sábado, outubro 29, 2005
Cromoterapia
sexta-feira, outubro 28, 2005
Nélida Piñon
- Sou, como todos nós, uma pessoa múltipla.
- Somos seres demasiado ambíguos para sermos tratados com platitude.
- É importante ter a coragem de quebrar as minhas formas anteriores, os meus moldes.
- Os prémios facilitam-me a “vida prática”, mas tenho a total consciência de que não escreveram os meus livros.
- (…) sou uma mulher de sorte nos afectos. É o meu património.
quinta-feira, outubro 27, 2005
Estrela da Tarde, Ary dos Santos
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
E eu com medo de estar a abusar…
Eu – Ok, Obrigada.
…
Eu – Olha, sabes aquela tua oferta de tirar os Cds da net ainda está de pé? É que eu fiz uma lista, mas isto se calhar são Cds a mais? Tiras só o que puderes.
Serpente – Mas quantos são?
Eu – Uns 25…
Serpente – Não te preocupes, já me entregaram uma lista de mais de 100!
quarta-feira, outubro 26, 2005
terça-feira, outubro 25, 2005
sábado, outubro 22, 2005
Lygia Fagundes Telles
- O problema é eterno. A solidão, a vontade de amor, a vontade da realização, a busca. O ser humano buscando outro ser. (…) É isto. É uma busca, uma esperança, um desespero, a vontade de estender a mão para o próximo e o próximo nega a mão. Onde é que está o próximo? Esse problema é eterno: o ser humano buscando o seu outro.
- É tão lindo quando você olha para o espelho e coincide a cara que tem no espelho e a própria cara. É um milagre. No momento em que você aceitar a sua face, sem cílios postiços, você está feliz, aceita a morte.
- Nós queremos nos iludir, apesar das loucuras deste mundo.
quinta-feira, outubro 20, 2005
Cântico Negro, J. Régio
não, não vou por aí! Só vou por onde
me levam meus próprios passos…
(…)
eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
(…)
ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
Uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Onde estão...
terça-feira, outubro 18, 2005
Desconhecida
e não sou a mesma filha
sou isto e sou aquilo
e não sou a mesma
em tudo e para todos
tenho amizades e amizades
nem todos me têm do mesmo modo
nem sempre sou como devia
têm-me no momento
mas nem sempre
sou de vários conhecida
enfim desconhecida
sábado, outubro 15, 2005
JL #914
- Deverei morrer, se tudo correr bem, dentro de no máximo 20 anos. Antes disso, serei, como talvez já tenha ficado, um pré-defunto chato e reaccionário, de díficil convivência e rarefeita civilidade.
tem este lacre selando cartas de
saudades
em Outubro.
Dicionário Pessoal I
possidónio - de Possidónio, n. pr.; 1) s. m.; designação dada ao político provinciano e ingénuo que via a salvação da Pátria no corte radical de todas as despesas públicas; 2) adj.; pretensioso, vulgar, convencional.
sexta-feira, outubro 14, 2005
quarta-feira, outubro 12, 2005
T. S. Eliot
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que poderia ter sido é uma abstracção
Que fica uma possibilidade perpétua
Somente num mundo de especulação
(…)
o tempo passado e o tempo futuro
o que poderia ter sido e o que foi
apontam para um só fim, sempre presente.
A casa é onde se começa. À medida que envelhecemos
O mundo fica mais estranho, o padrão mais complicado
De mortos e de vivos. Não o momento intenso
Isolado, sem antes nem depois,
Mas uma vida inteira a arder em cada momento
E não a vida inteira de apenas um homem
Mas de velhas pedras que não podem ser decifradas
(…)
no meu fim está o meu começo.
sábado, outubro 08, 2005
Sabedorias
Tudo na vida é um problema de pessoas.
Simone de Oliveira
O filósofo não é sábio, está dois pontos afastado da sabedoria.
M. F. Molder
incompletitude
mas sinto-me incompleto
não dessa incompletitude que faz os poetas
mas desta que me faz ser quase homem
mas que me deixa sempre quase
e nunca lá
onde os homens se reconhecem
os poetas nascem
as palavras afloram
os mitos crescem
sou um quase
quase homem quase mulher
quase nada mesmo.
sexta-feira, outubro 07, 2005
Um exemplo do meu fascinio
São subtilezas como as abaixo descritas que me fascinam na utilização da linguagem.
Três bruxas olham para três relógios swatch. Qual bruxa olha para qual relógio swatch?
E em inglês:
Three witches watch three Swatch watches. Which witch watch which Swatch watch?
Agora para especialistas:
Três bruxas suecas e transsexuais olham para os botões de três relogios swatch suíssos. Qual bruxa sueca transsexual olha para qual botão de qual relogio swatch suísso?
E em inglês:
Three Swedisch switched witches watch three Swiss Swatch watch switches.Which Swedisch switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?
CONSEGUIRAM LER??????
POIS É........... POIS É...........
quinta-feira, outubro 06, 2005
De Música Popular
Considerações Musicais
Deixa-me com um aperto no peito. Faz-me recordar uma adolescência e uma perda de inocência que não foi a minha. Serão estas sensações que fazem as great songs?
So beautiful
Porque será que julgo ser sempre Maroon 5 e só a meio da música me lembro que não.
Traduções musicais + Lindas
- Gelo, gelo, bebé, gelo
- Anda cá gaja, anda cá gaja, és a minha borboleta, açúcar
- És a minha parede maravilha!
- Paizinho fresco, paizinho fresco!
- Mãe Maria, vem a mim
Lembram-se?
sábado, outubro 01, 2005
Kazuo Ishiguro
- (…) as pessoas são chocantemente capazes de explorar outras coisas. (…9 desde que isso esteja bem longe dos olhares, parecemos absolutamente dispostos a faze-lo.
- Será que o amor e a arte fazem realmente a diferença?
- Acho que estas coisas podem ser uma ilusão, mas, mesmo que o sejam, dão significado à nossas vida. As ilusões são importantes, exactamente como as memórias. Fica-nos o que recordamos de pessoas que perdemos, por exemplo.
- Enquanto crianças, a informação que recebemos é gerida ao ponto de realmente não percebermos muito, ou mesmo a maior parte do que se passa à frente dos nossos olhos. Crescemos a saber e a não saber.
- (…) com a clonagem não tememos a aniquilação, tememos uma profunda redefinição do que é um ser humano, tememos um realinhamento profundo da ordem social, acho que tememos tornar-nos uma subespécie, porque um novo tipo de humano será “melhor”.
- Há só uma coisa em comum entre estes dois medos: o receio de que, uma vez aberta a caixa, ela não se volte a fechar. Há o medo de que não seja possível voltar a trás e pôr tudo outra vez lá para dentro – e é tão fácil abrir a caixa.
- É um artifício muito útil para pensar no que significa ser humano.
- Eu sou daqueles que acham que as perguntam que nos vamos fazendo na literatura são praticamente imutáveis.
Relativa importância
Será que o amor e arte fazem realmente diferença?
Da arte sigo fios de vida ficcionais. Quer em filas de letras que se sucedem quer em imagens , alimento-me dessas vidas, tentando talvez transportar para a minha as lições que me são compreensíveis. Somos vampiros, todos os que se deixam seduzir pelas artes das artes são vampiros sedentos de uma nova vida, de uma nova perspectiva, de uma nova esperança. Incorpora-se dentro de nós a busca e não se perde o fascínio pela demanda. Sim, faz diferença.
quinta-feira, setembro 29, 2005
Será esta a ligação?
Cecília, nome próprio, significa cego.
Será esta a ligação?
Sabiam que?
É verdade, existiu. E o filme que todos nós conhecemos não é sequer a primeira adaptação da história desta família. A primeira adaptação foi um filme alemão, tendo sido produzido depois um espectáculo na Broadway, que esteve em cena vários anos, e só depois foi realizada a versão cinematográfica protagonizada por Julie Andrews e Christopher Plummer.
Factos reais da história: Von Trapp era oficial austríaco, casado em segundas núpcias com Maria – de quem viria a ter três crianças, o casal e a sua prole fugiu da Austria aquando da ocupação nazi e emigrou para os EUA, onde sobreviveram como grupo coral familiar. Ou seja, os acontecimentos retratados no filme aconteceram sim, mas, como qualquer produção holywoodesca destinada a grandes públicos, foi bastante adocicada.
Se quiserem saber mais pormenores, estejam com atenção ao Biography Channel.
Ah, mais uma coisa, o verdadeiro Von Trapp não é nada parecido com o charmoso Christopher Plummer.
terça-feira, setembro 27, 2005
Uma volta como um cão no fundo do cesto
Fiquei triste este fim-de-semana com as novidades da P. E eu sem saber de nada e sem sequer poder confortá-la. Mas ela e o C. são fortes e a vida vai compor-se, compõe-se sempre. E eles têm uma boa razão para lutar…
P.S. Vou tentar estar mais próxima, quanto mais não seja para o desabafo.
Desabafos do meu pai…
O que não disse…
Bem ou mal? Eu compreendo a tua expressão, mas para me veres mal casada mais vale não veres, não é? Sei que a intenção é boa. Casada, poderás ter a sensação que podes morrer e que eu não vou ficar desamparada. Mas não há nenhuma garantia. Se tiveres de me ver casada, verás. Bem ou mal, isso também é verdade. Mas não estou, nem ficarei desamparada se isso acontecer.
É verdade que não há esse alguém que também eu gostaria de ter na minha vida, mas há muita gente na minha vida em quem me posso apoiar e confortar. Tenho os teus filhos e netos, e sabes bem como os miúdos nos dão ânimo nos piores momentos. E tenho os meus amigos, sim aqueles que tu vês vezes nos meus aniversários não são só amigos para as festas, são para os momentos difíceis também. Não te preocupes, de uma maneira ou de outra, as coisas hão-de se compor. Tu e a mãe ensinaram muito e eu hei-de seguir a minha vida e a qualquer momento sei com quem posso contar.
Sei que apesar de não o demonstrares te preocupas, por isso espero que a tua preocupação não passe da uma natural apreensão, pois foi sempre esse o meu objectivo. Voar com as asas que vocês me deram e o voo está ensaiado. Não vou cair tão facilmente assim.
sexta-feira, setembro 23, 2005
De escrita
- O escritor vale pelos seus livros, é na escrita que ele é excepção e se imortaliza.
- … nem todos os critérios são por vezes os mais justos, mas sim os mais “adequados”.
Marta Lança
- … escrever é uma experiência, não é uma carreira.
Lídia Jorge
- É preciso sentir que não é fácil escrever – como não é, de resto, fácil viver.
A. Bessa-Luís
- … não se é escritor, está-se escritor … nem sempre somos nós quem escolhe escrever um livro. Muitas vezes é ele quem toma conta de nós.
J. E. Agualusa
- Todas as pessoas são diferentes, reduzi-las às suas características comuns é sempre reduzi-las.
- No momento da escrita, acredito na procura sincera de uma pureza absoluta.
J. L. Peixoto
- Se falamos de literatura a única coisa que importa são os livros, só os livros, apenas os livros. Os bons livros resistem aos seus autores, aos leitores de diferentes gerações, às editoras que aparecem, desaparecem, aos agentes literários, etc.
- O que é um bom leitor? É um leitor que já leu muitos livros bons.
- Um escritor corajoso escreve sem pensar em ninguém. Se possível deverá mesmo, no limite, contrariar as suas próprias expectativas. Depois de o livro estar escrito, qualquer escritor gosta de ser lido.
G. M. Tavares
- … um livro é um serviço prestado aos outros.
M. S. Tavares
quinta-feira, setembro 22, 2005
Sei somente
Olhar a folha
Onde leio, onde escrevo
O meu mundo é este
Inscrito em páginas
Não sei nada do mundo de for a
Esse que dizem natural
Vivo de artifícios
Equívocos linguísticos
Céu nuvens árvores ?
Apenas palavras letras sons
Nem sequer ditos ao vento
Apenas retidos aqui
neste momento
não sei erguer os olhos
o horizonte amedronta-me
aqui estou segura
aqui sou segura.
Mesmo que queira erguer
Este imã a que chamo folha
Impele-me para baixo
Para os meus infernos
Para remoe-los, tentar compreende-los
O céu não traz o inferno
Promete o divino
Eu não quero promessas
Não quero possíveis infinitos
Só tenho o concreto aqui e agora
Esta folha que me recebe
Uma vez mais prende-me
O grilho protege do voo
Da queda da precipitação
Aqui fico aqui não caio
Permaneço inerte
Quieta muda despercebida
Do mundo, sem receio
Aqui fico bem
Quente protegida confortável
Uteramente bem.
Campeonato Nacional de Futebol
- Cerca de nove meses de duração
- Capítulos diários
- Enredos que não lembram a ninguém
- bons, maus, assim-assim
- Discretos, exibicionistas
- Ricos, menos ricos, remediados
- Intrigas e escândalos
Haja paciência para mais uma época.
quarta-feira, setembro 21, 2005
Outono Na Sertã, L. Ralha

