quarta-feira, setembro 14, 2005

De Adolecentis

Um dos mais belos e interessantes textos sobre a adolescência:

O único mistério da vida é a adolescência. O nascimento é apenas um acontecimento, fácil de constatar e documentar, a morte, devido `qa ausência de consequências, é um não-acontecimento. A ideia de morte produz imensos efeitos, mas a morte, na realidade, não existe. Tem falta de um depois documentável, a velhice, sendo talvez uma coisa boa, é o que é. A idade adulta também. Isto é: também é velhice.
A infância, do ponto de vista do próprio, não é nada, porque o próprio não tem ponto de vista próprio. A infância são as mães. Uma coisa extraordinária mas que não chega a ser um assunto, porque é sempre bastante mais. A infância também serve às vezes para ser depois inventada.
A adolescência é o único mistério. Um rapaz já é um homem, mas ainda não sabe bem o que é, e isso é susceptível de gerar inúmeros equívocos, que por vezes viram contra o próprio ou contra os que o rodeiam. A violência adolescente aparece como uma espécie de cena de pancada em que o agressor e vítima são a mesma pessoa, se é que se lhe deve chamar pessoa. A adolescência é uma forma de fome. A comida disponibilizada pelos mais velhos não presta, e os adolescentes comem a sua própria carne, que por vezes se torna venenosa.
A melhor alternativa à violência são os espelhos, mas estes nem sempre funcionam do modo mais desejável. A descoberta do espelho é a maior descoberta da história da humanidade de cada homem. O rapaz passa a poder ser um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, uma legião de imagens de homens capazes de arrumar e usar o mundo à medida das suas vontades, fantasias e prazeres. Nos melhores casos, o sortilégio dos espelhos inspira imagens de sucesso, que são também uma promessa de sexo.
Mas é preciso ter muito cuidado com os espelhos, porque nunca se sabe exactamente qual a imagem que eles nos vão devolver. Uma descoincidência radical pode gerar uma decepção com consequências catastróficas.

… nunca saberemos nada sobre ninguém em estado de adolescência.


Alexandre Melo, in Actual

terça-feira, setembro 13, 2005

Weird?

You Are 50% Weird

Normal enough to know that you're weird...
But too damn weird to do anything about it!

Quero culpar-te!

Silenciosamente puseste-me fora da tua vida e eu sem perceber… o que te fez desligar a ligação. Afinal, foste tu que me procuraste.
Quero culpar-te e assim redimir-me da frustração da falha. Quero poder dizer que não fui eu que nos afastou. Mas também não fui eu que nos ligou. Mas eu nunca disse não, nem sequer me impus. Fui até demasiado compreensiva. Eu e a mania de entender os outros. E depois recalco o que realmente anseio. Omito os meus desejos.
Quero culpar-te: de criar em mim a esperança. Não, pior, quero culpar-te da minha culpa. A minha culpa de saber que só me davas migalhas e que eu insisti em receber e até mesmo em mendigar.
Mas chega um dia em que é necessário aceitar a nossa falha, a nossa culpa. Assumo-a agora.
Sinto-me pronta para fechar a porta. Já vai sendo mais que hora.
The moment is here…
Saio.

sábado, setembro 10, 2005

O Meu Padrão Cerebral

Your Brain's Pattern

Your mind is an incubator for good ideas, it just takes a while for them to develop.
But when you think of something, watch out!
Your thoughts tend to be huge, and they come on quickly - like an explosion.
You tend to be quiet around others, unless you're inspired by your next big idea.

Leituras deFDS

Mil folhas
O que morrerá comigo quando eu morrer?
Ana Teresa Pereira

A não ser que exista uma memória do universo, em cada morte desaparece uma coisa ou um número infinito de coisas.
J. L. Borges

É a questão da suposta trivialidade da pop oposta à suposta profundidade da cultura séria.
Luís Maio sobre Nick hornby

Actual
- Estou no congresso representando várias minorias nacionais. Sou meio índio, meio negro, meio japonês, meio homossexual e meio honesto.
- Pra saber como vai ser seu marido, encha uma bacia grande com água e deixe na rua durante toda a noite de São João. Se cair folha dentro da bacia vai ser moreno, se cair flor vai ser claro, se cair insecto vai ser militar e se cair homem mesmo leva pra casa, enxuga e fica com ele mesmo, uai.
L. F. Veríssimo

Um romance é um espelho que se passeia num longo caminho. Tão depressa reflecte aos nossos olhos o céu azul, como o lodo da berma.
Stendhal

GR
… milhares de anos de civilização apenas disfarçaram o abismo.
Barata-Feyo

sexta-feira, setembro 09, 2005

Katrina & The Waves

Este era o nome de um grupo pop dos anos oitenta cujo grande hit é “Walking on sunshine”, uma canção alegre e bem disposta. Mas nos dias que correm, o nome Katrina não significa, nem alegria, nem boa disposição, nem passeios despreocupados ao Sol. Katrina lembra sim o poder esmagador e impiedoso da natureza, que nem os grandes chefes de estado, nem ninguém pode prever nem controlar.
Já todos ouvimos as críticas à administração Bush sobre o modo como encarou este acidente natural. Já todos vimos as imagens de pessoas que perderam tudo o que possuíam, as pilhagens, o por vezes extremamente zelosa actuação da polícia, as imagens de refugiados, a destruição.
Poderia ter sido feito mais? Claro que podia. Depois das situações passarem e ao observar as consequências, é sempre fácil apontar erros e aspectos a melhorar. Mas o que nunca se pode subestimar é a capacidade da natureza subverter todas as medidas de segurança. O homem consegue contorna-la, mas não consegue controla-la.
Creio que o que mais choca os americanos é que desta vez a catástrofe não é cinematográfica, é real e aconteceu no quintal deles e não a milhas e milhas de distância, como, por exemplo, o maremoto. Aliás, os americanos lidam muito bem com tragédias à distância, mas no seu próprio espaço as emoções são muito mais complicadas de digerir.
E quando digo os americanos, digo todos os povos que não são assolados por fenómenos naturais. Se o mesmo acontecesse actualmente no nosso país, a verdade é que estaríamos ainda mais perdidos que os americanos. Nós não somos exactamente conhecidos pela nossa capacidade organizativa e de antevisão de possíveis desastres naturais. Talvez por isso cada Verão é um verão demasiado quente e assustador.
Depois, também é fácil colocar as culpas a essa figura de costas largas que é o governo. Já reparam como tudo é culpas dos governos, seja lá quais forem as cores no poder. Se não chove é culpa do governo. Se as pessoas não cuidam as suas próprias propriedades é culpa do governo. Se o mar se revolta é culpa do governo. Este poderá não ser isento de responsabilidades, pois cabe-lhe a ele criar medidas de prevenção, mas sou da opinião que todos nós temos responsabilidade. Cabe nos também a nós pensar e fazer a nossa quota parte. Temos de ser cidadãos responsáveis e só assim as nossas críticas serão válidas.
Claro que nós não evitaremos a ocorrências de novas catástrofes, mas podemos não construir, por exemplo, casas ilegais à beira praia, pensando somente na beleza da vista e sem qualquer preocupação de segurança.
Acredito que a natureza é uma busca constante de equilíbrio e se nós não contribuirmos para esse equilíbrio não podemos exigir que ela seja piedosa.

p. s. Monte Roraima

Pois é, eu que nunca tinha ouvido falar nesta região brasileira, consegui três vezes no mesmo dia. A última foi no Mil Folhas e dizia respeito à autoria do romance “Papillon” atribuída a Henri Charriére, mas que recentes declarações atribuem a René Belbenoît, um outro fugitivo da ilha do Diabo, que terá vivido no estado de Roraima.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Terminou...

O meu amor de Verão terminou. Tão inesperada e subtilmente como começou. Como qualquer amor de adolescência, apesar de já não o sermos. Amor de adolescência pela sua inocência, pelo seu diluir previsto. O verão termina e as prioridades retornam, apenas nós não nos tornámos uma prioridade.
Valeu a pena. Sim, valeu a pena. Conheci-me melhor, percebo melhor aquilo que quero e espero.
Tenho pena. Sim, tenho pena. Que a possibilidade não se tenha concretizado. Mas não há mágoas. Não pode haver. Não houveram quaisquer promessas a cumprir que fossem quebradas. Na ausência de palavras o futuro não era incerto, era apenas um silencioso anunciar do seu término.
Fica uma certa tristeza, uma certa melancolia no olhar e no coração. Um rasto que deixa qualquer oportunidade não cumprida. Mas o olhar visa sempre o horizonte e um novo devir.

JL#911

Entrevista com Zuenir Ventura
- (…) o ódio espuma, a preguiça se derrama, a gula engorda, a avareza acumula, a luxúria se oferece, o orgulho brilha. Só a inveja se esconde. Ciúme é querer manter aquilo que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha.
- (…) a inveja é um sentimento inconfessável que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes.
- (…) depressão, é uma forma detestável de narcissismo.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Um terço dos portugueses nunca vai ao cinema

Este era o título de uma notícia recentemente publicada num jornal nacional. Este título não me espanta. Afinal, cada vez menos é necessário ir ao cinema para se ver bom cinema. Com a profusão de canais por cabo dedicado à sétima arte, aos preços mais acessíveis praticados quer por estes, quer pelos clubes de vídeo, e sem esquecer o crescente fenómeno da pirataria, não é de admirar que cada vez menos pessoas se desloquem ao cinema e paguem um bilhete, que, por exemplo, eu acho caro. Até por uma grande maioria dos espectadores de cinema, não se limitam ao filme. É já tradição as pipocas, as bebidas. E, tendo em conta a conjuntura económica, ainda se torna menos em conta ir ao cinema. Mas como ou onde se vê cinema, não me parece o mais problemático, desde que se veja cinema e se tenha uma percepção analítica daquilo que se vê, o formato é indiferente.

