sexta-feira, janeiro 27, 2006

O amor não é uma questão de sobrevivência,
é uma questão de qualidade de vida.
Diz-me uma palavra que seja
Anseio por ela.

Rectifico. Posso?
E mesmo que digas não, não há resposta ao que é só força de hábito.

Não, não quero a tua palavra.
Estou farta de palavras.
O que quero?

Quero…
As tuas mãos entrelaçadas nas minhas
O teu abraço caloroso
Sentir o afago caloroso da tua respiração nos meus cabelos
O teu embalo.

Parece tão simples.
Mas é o mais complicado de tudo.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

O Melhor dos Jornais?

Os Cartoons, certamente. Contradizem qualquer um que diga que os portugueses não sabem rir. Oh, se sabem. Até porque mais vale rir que chorar.

Amadeus

Nome: Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart

Adoptou mais tarde as variantes, ora italiana ora francesa, mas ficou para a história pela variante latina que nunca utilizou.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Dicionário

Latagão - de látego?;s. m.;homem robusto e de grande estatura.

Esmo - de esmar; s. m.; estimativa; cálculo a olho; avaliação por grosso. a -: ao acaso; à toa.

Cinábrio - s. m.; cinabre. do Lat. Cinnabari; sulfureto vermelho de mercúrio; espécie de galenite; cor rubra; Beira, vigota que cruza o madeiramento dos telhados.

Lêdo Ivo

Não tenho mais canções de amor.
Joguei tudo pela janela.
Em companhia da linguagem
Fiquei e o mundo se elucida

pela mão, levam-me as palavras
as geografias absolutas.

sábado, janeiro 21, 2006

Conversas à Volta da Arte (Excerto)

Van diz:
alguma que se destaque?
Dinai diz:
há muitas citações interessantes e sobre vários temas, sei lá são tantas, m ká vai uma
Van diz:
td bem
Dinai diz:
a arte é mais transformadora do que a política. quem se mete nisso vai adquirindo uma consciência apurada, social e politica.
Van diz:
se fosse verdade para todos, e não só para quem escreveu, seria uma boa verdade! mas achei bem interessante!
Dinai diz:
é uma boa e real verdade, só que a arte é sempre menosprezada e vista maioritariamente como entretenimento e não como factor de formação de 1 indivíduo.

Gémeos 2006

(Acho que o ano passado dizia o mesmo)

Os nativos de Gémeos são influenciados pela Carta nº 21 do Tarot – O Mundo, que significa Fertilidade.

Previsão geral para 2006
O ano de 2006 promete ser muito auspicioso para os nativos de Gémeos. As suas energias devem ser canalizadas para a criatividade, tirando partido da imaginação para alcançar o sucesso e o poder. Os processos que tem em curso conhecerão um progresso tão espantoso que lhe permitirá tirar férias antes do planeado. Aproveite esta altura para se inscrever numa actividade que ache interessante ou para desenvolver um passatempo que lhe permita desenvolver a sua criatividade.
O seu optimismo fará com que sinta coragem para desenvolver projectos inovadores e ousados e essa sua atitude trar-lhe-á muitos benefícios, no entanto deve ser prudente para não correr riscos desnecessários. Ousadia sim, mas sempre com um elevado grau de responsabilidade. É possível que descubra novos interesses e que possa utilizá-los para melhorar o seu sector profissional.
Com a entrada do Outono sentirá necessidade de reorganizar a sua vida de uma forma radical, evitando deixar assuntos pendentes. É a melhor forma de preparar o novo ano que se aproxima. Organize uma agenda com todos os planos que tem para o futuro e defina estratégias para melhor os atingir.Poderá sentir-se tentado a estudar teorias filosóficas que o levem a descobrir o sentido e a essência da sua própria vida. Em termos profissionais e financeiros conhecerá uma transformação significativa, libertando-se de problemas antigos e abrindo caminho para uma mudança, a longo prazo, na sua carreira. Poderá sentir que a sua carreira está parada, sem vitalidade e, por isso, a sua aposta vai cair sobre a criatividade e a originalidade como formas de dinamizar a sua vida profissional e obter o sucesso que tanto deseja e merece.

Traços gerais
Os nativos de Gémeos são divertidos, sensíveis e comunicativos. Adoram aprender coisas novas e diferentes, pois têm um espírito curioso e inquieto. As viagens são um dos seus focos de interesse, porque lhes permitem conhecer novos lugares, pessoas e culturas; a sua sede de novos conhecimentos é ilimitada. Detestam as convenções e prezam a liberdade acima de qualquer outra coisa. Amantes da Natureza, sentem-se plenamente felizes em contacto com os animais. A sua principal característica, a dualidade, faz com que mudem de humor com relativa facilidade, transformando-os assim em pessoas misteriosas e imprevisíveis.

Mulher:
A mulher de Gémeos é intensa, inquieta e temperamental. Dotada de uma inteligência e perspicácia fora de série, esta mulher procura alguém com quem possa partilhar as suas ideias inovadoras. Curiosa por natureza, está sempre em busca de novos conhecimentos, por isso é frequente vê-la rodeada de livros. Como tem tendência para se sentir bem em qualquer lugar, adapta-se com facilidade a todo o tipo de situação, mas se não fizer o que gosta nunca se sentirá realmente feliz.

Planeta Regente do Signo
Mercúrio - Planeta da comunicação. Representa a inteligência, a perspicácia e a lógica. Promove a descodificação de mensagens, facilita a comunicação favorece a auto-realização. As suas características assemelham-se às dos nativos de Gémeos e por isso é considerado o seu planeta regente. Aqueles que nascem sob a sua influência são práticos, inconstantes e intuitivos.

Elemento do Signo
Ar - Representa a rapidez, a inteligência e o talento. Este elemento relaciona-se com tudo o que diz respeito à racionalidade e à inteligência. Os nativos dos signos que pertencem ao elemento Ar (Gémeos, Balança e Aquário) são inteligentes, curiosos e adaptam-se com muita facilidade a novas situações. Detestam a monotonia, são impulsivos e idealistas. Estes nativos sentem uma atracção especial por nativos do elemento fogo, porque enquanto os primeiros idealizam os planos e projectos, os segundos têm a energia suficiente para os pôr em prática.

Signos Compatíveis
Balança, Aquário, Carneiro, Leão e Sagitário

Signos Incompatíveis
Touro, Virgem e Capricórnio

quinta-feira, janeiro 19, 2006

De efemeridade

Não te sabia tão frágil. Pensei-te uma fortaleza inabalável e julguei-te inafectável. Afinal, enganei-me.
És tão dependente de um olhar rendido e já não te olham como outrora. Agora pareces perdida, quando sempre foste referencial. A tua face impenetrável começa a ser subjugada pela força imparável do tempo. Que fazes agora com os sulcos de tempo que te assolam e lentamente esfumam a beleza que era teu apanágio?
Sim, a beleza é frágil e existe por apenas breves momentos.
Dás-te agora conta da tua efemeridade?

