sábado, dezembro 10, 2005

Mia Couto, LER#55

- … nem todos os pequenos milagres têm nome no dicionário.
- A oralidade tem um universo, tem um tempo, que não poder ser este que eu exerço como escritor.
- África profunda é um mundo onde há lógicas diferentes. E é nessa fronteira entre as lógicas diferentes que me interessa fazer algum contrabando.
- … quem tem família nunca é verdadeiramente pobre…
- A poesia, mais do que uma técnica de escrita, mais do que um género literário, é uma visão do mundo, para mim é uma filosofia.
- Aos meus filhos, incito-os para que eles errem desde que o erro seja bonito. Às vezes só há uma hipótese de criar, que é errando.
Declaro iniciada
a época oficial de
almoços & jantares
de Natal.
P.S. Resultado até ao momento, almoços 2 : jantares 3.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Quanto Puderes, C. Cavafy

Se não puderes fazer da vida o que tu queres,
Tenta ao menos isto,
Quanto puderes:
Não a disperses em mundanas cortesias,
Em vã conversa, fúteis correrias
Não a tornes banal à força de exibida,
E de mostrada muito em toda a parte
E a muita gente,
No vácuo dia-a-dia que é o deles
- até que seja em ti uma visita incómoda.

Semana cultural

Pois foi, a semana passada lá tive uma das minhas semanas culturais ocasionais. Incluiu: performance teatral, feira de arte contemporânea e ida ao circo. Ah, pois! E no próximo domingo, lá vou novamente ao teatro.
Há que aproveitar.

Mundanices II

Tenho um vestido novo tão giro!

sábado, dezembro 03, 2005

Oh, babe, be my DOOM

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Cacos

Cacos, cacos, cacos
Estilhaços, projécteis
Com que me feres
Desintencionalmente.

& the radio plays...

Quantas vezes pensaram numa música da qual gostam particularmente e passados uns momentos ela começou a tocar na rádio como que a responder aos vossos desejos? Não me refiro às músicas das play-lists que a qualquer hora ouvimos, refiro-me àquelas que por algum motivo nos dizem algo e que normalmente não passam na rádio. No outro dia aconteceu e a verdade é que cheguei ao trabalho muito mais bem disposta do que quando tinha saído de casa. Não foi premonitório de nada para o resto do dia, simplesmente me animou.

Versos Orfãos

Não é hoje ainda o momento de te escrever.
És a miragem adivinhada.

Não sei se faço contra-bando de emoções ou se luto contra bandos de emoções.

Doi de uma dor seca e oca.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Dicionário

entropia
do Fr. entropie > Gr. entropé, mudança, volta; s. f., Fís., grandeza física que traduz o estado de um sistema termodinâmico, definida, num processo reversível, como a razão entre a variação da quantidade de calor do sistema e a temperatura absoluta à qual ocorreu essa variação; medida estatística do grau de desordem de um sistema fechado; medida da eficiência de um sistema na transmissão de informação; desordem; falta de organização.

tergiversar
do Lat. *tergiversare, por tergiversari < tergum, dorso + vertere, virar, recuar; v. int., voltar as costas; fig., usar de subterfúgios, de rodeios; buscar evasivas; inventar desculpas.

guelfo
de Welf. n. pr.; s. m., membro de certo partido político na Itália entre os sécs. XII e XIV apologista do papa e da independência italiana; adj., relativo a esse partido.

De alice

Não sei muito bem explicar, mas não tenho paciência para a Alice no Pais das Maravilhas. Nunca li o livro, mas também não tenho qualquer apetência para fazê-lo. Quando criança, dava na televisão os desenhos animados da Alice e creio que foi aí que começou a minha aversão. Talvez fosse demasiado pequena para aquele desfilar de personagens imaginárias: a autoritária Rainha de Copas, o Humpty Dumpty no seu limbo, o gato risonho, o coelho obcecado pelo seu relógio. E depois ainda havia a queda no buraco sem fim. Tudo aquilo me fazia confusão e criou em mim uma desconfortante aversão. Gostaria de perceber ao certo porquê.

Jaime Celestino da Costa

- …compreendemos cedo que a verdadeira cultura não conhece limites de género ou fronteiras, nem de idiomas, e que há uma universalidade do saber. Este deve usar-se com simplicidade e naturalidade, como elemento de enriquecimento pessoal, não como forma de ostentação.
- Uma liberdade ampla dada a uma população ignara, sem prévia educação, pode ser mais perigosa do que alguns períodos de opressão.
in JL #617

terça-feira, novembro 29, 2005

Um amor sem sentido

Eles conheceram-se e o mundo pareceu ter-se eclipsado. Amaram-se rápida e sofregamente, como se o momento fosse o único futuro possível. E cada encontro era uma combustão de sentidos.
Pouco a pouco estes foram acusando o desgaste da erosão. Primeiro imperceptível e depois catastroficamente. O olhar que já não detectava o brilho, o ouvido que já não percebia o respirar profundo, o odor que já não encantava, o sabor que já não fazia água na boca, o tacto que já não percebia o toque.
Sentaram-se e olharam-se uma vez mais e perceberam que o seu amor já não tinha sentidos.

O meu reino por um cigarro

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Todos os dias, sensivelmente à mesma hora, ele sai à rua. Faz uma pausa e puxa do maço de cigarros. Encosta-se à grade da vitrina e tira um cigarro. Bate-o ritmicamente duas vezes no maço e eleva-o à boca. Põe a mão no bolso das calças ou camisa e saca o isqueiro. Protege-o do vento e acende-o, queimando a ponta até vê-la incandescente. Prazeirozamente, traga o fumo. Senti-o invadir gradualmente todos os alvéolos dos seus pulmões. Fecha os olhos por momentos. Ao abri-los, olha fixamente as mulheres que passam.
Olha-as como se as conhecesse de outras histórias da sua vida. Não lhes consegue dar um nome, mas conhece-lhes os desejos, as curvas do corpo, os cheiros, as fraquezas, as aspirações. Os seus olhos penetram-nas, despem os seus corpos, desnudando as suas almas. Sorri.
Sorri pela sua magnífica experiência. A sua posse deixa-o poderoso, inebriado pela sua magnificência. As mulheres pertencem-lhe. Enquanto dura aquele prodigioso cigarro. Aquele espantoso cigarro.

sábado, novembro 26, 2005

A pergunta é sempre mais
A questão estimula
A interrogação anima
A indagação percorre
O que a resposta sempre estanca

São indiferentes os sons que preferimos após a entoação. Valem mais os silêncios ansiosos que as palavras vãs. Shiu! Silencia essa tentativa de pronunciamento, quero apenas continuar a procurar.