Não é...

Não é a relação desejada, idealizada, porque quero mais. Quero alguma definição que me dê uma sensação de segurança. Sinto-me perdida entre o que tenho, e gosto, e o que idealizei e quero. Não sei se correrá bem e talvez seja essa incerteza que também me move e fascina, que me obriga a estar mais atenta e também me deixa ansiosa.
O que temos? Uma amizade colorida. Só que descobri que não tenho estofo emocional, maturidade sexual e sentimental para tal o que me deixa inquieta. O que parece um contra-senso, já que quando estamos juntos sinto exactamente uma calma e uma sensação de bem-estar deveras pacífica.
Mas tenho descoberto certas coisas em mim. E não sendo esta uma relação definitiva, cada vez mais o sinto, tem sido uma descoberta e tenho até alguma pena de não ser suficientemente paciente para esperar e aguardar algo mais, algo que cada vez mais tenho a certeza que não virá.

sábado, setembro 03, 2005

Monte Roraima

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O Monte Roraima é uma formação rochosa com um aspecto particular caracterizado pelas suas escarpas verticais que conferem um aspecto de inacessibilidade ao seu topo. Além da sua extrema beleza cénica, possui um ecossistema único. Este ecossistema foi no final do século 19 visitado pelo botânico inglês Everard Im Thum, cujos relatórios expedição foram publicados na National Geografic, e serviram de inspiração ao escritor Conan Doyle a escrever "O Mundo Perdido", publicado no início do século passado.
Quem assistiu à série que passou há uns meses na RTP1 com o mesmo título pode perceber como as características físicas do local ai observadas correspondem exactamente a este monte. Na ficção, uma expedição fica aprisionada num enorme planalto do qual não há saída aparente e que é povoado por uma fauna e flora típicos.
Agora, perguntarão vocês, porque estarei eu a falar deste local? Uma razão é óbvia: vi a série, ou pelo menos vários episódios, e nunca me tinha passado pela cabeça que a história poderia ter como base a descrição de um local real. E como é que eu soube da existência desse local? Hoje, passou na SIC, há hora do almoço, um documentário que acompanhava a carreira de David Attenborough. Sim aquele senhor que o Herman José homenageava no seu sketch do “The Human species is often found…” e do qual já todos nós vimos um documentário apresentado por ele. Ora bem, neste documentário Attenborough em conversa com Michael Pallin, mais conhecido do público como um Monthy Python, fala em como uma gravura deste local sempre lhe tinha suscitado uma enorme curiosidade ao logo de 40 anos e do seu prazer quando pode finalmente lá fazer um programa.
E depois há coincidências que nem o diabo explica, como se costuma dizer. Não é que chego ao trabalho e resolvo pesquisar na net um pouco sobre o local. Depois, vem o meu colega com os jornais do dia e não é que o suplemento Fugas do Público é exactamente dedicado ao Monte Roraima.
Quis partilhar com vocês o que aprendi hoje, mas se quiserem informações mais especificas sobre o local, basta irem ao google. Espero que gostem.

sexta-feira, setembro 02, 2005

o mundo de fora agride-me

o mundo de fora agride-me
não compreendo porque me magoa
porque insiste em magoar-me
que terei feito ou é o meu nada fazer
que ofende e assim me castiga

Quase esquecia…

O cheiro de homem
O cheiro a sexo
O sabor salgado a pele
A língua molhada
A tensão e a vontade
O alívio de chegar
O prazer
O calor
As pernas dormentes
As carícias nos meus seios
A boca a percorre-los
Os meus olhos a fecharem-se
Centrada somente em sentir
As mãos firmes
Sentir-me preenchida
Redescobrir
O abandono

quinta-feira, setembro 01, 2005

They Put Out Paradise to Build a Parking Lot

Neste momento, e já há alguns meses, em Agualva-Cacém, a minha terrinha, está a decorrer o programa Polis para recuperação e remodelação da cidade, que diga-se de passagem bem estava a precisar. O Cacém nunca foi um modelo de planeamento urbanístico e muitas coisas importantes como espaços verdes foram sempre deixadas não sei muito bem aonde.
Mas não vou falar exactamente do Polis. Vou falar antes dos sítios da minha infância que já desapareceram e somente um deles foi devido ao Polis.
Comecemos na minha própria rua onde o jardim infantil deu lugar a um pequeno parque de estacionamento. Para ir para o parque era só sair da porta do prédio e dar talvez uns dez passos. Escusado será dizer as horas de brincadeira da minha infância que ali passei. E as vezes que levei a minha sobrinha lá, não é? Mas alguém decidiu que aquele parque era uma ameaça à saúde pública. O que não era mentira de todo. Aliás a areia nunca era trocada, quando muito uma nova carrada era colocada em cima. E o chamado equipamento também já não obedecia aos actuais preceitos de higiene e segurança. My Godinho, como a minha mãe dizia: nem sei como é que os meus filhos se criaram sem estas mariquices, mas, enfim…
Depois foi a vez da minha escola primária se transformar igualmente num parque de estacionamento. Por isso cada vez que oiço aquela música dos Counting Crows “They put up Paradise to build a parking lot” para mim tem todo o sentido.
O último local da minha infância a ser demolido é agora uma das bases de sustentação do novo viaduto que vai servir de ligação à encosta de S. Marcos. Era a casa da patroa da minha mãe onde passei muitas tardes e aprendi muitas coisas. A Jú conversava muito comigo e além de me fazer roupas para as bonecas, ensinou-me também um pouco a costurar e as coisas básicas do crochet. Fazia-me sumo de cenoura e quando era a hora do lanche, apesar da minha mãe levar sempre o meu, ela punha sempre uma chávena para me servir também chá. Ela foi a minha verdadeira avó. Senti mais a sua morte que algumas pessoas supostamente mais chegadas. Por isso a Jú tem sempre um lugar no meu coração. A minha Jú…

Crónica de uma morte anunciada

Ontem foi o encerramento oficial de uma casa nocturna onde passei muitos e bons momentos, mas que há muito tinha deixado de ser o que era. Por isso também há muito que me tinha despedido dela.
Quando ontem me diziam: hoje é o fim de uma era; eu respondia: essa era já acabou à muito tempo. Ontem foi a penas o desligar da máquina de um doente há muito em morte cerebral e que apenas a carolice de muitos teimava em que continuasse viva. Mas a chama há muito que desapareceu. Extinguiu-se quase sem se dar por isso.
Não vou ter saudades. Eu também já não sou a mesma pessoa. As coisas mudam e nós também e também para nós as coisas deixam de ter sentido. Já não tinha sentido para mim. Vou sim é relembrar sempre os bons momentos passados. Foram muitos mesmo. Felizmente.

quarta-feira, agosto 24, 2005

A Educação de Max Bickford

Max Bickford é professor universitário numa tradicional escola feminina e cujos grandes … é a criação de dois filhos que a recente viuvez obrigou a encarar e a escrita de um livro cuja personagem principal é o seu alter-ego. A quem interessar, poderá seguir as peripécias deste professor interpretado por Richard Dreyfuss de segunda a sexta na :2 às 23.30.
No episódio de ontem, Max é confrontado com a possível proximidade da morte do seu pai e num diálogo com o seu filho deu-lhe uma explicação curiosa sobre como o homem lida com os seus medos. As palavras não são as mesmas, mas foi algo assim:
As histórias de terror e os seus monstros, como seres alienígenas e vampiros, por exemplo, são apenas formas metafóricas do ser humanos lidar com medos e receios bem reais. O medo que temos dos extraterrestres não é mais que o pavor que temos ao nos sentirmos tão pequenininhos quando comparados com a imensidão do universo. As crianças inventam monstros no armário para se abstraírem, por exemplo, de ambientes de divórcio. Porque é inevitável pensar que se duas pessoas que amamos são capazes de deixar de se amar, então também podem deixar de nos amar. É o medo da rejeição.
Já os vampiros são um modo de lidar com o medo da morte. A morte é o inevitável, o completo desconhecido. através da figura do vampiro que sobrevive na morte, o ser humano lida com a sua falta de parâmetros de segurança aos quais se possa agarrar nesse estado.
Achei curioso…

terça-feira, agosto 23, 2005

JL #910

(…) deus está é preocupado com a especulação imobiliária na zona costeira!
Qualquer destes acidentes naturais faz parte de uma crueldade que existe na natureza e que nos escapa…
Não há ternura na natureza, não há piedade, isso são conceitos que o homem inventou. O mundo acabaria no instante em que a natureza sentisse piedade.
Tiago Torres da Silva