- (...) o teorema de Marques, segundo o qual o tempo que uma mulher demora a preparar-se corresponde à multiplicação de um factor entre 1,7 e 2,5 do número de minutos que anunciou.
- Foi a noite mais longa de todas as noites que lhes aconteceram.
- Conhecimentos inúteis seriam certamente os ossos da omnisciência.
Rapex
1º não evita a violação. Só ao haver penetração é que o Rapex se “cola” ao pénis, logo não previne o acto. O que possibilita é a captura e posterior punição do perpetrador através de análises de DNA. Uma vez que só é possível a retirada do Rapex através de uma pequena cirurgia, o culpado terá sempre de se dirigir ao médico.
2ª muitos especialistas prevêem que a utilização do Rapex tenha uma consequência ainda mais violenta: um aumento do número de assassínio das vitimas. O violador ao ver frustrada a sua “façanha” poderá querer vingar-se da sua vítima através da violência física e provocar um maior número de mortes.
3º os homens podem ser vítimas da sua utilização indevida. Pode haver mulheres que utilizem o Rapex como uma ratoeira num acto perfeitamente normal de sexo consentido. Podem assim vingar-se dos seus companheiros ou exercer algum tipo de chantagem sobre eles, acusando-os de violação quando esta de facto não aconteceu.
4º para além da violência sexual e física inerente à utilização do Rapex existem ainda a violência psicológica. Ou seja, a mulher para o utilizar é porque acha que poderá ser violada. Já de si uma imensa crueldade.
terça-feira, setembro 20, 2005
Nana Caymmi

É uma das mais belas vozes do mundo. Descubram-na...
Resposta ao Tempo
Batidas na porta da frente é o tempo
Pelos cemitérios...

