não é passear de noite mas deixar a noite passear-se em nós.
- Não são os brancos que são gente sozinha. Sua cultura é que é muito solitária.
- Afinal, onde a noite mais escurece é em volta do pirilampo. S
- Forte, ser forte que o fracos não gozam as História.
- … você não manda, você só dá ordens. Entendeu?
- Só matas os que eles deixam morrer.
- … os vivos têm sombras que se desenham no tempo.
- Cada ser tem duas margens, uma em cada lado do tempo.
- Dois irmãos são como duas abóboras: podem chocar mas nunca quebram.
- Deus criou a bebida, o homem fez o copo.
- Deus fez a árvore para que o homem não sentisse medo do tempo.
- Triste é escolher entre o mau e o pior.
- E dá azar avançar directo num assunto. O besouro, antes de entrar, dá duas voltas à toca.
- Não diga isso, que as palavras chamam as sucedências.
- O que dá estranheza na guerra é que ela não nos sai da memória, de tal modo que dela não recordamos exactamente nada.
- Quem não tem parentesco com a vida não chega nunca a morrer devidamente.
- A guerra é vaidosa: se ostenta mesmo nos lugares onde se diz ser a exclusiva moradia da paz.
- Não era defeito de visão mas falta de outras luzes que nos desvendam para outras vidas.
- A exibição da fragilidade é a defesa do fraco.
- O que importa não é passear de noite mas deixar a noite passear-se em nós.
- Não são os brancos que são gente sozinha. Sua cultura é que é muito solitária.
Que a bala do corpo se retire
Num disparo ao avesso se desvire
E o sangue aberto se arrependa
E retorne ao leito onde escorreu
Que, enfim, a espingarda seja morta
E se escreva na campa deste tempo:
- aqui jaz a bala
- sentenciada por mandato
- da vida contra o homem.
Num disparo ao avesso se desvire
E o sangue aberto se arrependa
E retorne ao leito onde escorreu
Que, enfim, a espingarda seja morta
E se escreva na campa deste tempo:
- aqui jaz a bala
- sentenciada por mandato
- da vida contra o homem.
sexta-feira, junho 23, 2006
Dicionário
elanguescer - do Lat. elanguescere; v. int., tornar-se lânguido; enfraquecer pouco a pouco; debilitar-se lentamente.
cilício - do Lat. ciliciu < kilíkion; s. m., ant., pano grosseiro de pele de cabra com que se cobriam os soldados e marinheiros; túnica ou cinto largo de crina ou lã áspera, por vezes provido de puas, que se trazia sobre a pele por mortificação; fig., tormento, martírio, sacrifício voluntário.
sinestesia - do Gr. sýn, juntamente + aísthesis, sensação; s. f., relação subjectiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertence ao domínio de um sentido diferente (por exemplo, um perfume que invoca uma cor ou um som que invoca uma imagem).
lupanar - do Lat. lupanar; s. m., casa de prostituição; bordel; alcoice; prostíbulo.
sambenito - do Cast. sambenito; s. m., hábito ou balandrau, em forma de saco, que se enfiava pela cabeça dos condenados, quando eram levados para os autos-de-fé.
cilício - do Lat. ciliciu < kilíkion; s. m., ant., pano grosseiro de pele de cabra com que se cobriam os soldados e marinheiros; túnica ou cinto largo de crina ou lã áspera, por vezes provido de puas, que se trazia sobre a pele por mortificação; fig., tormento, martírio, sacrifício voluntário.
sinestesia - do Gr. sýn, juntamente + aísthesis, sensação; s. f., relação subjectiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertence ao domínio de um sentido diferente (por exemplo, um perfume que invoca uma cor ou um som que invoca uma imagem).
lupanar - do Lat. lupanar; s. m., casa de prostituição; bordel; alcoice; prostíbulo.
sambenito - do Cast. sambenito; s. m., hábito ou balandrau, em forma de saco, que se enfiava pela cabeça dos condenados, quando eram levados para os autos-de-fé.
quinta-feira, junho 22, 2006
Lenin Syriana Oil
Lenin Oil, de Pedro Rosa Mendes, é uma enigmática história que envolve exploração petrolífera em África e as lutas de poder inerentes à conquista da extracção do mesmo. Tem um enredo complexo, por vezes desconexo, com nomes omitidos em que as personagens são difusas. Ao ler este livro é impossível não estabelecer um paralelo com Syriana. Porque o tema é o mesmo: o impacto da exploração petrolífera nos países e comunidades na qual se efectua e os interesses e guerras veladas de poder que desperta. Apenas o cenário não é exactamente o mesmo.