Nunca é tarde para ter uma juventude feliz!
Onésimo Teotónio Almeida

Um povo só atinge a maturidade quando é capaz de se afirmar pela literatura – coisa que o nosso faz há muito. Escrever é para ele vencer o desconhecido, como o navegar.
(…) ser-se evoluído, em qualquer época, é preservar a memória, porque sem ela não há pensamento, sem pensamento não há ideias, sem ideias não há imaginação, sem imaginação não há futuro.
Só a disponibilidade perante a vida e a morte nos permite olhar o horizonte – e não enjoar.
Fernando Dacosta

quarta-feira, agosto 17, 2005

Pedido de desculpa

Devo-te uma explicação que não consegui dar-te no momento, porque nem sempre me é fácil dizer exactamente o que sinto, até porque nem sempre sei bem o que sinto.
Primeiro deixa-me tentar explicar como entraste na minha vida. Entraste e pareces ter percebido algo em mim que não foi recíproco, confesso e tu sabe-lo, mas que aos poucos fui-me talvez dando a oportunidade de te conhecer melhor. E estava a gostar bastante e não me arrependo das palavras que trocamos.
Mas, às vezes dão-se pequenos acontecimentos que se tornam maiores do que julgávamos ser. E fui sincera, ou pelo menos tentei ser o mais sincera possível, mas nem sempre é fácil expor os nossos sentimentos.
A verdade é que eu julgava que o meu coração estava livre e desimpedido, como se costuma dizer. E foi nessa crença que as coisas se foram desenvolvendo contigo.
O que eu não esperava era que rever uma pessoa que julgava um capítulo passado na minha vida, fosse mexer tanto comigo. E foi isso que aconteceu num encontro casual entre amigos em comum, o que mais tarde ou mais cedo iria acontecer. Mas a verdade é que fiquei balançada, até demasiado balançada. E daí a tua impressão de que estou diferente. Eu estou diferente: apercebi-me de algo que julgava não existir.
Nunca foi meu objectivo nem magoar ninguém nem magoar-me deliberadamente. Mas creio que neste momento não posso ser mais do que amiga, se achares que é possível continuarmos a se-lo. Lamento, acredita que isto não estava nem nos meus mais remotos planos. Mas aconteceu e não posso nega-lo.

terça-feira, agosto 16, 2005

Possessing the Secret of Joy, A. Walker

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- (…) there could be no happy community in which there was one unhappy child.
- One was left speechless by all such a person couldn’t know.
- When I was younger I thought the church was there because it helped everybody enlarge their spirit, but really, people around here appear to be more meanspirited than ever.
- (…) the people’s characteristics, easily discerned, were imprinted on the landscape.
- Life goes on. The pain of it so sure. The sweetness of it so mysterious.
- That the story is only the mask for the truth?
- (…) men refuse to remember things that don’t happen to them.
- World wars have been fought and lost; for every war is against the world and every war agains the world is lost.
- One never asked for fear of the answer.
- Women are indestructible down there, … they are like leather: the more you chew it, the softer it gets.
- Man is jealous of woman’s pleasure, …, because she does not require him to achieve it.
- (…) suddenly I had to start feeling my own feelings for myself.
- (…) when one has seen too much of life, one understands it is a good thing to die.
- (…) the God of woman is autonomy.
- Religion is an elaborate excuse for what man has done to women and to the earth.
- Do fools need encouragement? … they encourage themselves.
- The pleasure a woman receives comes from her own brain. The brain sends it to any spot a lover can touch.
- It is only because a woman is made into a woman that a man becomes a man.
- (…) maybe death is easier than life, as pregnancy is easier than birth.
- Because women are cowards, and do not need to be reminded that we are.
- There is for humans no greater hell to fear than the one on earth.
- RESISTANCE IS THE SECRET OF JOY!

segunda-feira, agosto 08, 2005

Manhã Submersa, V. Ferreira

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- (…) só é fútil e ingénua a infância dos outros – quando se não é já criança.
- Eu vivia, de resto, agora, e cada vez mais, da minha imaginação. E foi por isso a partir de então que eu descobri a violência da realidade. Nada era como eu havia fantasiado e não sabia porquê. Parecia-me que havia sempre outras coisas à minha volta que eu não supunha, e que essas coisas tinham sempre mais força do que eu julgava. Assim, a minha pessoa e tudo aquilo que eu escolhera para mim não tinham sobre o mais a importância que eu lhes dera. Chegado à realidade, muita coisa erguia a voz por sobre mim e me esquecia.
- Muita coisa aconteceu e me foi modificando certamente, mas não é fácil saber o quê.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Sabedorias

O amor é apenas uma questão de oportunidade.
De nada vale encontrar a pessoa certa antes ou depois da altura certa.»
In 2046 de Wong Kar Wai


Temos que ter cuidado ao ler livros de saúde.
Podemos morrer de um erro tipográfico.
Mark Twain

Se mulher fosse coisa boa Deus tinha uma,
e se fosse de confiança odiabo não tinha cornos...
um incomodado qualquer
Mais vale chegar atrasado neste mundo...
do que adiantado no outro.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Carta a Ângela, C de Oliveira

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(…)
quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!
(…)
transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
Aqui te deixo tudo, meu amor!

Billie Elliot

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A Inglaterra dos anos oitenta sofreu muito com o encerramento de muitas das suas minas, que no caso de várias cidades eram o seu principal pólo de sustentação económica. Foi uma situação económico-social tão delicada, que ainda hoje continua a servir de pano de fundo a várias das produções cinematográficas britânicas. Antes de Billie Eliot, podemos assistir a Brassed Off – Os Virtuosos e The Full Monty – Tudo ou Nada.
Quais os pontos de contacto entre os três? Em todos eles as suas personagens procuram fugir ao seu fatídico futuro através da “arte”, seja ela maior ou menor. A diferença de Billie Elliot é que esta procura se faz pela visão de um jovem adolescente. Este não é um filme extraordinário, mas é um filme escorreito e bem feito. Vale pelo louvor da procura e conquista de um sonho, mesmo nadando contra a maré, e a compreensão e aceitação da diferença.

quarta-feira, agosto 03, 2005

Mr. & Mrs. Smith

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Este filme teve a melhor publicidade que se pode desejar: páginas e páginas nas revistas cor-de-rosa devido ao romance entre os seus protagonistas que extrapolou o ecrã. Aliás, o que mais parecia apelar aos espectadores era constatar se essa paixão “real” seria visível no ecrã. E que ninguém, seja desenganado, Brangelina é realmente o casal sensação do momento. Não sei se na realidade a química é tão palpável com a que existe no ecrã, mas a verdade é que quem pagou 5 Euro para os ver juntos, nesse aspecto não ficou enganado.Mas como não só de estrelas vive um filme, ou sim, mas isso são outras histórias, este é um óptimo produto de entretenimento em que a acção se coaduna perfeitamente com o cómico. A edição está bem ritmada com Doug Lyman (The Bourne Supremacy) a mostrar novamente ser um dos mais dotados realizadores de acção da actualidade.

Donas de Casa Desesperadas

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Esta é uma das poucas séries que me prende à televisão e o facto de ser transmitida dois dias por semana (domingo e terça) ajuda. Eu tenho optado por ver ao domingo e neste horário a história vai uma pouco mais avançada, porque de vez em quando são emitidos dois episódios. É daquelas coisas da televisão nacional que nunca conseguimos perceber.
Cada casa tem um segredo que esconde. Este é o mote desta série e, ficções à parte, todos nós sabemos que é verdade. Todas as famílias têm os seus esqueletos no armário, uns mais literais do que outros, mas enfim.Quase todas as personagens têm algo que me agrada ou com que me identifico. Por exemplo, consigo ser quase tão despassarada como a Susan Meyers, não tanto ao ponto de ficar nua fora de casa, mas ficar fora de casa sem chaves, oh fosse eu contar as vezes… de Lynette Scavo percebo bem o que é querer ser boa dona de casa, mas simplesmente não dar conta do assunto. Se bem que ela tem mais razões para isso do que eu, afinal quatro petizes endiabrados dão a volta à cabeça de qualquer um. Mas a personagem que realmente me dá gozo ver é a Bree van der Kemp com a sua perfeição estudada ao mínimo pormenor e aparente frieza. Mas cuidado, aquela mulher é fogo. Que ninguém se meta no seu caminho.

terça-feira, agosto 02, 2005

Dúvida:

Porque é que as revistas femininas resolvem grande parte da vida sexual de alguém com uma boa dose de sexo oral? Será por ser 1/3 das opções básicas? Ou será que quem escreve os artigos são homens? É que isso já eu sabia, queria mesmo era sugestõe para perliminares interessantes. Aceitam-se sugestões.

O Fio das Missangas, M. Couto

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- Ardores querem-se aplacados, amores querem-se deitados.
- (…) o homem estava caindo? Aquele gerúndio era um desmando nas graves leis da gravidade: quem cai, já caiu.
- Onde nada se passa, tudo pode acontecer.
- Antes eu não tinha hora. Agora perdi o tempo.
- Onde eu vivo não é na sombra. É por detrás do sol, onde toda a luz há muito se pôs.
- Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentido prazer em ter vergonha.
- (…) falar é fácil. Custa é aprender a calar.
- Verdade é luxo de rico. A nós, menores de existência, resta-nos a mentira.
- Era lá que eu sonhava. Não sonhava ser feliz, que isso era demasiado para mim. Sonhava para me sentir longínqua, distante até do meu cheiro.
- Toda a vida acreditei: amor é dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns.
- (…) nem todo o bicho é um animal.
- não sou velho, é verdade. Mas fui ganhando muitas velhices.
- (…) esplendoroso é o que sucede, não o que se espera.
- A lágrima lava a sofrência.
- A aranha ateia diz ao aranho na teia: o nosso amor está por um fio!
- Minha sabedoria é ignorar minhas originais certezas.
- Não existe terra, existem mares que estão vazios.
- O pulo é o desajeito humano de ensaiar um voo.
- De que vale acordar se o que vivo é menos do que o que sonhei?
- A aldeia, quanto mais pequena, mais carece de um louco. Como se por via desse louco se salvassem, os restantes, da loucura.

sábado, julho 30, 2005

Com o que é que sonhaste?