Ao contrário do que se pensa, deambular por um cemitério não é nem mórbido nem terrível: é apenas deambular por um cemitério, como se deambula por um biblioteca e se observa capas e capas de livros com títulos cujo enredo desconhecemos. Campas com nomes e datas que não nos não qualquer informação sobre as pessoas que viveram aquelas vidas. São apenas vidas cuja última página foi encerrada naquele espaço. São apenas repositórios de experiências inutilizadas pela inacessibilidade.
Resta-nos observar o que fica à superfície. A dedicação ou não de quem fica a um espaço que apenas significa dor ou indiferença. São flores velhas e ressequidas nas campas. A maioria de plástico como se a perenidade do material mostrasse aos demais que o sentimento é mais ou menos sincero, mais ou menos verdadeiro, porque tem sempre um testemunho presente. Os entes queridos não vão ao cemitério por amor à pessoa que lá está. Vão por obrigação social. Porque um cemitério é apenas a recordação de que a viagem empreendida não tem regresso. O amor está no recordar constante dos sorrisos e das palavras a cada momento e em qualquer local. Esse amor de doçura e melancolia não necessita de idas regulares ao cemitério. Essa ideia de que na morte se pode ainda mostrar o significado das pessoas. As pessoas que importam continuam a ter significado, mas aqui, aqui no nosso coração e na nossa mente. É aí que continuam a viver todos os dias.
Deambular por um cemitério pode, no entanto, ser curioso. Observar os nomes diversos que se parecem cruzar e que tentamos conciliar na nossa mentes com árvores genealógicas improváveis, ou não tão improváveis assim. Encontrar em jazigos e mausoléus constatações de outras crenças. Observar homenagens singelas e sentidas e amiúde palavras ocas. Ver os reflexos da história, das histórias. Não, deambular por um cemitério não é mórbido é uma viagem de aprendizagem.
E podem não ter reparado, mas é dos poucos sítios onde ainda se ouve os pássaros a cantar.
sábado, setembro 17, 2005
Sim, eu sei...
Inveja, Zuenir Ventura,
Jerusalém, Gonçalo M. Tavares
Jardim das Delícias, João Aguiar
A Dama e o Unicórnio, Tracy Chavalier
Os Melhores Momentos de Os Normais, Fernanda Young e Alexandre Machado,
A Casa Quieta, Rodrigo Guedes de Carvalho,
Crónica Feminina, Inês Pedrosa
Splaaash, Francisco Salgueiro
Longe de Manaus, Francisco José Viegas
E se Amanhã o Medo, Ondjaki
Pensatempos : Textos de Opinião, Mia Couto
O Canto da Sereia : Um Noir Baiano, Nelson Motta
O Livro dos Seres Imaginários, Jorge Luís Borges
Fronteiras perdidas, José Eduardo Agualusa
Encontros de Amor Num País em Guerra, Luís Sepúlveda
Budapeste, Chico Buarque
31 Canções, Nick Hornby
Breve História de Quase tudo, Bill Bryson
quinta-feira, setembro 15, 2005
Cruzeiro Seixas
Enche-o de água
Salgada,
Traz para este lago
Todo o tamanho do céu.
Leva, enche
E traz
Os olhos secos,
Com água pura
Escorrendo no musgo
Até formar um mar.
Leva este cântaro,
enche-o,
traz água
até submergir
esta paisagem.

As Parcas deixaram de tecer
Ninguém esperava esta reviravolta do destino.
Em nós, fica um estranhamento e sempre, sempre a sensação de impotência. O que pensar, o que sentir, o que esperar.
Apenas palavras de apoio, apenas um ombro consolador, apenas um abraço. É tudo o que nos resta. É tudo o que nos é possível a quem fica.
Que a eternidade seja pacifica…
É sempre triste receber a notícia da morte de alguém com quem, apesar de não haver grande intimidade, se partilhou e testemunhou alguns momentos importantes.
No sábado, recebi uma destas notícias. Fiquei sem palavras e custou a assimilar. Porque às vezes vamos permitindo que se intercalem meses entre encontros, entre amizades. Depois, as notícias caem que nem uma bomba. Hoje, terça-feira, foi o dia da despedida. Um dia estranho, cansativo emocionalmente.
Como disse, não tinha uma relação muito profunda com o H., mas conhecia-o já há alguns anos. Namorou e casou com uma colega de trabalho e amiga. A última vez que o vi foi no seu casamento no Verão passado. Estava feliz. Revi as fotografias desse dia. Vistas agora parecem tão irreais, tão distantes no tempo e no espaço. Entretanto, estive já com a C., mas não com ele. Na minha cabeça parece que há somente esses dois momentos tão antípodas. A felicidade do dia do casamento e a tristeza do dia de hoje. Parece que entrei numa outra dimensão e dei um salto no tempo. É tão estranho…
H. que a tua alma encontre o descanso que merece…
quarta-feira, setembro 14, 2005
De Adolecentis
O único mistério da vida é a adolescência. O nascimento é apenas um acontecimento, fácil de constatar e documentar, a morte, devido `qa ausência de consequências, é um não-acontecimento. A ideia de morte produz imensos efeitos, mas a morte, na realidade, não existe. Tem falta de um depois documentável, a velhice, sendo talvez uma coisa boa, é o que é. A idade adulta também. Isto é: também é velhice.
A infância, do ponto de vista do próprio, não é nada, porque o próprio não tem ponto de vista próprio. A infância são as mães. Uma coisa extraordinária mas que não chega a ser um assunto, porque é sempre bastante mais. A infância também serve às vezes para ser depois inventada.
A adolescência é o único mistério. Um rapaz já é um homem, mas ainda não sabe bem o que é, e isso é susceptível de gerar inúmeros equívocos, que por vezes viram contra o próprio ou contra os que o rodeiam. A violência adolescente aparece como uma espécie de cena de pancada em que o agressor e vítima são a mesma pessoa, se é que se lhe deve chamar pessoa. A adolescência é uma forma de fome. A comida disponibilizada pelos mais velhos não presta, e os adolescentes comem a sua própria carne, que por vezes se torna venenosa.
A melhor alternativa à violência são os espelhos, mas estes nem sempre funcionam do modo mais desejável. A descoberta do espelho é a maior descoberta da história da humanidade de cada homem. O rapaz passa a poder ser um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, uma legião de imagens de homens capazes de arrumar e usar o mundo à medida das suas vontades, fantasias e prazeres. Nos melhores casos, o sortilégio dos espelhos inspira imagens de sucesso, que são também uma promessa de sexo.
Mas é preciso ter muito cuidado com os espelhos, porque nunca se sabe exactamente qual a imagem que eles nos vão devolver. Uma descoincidência radical pode gerar uma decepção com consequências catastróficas.
… nunca saberemos nada sobre ninguém em estado de adolescência.
terça-feira, setembro 13, 2005
Weird?
| You Are 50% Weird |
![]() Normal enough to know that you're weird... But too damn weird to do anything about it! |
Quero culpar-te!
Quero culpar-te e assim redimir-me da frustração da falha. Quero poder dizer que não fui eu que nos afastou. Mas também não fui eu que nos ligou. Mas eu nunca disse não, nem sequer me impus. Fui até demasiado compreensiva. Eu e a mania de entender os outros. E depois recalco o que realmente anseio. Omito os meus desejos.
Quero culpar-te: de criar em mim a esperança. Não, pior, quero culpar-te da minha culpa. A minha culpa de saber que só me davas migalhas e que eu insisti em receber e até mesmo em mendigar.
Mas chega um dia em que é necessário aceitar a nossa falha, a nossa culpa. Assumo-a agora.
Sinto-me pronta para fechar a porta. Já vai sendo mais que hora.
The moment is here…
Saio.
sábado, setembro 10, 2005
O Meu Padrão Cerebral
| Your Brain's Pattern |
![]() Your mind is an incubator for good ideas, it just takes a while for them to develop. But when you think of something, watch out! Your thoughts tend to be huge, and they come on quickly - like an explosion. You tend to be quiet around others, unless you're inspired by your next big idea. |
Leituras deFDS
O que morrerá comigo quando eu morrer?
Ana Teresa Pereira
A não ser que exista uma memória do universo, em cada morte desaparece uma coisa ou um número infinito de coisas.
J. L. Borges
É a questão da suposta trivialidade da pop oposta à suposta profundidade da cultura séria.
Luís Maio sobre Nick hornby
Actual
- Estou no congresso representando várias minorias nacionais. Sou meio índio, meio negro, meio japonês, meio homossexual e meio honesto.
- Pra saber como vai ser seu marido, encha uma bacia grande com água e deixe na rua durante toda a noite de São João. Se cair folha dentro da bacia vai ser moreno, se cair flor vai ser claro, se cair insecto vai ser militar e se cair homem mesmo leva pra casa, enxuga e fica com ele mesmo, uai.
L. F. Veríssimo
Um romance é um espelho que se passeia num longo caminho. Tão depressa reflecte aos nossos olhos o céu azul, como o lodo da berma.
Stendhal
GR
… milhares de anos de civilização apenas disfarçaram o abismo.
Barata-Feyo
sexta-feira, setembro 09, 2005
Katrina & The Waves
Já todos ouvimos as críticas à administração Bush sobre o modo como encarou este acidente natural. Já todos vimos as imagens de pessoas que perderam tudo o que possuíam, as pilhagens, o por vezes extremamente zelosa actuação da polícia, as imagens de refugiados, a destruição.
Poderia ter sido feito mais? Claro que podia. Depois das situações passarem e ao observar as consequências, é sempre fácil apontar erros e aspectos a melhorar. Mas o que nunca se pode subestimar é a capacidade da natureza subverter todas as medidas de segurança. O homem consegue contorna-la, mas não consegue controla-la.
Creio que o que mais choca os americanos é que desta vez a catástrofe não é cinematográfica, é real e aconteceu no quintal deles e não a milhas e milhas de distância, como, por exemplo, o maremoto. Aliás, os americanos lidam muito bem com tragédias à distância, mas no seu próprio espaço as emoções são muito mais complicadas de digerir.
E quando digo os americanos, digo todos os povos que não são assolados por fenómenos naturais. Se o mesmo acontecesse actualmente no nosso país, a verdade é que estaríamos ainda mais perdidos que os americanos. Nós não somos exactamente conhecidos pela nossa capacidade organizativa e de antevisão de possíveis desastres naturais. Talvez por isso cada Verão é um verão demasiado quente e assustador.
Depois, também é fácil colocar as culpas a essa figura de costas largas que é o governo. Já reparam como tudo é culpas dos governos, seja lá quais forem as cores no poder. Se não chove é culpa do governo. Se as pessoas não cuidam as suas próprias propriedades é culpa do governo. Se o mar se revolta é culpa do governo. Este poderá não ser isento de responsabilidades, pois cabe-lhe a ele criar medidas de prevenção, mas sou da opinião que todos nós temos responsabilidade. Cabe nos também a nós pensar e fazer a nossa quota parte. Temos de ser cidadãos responsáveis e só assim as nossas críticas serão válidas.
Claro que nós não evitaremos a ocorrências de novas catástrofes, mas podemos não construir, por exemplo, casas ilegais à beira praia, pensando somente na beleza da vista e sem qualquer preocupação de segurança.
Acredito que a natureza é uma busca constante de equilíbrio e se nós não contribuirmos para esse equilíbrio não podemos exigir que ela seja piedosa.
p. s. Monte Roraima
quinta-feira, setembro 08, 2005
Terminou...
Valeu a pena. Sim, valeu a pena. Conheci-me melhor, percebo melhor aquilo que quero e espero.
Tenho pena. Sim, tenho pena. Que a possibilidade não se tenha concretizado. Mas não há mágoas. Não pode haver. Não houveram quaisquer promessas a cumprir que fossem quebradas. Na ausência de palavras o futuro não era incerto, era apenas um silencioso anunciar do seu término.
Fica uma certa tristeza, uma certa melancolia no olhar e no coração. Um rasto que deixa qualquer oportunidade não cumprida. Mas o olhar visa sempre o horizonte e um novo devir.
JL#911
- (…) o ódio espuma, a preguiça se derrama, a gula engorda, a avareza acumula, a luxúria se oferece, o orgulho brilha. Só a inveja se esconde. Ciúme é querer manter aquilo que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha.
- (…) a inveja é um sentimento inconfessável que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes.
- (…) depressão, é uma forma detestável de narcissismo.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Um terço dos portugueses nunca vai ao cinema
Não é...
O que temos? Uma amizade colorida. Só que descobri que não tenho estofo emocional, maturidade sexual e sentimental para tal o que me deixa inquieta. O que parece um contra-senso, já que quando estamos juntos sinto exactamente uma calma e uma sensação de bem-estar deveras pacífica.
Mas tenho descoberto certas coisas em mim. E não sendo esta uma relação definitiva, cada vez mais o sinto, tem sido uma descoberta e tenho até alguma pena de não ser suficientemente paciente para esperar e aguardar algo mais, algo que cada vez mais tenho a certeza que não virá.
sábado, setembro 03, 2005
Monte Roraima