Sugestões

Nick do Dia

"A descorna deve ser executada por uma pessoa experiente."

quarta-feira, janeiro 18, 2006

C.S. Lewis e As Crónicas de Nárnia

O meu primeiro contacto com C.S. Lewis, o autor destas crónicas, foi através de uma adaptação da mesma em animação que vi creio que já não na infância, mas sim na adolescência.
Já na faculdade fiquei a conhecer um pouco melhor o autor através de um filme visionado numa aula de Inglês. Esse filme, cujo nome em português não me recordo, foi Shadowlands, interpretado por Anthony Hopkins e Debra Winger. Ai fiquei a saber do seu percurso catedrático e que era era um conceituado autor britânico de literatura fantástica, autor de obras como as Crónicas de Nárnia e A Trilogia Cósmica. O filme, cujo título é de um outro trabalho seu, acompanha o período de vida em que esteve casado e o acompanhou de todo o tratamento a que a sua mulher foi submetida para tentar combater o cancro que a vitimara, e ao qual não sobreviveu, e a sua relação com a literatura através dos diálogos que mantém com um dos seus alunos de tutorial. Este seu contacto com a eminência da morte este na origem de outra obra, A Dor – A Grief Observed, no qual analisa e questiona o divino.
Na altura em que vi o filme, este tocou-me imenso porque meses antes a minha mãe tinha sido submetida, além de uma cirurgia, a tratamentos de quimio e radioterapia. Algum tempo depois, li A Dor e creio que alguns dos seus pensamentos me ajudaram a superar a dor da perda quando poucos anos mais tarde a minha mãe viria a falecer de cancro. Apesar de eu não possuir a crença no divino que o autor possuía, o seu raciocínio ajudou-me no processo de aceitação.
Quanto à adaptação ao cinema das Crónicas de Nárnia foi como enorme satisfação que vi o filme. Primeiro porque é muito fiel ao imaginário infantil: uma história de meninos que têm a oportunidade de serem príncipes e princesas num mundo de magia, em que o bem e o mal são simples de identificar e a redenção é possível. Sendo assim muito menos sombrio que Tolkien ou Rowling. Segundo, os efeitos especiais e os pormenores técnicos e são excelentes, sem qualquer descuramento no s detalhes. No que diz respeito às interpretações, Tilda Swinton está irrepreensível, num registo perto da androginia que já nos tinha mostrado em Orlando. Também Liam Neeson mostra os seus dotes vocais ao dar voz a Aslan, num registo sóbrio, profundo e cativante, comparável a vozes inconfundíveis como James Earl Jonse e Sean Connery.

Sobre a Mão e outros Ensaios, J. Lobo Antunes

Image hosted by Photobucket.com
O que me levou a comprar este livro foi a curiosidade de como e sobre que escreveria um reputado neuro-cirurgião e cujo irmão granjeia grande fama como escritor.
Dos vários ensaios que constituem o livro, tive uma maior empatia pelos de pendor mais humanista e uma óbvia maior dificuldade com os mais técnicos, o que é compreensível dada a minha formação e sensibilidade. No entanto, todos eles foram bastante elucidativos e uma fonte de aprendizagem. São vários os temas abordados e apesar da linha condutora de cada um ser una, há sempre pontos de interligação entre todos, e podemos sempre compará-los com a nossa experiência de vida.
Um dos temas é a relação médico-paciente e de como, numa época actual de desenvolvimento tecnológico, esta relação é de maior afastamento, sendo imperativo consciencializar os profissionais da saúde para a necessidade do toque humano aquando do tratamento da doença que ao debilitar e fragilizar o doente o deixa desamparado. A restituição de motivação ao combate da doença passa muito pelo toque e encorajamento de quem está perto e o médico e com certeza alguém em quem se deposita a maior das confianças neste período. Consequentemente, o tratamento da dor e do sofrimento causados pela doenças merece uma outra reflexão, com a apologia dos cuidados paliativos como forma de dar dignidade aos últimos momentos de vida de doentes na sua maioria em agravado estado de agonia.
Marcantes são as pessoas que nos influenciam, os nossos mestres de quem recebemos a sabedoria que tentamos alcançar e tentamos levar mais além. Marcante é também o poder do toque de uma mão e os seus vários tipos de toque, como a expressão de emoções e as capacidades e habilidades técnicas que esta confere.
A possibilidade de acesso à informação e ao conhecimento por parte dos pacientes coloca novos desafios aos médicos. Por um lado o crescente número de neo-hipocondríacos que se assumem quase como mais sábios que aqueles que os vão tratar, como os pacientes que apesar das respostas tentam procurar mais, preparar-se mais. Este acesso é também um dos factores que distingue o paciente das denominadas doenças da pobreza e da riqueza. Dependendo de estratos sociais, estilos de vidas e possibilidades económicas, diferentes doenças são-lhes características. Há, no entanto, uma maior preocupação pela maioria da população em adoptar novos estilos de vida saudáveis, com o objectivo de aumentar não só a qualidade como a quantidade de vida. E este aumento traz por sua vez consequências em termos de saúda o que levanta novos desafios à comunidade médica.
Por último, uma referência a dois temas que o autor aborda em ensaios diferentes mas que também não os dissocia: a literatura e a morte. A primeira considera-a uma professora na arte de lidar e conhecer o ser humano, uma arte que o médico não pode descurar, salientando-o que foi em vários livros que aprendeu a conviver com a morte como final inevitável de um paciente e sugerindo que todos os médicos deveriam ler algumas obras literárias.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

D. Giovanni, J. Saramago

Image hosted by Photobucket.com
Comendador – Os mortos não comem, são comidos.
...
Leporello – Senhor, já vou, já fui, já não estou.
...
Leporello – O futuro é um mar contido na concha das mãos de Deus, normalmente vai caindo sobre as nossas cabeças como o contínuo fluir de uma cascata, mas, de vez em quando, sempre há um pedacinho maior que se solta.
...
Don Giovanni – Nunca cantei serenatas à lua. À luz da lua, sim, mas nunca à lua. Não gasto o meu tempo com satélites. Tragam-me estrelas, e então cantarei.

Adeus, Minha Concubina, L. Lee

Image hosted by Photobucket.com
- Quando um homem ama outro, não pode ser simples; e é sempre difícil saber como começar.
- Um espectáculo constitui um breve encontro entre os actores e o público. A doçura repousa na brevidade e no melancólico desfecho. A representação permite ao actor ser alguém importante e aos espectadores partilhar uma parte dessa vida extraordinária.
- Os actores gozam da admiração de centenas de estranhos que são transportados para for a das suas vidas insignificantes pelas profundas emoções representadas diante deles. Mas esse encontro só dura umas horas. No dia seguinte, todos os participantes voltam à existência de todos os dias e tornam-se novamente em estranhos.
- O amor era como um jogo – se a pessoa ficasse a jogar durante muito tempo, arriscava-se a perder. A vida era como uma flor de feijão – reflectiu pesarosamente – ligeiramente adocicada e de cor ambígua, mas calorosa.
- Mas nada é imutável em todo o mundo. Até os mares podem transforma-se em campos férteis e terras férteis sem ser engolidos pelo mar.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

A Jóia da Família / The Family Stone

Image hosted by Photobucket.com
O filme retrata uma reunião familiar para comemorar a quadra festiva natalícia que será pautada pela apresentação da noiva do filho mais velho, Sarah Jessica Parker e Dermot Mulroney, respectivamente. A incompatibilização desta com a família devido às suas diferentes maneiras de ver a vida vai criar pequenos conflitos que permitirão aos personagens um maior auto-conhecimento e consequente amadurecimento. O filme visa sobretudo uma valorização dos laços familiares que se regem pelo amor incondicional e a aceitação de cada um dos seus membros pelo que este é e sem qualquer juízo preconceituoso.
Nota: As duas conotações do título original presentes no desenrolar do enredo.