Boa pergunta, já não me lembro. Durante o dia vou-me esquecendo com o que é que sonho durante a noite. Só quando algum sonho é mais marcante o consigo reter na memória. E normalmente esses são os que tocam as raias do pesadelo.
Não sei o que sonhei, mas sei que estavas lá, lembro-me da tua presença. O que é curioso: normalmente não sonho com pessoas conhecidas. Ou talvez por ainda mal te conhecer, me tenhas visitado em sonhos.
Se eu te dissesse que te tinha sonhado gostarias ou terias ficado assustado? Seja como for, não tenho ainda a coragem de te revelar isso.

quinta-feira, julho 28, 2005

Nunca devemos dizer nunca de situações alheias, porque como pela boca morre o peixe, o feitiço inevitavelmente vira-se contra o feiticeiro.

Agora dou por mim ansiosa à espera. E se há atrasos, pergunto-me logo qual será o motivo. Pouco a pouco a companhia tornou-se apreciada e mesmo indispensável. Dou por mim até a fantasiar outras histórias. E sinto-me percorrer um caminho desconhecido, do qual não sei as regras. O desejo impele-me a percorre-lo e sinto o nervoso do receio. Não sei como devo avançar, apenas sei que o farei mesmo que atabalhoadamente. Talvez caia, mas talvez chegue ao fim do caminho. A seu tempo veremos.

O que mais acontecerá?

Hoje sinto-me num dia meio surreal. Depois de uma noite de insónia, em que o sono só chegou muito tarde e uma manhã de indisposição, cheguei ao trabalho para deparar com o meu estaminé a ser pintado e vendo-me obrigada a passar por debaixo de andaimes e a respirar o cheiro das tintas, o que só piorou o já não muito famoso estado dos meus neurónios.

terça-feira, julho 26, 2005

Reflexão

A invencibilidade está na defesa;
a possibilidade de vitória está no ataque.

Aparente-se inferioridade e active-se a sua arrogância.

Quase, M. Sá-carneiro

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(…)
de tudo houve um começo… e tudo errou…
- ai a dor de ser-quase, dor sem fim…-
- eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
- asa que se lançou mas não voou…
(...)
num ímpeto difuso de quebranto,
tudo encetei e nada possuí…
hoje, de mim, só resta o desencanto
das coisas que beijei e não vivi…

sábado, julho 23, 2005

Joga como Beckham

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Que fazer quando os sonhos pessoais são incompatíveis com os valores tradicionais e morais de uma comunidade. Que podem uma jovem inglesa de origem indiana fazer quando o seu sonho é exactamente jogar com Beckham? E principalmente quando tem consciência das suas capacidades, mas seguir em frente com elas tem implicações não só para si, como para a sua família.
As dificuldades de adaptação à cultura ocidental, ou, mais ainda, a tentativa de manter uma identidade original, ou originária, num país para o qual se emigra é um tema recorrente no cinema britânico. E o passado colonial britânico faz com que a comunidade indiana seja a mais citada. Este mesmo conflito estava presente em Tradição é Tradição. E à baila anda também sempre o tema da homossexualidade.
Joga como Beckham é um filme engraçado e que catapultou para a ribalta Keira Knhightley, que volta e meia se encontra num cinema perto de nós, e que, desculpem lá a franqueza, não acho que seja uma actriz extraordinária. Talvez com o tempo eu mude de opinião, mas só a consigo ver como modelo anoréctica.

Connie & Carla

Connie e Carla são duas amigas cujo o sonho de infância é singrar no mundo artístico como cantoras. Quando, por acidente, assistem a um assassinato decidem fugir para L.A. e disfarçam-se de drag queens, mantendo assim via a chama desse sonho. A coisa vai resultando até que uma delas se apaixona pelo irmão de um vizinho gay.
O argumento é da autoria de Nia Vardalos (Connie) que surpreendeu ao escrever “viram-se Gregos para Casar”, que não sendo um filme extraordinário, parece-me mais conseguido que este segundo. São filmes que se vêem bem, mas que vivem sobretudo de clichés e não apresentam nehuma ideia verdadeiramente inovadora. Um explora os gags de mulheres a passarem por homens a passarem por mulheres e o outro a eterna luta entre culturas tradicionais de emigrantes e a sua adaptação às culturas urbanas nos países de recepção.

A Cidade Deus

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Se correr o bicho pega,
Se ficar o bicho morde.
Que diferença pode uma máquina fotográfica fazer na vida de uma pessoa? Pode salva-la de um destino fatalmente dedicado à marginalidade.
A história acompanha a vida de dois amigos criados numa das mais conhecidas favelas brasileiras, a Cidade de Deus, e como enveredar pelo crime e a marginalidade é quase tão natural como a sua sede e do qual não há saída. Mas um deles, ao ser presenteado com uma máquina fotográfica, consegue encontrar um lugar nessa sociedade clandestina de uma quase invisibilidade e que lhe permite o acesso a uma outra sociedade, a dita normal e moralmente aceitável.
As grandes “diferenças” desta narrativa são a utilização de saltos narrativos e a sua fotografia (no que agora a academia denomina de cinematografia).
Mas o melhor mesmo deste filme que foi buscar os seus actores às favelas, é que para alguns deles funcionou exactamente como a máquina fotográfica funcionou para a sua personagem principal, ou seja, livrou-os de uma vida de marginais e é possível ver vários deles em várias produções da Globo. Afinal, a arte ainda serve para modificar vidas.

quarta-feira, julho 20, 2005

Madagáscar

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Não é o mais divertido filme de animação com que temos sido brindados nos últimos tempos, mas é um bom entretenimento. A história tem a sua ironia e o melhor mesmo são algumas das personagens, a saber: Melvin, a girafa hipocondríaca, os pinguins psicóticos e o rei dos lémures.
A melhor piada: costeletas em versão Beleza Americana.

A lot like love

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A vida é o que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.
É uma possível tagline para este filme que me surpreendeu pela positiva. Fui ver a pensar que seria algo lamechas, como muitas das comédias românticas que para aí andam, mas afinal foi bastante divertido.
A história acompanha Oliver e Emily ao longo de quase sete anos de uma amizade colorida até que percebem que é mais do que amizade o que realmente os une. Pelo meio ficam as peripécias do florescer dessa amizade e da paixão.
O que se pode reter da história? Não adianta planificar a vida ao mínimo pormenor, porque ela encarrega-se de nos surpreender.

P.S. E não é que o Ashton Kutcher tem um sorriso muito, muito giro mesmo.

terça-feira, julho 19, 2005

Eu e os Telemóveis

Eu e os telemóveis não temos exactamente a relação mais entusiástica do mundo. Ou seja, eles servem para manter o contacto com alguém, mas não são eles que mantêm qualquer tipo de relações entre as pessoas.
Quando telefono a alguém é sobretudo para combinar algo, não para estar sempre a ligar e a dizer coisas inconsequentes. Ligo por exemplo para marcar um encontro, e não para ter aquelas conversas do género: era só para saber como vais e blá blá blá.
O mesmo se aplica às sms. Não sou de mandar e não gosto de manter muitos diálogos via sms. Respondo ao que me mandam, mas normalmente não envio muito. E nem respondo o mais prontamente possível. E uma das coisas que mais desatino é estar com alguém e a pessoa constantemente a mandar mensagens para alguém numa espécie de diálogo paralelo. Ou estamos a conversar cara a cara ou não, se a nossa presença não é desejada mais vale ir embora.
Quem me conhece já está habituado, agora quem não conhece…
Às vezes esta minha relação com este bicho provoca mal-entendidos com os seus utilizadores. Este fim-de-semana acho que foi um caso desses, mas creio que se valer a pena, as coisas resolvem-se.

FDS em cheio!

E o pessoal quando quer marcar qualquer coisa não acredita em mim quando digo que tenho de ver na agenda. Mal sabem eles.