O Monte Roraima é uma formação rochosa com um aspecto particular caracterizado pelas suas escarpas verticais que conferem um aspecto de inacessibilidade ao seu topo. Além da sua extrema beleza cénica, possui um ecossistema único. Este ecossistema foi no final do século 19 visitado pelo botânico inglês Everard Im Thum, cujos relatórios expedição foram publicados na National Geografic, e serviram de inspiração ao escritor Conan Doyle a escrever "O Mundo Perdido", publicado no início do século passado.
Quem assistiu à série que passou há uns meses na RTP1 com o mesmo título pode perceber como as características físicas do local ai observadas correspondem exactamente a este monte. Na ficção, uma expedição fica aprisionada num enorme planalto do qual não há saída aparente e que é povoado por uma fauna e flora típicos.
Agora, perguntarão vocês, porque estarei eu a falar deste local? Uma razão é óbvia: vi a série, ou pelo menos vários episódios, e nunca me tinha passado pela cabeça que a história poderia ter como base a descrição de um local real. E como é que eu soube da existência desse local? Hoje, passou na SIC, há hora do almoço, um documentário que acompanhava a carreira de David Attenborough. Sim aquele senhor que o Herman José homenageava no seu sketch do “The Human species is often found…” e do qual já todos nós vimos um documentário apresentado por ele. Ora bem, neste documentário Attenborough em conversa com Michael Pallin, mais conhecido do público como um Monthy Python, fala em como uma gravura deste local sempre lhe tinha suscitado uma enorme curiosidade ao logo de 40 anos e do seu prazer quando pode finalmente lá fazer um programa.
E depois há coincidências que nem o diabo explica, como se costuma dizer. Não é que chego ao trabalho e resolvo pesquisar na net um pouco sobre o local. Depois, vem o meu colega com os jornais do dia e não é que o suplemento Fugas do Público é exactamente dedicado ao Monte Roraima.
Quis partilhar com vocês o que aprendi hoje, mas se quiserem informações mais especificas sobre o local, basta irem ao google. Espero que gostem.
sexta-feira, setembro 02, 2005
o mundo de fora agride-me
não compreendo porque me magoa
porque insiste em magoar-me
que terei feito ou é o meu nada fazer
que ofende e assim me castiga
Quase esquecia…
O cheiro a sexo
O sabor salgado a pele
A língua molhada
A tensão e a vontade
O alívio de chegar
O prazer
O calor
As pernas dormentes
As carícias nos meus seios
A boca a percorre-los
Os meus olhos a fecharem-se
Centrada somente em sentir
As mãos firmes
Sentir-me preenchida
Redescobrir
O abandono
quinta-feira, setembro 01, 2005
They Put Out Paradise to Build a Parking Lot
Mas não vou falar exactamente do Polis. Vou falar antes dos sítios da minha infância que já desapareceram e somente um deles foi devido ao Polis.
Comecemos na minha própria rua onde o jardim infantil deu lugar a um pequeno parque de estacionamento. Para ir para o parque era só sair da porta do prédio e dar talvez uns dez passos. Escusado será dizer as horas de brincadeira da minha infância que ali passei. E as vezes que levei a minha sobrinha lá, não é? Mas alguém decidiu que aquele parque era uma ameaça à saúde pública. O que não era mentira de todo. Aliás a areia nunca era trocada, quando muito uma nova carrada era colocada em cima. E o chamado equipamento também já não obedecia aos actuais preceitos de higiene e segurança. My Godinho, como a minha mãe dizia: nem sei como é que os meus filhos se criaram sem estas mariquices, mas, enfim…
Depois foi a vez da minha escola primária se transformar igualmente num parque de estacionamento. Por isso cada vez que oiço aquela música dos Counting Crows “They put up Paradise to build a parking lot” para mim tem todo o sentido.
O último local da minha infância a ser demolido é agora uma das bases de sustentação do novo viaduto que vai servir de ligação à encosta de S. Marcos. Era a casa da patroa da minha mãe onde passei muitas tardes e aprendi muitas coisas. A Jú conversava muito comigo e além de me fazer roupas para as bonecas, ensinou-me também um pouco a costurar e as coisas básicas do crochet. Fazia-me sumo de cenoura e quando era a hora do lanche, apesar da minha mãe levar sempre o meu, ela punha sempre uma chávena para me servir também chá. Ela foi a minha verdadeira avó. Senti mais a sua morte que algumas pessoas supostamente mais chegadas. Por isso a Jú tem sempre um lugar no meu coração. A minha Jú…
Crónica de uma morte anunciada
Quando ontem me diziam: hoje é o fim de uma era; eu respondia: essa era já acabou à muito tempo. Ontem foi a penas o desligar da máquina de um doente há muito em morte cerebral e que apenas a carolice de muitos teimava em que continuasse viva. Mas a chama há muito que desapareceu. Extinguiu-se quase sem se dar por isso.
Não vou ter saudades. Eu também já não sou a mesma pessoa. As coisas mudam e nós também e também para nós as coisas deixam de ter sentido. Já não tinha sentido para mim. Vou sim é relembrar sempre os bons momentos passados. Foram muitos mesmo. Felizmente.
quarta-feira, agosto 24, 2005
A Educação de Max Bickford
No episódio de ontem, Max é confrontado com a possível proximidade da morte do seu pai e num diálogo com o seu filho deu-lhe uma explicação curiosa sobre como o homem lida com os seus medos. As palavras não são as mesmas, mas foi algo assim:
As histórias de terror e os seus monstros, como seres alienígenas e vampiros, por exemplo, são apenas formas metafóricas do ser humanos lidar com medos e receios bem reais. O medo que temos dos extraterrestres não é mais que o pavor que temos ao nos sentirmos tão pequenininhos quando comparados com a imensidão do universo. As crianças inventam monstros no armário para se abstraírem, por exemplo, de ambientes de divórcio. Porque é inevitável pensar que se duas pessoas que amamos são capazes de deixar de se amar, então também podem deixar de nos amar. É o medo da rejeição.
Já os vampiros são um modo de lidar com o medo da morte. A morte é o inevitável, o completo desconhecido. através da figura do vampiro que sobrevive na morte, o ser humano lida com a sua falta de parâmetros de segurança aos quais se possa agarrar nesse estado.
Achei curioso…
terça-feira, agosto 23, 2005
JL #910
Qualquer destes acidentes naturais faz parte de uma crueldade que existe na natureza e que nos escapa…
Não há ternura na natureza, não há piedade, isso são conceitos que o homem inventou. O mundo acabaria no instante em que a natureza sentisse piedade.
Tiago Torres da Silva
Nunca é tarde para ter uma juventude feliz!
Onésimo Teotónio Almeida
Um povo só atinge a maturidade quando é capaz de se afirmar pela literatura – coisa que o nosso faz há muito. Escrever é para ele vencer o desconhecido, como o navegar.
(…) ser-se evoluído, em qualquer época, é preservar a memória, porque sem ela não há pensamento, sem pensamento não há ideias, sem ideias não há imaginação, sem imaginação não há futuro.
Só a disponibilidade perante a vida e a morte nos permite olhar o horizonte – e não enjoar.
Fernando Dacosta
quarta-feira, agosto 17, 2005
Pedido de desculpa
Primeiro deixa-me tentar explicar como entraste na minha vida. Entraste e pareces ter percebido algo em mim que não foi recíproco, confesso e tu sabe-lo, mas que aos poucos fui-me talvez dando a oportunidade de te conhecer melhor. E estava a gostar bastante e não me arrependo das palavras que trocamos.
Mas, às vezes dão-se pequenos acontecimentos que se tornam maiores do que julgávamos ser. E fui sincera, ou pelo menos tentei ser o mais sincera possível, mas nem sempre é fácil expor os nossos sentimentos.
A verdade é que eu julgava que o meu coração estava livre e desimpedido, como se costuma dizer. E foi nessa crença que as coisas se foram desenvolvendo contigo.
O que eu não esperava era que rever uma pessoa que julgava um capítulo passado na minha vida, fosse mexer tanto comigo. E foi isso que aconteceu num encontro casual entre amigos em comum, o que mais tarde ou mais cedo iria acontecer. Mas a verdade é que fiquei balançada, até demasiado balançada. E daí a tua impressão de que estou diferente. Eu estou diferente: apercebi-me de algo que julgava não existir.
Nunca foi meu objectivo nem magoar ninguém nem magoar-me deliberadamente. Mas creio que neste momento não posso ser mais do que amiga, se achares que é possível continuarmos a se-lo. Lamento, acredita que isto não estava nem nos meus mais remotos planos. Mas aconteceu e não posso nega-lo.
terça-feira, agosto 16, 2005
Possessing the Secret of Joy, A. Walker