Tão veloz como o desejo, L. Esquivel

Image hosted by Photobucket.com
- quanto tempo demora o desejo a enviar o sinal correcto e quanto tempo passa antes de chegar a resposta esperada? As variáveis são muitas, o que é inegável é que todo o processo começa com um olhar.
- … o mais importante não era o idioma utilizado mas a intenção presente naquilo que se comunicava.
- Terei de aprender a ouvir o seu silêncio para encontrar as respostas.
- O que não quis o meu pai ver que o deixou cego? O que quis reter com tanta força, que até parkinson lhe deu?
- Amar é um verbo. Demonstramos o nosso amor através de acções. E uma pessoa só se sente amada quando a outra lhe manifesta o seu amor com beijos, abraços, carícias e demonstrações de generosidade. Uma pessoa que ama procurará sempre o bem-estar físico e emocional da pessoa amada.
- E se é bem verdade que não só de pão vive o homem, também não pode sobreviver só de amor. Talvez por isso seja tão triste um apaixonado pobre. Por mais satisfatória que seja uma relação a nível emocional e sexual, a falta de dinheiro pode afectar e minar, pouco a pouco, até a maior paixão.
- … possuir significava depender e ele era demasiado livre para querer comprar amarras.
- Depois do amor não há coisa mais importante que a confiança e um dos benefícios da vida a doi9s é precisamente a possibilidade de desfrutar dela plenamente.
- Para poder perdoar é necessário aceitar o que não se pode mudar…
- A sua ausência é incomensurável. Não é possível explicar, não é possível transmitir a experiência de ficarmos sós. A única coisa que me parece evidente é eu já não ser a mesma.
- Eu pensava que estava bem preparada para enfrentar a sua morte, mas não. Nunca estamos preparados. O mistério da vida e da morte é demasiado poderoso. Não há mente que o consiga abarcar. Com dificuldade entendemos o que se passa ao nível da terceira dimensão. Sabemos apenas que os mortos já cá não estão, que partiram e nos deixaram sós. Todo aquele que já viu um corpo sem vida sabe do que estou a falar.
- No pó habitam milhares de milhões de presenças de seres que povoaram a Terra.
- … às vezes a vida é muito ingrata, mas não importa, o mais interessante no processo da comunicação é permitir-nos tomar consciência de que as palavras que saem do nosso corpo, seja na forma escrita, falada ou cantada, voam pelo espaço carregadas do eco de outras vozes que já antes de nós as tinham pronunciado.
- No fim de contas, é isso que importa. Que alguém perdura na memória graças ao poder transformador das suas palavras.

sábado, janeiro 07, 2006

A Noiva Cadáver

Image hosted by Photobucket.com
Tim Burton está mais doce. Os mais recentes filmes já não têm a negritude e desesperança (não só de cor) dos primeiros. Além da cor, há também uma maior luminosidade. No entanto, Burton continua a mostrar que lida com temas como a morte e o desenquadramento como nenhum outro autor. A morte não é o negro e o fim, é a cor e o princípio de uma nova vida, é o tempo da cor e da esperança. O negro esse pertence aos vivos e à sua mesquinhez.
Considerado à partida por muito como uma espécie de “continuação” de O Estranho Mundo de Jack, a Noiva está, no entanto, a vários níveis muito mais próxima do universo de Beetlejuice. A cor, os pormenores e trocadilhos linguísticos e até a lagarta parecem saídos desse filme.
Não se pode considerar este o melhor ou mais impressionante filme de Burton, mas é com certeza um filme a não perder, que nos deixa com um sorriso nos lábios.

E a cor, sempre a cor…

A vida Aquática

Image hosted by Photobucket.com

com Steve Zizzou
A Vida Aquática é um objecto de deleite visual em que a utilização da cor relembra T. Burton e L. Burham. A cor está sempre presente: no guarda-roupa, no cenário, na fotografia. É esta cor que embala esta sátira não só a Costeau mas a todo esse universo científico e de descoberta que povoou a imaginação de uma geração, na qual também se inserem Sagan e Attenborough. Tudo isto servido por um excelente naipe de actores. É daqueles filmes que primeiro se estranha mas depois se entranha.

Tempo do Adeus

DNA
GR
LER

Tempo de Pausa

A pausa é necessária:
ao descanso, ao realinhamento, à simplificação.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Mais 2006

Este é o último post deste ano, por isso não me vou alongar. Quero apenas muito singelamente agradecer a quem me tem acompanhado nesta aventura que perfaz agora dois anos. Tem valido imenso.
Desejo muitas coisas boas para 2006 para todos, mas por vezes esqueço-me que o que tenho é um desejo para muitos mais. Por isso, deixo-vos com uma reflexão um pouco mais séria de Pedro Stretch. Lamento desde já se a visualização não for das melhores. Vale a intenção.
Para todos, mais 2006
Image hosted by Photobucket.com

quinta-feira, dezembro 29, 2005

terça-feira, dezembro 27, 2005

Balanço 2005/Perspectivas 2006

No início, este perspectivava-se como um ano difícil e de muita incerteza profissional. Afinal, acabou por ser o ano de estabilização da mesma. Consegui entrar para os quadros da Câmara, logo, grande parte das minhas preocupações cessaram. Agora, o objectivo é conseguir a reclassificação e depois, internamente não sei o que poderá mudar, mas a ideia é aproveitar o aumento de ordenado para fazer uma pós-graduação e assim poder também progredir
No teatro, as coisas não correram exactamente como esperado. Acho que todos nós estamos a precisar de uma lufada de ar fresco. No entanto, uma boa reunião e sempre uma boa reunião. O outro hobbie, a escrita, resumiu-se à partilha com vocês de descobertas, ideias e vários sentimentos. Ainda não foi desta que me aventurei noutras escritas. Será no próximo ano? Veremos. Mas há algo que me está a apetecer fazer: experimentar a pintura. Talvez pinte duas ou três aguarelas e depois vos conte. Sempre é algo novo.
A nível pessoal, fiz é claro novas amizades e lá se continua a fazer alguns malabarismos para que novas e antigas se coordenem. Acabo por nem sempre dar o tempo merecido a cada uma, mas quem me conhece sabe que não é intencional. Com boa vontade de todos os lados, tudo se ajeita. No campo amoroso houve surpresas muito bem-vindas. O final não foi o esperado. Mas tudo valeu a pena. Em família corre tudo sobre rodas.

Natal 2005: Momentos

(Uma grande algazarra e uma vozinha)
Tia tia pudim bebé
(e foi uma tigela tigela cheia)
...
- E correu tudo bem?
- Claro, tirando as putas das batatas, o puré que não é do Pingo Doce e o peru seco!
...
- Gostas mais da tia ou do avião?
- Do avião. Oh, dos dois.
- Mas eu gosto mais de ti.
- Oh. Eu sei.
...
- A Ana?
- Foi fechar os estores.
(uma hora depois)
- Mas a minha Ana ainda não chegou, deve ter acontecido alguma coisa, vou lá ver.
- Não vai nada, deixe lá a rapariga fechar os estores à vontade. Estas coisas demoram tempo.
...
(2ª feira)
- Tia, hoje ainda é Natal?
- Não.
- Oh, que pena. E Quando é o próximo?

quinta-feira, dezembro 22, 2005

valter hugo mãe

Toca-me o sangue. Peço-te que me toques
O sangue. Escuta este rumor
Dentro do meu peito …
Vê como estou vivo. Vê como sabem a terra
As minhas palavras …
Toca-me o sangue. Toca os fios de dor
Que me rasgam a boca

amo-te, mulher desconhecida. Amo-te
amo o jorro de luz da tua boca,
a pequena mancha de tule que dança nos teus olhos
…um grito, um grito rebenta finalmente no meu e no teu peito
Image hosted by Photobucket.com
P. Charters d'Azevedo

Eduarda Chiote

Chegámos a um acordo.
Os três.
Ambos, tu e eu, amando, no corpo

como se o desejo
não tivesse retorno e a morte estivesse
a acontecer-nos
pela primeira
vez.