Este paralelismo livro/filme recorda-me igualmente Heart of Darkness e Apocalipse Now, livro de Josephe Conrad e filme de F. F. Copolla, respectivamente. Há dois cenários diferentes em que os paradigmas do indivíduo, que se crê moralmente superior, se vê confrontado com o outro e colocado em situações limite que o levam a questionar as suas crenças e dogmas ao mais profundo nível.
Este paralelismo livro/filme recorda-me igualmente Heart of Darkness e Apocalipse Now, livro de Josephe Conrad e filme de F. F. Copolla, respectivamente. Há dois cenários diferentes em que os paradigmas do indivíduo, que se crê moralmente superior, se vê confrontado com o outro e colocado em situações limite que o levam a questionar as suas crenças e dogmas ao mais profundo nível.
quarta-feira, junho 21, 2006
Lenin Oil, P. R. Mendes
- Quem são os nossos melhores amigos de hoje? São os comunistas de ontem . eles não mudaram, nós é que demorámos a entender-nos com eles.
- … os rios do paraíso existem mesmo. Correm, petrificados, tão fundo quanto os nossos sonhos conseguem perfurar. E são negros.
- Os vidros fumados pertencem ao mesmo vício quer os óculos de sol: o luxo da invisibilidade.
- Nem reis nem papas admitiram que nem todos os sítios pertencem a Cristo. E que há sítios, de tão maus, Cristo, na sua humildade, não quis abençoar.
- A realidade é que toda a perfeição do mundo cabe dentro de uma latrina. É altura de reconhecer a merda – com o devido respeito – em que estamos metidos. É muito grande.
- O enredo não muda. Só os acontecidos.
- … o petróleo não mova montanhas mas convoca os profetas.
- Ali estavam, sentados, a esperança, o interesse, a força e o rancor. (A razão raramente assiste. )
- Quando estamos no silêncio de uma cela, os selos que chegam trazem um cheiro de liberdade e de coisas queridas. Cheiram a família. Cheiram a… ilusão.
- A filantropia consiste em não aplicar a força, que é uma questão política, mas tão-só em disponibilizar os meios, que é uma questão de comércio.
- Ser ninguém era melhor do que não ser ninguém.
- … a identidade é uma marginalidade.
- Sendo amorais, não podem ser acusadas de imorais. Não são boas nem más. São.
- Todos morremos de morte, mas a morte não se basta em ser a sua própria causa.
- … os rios do paraíso existem mesmo. Correm, petrificados, tão fundo quanto os nossos sonhos conseguem perfurar. E são negros.
- Os vidros fumados pertencem ao mesmo vício quer os óculos de sol: o luxo da invisibilidade.
- Nem reis nem papas admitiram que nem todos os sítios pertencem a Cristo. E que há sítios, de tão maus, Cristo, na sua humildade, não quis abençoar.
- A realidade é que toda a perfeição do mundo cabe dentro de uma latrina. É altura de reconhecer a merda – com o devido respeito – em que estamos metidos. É muito grande.
- O enredo não muda. Só os acontecidos.
- … o petróleo não mova montanhas mas convoca os profetas.
- Ali estavam, sentados, a esperança, o interesse, a força e o rancor. (A razão raramente assiste. )
- Quando estamos no silêncio de uma cela, os selos que chegam trazem um cheiro de liberdade e de coisas queridas. Cheiram a família. Cheiram a… ilusão.
- A filantropia consiste em não aplicar a força, que é uma questão política, mas tão-só em disponibilizar os meios, que é uma questão de comércio.
- Ser ninguém era melhor do que não ser ninguém.
- … a identidade é uma marginalidade.