- One was left speechless by all such a person couldn’t know.
- When I was younger I thought the church was there because it helped everybody enlarge their spirit, but really, people around here appear to be more meanspirited than ever.
- (…) the people’s characteristics, easily discerned, were imprinted on the landscape.
- Life goes on. The pain of it so sure. The sweetness of it so mysterious.
- That the story is only the mask for the truth?
- (…) men refuse to remember things that don’t happen to them.
- World wars have been fought and lost; for every war is against the world and every war agains the world is lost.
- One never asked for fear of the answer.
- Women are indestructible down there, … they are like leather: the more you chew it, the softer it gets.
- Man is jealous of woman’s pleasure, …, because she does not require him to achieve it.
- (…) suddenly I had to start feeling my own feelings for myself.
- (…) when one has seen too much of life, one understands it is a good thing to die.
- (…) the God of woman is autonomy.
- Religion is an elaborate excuse for what man has done to women and to the earth.
- Do fools need encouragement? … they encourage themselves.
- The pleasure a woman receives comes from her own brain. The brain sends it to any spot a lover can touch.
- It is only because a woman is made into a woman that a man becomes a man.
- (…) maybe death is easier than life, as pregnancy is easier than birth.
- Because women are cowards, and do not need to be reminded that we are.
- There is for humans no greater hell to fear than the one on earth.
- RESISTANCE IS THE SECRET OF JOY!
segunda-feira, agosto 08, 2005
Manhã Submersa, V. Ferreira

- (…) só é fútil e ingénua a infância dos outros – quando se não é já criança.
- Eu vivia, de resto, agora, e cada vez mais, da minha imaginação. E foi por isso a partir de então que eu descobri a violência da realidade. Nada era como eu havia fantasiado e não sabia porquê. Parecia-me que havia sempre outras coisas à minha volta que eu não supunha, e que essas coisas tinham sempre mais força do que eu julgava. Assim, a minha pessoa e tudo aquilo que eu escolhera para mim não tinham sobre o mais a importância que eu lhes dera. Chegado à realidade, muita coisa erguia a voz por sobre mim e me esquecia.
- Muita coisa aconteceu e me foi modificando certamente, mas não é fácil saber o quê.
sexta-feira, agosto 05, 2005
Sabedorias
Temos que ter cuidado ao ler livros de saúde.
Se mulher fosse coisa boa Deus tinha uma,
quinta-feira, agosto 04, 2005
Carta a Ângela, C de Oliveira

quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!
(…)
transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
Aqui te deixo tudo, meu amor!
Billie Elliot

Quais os pontos de contacto entre os três? Em todos eles as suas personagens procuram fugir ao seu fatídico futuro através da “arte”, seja ela maior ou menor. A diferença de Billie Elliot é que esta procura se faz pela visão de um jovem adolescente. Este não é um filme extraordinário, mas é um filme escorreito e bem feito. Vale pelo louvor da procura e conquista de um sonho, mesmo nadando contra a maré, e a compreensão e aceitação da diferença.
quarta-feira, agosto 03, 2005
Mr. & Mrs. Smith