Image hosted by Photobucket.com
Beijo Azul, Maria Amaral

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Dormindo Com o Inimigo

Revisto uma série de anos depois, fica a sensação de uma filme inócuo, feito apenas como veículo de afirmação da então emergente Júlia Roberts.
O enredo é escorreito sem grandes perdas de tempo, lógico e também com a previsibilidade própria do género, com duas ou três cenas perfeitamente delicodoces que em quase nada acrescentam à tensão desta história de violência doméstica.
No entanto, foi bom rever Patrick Bergin, um bom actor cuja notoriedade que atingiu no início da década de 90 não conseguiu vingar. Apesar de uma carreira cinematográfica até bastante prolifera. Com ele, recomendo o excelente As Montanhas da Lua, o relato da expedição de Livingstone em busca da nascente do Rio Nilo, o Lago Vitória.

Como Água para Chocolate

Image hosted by Photobucket.com
Como Água para Chocolate é um livro de Laura Esquivel que conta a história do amor proibido de Pedro e Tita devido a um tradição familiar em tempos da revolução villista. O mais interessante deste livro creio que é a sua estrutura: a narrativa que percorre mais de 20 anos é dividida em doze meses e cada mês é-nos apresentado por uma receita exótica que se dilui na própria história.
Quanto ao filme, cuja adaptação foi feita pela própria Esquivel, este não deixa transparecer o mais bonito do livro, exactamente a sua estrutura e esse exotismo, tão próprio do realismo mágico das literaturas sul-americanas. Transparece, no entanto, uma das suas mais emblemáticas mensagens: a culinária é uma silenciosa demonstração de amor, rica em cheiros, paladares e texturas.
Será por isso que não há melhor comida que a de mãe? E que a melhor maneira para chegar ao coração de alguém é pelo estômago?

Álbum de Família

Hoje revolvi partilhar com vocês algumas das pessoas mais importantes da minha vida: a minha família.
Os meus pais
Image hosted by Photobucket.com
Os Meus Manos
Image hosted by Photobucket.com
Os Meus Sobrinhos
Image hosted by Photobucket.com
Quem sai aos seus não degenera, pois não?
Falta o André, mas eu tia desnaturada não tenho fotos.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Votos do Dia

FELIZ NATAL E BOM ANO 2006!
Um pouco cedo eu sei, mas como conheço montes de gente rica e sexy, pensei em começar pelos ranhosos, feios e de mau feitio.

Nick do dia

Apanhamos três. Um deles pareceu-me que se chamava António André...

sábado, dezembro 17, 2005

Sabedorias

Eu não quero a sabedoria da desilusão,
eu quero a sabedoria da ilusão, que é o sonho.
Cioran

O mais importante no homem não é o que ele mostra,
mas o que ele traz escondido.
Malraux

As mulheres são pressionadas para serem boas mães,
boas profissionais, boas filhas, boas isto e aquilo… e boas.
António Tenente
São precisas várias vidas para fazer uma só pessoa.
Carlos fuentes
O livro só é factor de mudança se for lido.
Marta Lança

A felicidade nunca é grandiosa.
Huxley

Os Caminhos do Livro – Idade Média, M. Lança

O codex foi o modelo de livro surgido no século V, em pleno império romano, e era composto por folhas dobradas em cadernos e cosidas no conjunto. Durante os séculos VI e VIII a escrita destes foi mantida pela mão da religião, fazendo dos mosteiros e conventos os mais fecundos centros de cultura. Nestes, foi desenvolvido a salmodia, leitura praticada em voz alta obedecendo a um ritmo próprio. Um dos mais emblemáticos exemplos dos livros desenvolvidos e copiados neste período são os Livros de Horas, que apresentam recolhas de orações dedicadas a várias horas do dia. No entanto, os manuscritos com iluminuras representam uma parte não substancial da produção.
Com o advento da imprensa mecânica, inventada por Guttenberg em 1440, surgem os incunábulos – os primeiros livros impressos, sobre pergaminho e com iluminuras -, entre 1450 e 1500. Este novo modo de produção do livro preconizou a perda da autoridade da igreja, dando corpo à ideia de que uma instituição é sempre ameaçada por saberes alternativos.
Image hosted by Photobucket.com
(adaptado) in Ler#65

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Gostava de ser mais sábia no modo como organizo o meu tempo. Parece que não chega para tudo, mas deveria... Hoje, dois amigos declararam: tenho saudades tuas.
Fiquei encabulada e ordenei-me: organiza-te. Assim, não pode ser. As pessoas são para conviver e não para ter saudades.
Jitos Migos

Os outros...

Os outros a vêem como sensível, cautelosa, cuidadosa e prática. Eles a têem como inteligente, dotada, talentosa, mas modesta... Não é uma pessoa que faça amizades rápida ou facilmente, mas alguém que é extremamente leal aos amigos que faz e de quem espera a mesma lealdade de volta. Aqueles que realmente a conhecem compreendem que é difícil abalar a sua lealdade para com os amigos, mas também que leva um bom tempo para superar uma lealdade abalada.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

About Last Night

Image hosted by Photobucket.com
Fotografia: Ela está apaixonada.
Nino: Eu nem sequer a conheço!
Fotografia: Oh, conheces sim.
Nino: Desde quando?
Fotografia: Desde sempre. Nos teus sonhos.

Image hosted by Photobucket.com
Amélie - Eu gosto de reparar em coisas que mais ninguém vê. Odeio o modo como os condutores dos filmes antigos nunca olham para a estrada.

Winter, T. Amos

Snow can waitI forgot my mittens
Wipe my nose, get my new boots on
I get a little warm in my heart
When I think of winter
I put my hand in my father's glove
I run off
Where the drifts get deeper
Sleeping Beauty trips me with a frown
I hear a voice:"You must learn to stand up
For yourself
'Cause I can't always be around"

He says when you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
'Cause things are gonna change so fast
All the white horses are still in bed
I tell you that I'll always want you near
You say that things change, my dear

Boys get discovered
As winter melts
Flowers competing for the sun
Years go by
And I'm here still waiting
Withering where some snowman was
Mirror, mirror
Where's the Crystal Palace
But I only can see myself
Skating around the truth who I am
But I know, Dad, the ice is getting thin

When you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
'Cause things are gonna change so fast
All the white horses are still in bed
I tell you that I'll always want you near
You say that things change, my dear

Hair is grey
And the fires are burning
So many dreams on the shelf
You say I wanted you to be proud of me
I always wanted that myself

When you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
'Cause things are gonna change so fast
All the white horses have gone ahead
I tell you that I'll always want you near
You say that things change, my dear
Never change
All the white horses

Image hosted by Photobucket.com
Ricami d'inverno
Giardini pubblici - Borgotaro

sábado, dezembro 10, 2005

Mia Couto, LER#55

- … nem todos os pequenos milagres têm nome no dicionário.
- A oralidade tem um universo, tem um tempo, que não poder ser este que eu exerço como escritor.
- África profunda é um mundo onde há lógicas diferentes. E é nessa fronteira entre as lógicas diferentes que me interessa fazer algum contrabando.
- … quem tem família nunca é verdadeiramente pobre…
- A poesia, mais do que uma técnica de escrita, mais do que um género literário, é uma visão do mundo, para mim é uma filosofia.
- Aos meus filhos, incito-os para que eles errem desde que o erro seja bonito. Às vezes só há uma hipótese de criar, que é errando.
Declaro iniciada
a época oficial de
almoços & jantares
de Natal.
P.S. Resultado até ao momento, almoços 2 : jantares 3.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Quanto Puderes, C. Cavafy

Se não puderes fazer da vida o que tu queres,
Tenta ao menos isto,
Quanto puderes:
Não a disperses em mundanas cortesias,
Em vã conversa, fúteis correrias
Não a tornes banal à força de exibida,
E de mostrada muito em toda a parte
E a muita gente,
No vácuo dia-a-dia que é o deles
- até que seja em ti uma visita incómoda.