- Sendo amorais, não podem ser acusadas de imorais. Não são boas nem más. São.
- Todos morremos de morte, mas a morte não se basta em ser a sua própria causa.
quarta-feira, junho 07, 2006
Syriana
O seu argumento é complexo e nele parece soçobrar várias pontas soltas, mas que apenas reflecte a complexidade da teia de influências e interesses que rodeiam o poder e o desejo de o atingir. Fica a noção de que tudo é “comprável”, tudo é negociável, incluindo as vidas humanas e somente o seu valor de aquisição difere. Há quem valha mais e há quem valha menos que nada.
Há quem decide a estratégia, quem nomeie os peões a perecer e quem dê poder provisório a outrem, mas este jogador é muito pouco visível. A sua face não o demonstra, mas o alcance dos seus tentáculos é longo.
Um filme a não perder.
Há quem decide a estratégia, quem nomeie os peões a perecer e quem dê poder provisório a outrem, mas este jogador é muito pouco visível. A sua face não o demonstra, mas o alcance dos seus tentáculos é longo.
Um filme a não perder.
terça-feira, junho 06, 2006
Dicionário
Matungo - adj. e s. m., Brasil, designativo do cavalo velho e inútil, sem préstimo.
Chimango - s. m., Brasil, espécie de gavião; nome dado aos membros do Partido Liberal que se opunha à restauração de Pedro I; alcunha dada aos adeptos do Partido Republicano.
Ferrabrás - do Fr. Fier-à-Bras, n. pr.; adj. e s. m., valentão; fanfarrão.
Estorcegão - s. m., torcedela violenta e rápida; grande beliscão.
Silente - do Lat. silente; adj. 2 gén., silencioso.
Chimango - s. m., Brasil, espécie de gavião; nome dado aos membros do Partido Liberal que se opunha à restauração de Pedro I; alcunha dada aos adeptos do Partido Republicano.
Ferrabrás - do Fr. Fier-à-Bras, n. pr.; adj. e s. m., valentão; fanfarrão.
Estorcegão - s. m., torcedela violenta e rápida; grande beliscão.
Silente - do Lat. silente; adj. 2 gén., silencioso.
sexta-feira, junho 02, 2006
2 em 1
Bounce / Sliding doors
Um Acaso Con Sentido / Instantes Decisivos
Um Acaso Con Sentido / Instantes Decisivos
Estes dois filmes não serão porventura extraordinários, mas agradam-me bastante. Não por serem interpretados pela mesma actriz, Gwyneth Paltrow, mas pela sua temática: somos o que somos pelo que a vida nos proporciona e os “ses” são apenas “ses”. E esta crença faz parte da minha filosofia de vida.
Em Bounce uma das personagens diz a certo momento algo como: “O Bud existe na tua vida porque o x já não existe. Isso não o torna culpado da sua morte”. A nossa vida desenrola-se com o que existe, não com o que não existe. Isto não quer dizer que eu não possa sonhar ou aspirar com o que não existe e batalhar por isso. Mas não adianta martirizarmo-nos com esse “se” e deixarmo-nos consumir por uma possibilidade que poderá não vir a existir e que nos impede de olhar ao nosso redor.
Costumo por vezes dizer que não adianta conjecturar com bases em “ses” como se fossem realidades, quando não passam de possibilidades. Porque se “se”, eu não estaria aqui neste momento. É o que acontece em Sliding Doors que nos dá duas realidades paralelas baseadas em dois ses: se apanhar o metro a tempo ou se não. Claro que no filme prevalece uma das opções, mas esta vai incorporar o outro se, numa espécie de prémio de consolação. Infelizmente, não tenho essa visão digamos tão positivista. É claro que a vida dá segundas oportunidades, mas nem sempre e não a toda a gente.
Esta é a vida que temos e ela mais do que ninguém sabe todas as regras de uma boa ironia. As nossas acções têm sempre consequências, maiores ou menores ou ainda a curto, médio e logo prazo, que nos apanham desprevenidas e mudam inevitavelmente o rumo do nosso futuro. Disso não tenho dúvidas.