Relatório de actividades pós laborais dos últimos dias:
Sexta- café e Gringo’s com a S. e a Nhó-nhós.
Sábado- jantar e café com o L.
Domingo- passeio de fim de tarde com a S. e o C. e a C. e o H. concerto nocturno em Monsanto o D. e a F.
Segunda- babysitter da minha coisa loura e cinema com o Obi Kan e a minha prima.
Hoje- Passeio marítimo com a pandilha (são demasiadas iniciais para enumerar)

sexta-feira, julho 15, 2005

Cavaquear

Quando andava na faculdade, uma das coisas que mais gostava era acabar as aulas por volta das 13.30, almoçar, e chegar a casa lá para as 20, depois de passar a tarde a cavaquear no bar.
Vida de quem não tem mais nada para fazer? Não.
Vida de quem ainda terá muito que fazer e deixará de ter o tempo necessário para se dedicar a estas ociosidades. Depois da escola, o nosso tempo livre reduz-se drasticamente, o que é bom, porque afinal de contas ninguém quer ser apenas um número que engrossa as taxas de desemprego. Mas… há sempre um mas.
Mas o nosso tempo de cavaquear livre e despreocupadamente, esse sim termina. Porque nem sempre se encontra um espaço em que se possa estar sem qualquer pressão, porque é inevitável a certa altura ter alguém a olhar para um relógio porque no outro dia de levantar cedo, porque outras pessoas entram nas nossas vidas que requerem outras intimidades, ou simplesmente porque as pessoas já nem se esforçam por promover alegres e despreocupadas tertúlias.
Felizmente, ainda tenho bons momentos a cavaquear, principalmente depois dos ensaios do teatro, para os quais toda a gente está cansada, mas que para estar, se necessário, duas horas em pé, ninguém se mexe.
É assim, uns piores que os outros.

quinta-feira, julho 14, 2005

Mais uma Ladies’ Night

Pois é, ontem lá fomos a mais uma ladies’ night no Gringo’s depois de um interregno de cerca de dois meses. A casa está mudada: a decoração já não tem os anúncios metálicos que tanto gosto, o andar de baixo é agora mais amplo porque uniram as duas salas e existem vários projectores. A música está mais tipo discoteca. Conclusão: se 6ª feira a música também estiver assim, vemo-nos na contingência e procurar um novo espaço de dança. É o fim de uma era.

A ida de ontem não estava mesmo nada nos planos, mas se a Nhó-nhós não regula bem, eu também não. Ontem foi uma noite com programa completo de gajas: jantar de corte e costura e compras, de roupa é claro. Depois, quando era suposto irmos de regresso para casa, dá-se o seguinte diálogo (ao som do Let’s get Loud da J.Lo – pormenor deveras importante):
Dinai- Ai, esta música, o que eu gosto desta música.
Nhó-nhós- Isto é mesmo Gringo’s.
Dinai- Podes crer.
Nhó-nhós- Bora ir?
Dinai- Sabes que por mim não há problema, não tenho de me levantar cedo.
Nhó-nhós- Então vamos, passamos em tua casa e mudas de roupa e vamos.
E olhem, fomos.

Oh, God, make me good, but not yet!

Algumas fantasias para um verão quente:
* sessões de cinema em que o mais importante não são os filmes
* jogos eróticos de cartas
* massagens intensivas
* praias com recantos escuros (verificar se atrás da duna não há mais ninguém)
* a eterna moita
* improvisar, improvisar, improvisar

terça-feira, julho 12, 2005

Maria Albertina

Meninos, deixem que eu vos diga o quanto gosto desta música. Além de divertida, identifico-me, pois o meu nome mesmo não sendo um espanto, é cá da terra e tem o seu encanto. Mas não se preocupem, Vanessa não está nos meus planos. Prefiro Maria, Lúcia ou Jacinta.

Maria Albertina deixa que eu te diga
Ah... Maria Albertina deixa que eu te diga
Esse teu nome eu sei que não é um espanto
Mas, é cá da terra e tem, tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto
Mas, é cá da terra e tem, tem muito encanto

Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?
Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?

Que é bem cheiinha e muito moreninha
Que é bem cheiinha e muito moreninha
Que é bem cheiinha e muito moreninha
Que é bem cheiinha e muito moreninha

sábado, julho 09, 2005

dúvidas, obsessões e ironias

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Como é que podemos falar das coisas sem realmente as mencionar, para desabafar mas sem que tudo se torne domínio público. Como manter a nossa privacidade e mesmo assim relatar aquilo que nos empolga ou, melhor, aquilo que nos apoquenta.
Tenho muitas vezes esta dúvida… até que ponto expor aqui ou não o meu ego, a minha anima, a minha persona, as minhas máscaras.
Talvez, se todos os leitores que passam por esta páginas fossem ilustres desconhecidos, eu arriscasse mais nas minhas confissões, nas minhas dúvidas, nos meus desejos… mas nem todos os são. E será que tenho coragem para tudo revelar? Não, não tenho…
Talvez porque sinto a necessidade de ter um espaço só meu, sem qualquer hipótese de ser questionada.
Lá vai uma declaração para quem ainda não percebeu: odeio ser questionada. Sinto-me pressionada. Quando pergunto gosto de ser respondida, quando me perguntam gosto de responder. E por vezes não sei o que responder, talvez porque nem tudo está definido e cada resposta é uma tentativa de definição. E não há definição ou a definição não é coerente com o que almejamos.
Lá vai outra declaração: tenho uma certa obsessão com a coerência. E quando me vejo a ser incoerente nas minhas palavras e nos meus actos, sinto-me falsa, imperfeita. Não gosto de me sentir imperfeita. E sim, eu sei que o sou. Mas uma coisa é ter essa ideia e outra é confrontarmo-nos com o facto.
Por isso tenho esta outra obsessão: tentar ser melhor, tentar ser uma pessoa melhor. Encaro a vida como um percurso kármico, mas vejo-me a falhar no meu propósito tantas, tantas vezes. E é por isso que me refúgio tanto na leitura e no cinema. Não é pelo entretenimento que me podem dar, é pelas lições de vida que posso adquirir. Tenho pena de nem sempre as concretizar, de nem sempre ter o discernimento de as utilizar ou de as saber utilizar.
Talvez com o tempo as aproveite melhor…
Tanto talvez na minha vida, já repararam?
E eu que julgava que não era de obsessões.

A IRONIA DE TUDO ISTO.

Boulevard of Broken Dreams x 2

Um título para duas canções diferentes em quase tudo, menos talvez nesse sentimento que assola a alma humana quando percorre essas avenidas de sonhos desfeitos…

By Nat King Cole
I walk along the street of sorrow,
The boulevard of broken dreams.
Where gigolo and gigolette
Can take a kiss without regret
So they forget their broken dreams.

You laugh tonight and cry tomorrow,
When you behold your shattered dreams.
And gigolo and gigolette
Awake to find their eyes are wet
With tears that tell of broken dreams.

Here is where you'll always find me,
Always walking up and down.
But I left my soul behind me
In an old cathedral town.

The joy you find here, you borrow,
You cannot keep it long, it seems.
But gigolo and gigolette
Still sing a song and dance along
The boulevard of broken dreams.

Here is where you'll always find me,
Always walking up and down.
But I left my soul behind me
In an old cathedral town.

The joy you find here, you borrow,
You cannot keep it long, it seems.
But gigolo and gigolette
Still sing a song and dance alongThe boulevard of broken dreams.

By Green Day
I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don't know where it goes
But it's home to me and I walk alone

I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
Where the city sleeps
and I'm the only one and I walk alone

I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone

I'm walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the border line
Of the edge and where I walk alone

Read between the lines
What's fucked up and everything's alright
Check my vital signs
To know I'm still alive and I walk alone

I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone

I walk this empty street
On the Boulevard of Broken Dreams
Where the city sleeps
And I'm the only one and I walk ah...

My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone...

sexta-feira, julho 08, 2005

W.O.W

Felizmente não sou a única a quem a nova Guerra dos Mundos não convence. Acho que não vou mesmo gastar 5 euros no bilhete.
Spielberg, espero por ti noutro filme...

Garden State

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É uma pérola de sensibilidade, cuja beleza se entranha em nós cena a cena, diálogo a diálogo e até silêncio a silêncio.
Garden State é a primeira obra de Zach Braff, mais conhecido do público português pela série Scrubs transmitida pela SIC Radical. Além de dar vida à personagem principal, Braff é igualmente realizador, argumentista e responsável pela selecção musical da banda sonora, pela qual ganhou inclusive um Grammy, apenas um dos muitos galardões granjeados por esta obra.
A história? Um jovem de 26 anos regressa a casa após nove anos para o funeral da mãe e, interrompendo uma medicação de calmantes que faz parte da sua rotina desde a infância, começa a sentir a vida e as suas peculiaridades, como o amor. Assim, acompanhamos Braff ao longo desta viagem iniciática em que se equaciona a família (e as disfuncionalidades que torna cada família única), o amor, a amizade e os sonhos.
Creio que este é um filme bastante apelativo para a geração dos 20 something que durante este período se apercebe que a vida não uma festa, mas que pode ser aquilo que nos propusermos a fazer dela. Como se diria num outro filme: you either make life a chiken salad or a shit salad.
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E agora, algumas citações:
Largeman: We may not be as happy as you always dreamed we would be, but, for the first time let's just allow ourselves to be whatever it is that we are.

Sam: This is your one opportunity to do something that no one has ever done before and that no one will copy throughout human existence. And if nothing else, you will be remembered as the one guy who ever did this. This one thing.

Sam: If you can't laugh at yourself, life is going to seem a whole lot longer than you'd like.

Largeman: Fuck, this hurts so much.
Sam: I know it hurts. But it's life, and it's real. And sometimes it fucking hurts, but it's life, and it's pretty much all we got.