Semana cultural

Pois foi, a semana passada lá tive uma das minhas semanas culturais ocasionais. Incluiu: performance teatral, feira de arte contemporânea e ida ao circo. Ah, pois! E no próximo domingo, lá vou novamente ao teatro.
Há que aproveitar.

Mundanices II

Tenho um vestido novo tão giro!

sábado, dezembro 03, 2005

Oh, babe, be my DOOM

Image hosted by Photobucket.com

Cacos

Cacos, cacos, cacos
Estilhaços, projécteis
Com que me feres
Desintencionalmente.

& the radio plays...

Quantas vezes pensaram numa música da qual gostam particularmente e passados uns momentos ela começou a tocar na rádio como que a responder aos vossos desejos? Não me refiro às músicas das play-lists que a qualquer hora ouvimos, refiro-me àquelas que por algum motivo nos dizem algo e que normalmente não passam na rádio. No outro dia aconteceu e a verdade é que cheguei ao trabalho muito mais bem disposta do que quando tinha saído de casa. Não foi premonitório de nada para o resto do dia, simplesmente me animou.

Versos Orfãos

Não é hoje ainda o momento de te escrever.
És a miragem adivinhada.

Não sei se faço contra-bando de emoções ou se luto contra bandos de emoções.

Doi de uma dor seca e oca.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Dicionário

entropia
do Fr. entropie > Gr. entropé, mudança, volta; s. f., Fís., grandeza física que traduz o estado de um sistema termodinâmico, definida, num processo reversível, como a razão entre a variação da quantidade de calor do sistema e a temperatura absoluta à qual ocorreu essa variação; medida estatística do grau de desordem de um sistema fechado; medida da eficiência de um sistema na transmissão de informação; desordem; falta de organização.

tergiversar
do Lat. *tergiversare, por tergiversari < tergum, dorso + vertere, virar, recuar; v. int., voltar as costas; fig., usar de subterfúgios, de rodeios; buscar evasivas; inventar desculpas.

guelfo
de Welf. n. pr.; s. m., membro de certo partido político na Itália entre os sécs. XII e XIV apologista do papa e da independência italiana; adj., relativo a esse partido.

De alice

Não sei muito bem explicar, mas não tenho paciência para a Alice no Pais das Maravilhas. Nunca li o livro, mas também não tenho qualquer apetência para fazê-lo. Quando criança, dava na televisão os desenhos animados da Alice e creio que foi aí que começou a minha aversão. Talvez fosse demasiado pequena para aquele desfilar de personagens imaginárias: a autoritária Rainha de Copas, o Humpty Dumpty no seu limbo, o gato risonho, o coelho obcecado pelo seu relógio. E depois ainda havia a queda no buraco sem fim. Tudo aquilo me fazia confusão e criou em mim uma desconfortante aversão. Gostaria de perceber ao certo porquê.

Jaime Celestino da Costa

- …compreendemos cedo que a verdadeira cultura não conhece limites de género ou fronteiras, nem de idiomas, e que há uma universalidade do saber. Este deve usar-se com simplicidade e naturalidade, como elemento de enriquecimento pessoal, não como forma de ostentação.
- Uma liberdade ampla dada a uma população ignara, sem prévia educação, pode ser mais perigosa do que alguns períodos de opressão.
in JL #617

terça-feira, novembro 29, 2005

Um amor sem sentido

Eles conheceram-se e o mundo pareceu ter-se eclipsado. Amaram-se rápida e sofregamente, como se o momento fosse o único futuro possível. E cada encontro era uma combustão de sentidos.
Pouco a pouco estes foram acusando o desgaste da erosão. Primeiro imperceptível e depois catastroficamente. O olhar que já não detectava o brilho, o ouvido que já não percebia o respirar profundo, o odor que já não encantava, o sabor que já não fazia água na boca, o tacto que já não percebia o toque.
Sentaram-se e olharam-se uma vez mais e perceberam que o seu amor já não tinha sentidos.

O meu reino por um cigarro

Image hosted by Photobucket.com
Todos os dias, sensivelmente à mesma hora, ele sai à rua. Faz uma pausa e puxa do maço de cigarros. Encosta-se à grade da vitrina e tira um cigarro. Bate-o ritmicamente duas vezes no maço e eleva-o à boca. Põe a mão no bolso das calças ou camisa e saca o isqueiro. Protege-o do vento e acende-o, queimando a ponta até vê-la incandescente. Prazeirozamente, traga o fumo. Senti-o invadir gradualmente todos os alvéolos dos seus pulmões. Fecha os olhos por momentos. Ao abri-los, olha fixamente as mulheres que passam.
Olha-as como se as conhecesse de outras histórias da sua vida. Não lhes consegue dar um nome, mas conhece-lhes os desejos, as curvas do corpo, os cheiros, as fraquezas, as aspirações. Os seus olhos penetram-nas, despem os seus corpos, desnudando as suas almas. Sorri.
Sorri pela sua magnífica experiência. A sua posse deixa-o poderoso, inebriado pela sua magnificência. As mulheres pertencem-lhe. Enquanto dura aquele prodigioso cigarro. Aquele espantoso cigarro.

sábado, novembro 26, 2005

A pergunta é sempre mais
A questão estimula
A interrogação anima
A indagação percorre
O que a resposta sempre estanca

São indiferentes os sons que preferimos após a entoação. Valem mais os silêncios ansiosos que as palavras vãs. Shiu! Silencia essa tentativa de pronunciamento, quero apenas continuar a procurar.

A banda sonora da minha vida (so far…)

Image hosted by Photobucket.com
Qual é a verdadeira banda sonora da nossa vida: as músicas que gostamos ou as que identificamos com momentos da nossa vida. Aquelas que mesmo não sendo exactamente bonitas ou com as palavras mais poéticas não podemos ouvir sem recordar algum episódio. Ou aquelas que gostaríamos de ligar à nossa vivência, mas de que apenas gostamos.
Ao definir a minha banda sonora teria de inicia-las com dois exemplo de música popular portuguesa: Clemente e Nel Monteiro. Vais Partir e Retrato Sagrado, julgo ser este o nome da música, faziam parte de uma cassete que o meu pai tinha no carro e que ouvíamos sempre que íamos para a santa terrinha.
Na minha vida de saídas nocturnas já dancei muitas músicas, mas de duas gosto particularmente: Let’s Get Loud e Lady, Hear Me Tonight. A primeira ligo-a às noites do Gringo’s e a segunda às do Cool. Boas memórias.
Não consigo atribuir uma música ao meu tempo de faculdade. No entanto, retornando uns tempos antes a música que atribuo à minha adolescência será No Meu Quarto, dos Delfins. Sim, essa é a música que na minha adolescência me fazia mais sentido. No meu quarto apago a luz, pela sombra viajo no deserto… Aliás, Delfins é a banda sonora da minha amizade com o meu irmão Luís. Com o Vítor será U2.
Continuas chamando-me assim, bebé é o refrão que ensinei aos meus sobrinhos e que eles se divertem a cantar Bebé. Já com a Andreia a piéce de resistence foi o ó mulher, quem te disse a ti que a flor do monte era o alecrim, do Herman, que ela aprendeu com direito a coreografia e tudo.
Red Hot Chili Peppers lembra-me sempre a minha viagem a Paris com a Andreia, pois quando chegávamos ao hotel era inevitável ouvi-la quase de seguida no MCM. Ficou a promessa de os irmos ver juntas. Não está esquecida.
Uma música indissociável de mim é o Don’t Cry For Me Argentina. Quem me conhece sabe.
Depois, depois há as músicas que gostamos porque de algum modo parecem ter sido feitas para nós porque nos identificamos ou simplesmente nos divertem, mas que concretamente não pertencem a nenhum pedaço da nossa vida. Como o humor cínico de Robbie Williams, a voz sensual de Chris Isaak e o lirismo de Sting.
Não posso deixar também de salientar Simply Red, cujo álbum Blue é indispensável para a minha boa harmonia e os outros para eu poder cantar e dançar.
A música de Africa Minha é também a música que me tira literalmente as dores de cabeça, musicoterapia garantida. Recorda-me sempre a minha mãe, ouvinte fiel da Rádio Voz de Lisboa, cuja programação nocturna incluía um programa de Arlete Pereira às 22h e que começava sempre ao som desse belo filme.
Esperam-se novas músicas.