Em Bounce uma das personagens diz a certo momento algo como: “O Bud existe na tua vida porque o x já não existe. Isso não o torna culpado da sua morte”. A nossa vida desenrola-se com o que existe, não com o que não existe. Isto não quer dizer que eu não possa sonhar ou aspirar com o que não existe e batalhar por isso. Mas não adianta martirizarmo-nos com esse “se” e deixarmo-nos consumir por uma possibilidade que poderá não vir a existir e que nos impede de olhar ao nosso redor.
Costumo por vezes dizer que não adianta conjecturar com bases em “ses” como se fossem realidades, quando não passam de possibilidades. Porque se “se”, eu não estaria aqui neste momento. É o que acontece em Sliding Doors que nos dá duas realidades paralelas baseadas em dois ses: se apanhar o metro a tempo ou se não. Claro que no filme prevalece uma das opções, mas esta vai incorporar o outro se, numa espécie de prémio de consolação. Infelizmente, não tenho essa visão digamos tão positivista. É claro que a vida dá segundas oportunidades, mas nem sempre e não a toda a gente.
Esta é a vida que temos e ela mais do que ninguém sabe todas as regras de uma boa ironia. As nossas acções têm sempre consequências, maiores ou menores ou ainda a curto, médio e logo prazo, que nos apanham desprevenidas e mudam inevitavelmente o rumo do nosso futuro. Disso não tenho dúvidas.
Uma vida a 2
Em que momento de numa relação as pequenas coisas que nos atraem no outro se tornam as mais insuportáveis? Em que momento(s) o quotidiano vai minando um amor ou uma paixão. Como o clima que inexoravelmente vai corroendo um edifício, roubando a vivacidade cromática de uma casa, forçando fracturas que cada vez mais se acentuam se não forem reparadas a tempo. Em que momento a atracção passa a indiferença e daí a uma repugnância. Como dois pólos que passam a repelir-se. será possível reverter a atracção? Será possível numa vida a dois ultrapassar sempre os obstáculos que se apresentam? Qual será o segredo ou a fórmula para manter uma certa frescura, uma esperança quando parece já não haver volta a dar.
terça-feira, maio 30, 2006
Dicionário
Abulia - do Gr. aboulia <>boulé, vontade; s. f., doença caracterizada pela ausência ou enfraquecimento da vontade.
Imo - do Lat. imu, o mais baixo, o mais fundo; adj., íntimo; que está no lugar mais fundo; s. m., âmago.
Guanaco s. m., Zool., mamífero camelídeo da América do Sul, espécie de lama.
Cúter - do Ing. cutter; s. m., navio de um só mastro.
Cerúleo - do Lat. caeruleu; adj., da cor do céu ou do mar.
Imo - do Lat. imu, o mais baixo, o mais fundo; adj., íntimo; que está no lugar mais fundo; s. m., âmago.
Guanaco s. m., Zool., mamífero camelídeo da América do Sul, espécie de lama.
Cúter - do Ing. cutter; s. m., navio de um só mastro.
Cerúleo - do Lat. caeruleu; adj., da cor do céu ou do mar.
Sabedorias
Viver intensamente compensa todo o esforço e quase todo o sacrifício.
Viver a meias sempre foi a função e o castigo dos medíocres.
Rolo Diez
… pois só os bobos se poderiam importar com alguma coisa
Rolo Diez
… pois só os bobos se poderiam importar com alguma coisa
que não fosse a arte de continuarem vivos.
Márcio de Sousa
O poeta não é aquele que canta a chuva.
Márcio de Sousa
O poeta não é aquele que canta a chuva.
O poeta é o que faz chover.
Provérbio hindu
Provérbio hindu
sábado, maio 27, 2006
Uma pequena história de mim
A minha família tem origem na freguesia de Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã. É lá que está a casa de família construída pelos meus avós paternos e que aquando da morte destes foi herdada pelo meu pai. A casa da terra foi sempre o nosso destino de fim-de-semana e de férias – sempre curtas, pois não duravam mais de uma semana. A sua arquitectura era simples: três quartos, três salas, uma cozinha com lar e no piso térreo a adega e os restantes espaços de armazenagem e criação de animais.