Donas de Casa Desesperadas

Cada casa tem um segredo que esconde. Este é o mote desta série e, ficções à parte, todos nós sabemos que é verdade. Todas as famílias têm os seus esqueletos no armário, uns mais literais do que outros, mas enfim.Quase todas as personagens têm algo que me agrada ou com que me identifico. Por exemplo, consigo ser quase tão despassarada como a Susan Meyers, não tanto ao ponto de ficar nua fora de casa, mas ficar fora de casa sem chaves, oh fosse eu contar as vezes… de Lynette Scavo percebo bem o que é querer ser boa dona de casa, mas simplesmente não dar conta do assunto. Se bem que ela tem mais razões para isso do que eu, afinal quatro petizes endiabrados dão a volta à cabeça de qualquer um. Mas a personagem que realmente me dá gozo ver é a Bree van der Kemp com a sua perfeição estudada ao mínimo pormenor e aparente frieza. Mas cuidado, aquela mulher é fogo. Que ninguém se meta no seu caminho.
terça-feira, agosto 02, 2005
Dúvida:
O Fio das Missangas, M. Couto
- Ardores querem-se aplacados, amores querem-se deitados.
- (…) o homem estava caindo? Aquele gerúndio era um desmando nas graves leis da gravidade: quem cai, já caiu.
- Onde nada se passa, tudo pode acontecer.
- Antes eu não tinha hora. Agora perdi o tempo.
- Onde eu vivo não é na sombra. É por detrás do sol, onde toda a luz há muito se pôs.
- Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentido prazer em ter vergonha.
- (…) falar é fácil. Custa é aprender a calar.
- Verdade é luxo de rico. A nós, menores de existência, resta-nos a mentira.
- Era lá que eu sonhava. Não sonhava ser feliz, que isso era demasiado para mim. Sonhava para me sentir longínqua, distante até do meu cheiro.
- Toda a vida acreditei: amor é dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns.
- (…) nem todo o bicho é um animal.
- não sou velho, é verdade. Mas fui ganhando muitas velhices.
- (…) esplendoroso é o que sucede, não o que se espera.
- A lágrima lava a sofrência.
- A aranha ateia diz ao aranho na teia: o nosso amor está por um fio!
- Minha sabedoria é ignorar minhas originais certezas.
- Não existe terra, existem mares que estão vazios.
- O pulo é o desajeito humano de ensaiar um voo.
- De que vale acordar se o que vivo é menos do que o que sonhei?
- A aldeia, quanto mais pequena, mais carece de um louco. Como se por via desse louco se salvassem, os restantes, da loucura.
sábado, julho 30, 2005
Com o que é que sonhaste?
Não sei o que sonhei, mas sei que estavas lá, lembro-me da tua presença. O que é curioso: normalmente não sonho com pessoas conhecidas. Ou talvez por ainda mal te conhecer, me tenhas visitado em sonhos.
Se eu te dissesse que te tinha sonhado gostarias ou terias ficado assustado? Seja como for, não tenho ainda a coragem de te revelar isso.
quinta-feira, julho 28, 2005
Agora dou por mim ansiosa à espera. E se há atrasos, pergunto-me logo qual será o motivo. Pouco a pouco a companhia tornou-se apreciada e mesmo indispensável. Dou por mim até a fantasiar outras histórias. E sinto-me percorrer um caminho desconhecido, do qual não sei as regras. O desejo impele-me a percorre-lo e sinto o nervoso do receio. Não sei como devo avançar, apenas sei que o farei mesmo que atabalhoadamente. Talvez caia, mas talvez chegue ao fim do caminho. A seu tempo veremos.
O que mais acontecerá?
terça-feira, julho 26, 2005
Reflexão
Aparente-se inferioridade e active-se a sua arrogância.
Quase, M. Sá-carneiro

de tudo houve um começo… e tudo errou…
- ai a dor de ser-quase, dor sem fim…-
- eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
- asa que se lançou mas não voou…
(...)
num ímpeto difuso de quebranto,
tudo encetei e nada possuí…
hoje, de mim, só resta o desencanto
das coisas que beijei e não vivi…
sábado, julho 23, 2005
Joga como Beckham

Que fazer quando os sonhos pessoais são incompatíveis com os valores tradicionais e morais de uma comunidade. Que podem uma jovem inglesa de origem indiana fazer quando o seu sonho é exactamente jogar com Beckham? E principalmente quando tem consciência das suas capacidades, mas seguir em frente com elas tem implicações não só para si, como para a sua família.
As dificuldades de adaptação à cultura ocidental, ou, mais ainda, a tentativa de manter uma identidade original, ou originária, num país para o qual se emigra é um tema recorrente no cinema britânico. E o passado colonial britânico faz com que a comunidade indiana seja a mais citada. Este mesmo conflito estava presente em Tradição é Tradição. E à baila anda também sempre o tema da homossexualidade.
Joga como Beckham é um filme engraçado e que catapultou para a ribalta Keira Knhightley, que volta e meia se encontra num cinema perto de nós, e que, desculpem lá a franqueza, não acho que seja uma actriz extraordinária. Talvez com o tempo eu mude de opinião, mas só a consigo ver como modelo anoréctica.
Connie & Carla
O argumento é da autoria de Nia Vardalos (Connie) que surpreendeu ao escrever “viram-se Gregos para Casar”, que não sendo um filme extraordinário, parece-me mais conseguido que este segundo. São filmes que se vêem bem, mas que vivem sobretudo de clichés e não apresentam nehuma ideia verdadeiramente inovadora. Um explora os gags de mulheres a passarem por homens a passarem por mulheres e o outro a eterna luta entre culturas tradicionais de emigrantes e a sua adaptação às culturas urbanas nos países de recepção.
A Cidade Deus

Se correr o bicho pega,
Se ficar o bicho morde.
A história acompanha a vida de dois amigos criados numa das mais conhecidas favelas brasileiras, a Cidade de Deus, e como enveredar pelo crime e a marginalidade é quase tão natural como a sua sede e do qual não há saída. Mas um deles, ao ser presenteado com uma máquina fotográfica, consegue encontrar um lugar nessa sociedade clandestina de uma quase invisibilidade e que lhe permite o acesso a uma outra sociedade, a dita normal e moralmente aceitável.
As grandes “diferenças” desta narrativa são a utilização de saltos narrativos e a sua fotografia (no que agora a academia denomina de cinematografia).
Mas o melhor mesmo deste filme que foi buscar os seus actores às favelas, é que para alguns deles funcionou exactamente como a máquina fotográfica funcionou para a sua personagem principal, ou seja, livrou-os de uma vida de marginais e é possível ver vários deles em várias produções da Globo. Afinal, a arte ainda serve para modificar vidas.
quarta-feira, julho 20, 2005
Madagáscar

Não é o mais divertido filme de animação com que temos sido brindados nos últimos tempos, mas é um bom entretenimento. A história tem a sua ironia e o melhor mesmo são algumas das personagens, a saber: Melvin, a girafa hipocondríaca, os pinguins psicóticos e o rei dos lémures.
A melhor piada: costeletas em versão Beleza Americana.
A lot like love