sexta-feira, novembro 25, 2005

As Redes de Suporte Afectivo

Estranho nome técnico (e frio) para dar a algo tão normal e quente como, por exemplo, a nossa família. Embora, infelizmente, também ela seja para várias pessoas um território frio e inerte. Isto vem a propósito de um post do Murcon em que se menciona um estudo realizados nos EUA em que se chegou à conclusão que as mulheres são as grandes mediadoras destas redes de suporte afectivo. Sendo, sobretudo, elas que dinamizam a família.
Este post fez-me recordar o meu professor de francês do 12º. Numa certa aula, não lembro já a propósito do quê, ele contou que quando a mãe era viva, chegavam a reunir-se na casa da família mais de trinta pessoas, entres filhos, noras, genros e netos. Após a morte da mãe dele, essa união dissipou-se. e, embora não compreendendo na altura muito bem o alcance dessas palavras, no entanto, as mesmas não me saíram da cabeça.
Só mais tarde, quando a minha própria mãe morreu, pude compreender em toda a sua plenitude o alcance dessas palavras. E por isso compreendo os resultados desse estudo. As mulheres e sobretudo as mulheres-mães são os grandes pilares destas redes.
Com a ausência da minha mãe a minha rede familiar sofreu um enorme abalo, como podem calcular. No entanto, e sempre tendo em mente aquelas palavras do meu professor, depois de todos nós nos reorganizarmos um pouco, procurei manter essa unidade familiar. Assumi assim esse papel de pilar centralizador da minha família. Procuro, com uma certa frequência, organizar alguns jantares lá em casa for a do calendário habitual de aniversários. É claro que de vez em quando surge a questão: é por alguma razão em particular? Não, é só para estarmos um bocado junto. Acho que é razão mais do que suficiente. A minha família é a única que tenho e o meu bem-estar está muito ligado ao bem-estar deles. Se estiverem bem, eu estou tranquila.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Sonho de uma Manhã de Inverno

Image hosted by Photobucket.com

Deixo o meu corpo despertar lentamente. Conforto-me nesse limbo entre o sonho e a consciência. Sinto o calor do teu corpo que me ladeia e permaneço assim lânguida. Só mais tarde deixo que a limpidez ténue da luz invada a escuridão das minhas pálpebras.

Quem são?

Ride
You Are... Slowdive.
You are very comfortable with the person that you are. You are pretty traditional in a classical sort of way. You relate most to things of a darker, more mysterious nature. You tend to be quiet and shy but you still manage to make friends pretty easilly. Though your ambition is bigger than your talents, your perseverance will always lead you to bigger and greater things.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Paralelos

Nunca li nada de Luísa Dacosta, embora o nome já me tenha passado pela frente. No entanto, foi com extremo gosto que li a sua “autobiografia” na última edição do JL. E porquê? Houve dois pormenores da sua vida com os quais me identifico. Disse pormenores? Não o são. Podem apenas assim parecer, mas são dois enormes aspectos das nossas vidas.
Primeiro. A autora durante toda a sua adolescência se viu como a reencarnação de sua avó paterna, falecida prematuramente por doença. Tendo a família sempre a lembrá-la das suas parecenças com a avó, ela considerava-se como uma segunda via dessa primeira vida.
Eu recebi o meu nome em homenagem à minha avó materna que faleceu ainda a minha mãe era bebé, e de quem ela não tinha qualquer recordação. A sua figura sempre foi para mim muito enigmática e também eu me via no dever quase moral de viver o que ela não pode viver. Ela é uma espécie de fantasma sempre presente.
Segundo. Luísa afirma que para ela há uma “outra vida para além da escrita: a da mulher que lia. ”
Não consigo conceber a minha vida sem as minhas leituras. Estão indelevelmente no meu ser. Poderia até abdicar de futuras leituras, mas não poderei abdicar do passado. Está impregnado na minha pele, no meu ser. Sou fruto das minhas vivências, sejam elas próprias ou alheias.

terça-feira, novembro 22, 2005

Elizabethtown

Cameron Crowe volta às salas de cinema com mais uma excelente banda sonora a acompanhar uma história engraçada, mas que me parece não ter a solidez de Jerry Maguire ou de Quase Famosos.
Aliás, os seus filmes parecem por vezes antes bandas sonoras ilustradas por uma história e não o contrário, pelo menos essa sensação é mais palpável para mim neste filme. Não é uma questão do argumento ser menosprezado ou menor, é apenas a sensação de que a banda sonora suplanta tudo o resto. Será que a banda sonora da nossa vida suplanta a nossa vida?
Esta questão faz-me estabelecer o seguinte paralelo: Crowe está para o cinema como Hornby está para a literatura. Nick Hornby és um escritor inglês, com vários dos seus livros já adaptados ao cinema também, e em cujo trabalho a música tem um papel preponderante. Quem não se lembra das várias play-lists de John Cusack em Alta Fidelidade e da vida desafogada de Hugh Grant em About a Boy, graças aos royallties do one hit man que foi o seu pai.
Voltando ao filme, a história é engraçada q.b. e parece-me um pouco O Lado Bom da Fúria, versão masculina, embora algumas opiniões o liguem a Garden State, o que compreendo perfeitamente. Seja como for, faz-me pensar que os americanos têm uma relação meio estúpida com a morte. Ou talvez a morte já seja ela tão estúpida que seja impossível ter uma relação decente com ela.
Gostei de ver Orlando Bloom que conhecia apenas de O Sr. dos Anéis em que parecia ser somente um menino bonito. Dêem-lhe bons papéis e penso que o rapaz estará à altura.
ideia do filme que gostei: quem nunca fizer uma road trip na vida, nunca poderá dizer que se conhece. Uma viagem, com a banda sonora adequada, é o melhor modo de nos conhecermos.

sábado, novembro 19, 2005

Fields Of Gold, Sting

You'll remember me when the west wind moves
Upon the fields of barley
You'll forget the sun in his jealous sky
As we walk in fields of gold

So she took her love for to gaze awhile
Upon the fields of barley
In his arms she fell as her hair came down
Among the fields of gold

Will you stay with me, will you be my love
Among the fields of barley?
We'll forget the sun in his jealous sky
As we lie in fields of gold

See the west wind move like a lover so
Upon the fields of barley
Feel her body rise when you kiss her mouth
Among the fields of gold

I never made promises lightly
And there have been some that I've broken
But I swear in the days still left
We'll walk in fields of gold
We'll walk in fields of gold

Many years have passed since those summer days
Among the fields of barley
See the children run as the sun goes down
Among the fields of gold

You'll remember me when the west wind moves
Upon the fields of barley
You can tell the sun in his jealous sky
When we walked in fields of gold
When we walked in fields of gold
When we walked in fields of gold


P.S. Take me there

sexta-feira, novembro 18, 2005

António Gedeão

Quem de nós falará aos homens que hão-de vir
Quando grande clarão encher de luz
E pasmo as nossas bocas?
E como?
Que língua entenderão eles?
Que símbolos, que sinais, que apagados murmúrios,
Lhes falarão de nós
Desta fluida e versátil multidão,
Destes seres que aparentam rosto humano
E como tal comovem,
Mas que olhados do alto são lepra do planeta.
Que significará sofrer, amar, lutar,
Quando as nossas misérias e tormentos
Não forem mais do que pegadas fósseis?
(…)
que verbo deverá ficar gravado na pedra que o vento não corroa
(…)
como será amor em língua cibernética?

quinta-feira, novembro 17, 2005

Nick do Dia

Sei Aikido, Kung Fu, Karaté e outras 35 palavras perigosas.