Não tenho qualquer recordação dos meus avós lá. O meu avô morreu ainda eu não tinha nascido e a minha avó quando eu era ainda pequena. As poucas imagens que dela tenho têm como cenário a casa onde nasci e ainda hoje vivo. Mas essas recordações são uma outra história…
Na nossa casa da terra, costumava dormir numa pequena sala contigua ao quarto dos meus pais. Nessa sala, além de mobílias velhas, que não podem ser consideradas antiguidades, foi pendurado a certa altura um quadro com uma menina bailarina. Era um quadro bonito, uma qualquer imitação, penso eu, de um pintor de renome, mas até agora nunca vi nenhuma imagem igual àquela. Esse quadro foi-se deteriorando ao longo dos anos perdendo a cada Inverno a inglória batalha da humidade. Na verdade, sempre me fez questionar quantas obras de arte se perderam no mundo por simples incúria ou ignorância.
O quadro ficava de frente para o pequeno divã em que dormia. Era já velho e o seu formato concavo acusava já os muitos anos de uso. Eu não me importava. Era ai que me anichava e me preparava para dormir e era ai que de manha ao acordar recebia a luz que o sol contrabandeava por entre as ténues frestas da janela.
Uma das primeiras coisa que via era o tecto de madeira num pálido tom de verde que não deveria ser muito diferente do tom original. Em cada canto do tecto havia uma pequena andorinha cerâmica que pareciam voar para o centro da sala. Era o que o tornava único.
Quando anos mais tarde o meu pai resolveu fazer obras que a casa já há muito necessitava quase toda a sua traça foi alterada. E essa sala também deixou de o ser.
Antes de se iniciar o desmancho, o meu pai e o meu tio olharam longamente para aquele tecto num momento que todos respeitámos e não ousamos sequer interromper, pois nos seus olhos tristes se percebia a solenidade da despedida.
Para mim essas andorinhas são parte da minha infância e nunca tinha pensado nelas como parte da infância do mau pai. É estranho e curioso como parece inconcebível que os nossos pais tenham tido uma infância. Para nós são adultos e pouco mais vemos deles além desse estado. É preciso um certo esforço para vermos mais além e isso não significa que o consigamos. Aliás, continuo a não conseguir ver o meu pai como criança. Mas, hoje, que já deixei a infância há alguns anos, compreendo cada vez mais aquele olhar de despedida do meu pai. O olhar resignado e triste com que nos despedimos dos lugares que nunca mais veremos a não ser nas nossas recordações. Reconheço esse olhar. Cada um de nós despediu-se à sua maneira da casa da nossa infância.
Não tenho qualquer recordação dos meus avós lá. O meu avô morreu ainda eu não tinha nascido e a minha avó quando eu era ainda pequena. As poucas imagens que dela tenho têm como cenário a casa onde nasci e ainda hoje vivo. Mas essas recordações são uma outra história…
Na nossa casa da terra, costumava dormir numa pequena sala contigua ao quarto dos meus pais. Nessa sala, além de mobílias velhas, que não podem ser consideradas antiguidades, foi pendurado a certa altura um quadro com uma menina bailarina. Era um quadro bonito, uma qualquer imitação, penso eu, de um pintor de renome, mas até agora nunca vi nenhuma imagem igual àquela. Esse quadro foi-se deteriorando ao longo dos anos perdendo a cada Inverno a inglória batalha da humidade. Na verdade, sempre me fez questionar quantas obras de arte se perderam no mundo por simples incúria ou ignorância.
O quadro ficava de frente para o pequeno divã em que dormia. Era já velho e o seu formato concavo acusava já os muitos anos de uso. Eu não me importava. Era ai que me anichava e me preparava para dormir e era ai que de manha ao acordar recebia a luz que o sol contrabandeava por entre as ténues frestas da janela.
Uma das primeiras coisa que via era o tecto de madeira num pálido tom de verde que não deveria ser muito diferente do tom original. Em cada canto do tecto havia uma pequena andorinha cerâmica que pareciam voar para o centro da sala. Era o que o tornava único.
Quando anos mais tarde o meu pai resolveu fazer obras que a casa já há muito necessitava quase toda a sua traça foi alterada. E essa sala também deixou de o ser.