A vida é o que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.
É uma possível tagline para este filme que me surpreendeu pela positiva. Fui ver a pensar que seria algo lamechas, como muitas das comédias românticas que para aí andam, mas afinal foi bastante divertido.
A história acompanha Oliver e Emily ao longo de quase sete anos de uma amizade colorida até que percebem que é mais do que amizade o que realmente os une. Pelo meio ficam as peripécias do florescer dessa amizade e da paixão.
O que se pode reter da história? Não adianta planificar a vida ao mínimo pormenor, porque ela encarrega-se de nos surpreender.
P.S. E não é que o Ashton Kutcher tem um sorriso muito, muito giro mesmo.
terça-feira, julho 19, 2005
Eu e os Telemóveis
Quando telefono a alguém é sobretudo para combinar algo, não para estar sempre a ligar e a dizer coisas inconsequentes. Ligo por exemplo para marcar um encontro, e não para ter aquelas conversas do género: era só para saber como vais e blá blá blá.
O mesmo se aplica às sms. Não sou de mandar e não gosto de manter muitos diálogos via sms. Respondo ao que me mandam, mas normalmente não envio muito. E nem respondo o mais prontamente possível. E uma das coisas que mais desatino é estar com alguém e a pessoa constantemente a mandar mensagens para alguém numa espécie de diálogo paralelo. Ou estamos a conversar cara a cara ou não, se a nossa presença não é desejada mais vale ir embora.
Quem me conhece já está habituado, agora quem não conhece…
Às vezes esta minha relação com este bicho provoca mal-entendidos com os seus utilizadores. Este fim-de-semana acho que foi um caso desses, mas creio que se valer a pena, as coisas resolvem-se.
FDS em cheio!
Relatório de actividades pós laborais dos últimos dias:
Sexta- café e Gringo’s com a S. e a Nhó-nhós.
Sábado- jantar e café com o L.
Domingo- passeio de fim de tarde com a S. e o C. e a C. e o H. concerto nocturno em Monsanto o D. e a F.
Segunda- babysitter da minha coisa loura e cinema com o Obi Kan e a minha prima.
Hoje- Passeio marítimo com a pandilha (são demasiadas iniciais para enumerar)
sexta-feira, julho 15, 2005
Cavaquear
Vida de quem não tem mais nada para fazer? Não.
Vida de quem ainda terá muito que fazer e deixará de ter o tempo necessário para se dedicar a estas ociosidades. Depois da escola, o nosso tempo livre reduz-se drasticamente, o que é bom, porque afinal de contas ninguém quer ser apenas um número que engrossa as taxas de desemprego. Mas… há sempre um mas.
Mas o nosso tempo de cavaquear livre e despreocupadamente, esse sim termina. Porque nem sempre se encontra um espaço em que se possa estar sem qualquer pressão, porque é inevitável a certa altura ter alguém a olhar para um relógio porque no outro dia de levantar cedo, porque outras pessoas entram nas nossas vidas que requerem outras intimidades, ou simplesmente porque as pessoas já nem se esforçam por promover alegres e despreocupadas tertúlias.
Felizmente, ainda tenho bons momentos a cavaquear, principalmente depois dos ensaios do teatro, para os quais toda a gente está cansada, mas que para estar, se necessário, duas horas em pé, ninguém se mexe.
É assim, uns piores que os outros.
quinta-feira, julho 14, 2005
Mais uma Ladies’ Night
A ida de ontem não estava mesmo nada nos planos, mas se a Nhó-nhós não regula bem, eu também não. Ontem foi uma noite com programa completo de gajas: jantar de corte e costura e compras, de roupa é claro. Depois, quando era suposto irmos de regresso para casa, dá-se o seguinte diálogo (ao som do Let’s get Loud da J.Lo – pormenor deveras importante):
Dinai- Ai, esta música, o que eu gosto desta música.
Nhó-nhós- Isto é mesmo Gringo’s.
Dinai- Podes crer.
Nhó-nhós- Bora ir?
Dinai- Sabes que por mim não há problema, não tenho de me levantar cedo.
Nhó-nhós- Então vamos, passamos em tua casa e mudas de roupa e vamos.
E olhem, fomos.
Oh, God, make me good, but not yet!
* sessões de cinema em que o mais importante não são os filmes
* jogos eróticos de cartas
* massagens intensivas
* praias com recantos escuros (verificar se atrás da duna não há mais ninguém)
* a eterna moita
* improvisar, improvisar, improvisar
terça-feira, julho 12, 2005
Maria Albertina
Maria Albertina deixa que eu te diga
Ah... Maria Albertina deixa que eu te diga
Esse teu nome eu sei que não é um espanto
Mas, é cá da terra e tem, tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto
Mas, é cá da terra e tem, tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?
Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?
Que é bem cheiinha e muito moreninha
Que é bem cheiinha e muito moreninha
Que é bem cheiinha e muito moreninha
Que é bem cheiinha e muito moreninha
sábado, julho 09, 2005
dúvidas, obsessões e ironias

Tenho muitas vezes esta dúvida… até que ponto expor aqui ou não o meu ego, a minha anima, a minha persona, as minhas máscaras.
Talvez, se todos os leitores que passam por esta páginas fossem ilustres desconhecidos, eu arriscasse mais nas minhas confissões, nas minhas dúvidas, nos meus desejos… mas nem todos os são. E será que tenho coragem para tudo revelar? Não, não tenho…
Talvez porque sinto a necessidade de ter um espaço só meu, sem qualquer hipótese de ser questionada.
Lá vai uma declaração para quem ainda não percebeu: odeio ser questionada. Sinto-me pressionada. Quando pergunto gosto de ser respondida, quando me perguntam gosto de responder. E por vezes não sei o que responder, talvez porque nem tudo está definido e cada resposta é uma tentativa de definição. E não há definição ou a definição não é coerente com o que almejamos.
Lá vai outra declaração: tenho uma certa obsessão com a coerência. E quando me vejo a ser incoerente nas minhas palavras e nos meus actos, sinto-me falsa, imperfeita. Não gosto de me sentir imperfeita. E sim, eu sei que o sou. Mas uma coisa é ter essa ideia e outra é confrontarmo-nos com o facto.
Por isso tenho esta outra obsessão: tentar ser melhor, tentar ser uma pessoa melhor. Encaro a vida como um percurso kármico, mas vejo-me a falhar no meu propósito tantas, tantas vezes. E é por isso que me refúgio tanto na leitura e no cinema. Não é pelo entretenimento que me podem dar, é pelas lições de vida que posso adquirir. Tenho pena de nem sempre as concretizar, de nem sempre ter o discernimento de as utilizar ou de as saber utilizar.
Talvez com o tempo as aproveite melhor…
Tanto talvez na minha vida, já repararam?
E eu que julgava que não era de obsessões.
A IRONIA DE TUDO ISTO.
Boulevard of Broken Dreams x 2
By Nat King Cole
I walk along the street of sorrow,
The boulevard of broken dreams.
Where gigolo and gigolette
Can take a kiss without regret
So they forget their broken dreams.
You laugh tonight and cry tomorrow,
When you behold your shattered dreams.
And gigolo and gigolette
Awake to find their eyes are wet
With tears that tell of broken dreams.
Here is where you'll always find me,
Always walking up and down.
But I left my soul behind me
In an old cathedral town.
The joy you find here, you borrow,
You cannot keep it long, it seems.
But gigolo and gigolette
Still sing a song and dance along
The boulevard of broken dreams.
Here is where you'll always find me,
Always walking up and down.
But I left my soul behind me
In an old cathedral town.
The joy you find here, you borrow,
You cannot keep it long, it seems.
But gigolo and gigolette
Still sing a song and dance alongThe boulevard of broken dreams.
By Green Day
I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don't know where it goes
But it's home to me and I walk alone
I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
Where the city sleeps
and I'm the only one and I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone
I'm walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the border line
Of the edge and where I walk alone
Read between the lines
What's fucked up and everything's alright
Check my vital signs
To know I'm still alive and I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk alone
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone
I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
Where the city sleeps
And I'm the only one and I walk ah...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone...
sexta-feira, julho 08, 2005
W.O.W
Spielberg, espero por ti noutro filme...
Garden State

É uma pérola de sensibilidade, cuja beleza se entranha em nós cena a cena, diálogo a diálogo e até silêncio a silêncio.
Garden State é a primeira obra de Zach Braff, mais conhecido do público português pela série Scrubs transmitida pela SIC Radical. Além de dar vida à personagem principal, Braff é igualmente realizador, argumentista e responsável pela selecção musical da banda sonora, pela qual ganhou inclusive um Grammy, apenas um dos muitos galardões granjeados por esta obra.
A história? Um jovem de 26 anos regressa a casa após nove anos para o funeral da mãe e, interrompendo uma medicação de calmantes que faz parte da sua rotina desde a infância, começa a sentir a vida e as suas peculiaridades, como o amor. Assim, acompanhamos Braff ao longo desta viagem iniciática em que se equaciona a família (e as disfuncionalidades que torna cada família única), o amor, a amizade e os sonhos.
Creio que este é um filme bastante apelativo para a geração dos 20 something que durante este período se apercebe que a vida não uma festa, mas que pode ser aquilo que nos propusermos a fazer dela. Como se diria num outro filme: you either make life a chiken salad or a shit salad.