Uteramente

Não sei olhar o céu – desconforta-me
Sei somente
Olhar a folha
Onde escrevo, onde leio.
O meu mundo é este
Inscrito em páginas
Não sei nada do mundo de fora – esse que dizem real.
Vivo de artifícios, equívocos linguísticos
Céu, nuvens, árvores
Oh, palavras, letras, sons - Nem sequer ditos ao vento
Apenas retidos aqui
Neste momento
Não sei erguer os olhos
O horizonte amedronta-me
Aqui estou segura
Sim aqui sou segura.
Mesmo que queira erguer
Este imã a que chamo folha impele-me para baixo
Para os meus infernos
Para remoê-los, para compreende-los.
O céu não traz o inferno – promete o divino
E eu não quero promessas
Não quero infinitos possíveis
Só tenho o concreto aqui e agora
Esta folha que me recebe uma vez mais – prende-me
O grilhão que protege do voo
Da queda, da precipitação
Aqui fico aqui, não caio
Permaneço inerte
Quieta, muda, despercebida
Do mundo, sem receio
Aqui fico bem
Quente, protegida, confortável
Uteramente bem

quarta-feira, novembro 16, 2005

Bem-vinda

A .:X:. chegou à blogosfera.
Jitos Miga

Rejuvenescer

Dizes-me que de nadas
Nada farás
Dizes-me tontices
Que finjo crer
Sorrio complacente
Deixo-me contagiar
Pela tua leve inconsequência
Volto à frescura da inocência
Regresso à pureza
Do sorriso solto
Face ao sol brilhante
Iluminando o amâgo
Aquecendo a alma
Rodopio leve e solta
Embrulhada no teu riso
Giro e giro
E não contenho já as gargalhadas
Com que recebo a vida
Dás-me este singelo presente
E os meus olhos iluminam-se
Sim, diz mais tonterias
Que me façam abrir os braços
E correr os verdes prados
Da minha esperança
Seguem com o teu riso
Até cansados pousarmos os nosso corpos
E rolarmos encosta abaixo
Como qualquer criança a brincar
Parecemos croquetes de salsa
E gargalhamos
Os nosso olhares límpidos tocam-se
Trocam memórias de outras criancices
Revivemos mais e mais
Rejuvenescemo-nos sempre.

terça-feira, novembro 15, 2005

Sabedoria Cientifica

A ciência não é outra coisa senão bom senso treinado e organizado.
T. H. Huxley

A ciência é a mais íntima escola de resignação e humildade
porque nos ensina a inclinarmo-nos
diante dos factos aparentemente mais insignificantes.
Unamuno

A perfeita simplicidade é inconscientemente audaciosa.
G. Meredith

Uma boa teoria científica deve poder ser explicada a uma empregada de bar.
E. Rutherford

Não há origens puras, toda a origem existe para produzir continuidades.
J. Barrento

Agualusa

- É um mito pensar que um país define a identidade de cada um. Não define nada.
- … o facto de alguém possuir identidades múltiplas não constitui uma subtracção, antes uma soma. Assim pode beneficiar-se dos aspectos positivos de cada cultura.
- A vida, para mim, é mais importante que os livros, prefiro vivê-la em vez de a ler.
- Mas hoje, por muito que se caminhe, por muito território que se percorra, acaba-se sempre por encontrar aquilo que já se tem em casa.
- Porque vamos para um lugar à procura de alguma coisa que, por vezes, já não sabemos muito bem o que é.
- … desconfio das religiões monoteístas. Talvez a ideia de um único deus seja uma ideia pérfida porque, no fundo, é uma ideia que exclui o “outro”.
in Ler #62

quinta-feira, novembro 10, 2005

Como acabar?

Como acabar?
Como terminar?
Como findar?
Com que chave de ouro
Com que revelação brindar o espírito
Deslumbrar a mente inquieta
É uma dúvida constante
Não sei de finais próprios
Adequados
Oh, tormenta
Quisera eu dominar as palavras
Apenas para me ver cativa do seu caos multiplicador
Para me perder nos seus silêncios
Mas insistem em se ocultar
Inscrevem-se, mas nada dizem
E que tanto quero dizer
Não consigo escolhe-las
Escapam-se, iludem-se na alvura
Transfiguram-se em vazios, em inexistências
Somem-se sem rasto
E eu não findo
Não concluo
Não acabo o meu relato

quarta-feira, novembro 09, 2005

De Sol.

Image hosted by Photobucket.com
Segundo Pedro Mexia, numa das suas crónicas na GR, a abreviatura Sol. que consta dos nossos BIs recorda a palavra Sol, o nosso astro rei. Tal como o sol, o solteiro é autónomo, dono de si e capaz de brilhar sozinho, sem alguém ou uma outra estrela para que reflicta luz. Mas também como o Sol, o solteiro mais do que nunca, afasta os demais do seu redor, da sua esfera de intimidade.
Esta crónica fez-me reflectir. E sim, é verdade. Afasto muitas vezes de mim pessoas que se poderiam tornar importantes. Às vezes faço-o racionalmente, outras nem por isso. Não sou a única. Será que as outras pessoas também se apercebem disso?
No nosso quotidiano habituamo-nos a outra abreviatura, a outro sol. A solidão. Sabemos viver com ela. De tal modo que não conseguimos abrir espaço para que algo mais brilhe nas nossas vidas. Somos reis e senhores das nossas vidas, dos nossos vários sóis. Seremos verdadeiramente felizes? Foi isto que inicialmente desejámos?
Não quis ser o sol que sou. Mas, gradualmente, fui-me assim transformando. Apercebi-me, já a mutação tinha ocorrido. Poderei uma vez mais transmutar-me e voltar ao inicialmente idealizado? Conseguirei ainda abdicar desta solidão a que já me acostumei e que me é já conhecida? Um terreno já conquistado e sem surpresas que me retirem o aparente domínio sobre o meu futuro? Continuará este sol a brilhar?

Um dos meus receios...