Largeman: You know that point in your life when you realize that the house that you grew up in isn't really your home anymore? All of the sudden even though you have some place where you can put your stuff that idea of home is gone.
Sam: I still feel at home in my house.
Largeman: You'll see when you move out. It just sort of happens one day, one day and it's just gone. And you can never get it back. It's like you get homesick for a place that doesn't exist. I mean it's like this rite of passage, you know. You won't have this feeling again until you create a new idea of home for yourself, you know, for your kids, for the family you start, it's like a cycle or something. I miss the idea of it. Maybe that's all family really is. A group of people who miss the same imaginary place.

terça-feira, julho 05, 2005

Inveja

Não sou pessoa de grandes invejas, mas ninguém é perfeito. Se há algo que invejo são os movimentos de ancas da Shakira, my Godinho.
Eu bem tento treiná-los ao som da música, mas algo me diz que não chego lá só assim. Inveja…

sábado, julho 02, 2005

LIVE8

20 anos na história do mundo é como uma gota no oceano. Talvez por isso se torne necessário este novo concerto para consciencializar certas mentes. Espero que o objectivo se cumpra.
Mas não consigo deixar de ver este Live8 com uma sensação de nostalgia, porque ainda está muito presente na minha mentes certas imagens do Live Aid.
Mas mais do que escrever sobre, prefiro relembrar algumas palavras alheias, porque penso que estas resumem bem melhor a intenção desta iniciativa.

Is this the world we created?, Queen
Just look at all those hungry mouths we have to feed
Take a look at all the suffering we breed
So many lonely faces scattered all around
Searching for what they need
Is this the world we created?
What did we do it for?
Is this the world we invaded
Against the law?
So it seems in the end
Is this what we're all living for today?
The world that we created
You know that every day a helpless child is born
Who needs some loving care inside a happy home
Somewhere a wealthy man is sitting on his throne
Waiting for life to go by
Is this the world we created?
We made it on our own
Is this the world we devastated
Right to the bone?
If there's a God in the sky looking down
What can he think of what we've done
To the world that He created?

Strange little Girl

One day you see a strange little girl look at you
One day you see a strange little girl feeling blue
She'd run to the town one day
Leaving home and her country fair
Just beware
When you're there
Strange little girl

She didn't know how to live in a town that was rough
It didn't take long before she knew she'd had enough
Walking home in her wrapped up world
She survived but she's feeling old
'cause she found
All things cold

Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl, you
I really should, you
I really should be
Going

I know you are sure
I know you are sure
I know
I know you are sure

One day you see a strange little girl look at you
One day you see a strange little girl feeling blue
Walking home in her wrapped up world
She survived but she's feeling old
'cause she found
All things cold

Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl, you
I really should, you
I really should, you
I really should
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl, I
I really should, you
I really should, you
I really should
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
Where are you going?
Strange little girl
I
I really should, you
I really should, you
I really should, you
I really should, be – going


That's how i'm feeling today...

sexta-feira, julho 01, 2005

O Príncipio

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O Guardador de Rebanhos/V, A. Caeiro

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(...)
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
(...)
a luz do sol não sabe o que faz
e por isso não erra e é comum e boa.
(...)
o único sentido íntimo das coisas
é elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele.
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
(...)
mas se Deus é as árvores e as flores
e os montes e o luar e o sol,
para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
(...)

quinta-feira, junho 30, 2005

As Melhores Canções Infantis

Houve quem gozasse comigo, e inclusive não acreditasse, quando ao perguntar-me o que é que eu queria como prenda de anos eu disse: Aquele CD que saiu agora com as músicas do desenhos animados. Mas, lá recebi o CD e ontem diverti-me imenso a ouvi-los. Diverti-me eu e os meus sobrinhos. A seguir ao jantar, resolvi pôr o CD a tocar e andámos os três a dançar e aos pulos no meio de gargalhadas.
E é assim que se partilham momentos com as nossas crianças.
Obrigada P.

Gonçalo M. Tavares, in JL #902

A amizade faz-se de um
Para um, por vezes de dois para um: em matéria de sinceridade
O número quatro assusta-me

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- Não podemos ser verdadeiros para todos ao mesmo tempo. Só me sinto bem de um para um, ou em multidões.
- Vejo mais parado do que a andar de um lado para o outro. Sou um turista sentado.
- É uma questão de imaginação, os meus olhos não precisam de ver.
- A verdadeira literatura é aquela que pode ser relida.
- Em termos de linguagem, acho que uma pessoa deve dizer o que tem a dizer e calar-se o mais rapidamente possível. Há uma responsabilidade no acto de abrir uma frase. Ou seja, antes de o fazer deve-se perguntar se tem alguma coisa para dizer. E devemos ser o mais sintético possível.
- A dignidade só pode ser avaliada em situações limite, de medo, de agressividade, violência, de extrema pobreza.
- Vejo a escrita como um exercício para treinar muscularmente a nossa lucidez. E o principal ginásio é claramente a leitura.
- A literatura começa precisamente quando recusamos ser moralista e instintivamente somos perversos.
- Quem escreve não pode olhar para onde toda a gente está a olhar, mas para o outro lado.
- A linguagem tem uma grande liberdade, mas não me interessa propriamente experimentar. Quero perceber. (…) a tentativa de perceber o ser humano, no que tem de mais fundo, pesado e denso.
- Não tenho a ilusão que um livro possa transformar radicalmente uma pessoa, mas acredito que uma série de livros o pode fazer, ainda que ligeiramente. Se eu não tivesse lido os livros que li, seria completamente diferente. Não consigo apontar só um livro que me tenha transformado, mas sei que todos os que li me transformaram muito.

A Posição Anatómica

(...) há uma posição exacta para descrever os ossos
e uma outra para isolar a alma.
Mas da segunda não ouvi falar; não há desenho.

Mundo Literário
Era uma mulher voluptuosa, mas muito sensível. Escrevia poemas e guardava-os no sempre emocionante espaço que existe entre um seio e outro.
Alguns homens não a largavam à procura de inéditos.


in Senhor Henri
… é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
… mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
… muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida – disse o senhor Henri.
… nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.

terça-feira, junho 28, 2005

Branco?

You are White Chocolate
You have a strong feminine side with a good bit of innocence thrown in.
Whether your girlish ways are an act or not,
men like to take care of you.
You are an understated beauty,
and your power is often underestimated!

Lover Boy – A Educação de Paul

Lover Boy é a primeira experiência de realização de Kevin Bacon e, infelizmente, não é bem sucedida. A história relata o desejo egoísta de uma mulher em ter um filho para poder canalizar a sua necessidade de amar e que se torna incapaz de o dividir com mais alguém. Este amor obsessivo é um tema interessante, mas a sua exploração é quase penosa para o espectador. Bacon usa e abusa de flash-backs com o intuito de exemplificar as carências afectivas desta mãe o que, além de interromper o normal fluir da história, se torna demasiado repetitivo.
O filme conta com a participação de vários actores que ao longo da sua carreira trabalharam com Bacon e Kira Sedgwick, esposa deste e a intérprete desta mãe disfuncional, e que aqui mostra o seu potencial como actriz.
A quem arriscar ver, recomendo uma boa dose de paciência para não desistir pelo caminho.

sexta-feira, junho 24, 2005

O lado bom da fúria

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… é o que aprendemos depois desta passar. Conclusão a que chega uma das personagens no final da história. Uma conclusão supostamente sábia mas que se aplica a quase tudo na vida que é menos agradável. O lado bom é a lição.
O filme é interessante, mas não é nada de extraordinário. Relata a vida de uma família de mulheres após o suposto abandono da figura do pai e o modo como esta encara essa perda. O melhor ainda é Costner que apesar de alguns flops na sua carreira parece talhados para filmes românticos e de preferência a interpretar jogadores de beisebal.
Nota ainda para a jovem actriz Rachel Evan Ward, da série Começar de Novo, cujos trabalhos até ao momento auguram uma carreira promissora.

quinta-feira, junho 23, 2005

Star Wars - A Vingança dos Sith

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É verdade, finalmente o terceiro episódio e com ele o final das sagas que marcaram a nossa geração. E o mais curioso é que as grandes sagas cinematográficas tiveram início e terminam um ciclo exactamente com Star Wars. Digo terminam um ciclo porque não se sabe o que o futuro trará, mas certamente para as gerações dos thirty e fourty someting este é o final de um capítulo.
Voltando à história, é claro que este é talvez o filme com menos surpresas em termos do que irá acontecer, ficando as novidades apenas no como irão acontecer. Assim sendo, gosta do filme quem é fã e quem se deixa ainda deslumbrar pela magia do cinema. Essa magia que é feita de histórias simples e da sedução dos efeitos especiais que mais não são do que uma demonstração da nossa capacidade de imaginação.
Eu deixei me deslumbrar.
Com o crescendo de fatalidade em torno da personagem de Anakin Skywalker, que recorda as grandes tragédias gregas e seu o clímax trágico. Com a eterna luta entre o bem e o mal e como este última pode entrar tão subtilmente na vida de alguém e pouco a pouco minar uma existência. Com a beleza dos efeitos especiais e essa capacidade de nos levarem mais além. Ou como se diria numa outra série de culto: to boldly go where no man has ever been. Com as coreografias das lutas de sabre de luz que sempre me fascinaram.
Sim, a saga não poderia acabar de melhor maneira.
Agora resta-nos uma certa melancolia…