Sam: This is your one opportunity to do something that no one has ever done before and that no one will copy throughout human existence. And if nothing else, you will be remembered as the one guy who ever did this. This one thing.
Sam: If you can't laugh at yourself, life is going to seem a whole lot longer than you'd like.
Largeman: Fuck, this hurts so much.
Largeman: You know that point in your life when you realize that the house that you grew up in isn't really your home anymore? All of the sudden even though you have some place where you can put your stuff that idea of home is gone.
terça-feira, julho 05, 2005
Inveja
Eu bem tento treiná-los ao som da música, mas algo me diz que não chego lá só assim. Inveja…
sábado, julho 02, 2005
LIVE8
Mas não consigo deixar de ver este Live8 com uma sensação de nostalgia, porque ainda está muito presente na minha mentes certas imagens do Live Aid.
Mas mais do que escrever sobre, prefiro relembrar algumas palavras alheias, porque penso que estas resumem bem melhor a intenção desta iniciativa.
Strange little Girl
One day you see a strange little girl feeling blue
She'd run to the town one day
Leaving home and her country fair
Just beware
When you're there
Strange little girl
She didn't know how to live in a town that was rough
It didn't take long before she knew she'd had enough
Walking home in her wrapped up world
She survived but she's feeling old
'cause she found
All things cold
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl, you
I really should, you
I really should be
Going
I know you are sure
I know you are sure
I know
I know you are sure
One day you see a strange little girl look at you
One day you see a strange little girl feeling blue
Walking home in her wrapped up world
She survived but she's feeling old
'cause she found
All things cold
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl, you
I really should, you
I really should, you
I really should
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl, I
I really should, you
I really should, you
I really should
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
I
I really should, you
I really should, you
I really should, you
I really should, be – going
That's how i'm feeling today...
sexta-feira, julho 01, 2005
O Guardador de Rebanhos/V, A. Caeiro

(...)
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
(...)
a luz do sol não sabe o que faz
e por isso não erra e é comum e boa.
(...)
o único sentido íntimo das coisas
é elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele.
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
(...)
mas se Deus é as árvores e as flores
e os montes e o luar e o sol,
para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
(...)
quinta-feira, junho 30, 2005
As Melhores Canções Infantis
E é assim que se partilham momentos com as nossas crianças.
Obrigada P.
Gonçalo M. Tavares, in JL #902
Para um, por vezes de dois para um: em matéria de sinceridade
O número quatro assusta-me

- Não podemos ser verdadeiros para todos ao mesmo tempo. Só me sinto bem de um para um, ou em multidões.
- Vejo mais parado do que a andar de um lado para o outro. Sou um turista sentado.
- É uma questão de imaginação, os meus olhos não precisam de ver.
- A verdadeira literatura é aquela que pode ser relida.
- Em termos de linguagem, acho que uma pessoa deve dizer o que tem a dizer e calar-se o mais rapidamente possível. Há uma responsabilidade no acto de abrir uma frase. Ou seja, antes de o fazer deve-se perguntar se tem alguma coisa para dizer. E devemos ser o mais sintético possível.
- A dignidade só pode ser avaliada em situações limite, de medo, de agressividade, violência, de extrema pobreza.
- Vejo a escrita como um exercício para treinar muscularmente a nossa lucidez. E o principal ginásio é claramente a leitura.
- A literatura começa precisamente quando recusamos ser moralista e instintivamente somos perversos.
- Quem escreve não pode olhar para onde toda a gente está a olhar, mas para o outro lado.
- A linguagem tem uma grande liberdade, mas não me interessa propriamente experimentar. Quero perceber. (…) a tentativa de perceber o ser humano, no que tem de mais fundo, pesado e denso.
- Não tenho a ilusão que um livro possa transformar radicalmente uma pessoa, mas acredito que uma série de livros o pode fazer, ainda que ligeiramente. Se eu não tivesse lido os livros que li, seria completamente diferente. Não consigo apontar só um livro que me tenha transformado, mas sei que todos os que li me transformaram muito.
A Posição Anatómica
(...) há uma posição exacta para descrever os ossos
e uma outra para isolar a alma.
Mas da segunda não ouvi falar; não há desenho.
Mundo Literário
Era uma mulher voluptuosa, mas muito sensível. Escrevia poemas e guardava-os no sempre emocionante espaço que existe entre um seio e outro.
Alguns homens não a largavam à procura de inéditos.
in Senhor Henri
… é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
… mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
… muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida – disse o senhor Henri.
… nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.
terça-feira, junho 28, 2005
Branco?
Lover Boy – A Educação de Paul
O filme conta com a participação de vários actores que ao longo da sua carreira trabalharam com Bacon e Kira Sedgwick, esposa deste e a intérprete desta mãe disfuncional, e que aqui mostra o seu potencial como actriz.
A quem arriscar ver, recomendo uma boa dose de paciência para não desistir pelo caminho.
sexta-feira, junho 24, 2005
O lado bom da fúria

O filme é interessante, mas não é nada de extraordinário. Relata a vida de uma família de mulheres após o suposto abandono da figura do pai e o modo como esta encara essa perda. O melhor ainda é Costner que apesar de alguns flops na sua carreira parece talhados para filmes românticos e de preferência a interpretar jogadores de beisebal.
Nota ainda para a jovem actriz Rachel Evan Ward, da série Começar de Novo, cujos trabalhos até ao momento auguram uma carreira promissora.
quinta-feira, junho 23, 2005
Star Wars - A Vingança dos Sith

Voltando à história, é claro que este é talvez o filme com menos surpresas em termos do que irá acontecer, ficando as novidades apenas no como irão acontecer. Assim sendo, gosta do filme quem é fã e quem se deixa ainda deslumbrar pela magia do cinema. Essa magia que é feita de histórias simples e da sedução dos efeitos especiais que mais não são do que uma demonstração da nossa capacidade de imaginação.
Eu deixei me deslumbrar.
Com o crescendo de fatalidade em torno da personagem de Anakin Skywalker, que recorda as grandes tragédias gregas e seu o clímax trágico. Com a eterna luta entre o bem e o mal e como este última pode entrar tão subtilmente na vida de alguém e pouco a pouco minar uma existência. Com a beleza dos efeitos especiais e essa capacidade de nos levarem mais além. Ou como se diria numa outra série de culto: to boldly go where no man has ever been. Com as coreografias das lutas de sabre de luz que sempre me fascinaram.
Sim, a saga não poderia acabar de melhor maneira.
Agora resta-nos uma certa melancolia…
quarta-feira, junho 22, 2005
Memória das Minhas Putas Tristes, G. G. Marquez

· a verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e continuamo-nos a ver-nos de dentro como sempre tínhamos sido, mas os outros vêem-nas de for a.
· naquela noite descobri o prazer inverosímil de contemplar o corpo de uma mulher adormecida sem as pressas do desejo ou os entraves do pudor.
· Uma mulher não perdoa nunca que um homem despreze a sua estreia.
· … senti na garganta o nó górdio de todos os amores que podiam ter sido e não foram.
· … assim como os factos reais se esquecem, também alguns que nunca existiram podem estar nas recordações como se tivessem existido.
· a idade não é a que temos mas a que sentimos.
· … os que não cantam não podem imaginar o que é a felicidade de cantar.
· Incrível: vendo-a e tocando-lhe em carne e osso, parecia-lhe menos real do que nas minhas recordações.
· O sangue circulava pelas suas veias com a fluidez de uma canção que se ramificava até aos pontos mais recônditos do seu corpo e voltava ao coração purificado pelo amor.
· … não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência.
· Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma mas um signo do Zodíaco.
· … a força invencível que impulsionou o mundo não são os amores felizes mas os contrariados.
· Não se engane: os loucos mansos adiantam-se ao futuro.
· O sexo é o consolo de uma pessoa quando lhe falta o amor.
· O que pensa uma mulher enquanto cose um botão.
· … porque o amor me ensinou demasiado tarde que nos arranjamos para alguém, nos vestimos e perfumamos para alguém, e eu nunca tinha tido ninguém.
· Já pensou o que vai fazer se eu lhe disser que sim?
· … uma vez mais comprovei com horror que se envelhece mais e pior nos retratos do que na realidade.
· … os ciúmes sabem mais do que a verdade.
· É impossível não acabar sendo como os outros julgam que somos.
· Faças o que fizeres, neste ano ou daqui a cem, estarás morto para sempre.
terça-feira, junho 21, 2005
Creio
Que não há espírito sem carne
E carne nada é sem espírito
Creio
Que primeiro se dá e depois se recebe
E que nem sempre assim é
Creio
Que talvez agora te tenha encontrado
Creio
Não num deus maior
Mas em redenção e aceitação
Creio
Que procuro sempre
Mesmo que não encontre
Creio
Que a verdade também mente
Quando procura suavizar a dor
Que a mentira quando doce
É uma ilusão a ser vivida
Creio
Que tenho muito a dar
E espero ainda aprender
O muito que houver para receber
Creio
Que palavras são só palavras
Mas quero o seu deleite
Creio
Que o olhar engana
Mas por vezes foge a coragem de ir mais além
Creio
Tento crer-me
Para que alguém me creia