Um dos meus maiores medos é que a existência da minha mãe se perca, que a minha memória dela se perca e assim se perca para sempre um registo da sua passagem pelo mundo.
Sento-me muitas vezes com a intenção de regista-la: as suas memórias, os seus anseios, as suas peculiaridades
Mas ao mesmo tempo receio. Receio que ao imutabiliza-la a perca, que ao recria-la ela deixe de ser minha, que ao partilha-la ela se escape. Sem retorno.
E se o que eu me lembro não transparecer? E se transparecer não ela, mas eu? E se de repente, descobrir a mulher, a mulher que eu teimo em ver somente como mãe. Nós filhos temos dificuldade em ver nos nossos pais pessoas independentes de nós. Tal como eles têm dificuldade em ver-nos como pessoas autónomas.
São talvez infundados estes receios, mas sei que a distorção será real. Vou perder e ganhar contornos novos. Não é o ganho tanto que receio, é a perda.

terça-feira, novembro 08, 2005

Minha história, S. Carreira

A minha história
feita aos pedaços
é parte da história
dos homens que amei.
Brisa, tempestade, furacão
adentraram meu coração
instalaram-se e se foram
sem que a minha mão
pudesse retê-los em mim.
Todos deixaram marcas de dor,
uns poucos momentos felizes,
raros instantes perfeitos
e a imensa nostalgia
de tudo o que não vivi.
A minha história
feita aos pedaços
está inscrita em minha face
em cada traço de tristeza
que eu ainda trago.
Hão de ser rugas um dia,
cada uma, a geografia
das histórias inacabadas
de todos os meus vazios
e da minha solidão.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Fora da Rotina

Afinal, ontem tive uma mudança de rotina: fui aos MTV EMA.
Apesar de não ter achado a noite extraordinária, foi agradável.
Para mim, o melhor mesmo da noite foi a apresentação da personagem Borat, cujo humor cáustico arrancou gargalhadas à grande maioria (quem não sabia inglês, perdeu bons momentos de riso). Para mim, as melhores piadas foram a de abertura (Wellcome to the Eurovision Song contest) e quando parabenizou a organização pelo espectáculo de travesti no início.
Das actuações da noite, creio que os Green Day foram os que mais galvanizaram o público. Todos os outros estiveram bem, mas a mim sinceramente não me surpreenderam. Já vi Robbie Williams ao vivo e num espectáculo de 1h30m faz muito mais e melhor. Ali foi o básico.
Acabei por prestar mais aos pormenores de produção do que propriamente ao espectáculo, até porque quando se é pequenina não se consegue ver muito. Talvez também por isso não desfrutei o que poderia ter desfrutado. Mas este não foi um concerto, foi um programa de televisão e como tal, o objectivo era que funcionasse como espectáculo televisivo.
A disposição no palco era similar a um estúdio televisivo e não a pensar num público de concerto. Logo, quem não estava mesmo ao pé do palco, perdia muitos pormenores, como as entregas propriamente ditas.
Valeu a pena, mas não é programa que tenha muita vontade de repetir.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Ando meio chateada...

Ando meio chateada e sem paciência. Por tudo em geral e nada em particular. Sinto que preciso de uma novidade na minha vida, mas não faço a mínima ideia do que isso poderá eventualmente ser. Apenas sinto que preciso de algo diferente. Algo que me tire da rotina e me estimule.
Acho que nunca me senti a precisar de um novo cenário como nos últimos tempos.

Blogger gémeo?

Há almas gémeas. Já encontrei algumas.
E depois há, por assim dizer, bloggers gémeos.
Há um que me surpreende sempre no modo como as suas histórias tocam os meus pensamentos, como poderiam ser as minhas histórias. Por isso gosto de me sentar à sua sombra e saborear os frutos com que me brinda.

sábado, outubro 29, 2005

Cromoterapia

E a minha cor é:
DOURADO
Sabe muito bem o que está bem e o que está mal.
É uma pessoa alegre mas de difícil trato.
É para si difícil encontrar quem procura, mas assim que isso acontece não vai conseguir apaixonar-se outra vez durante muito tempo.
Obs. Dourado? Ai as ironias da vida. Agora vamos lá ver: 1ª) realmente tenho uma noção muito interiorizada de bem e de mal; 2ª) alegre, sim; 3ª) trato díficil? acho que não, mas é verdade que não tenho paciência para certas coisa; 4ª) completamente.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Nélida Piñon

- Para mim, a Literatura é arte narrativa, essa arte tão ilusória e tão necessária, em que tenho uma grande crença: a narrativa é um traço civilizatório. Sem ela, talvez não soubéssemos contar a nossa própria história.
- Sou, como todos nós, uma pessoa múltipla.
- Somos seres demasiado ambíguos para sermos tratados com platitude.
- É importante ter a coragem de quebrar as minhas formas anteriores, os meus moldes.
- Os prémios facilitam-me a “vida prática”, mas tenho a total consciência de que não escreveram os meus livros.
- (…) sou uma mulher de sorte nos afectos. É o meu património.
In JL#915

quinta-feira, outubro 27, 2005

Estrela da Tarde, Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

E eu com medo de estar a abusar…

Serpente – Quando Quiseres, eu tiro-te Cds da Net, é só dizeres quais queres.
Eu – Ok, Obrigada.

Eu –
Olha, sabes aquela tua oferta de tirar os Cds da net ainda está de pé? É que eu fiz uma lista, mas isto se calhar são Cds a mais? Tiras só o que puderes.
Serpente – Mas quantos são?
Eu – Uns 25…
Serpente – Não te preocupes, já me entregaram uma lista de mais de 100!

sábado, outubro 22, 2005

Lygia Fagundes Telles

- O ser humano é complicado, é tão enleado nos fios, é tão impossível de ser aberto, de ser decifrado. É um mistério intransponível.
- O problema é eterno. A solidão, a vontade de amor, a vontade da realização, a busca. O ser humano buscando outro ser. (…) É isto. É uma busca, uma esperança, um desespero, a vontade de estender a mão para o próximo e o próximo nega a mão. Onde é que está o próximo? Esse problema é eterno: o ser humano buscando o seu outro.
- É tão lindo quando você olha para o espelho e coincide a cara que tem no espelho e a própria cara. É um milagre. No momento em que você aceitar a sua face, sem cílios postiços, você está feliz, aceita a morte.
- Nós queremos nos iludir, apesar das loucuras deste mundo.
in Mil Folhas 21/10/05

quinta-feira, outubro 20, 2005

Cântico Negro, J. Régio

(…)
não, não vou por aí! Só vou por onde
me levam meus próprios passos…
(…)
eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
(…)
ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
Uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
sei que não vou por aí!

Onde estão...

Às vezes há tanto para que poderíamos contar, que não se sabe por onde começar. Pelo início é sempre uma hipótese, mas onde é que o encontramos? Onde estão as pontas das histórias que se interligam na nossa vida? Muito, muito longe por vezes.

terça-feira, outubro 18, 2005

Morde-me

Morde-me os lábios
Até o sangue aflorar
Talvez assim sinta que viva

Desconhecida

sou filha de mãe e filha de pai
e não sou a mesma filha
sou isto e sou aquilo
e não sou a mesma
em tudo e para todos
tenho amizades e amizades
nem todos me têm do mesmo modo
nem sempre sou como devia
têm-me no momento
mas nem sempre

sou de vários conhecida
enfim desconhecida

sábado, outubro 15, 2005

JL #914

- (…) a juventude acaba no momento em que constatamos que somos mortais.
- Deverei morrer, se tudo correr bem, dentro de no máximo 20 anos. Antes disso, serei, como talvez já tenha ficado, um pré-defunto chato e reaccionário, de díficil convivência e rarefeita civilidade.
J. Ubaldo Ribeiro
Porque Setembro
tem este lacre selando cartas de
saudades
em Outubro.
A. Silva Roque

Dicionário Pessoal I

empatia - de em + Gr. páthos, estado de alma; s. f.; capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.

possidónio - de Possidónio, n. pr.; 1) s. m.; designação dada ao político provinciano e ingénuo que via a salvação da Pátria no corte radical de todas as despesas públicas; 2) adj.; pretensioso, vulgar, convencional.