quarta-feira, junho 22, 2005

Memória das Minhas Putas Tristes, G. G. Marquez

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· a moral também é uma questão de tempo, …
· a verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e continuamo-nos a ver-nos de dentro como sempre tínhamos sido, mas os outros vêem-nas de for a.
· naquela noite descobri o prazer inverosímil de contemplar o corpo de uma mulher adormecida sem as pressas do desejo ou os entraves do pudor.
· Uma mulher não perdoa nunca que um homem despreze a sua estreia.
· … senti na garganta o nó górdio de todos os amores que podiam ter sido e não foram.
· … assim como os factos reais se esquecem, também alguns que nunca existiram podem estar nas recordações como se tivessem existido.
· a idade não é a que temos mas a que sentimos.
· … os que não cantam não podem imaginar o que é a felicidade de cantar.
· Incrível: vendo-a e tocando-lhe em carne e osso, parecia-lhe menos real do que nas minhas recordações.
· O sangue circulava pelas suas veias com a fluidez de uma canção que se ramificava até aos pontos mais recônditos do seu corpo e voltava ao coração purificado pelo amor.
· … não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência.
· Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma mas um signo do Zodíaco.
· … a força invencível que impulsionou o mundo não são os amores felizes mas os contrariados.
· Não se engane: os loucos mansos adiantam-se ao futuro.
· O sexo é o consolo de uma pessoa quando lhe falta o amor.
· O que pensa uma mulher enquanto cose um botão.
· … porque o amor me ensinou demasiado tarde que nos arranjamos para alguém, nos vestimos e perfumamos para alguém, e eu nunca tinha tido ninguém.
· Já pensou o que vai fazer se eu lhe disser que sim?
· … uma vez mais comprovei com horror que se envelhece mais e pior nos retratos do que na realidade.
· … os ciúmes sabem mais do que a verdade.
· É impossível não acabar sendo como os outros julgam que somos.
· Faças o que fizeres, neste ano ou daqui a cem, estarás morto para sempre.

terça-feira, junho 21, 2005

Creio

Creio
Que não há espírito sem carne
E carne nada é sem espírito
Creio
Que primeiro se dá e depois se recebe
E que nem sempre assim é
Creio
Que talvez agora te tenha encontrado
Creio
Não num deus maior
Mas em redenção e aceitação
Creio
Que procuro sempre
Mesmo que não encontre
Creio
Que a verdade também mente
Quando procura suavizar a dor
Que a mentira quando doce
É uma ilusão a ser vivida
Creio
Que tenho muito a dar
E espero ainda aprender
O muito que houver para receber
Creio
Que palavras são só palavras
Mas quero o seu deleite
Creio
Que o olhar engana
Mas por vezes foge a coragem de ir mais além
Creio
Tento crer-me
Para que alguém me creia

Milfontes

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Nunca tinha ido a Vila nova de Milfontes, até este último fim de semana (grande) em que eu mais a Nhó-nhós e o Obi-Kan Pereirinha nos metemos no meu Batmobile e lá fomos serra abaixo, como se costuma dizer. E foi um fim-de-semana super divertido.
Primeiro porque finalmente pude comer um dos tão famigerados gelados do Mabi. E não é que são óptimos, gostei particularmente do de leite creme, mas há para todos os gostos. Depois, depois foi a vez do Café Turco. E para quem ia decidido a conhecer a night milfontense, acabamos por ir sempre ao mesmo sítio, o que não sendo de muitas novidades, quer apenas dizer que gostámos todos do sítio. Uns pelas pipocas, outros pelas morangoskas e outros pela menina que vinha servir às mesas.
Pelo meio ficaram muitas larachas como as do pau grande e fluorescente e os nossos planos para quando ganharmos o totoloto. Aviso que os mesmos incluem a abertura de uma gelataria com sabores um tanto ou quanto sui generis.
Para acabar, nem sequer faltou a loura do circo que tinha mais pancada que todos nós juntos.
A repetir…

sexta-feira, junho 17, 2005

A preguiça é o meu pecado mortal. Quanto deixo por fazer apenas para ficar assim no meu canto docemente abandonada ao ócio, ao calor morno dos lençóis, à doçura da lentidão dos gestos.

Ode à sangria

Queria fazer
uma ode à sangria
Ao seu doce desvario
Que nos engana com sua leveza
De copo em copo
De trago em trago
Esta sangria
E se desatada corre
Não corro, que mais não posso
Travo doce e leve
Pernas bambas
Cabeça pesada
Passos trocados
Palavras fugidias
Que risos provoca
Devia ser sempre assim
A vida inebriante

quinta-feira, junho 16, 2005

Tabacaria, Pessoa

Não sou nada.
Nunca serei nada,
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)
estou hoje dividido entre a lealdade que devo
à Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por for a,
e à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
(…)
que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
(…)
não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim …
(…)
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquista-lo, ainda que tenha razão.
(…)
serei sempre o que não nasceu para isso;

serei sempre só o que tinha qualidades;
(…)
crer em mim? Não, nem em nada.
(…)
e o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
(…)
fiz de mim o que não soube
e o que podia fazer de mim não o fiz.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
(…)
sempre o impossível tão estúpido como o real,
sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Os Poemas da Minha Vida, M. Soares

Os Poemas da Minha Vida é uma edição de colectâneas de poesia com a chancela do jornal Público, ficando a selecção do primeiro volume a cargo de Mário Soares.
A minha primeira impressão, percorrendo antes de mais o índice, é que este volume apresenta opções demasiado coladas aos programas escolares. Vários dos autores e os seus poemas passaram já por mim durante o meu percurso de estudante. Talvez a falha seja minha, que espera conhecer novos autores e sobretudo novos poemas. Com excepção feita aos autores do século XX, esta selecção não apresenta novidades.
Como os olhos também comem, já lá diz o ditado, saliento a simplicidade estética do design desta colecção, marcada simultaneamente pela sobriedade e pela cor.
Este volume fez-me novamente percorrer as cantigas de amigo, que apesar da sua simplicidade não me seduzem. Nunca achei particular piada ao seu paralelismo, apesar de alguns destes poemas apresentarem belas e subtis variações. Fascina-me muito mais a complexidade de outras estruturas poéticas, como por exemplo o soneto. Com a sua rigidez estrutural que o aparenta com uma prisão, parece que esta estrutura é um desafio constante aos poetas. Uma prisão que instiga a portentosa imaginação do poeta agrilhoado.
Mas foi curioso, porque, é claro, descobri poemas que desconhecia.

quarta-feira, junho 15, 2005

A liberdade de ser mulher

A liberdade de ser mulher
Neste cantinho à beira mar
A liberdade de ser mulher
Quando se pode ser mulher
Depois de não se poder ousar sonhar
Viver o que quero como quero

A liberdade de ser mulher
Sem ter nascido
Numa castradora tribo africana
Numa inibidora comunidade
Poder usufruir do meu corpo
E do meu prazer
Sem falsos conceitos
Sem falsos preconceitos
Gozar apenas

A liberdade de ser mulher
De poder gerar uma vida
Ainda que não concretizada
De traçar o rumo e seguir
Ou simplesmente permanecer

Não ter de cobrir o corpo
Não suscitar o pecado só por ser, por existir
De poder erguer a voz e falar
De ouvir e ser ouvida
Respeitar e ser respeitada
Amar e ser amada

De errar e poder corrigir
Do erro não ser fatal
De chorar e sorrir
De criar
de aceitar
De imaginar
De erguer as asas e voar
De desnudar o meu corpo
À luz da lua e do sol

Não poderia ser antes
Não poderia ser algures
Não poderia serSó poderia ser aqui e agora

terça-feira, junho 14, 2005

VOLTEI!

Pois é, voltei das minhas férias e cá estou pronta para novos posts. Por isso, nos próximos dias cá irão ficando as impressões relativas a este últimos mês de ausência por este lados.
E para assinalar este regresso, resolvi mudar para um look mais clean. Afinal simplicidade é um dos segredos do sucesso.

sábado, maio 14, 2005

Voo na Noite, Saint-Exupéry

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· As colinas cavavam já a sua esteira de sombra no ouro do entardecer.
· … as misérias de um homem fazem também parte da sua riqueza…
· Apercebeu-se de que tinha sido, a pouco e pouco, impelido para a velhice, para o “quando tivesse tempo” que torna doce a vida dos homens. Como se, na realidade, pudéssemos ter tempo, um dia, como se ganhássemos, ao fim da vida, esta paz bem-aventurada que imaginamos. Mas não existe paz. Talvez não exista vitória.
· Há em todas as multidões homens que não distinguimos, e que são mensageiros prodigiosos. E sem eles próprios terem consciência disso.
· O regulamento é semelhante aos ritos de uma religião, parecem absurdos, mas formam os homens.
· … ele não pensa nada, isso faz com que não pense disparates.
· … se isso o impede de dormir, vai estimular a sua actividade.
· Ame aqueles que comanda. Mas sem lhes dizer nada.
· … saiu para enganar a espera, e a noite mostrou-se vazia como um teatro sem actor.
· Não sei se o que fiz está certo. Não sei o valor exacto da vida humana, nem da justiça, nem do desgosto. Não conheço o valor exacto da alegria de um homem. Nem de uma mão que treme. Nem da piedade, nem da doçura…
· Pensava em tudo o que era preciso rejeitar para conquistar.
· … é apenas do mistério que se tem medo.
· Tudo o que é vivo remexe tudo para viver, e cria, para viver, as suas próprias leis.
· É a experiência que produz as leis.
· Os revezes fortificam os fortes. Infelizmente, contra os homens jogamos um jogo onde conta tão pouco o verdadeiro sentido das coisas. Ganha-se ou perde-se segundo as aparências, marcam-se pontos miseráveis. E damos por nós atados de pés e mãos por uma aparência de derrota.
· … se a vida humana não tem preço, agimos sempre como se qualquer coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana… mas o quê?
· O que perseguem em vocês mesmos morre.
· Não há fatalidade exterior. Mas há uma fatalidade interior: aparece no momento em que nos sentimos vulneráveis; então os erros atraem-nos como um desvario.
· Revelava aos homens o mundo sagrado da felicidade. Revelava que matéria sagrada tocamos, sem o sabermos, quando agimos. Revelava que paz, sem o sabermos, destruímos.
· Nós não pedimos para ser ternos, mas para não vermos os actos e as coisas a perderem de repente o significado.… sente a calma que apenas permitem os grandes desastres, quando a fatalidade liberta o homem.