Antes de se iniciar o desmancho, o meu pai e o meu tio olharam longamente para aquele tecto num momento que todos respeitámos e não ousamos sequer interromper, pois nos seus olhos tristes se percebia a solenidade da despedida.
Para mim essas andorinhas são parte da minha infância e nunca tinha pensado nelas como parte da infância do mau pai. É estranho e curioso como parece inconcebível que os nossos pais tenham tido uma infância. Para nós são adultos e pouco mais vemos deles além desse estado. É preciso um certo esforço para vermos mais além e isso não significa que o consigamos. Aliás, continuo a não conseguir ver o meu pai como criança. Mas, hoje, que já deixei a infância há alguns anos, compreendo cada vez mais aquele olhar de despedida do meu pai. O olhar resignado e triste com que nos despedimos dos lugares que nunca mais veremos a não ser nas nossas recordações. Reconheço esse olhar. Cada um de nós despediu-se à sua maneira da casa da nossa infância.
Nome de Toureiro, L. Sepúlveda
- … nenhuma confissão é limpa quando acompanhada pelo lastro da traição.
- Um homem pode suportar muita dor. O assombroso mecanismo do cérebro oferece recantos, regiões de vazio absoluto, onde é possível a gente esconder-se, e fica sempre a opção final de nos deixamos abraçar pela loucura. Para alcançar esta duas possibilidades é preciso acreditar em “qualquer coisa”, e ver, apalpar, que o silêncio persistente faz com que essa “qualquer coisa” seja inalcançável pelos torturadores.
- Perder é uma questão de método.
- Exila-se o que apenas conheceu um dos lados da medalha e que leva os seus erros mais além de onde os aprendeu, mas o que atravessou todo o túnel descobrindo que os dois extremos são escuros deixa-se ficar preso.
- É recomendável escolher os voluntários entre os menos aptos para a acção heróica ou entre os mais tocados pelos efeitos da guerra na sociedade civil.
- Há sempre um dia em que cada um de nós tem de enfrentar situações sem saída.
- … as retiradas difíceis resultam quando disfarçadas de ataques em massa.
- Eu sou um tipo disciplinado. Não penso, não dou opiniões, não acho nem digo nada. Cumpro ordens.
- Enquanto fumava pensou que tudo estava a acontecer de uma maneira mais difícil do que acreditara. Começavam a intervir os imponderáveis, os inevitáveis acontecimentos imprevistos. - E como o único modo de os enfrentar é conhece-los, decidiu fazer um inventário da situação.
- … porque é que temos tanto medo de olhar de frente para a vida, nós que já vimos as aúreas cintilações da morte.
- Um homem pode suportar muita dor. O assombroso mecanismo do cérebro oferece recantos, regiões de vazio absoluto, onde é possível a gente esconder-se, e fica sempre a opção final de nos deixamos abraçar pela loucura. Para alcançar esta duas possibilidades é preciso acreditar em “qualquer coisa”, e ver, apalpar, que o silêncio persistente faz com que essa “qualquer coisa” seja inalcançável pelos torturadores.
- Perder é uma questão de método.
- Exila-se o que apenas conheceu um dos lados da medalha e que leva os seus erros mais além de onde os aprendeu, mas o que atravessou todo o túnel descobrindo que os dois extremos são escuros deixa-se ficar preso.
- É recomendável escolher os voluntários entre os menos aptos para a acção heróica ou entre os mais tocados pelos efeitos da guerra na sociedade civil.
- Há sempre um dia em que cada um de nós tem de enfrentar situações sem saída.
- … as retiradas difíceis resultam quando disfarçadas de ataques em massa.
- Eu sou um tipo disciplinado. Não penso, não dou opiniões, não acho nem digo nada. Cumpro ordens.
- Enquanto fumava pensou que tudo estava a acontecer de uma maneira mais difícil do que acreditara. Começavam a intervir os imponderáveis, os inevitáveis acontecimentos imprevistos. - E como o único modo de os enfrentar é conhece-los, decidiu fazer um inventário da situação.
- … porque é que temos tanto medo de olhar de frente para a vida, nós que já vimos as aúreas cintilações da morte.
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