quinta-feira, maio 12, 2005

Sete anos

Em Junho, perfazem sete anos sobre a conclusão do meu curso. Às vezes parece que foi ontem, mas a verdade é que já foi no século passado. Foram quatro anos em que aprendi muito, não tudo, mas muito.
A verdade é que quando acabei o meu curso (Línguas e Literaturas Modernas – Português / Inglês) sabia muito pouco sobre a vida quotidiana e as suas necessidades. Senti dificuldades por não ter aprendido coisas bastantes práticas necessárias ao mundo do trabalho. Aprendi-as, muitas vezes pelo erro, mas, como todas as outras, também é uma forma de aprendizagem.
Na altura, a minha opção foi não dar aulas - o caminho natural para quem faz este curso. Não me sentia preparada emocionalmente para enfrentar turmas. Não tinha experiência nem segurança que me fizessem pensar que poderia ensinar algo aos meus possíveis alunos. Poderiam ensinar-lhes matéria, mas não lhes poderia ensinar mais nada, porque não tinha vivenciado uma série de coisas. E como sempre acreditei que ser professor é mais do que debitar matéria, enveredei por outro caminho.
Por vezes perguntam-me porque é que não fui dar aulas e para o que serve o meu curso no meu actual trabalho, que uso é que faço dele? O mais engraçado é que lhe dou mais uso do que as pessoas à primeira vista pensam. O facto de escrever português de um modo minimamente correcto ajuda-me a cada momento. É-me por vezes conferida a escrita de documentos e mesmo que não seja eu a escreve-los, sou frequentemente solicitada para fazer revisões ou tirar dúvidas.
Mas, mais do que isso, a literatura ensinou-me a conhecer pessoas. Digo muitas vezes que não fiz psicologia, mas que quase a podia exercer. Tentar perceber os meandros das personagens ensinou-me a observar as pessoas e a tentar percebe-las não somente pelas suas palavras, mas sobretudo pelos seus gestos e acções. E os gestos e acções dizem por vezes mais do que as palavras.
Não compreendo tudo sobre as pessoas com quem convivo, mas consigo percebe-las suficientemente para respeitar a sua postura. Assim, consigo manter uma relação afável com quem me rodeia. Posso gostar mais desta ou outra pessoa, mas não me dou mal com ninguém. Se necessário, afasto-me. Creio que sou uma boa ouvinte, tento perceber várias perspectivas de uma mesma situação, talvez por isso os amigos gostem de saber a minha opinião. Mesmo que não tenha uma inteiramente formada consigo alerta-los para o facto de que a perspectiva deles não é a única e que nem a deles nem a dos outros é errada. São apenas diferentes. Acho até que consigo ser demasiado racional em muitos aspectos.
Sobretudo, o que a faculdade me deu foi um alargamento dos meus horizontes. Ensinou-me a pensar e instigou-me a querer ir mais além do que por vezes é pedido. Aprendi que é sempre bom aprender. Tento sempre aprender algo.
Pode não parecer, mas sinto-me uma pessoa mais rica.

terça-feira, maio 10, 2005

Wicked Games, C. Isaak

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The world was on fire
No one could save me but you.
Strange what desire will make foolish people do
I never dreamed that I'd meet somebody like you
And I never dreamed that I'd lose somebody like you

No, I don't want to fall in love
[This world is only gonna break your heart]
No, I don't want to fall in love
[This world is only gonna break your heart]
With you
With you
[This world is only gonna break your heart]

What a wicked game you play
To make me feel this way
What a wicked thing to do
To let me dream of you
What a wicked thing to say
You never felt this way
What a wicked thing to do
To make me dream of you
And I don't wanna fall in love
[This world is only gonna break your heart]
No I don't want to fall in love
[This world is only gonna break your heart]
With you

{World} was on fire
No one could save me but you
Strange what desire will make foolish people do
I never dreamed that I'd love somebody like you
I never dreamed that I'd lose somebody like you

No I don't wanna fall in love
[This world is only gonna break your heart
No I don't wanna fall in love
[This world is only gonna break your heart]
With you
[This world is only gonna break your heart]
With you
[This world is only gonna break your heart]

No I
[This world is only gonna break your heart]
[This world is only gonna break your heart]

Nobody loves no one

sexta-feira, maio 06, 2005

Xadrez, Truco e outras guerras (II), J. R. Torero

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- O país está contente, mas ainda não contentado.
- A glória só se alimenta de mais glória e raro é aquele que se contenta com o vinagre da obscuridade depois de provar o vinho da fama. Iras e guerras nascem, também, da vaidade.
- Se não fosse a ambição, meu caros, não existiriam as guerras.
- Naquela hora em que a noite ainda lutava com o dia.
- … que isto foi no tempo dos milagres, quando Deus ainda era jovem e gostava de fazer seus truques e exibir suas mágicas.
- … se a mente nos leva ao pecado, também nos ergue ao céu, deixando-nos sempre quites com a consciência.
- Os homens sabiam que o pagamento de tal generosidade poderia ser o reino dos céus, mas desistiram do prêmio quando perceberam que havia risco de lá chegar mais cedo.
- Há palavras que não precisam ser ditas, capítulos que não precisam ser escritos.
- As guerras ganham-se com dinheiro, os empréstimos pagam-se com tempo.
- Um trono não tem preço. / Tem, mas outros é que o pagam.
- É menor uma dor se pensarmos que o que acaba é uma comédia e não uma tragédia.
- A ira é sempre mais forte por quem está mais perto de nós.
- Se nos contentarmos em ser quem somos, nunca seremos o que poderíamos ser.
- Amor também se aprende.
- É bom dizer palavras finais inspiradas, deixando para a posteridade uma ponta de inteligência, nobreza ou sabedoria.
- Não há maior prazer do que satisfazer a ira.
- A vitória tem muitas mães, mas a derrota é sempre órfã.
- Ser derrotado por um subalterno é sempre uma dupla derrota. Já a derrota para um superior é quase um empate, e um empate é quase uma vitória.
- Uma guerra se faz por cobiça, por gula, por soberba, por inveja, por preguiça e até por luxúria, como a de Tróia, mas nunca por ira. A ira é coisa para soldados, não para comandantes.
- … quem ouve essas palavras não quer saber de originalidade, mas de ser amado.
- Se conquistar é difícil, manter a conquista não é fácil.
- Os discursos, tortura que a humanidade inexplicavelmente conserva.
- Viu seu desespero quando percebeu que a morte ia chegar, desespero diante do inevitável, sentimento que, fôssemos regidos somente pela razão, não teríamos, pois se o inevitável é inevitável, de que adianta temê-lo?
- Há tiros que, sem ser de misericórdia, são misericordiosos e nos livram da agonia.
- Quando se deixa de viver passa-se a viver na memória dos outros.

quinta-feira, maio 05, 2005

Ópera do Malandro

Comentário tardio: Fui ver e adorei.
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TERESINHA
O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

14 Days to the Fall

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quarta-feira, maio 04, 2005

xXx 2

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O primeiro era branco e era dado a radicalidades desportivas. O segundo é negro e é dado a radicalidades urbanas. O monocordismo vocal, esse é em tudo semelhante.
Ora bem XXX2 é puro entretenimento e visualmente bem conseguido, embora o argumento tenha várias fraquezas e nenhuma surpresa. O que é que este filme parece? Uma mistura de: James Bond e MTV – Pimp My Ride, tudo passado em Tapada City.
Agora só falta saber quem será XXX3. Será o Frota?

3ª Série

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Já começou a terceira série episódios de uma das melhores produções de televisão de sempre.
Vejam...

terça-feira, maio 03, 2005

Xadrez, Truco e outras guerras, J. R. Torero

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- A ira é um sentimento divino. Deus não mandaria dilúvio, fogo e pestes se não tivesse um bom tanto de ira dentro de si.
- Que seria da vida se não pudéssemos fazer hoje o que fizemos ontem?
- Não é fácil divertir um monarca. Desde pequenos têm tudo e cedo lhes vem o tédio.
- A ira dá-nos agonia quando está presa e alívio quando a libertamos.
- Iria à guerra,. Não por ira aos invasores, mas por amor ao poder.
- Raras vezes nos leva a ira a sábias decisões…
- Iria à guerra. Não por ira aos inimigos, mas por amor ao renome.
- Não iria à guerra por ira ao país vizinho, mas por cobiça de títulos.
- O humor deve ser coisa bem dosada, pois não adianta o termos muito se outros o têm nenhum.
- A ira é para o soldado o que o capim é para o jumento.
- Difícil é resumir os pensamentos e temores da véspera de uma batalha, pois onde há dez mil homens haverá dez mil modos de encarar aquilo que pode ter tantos nomes gloriosos, mas que é, em essência, ir ao encontro da morte.
- … santos, soldados e loucos, se é que vale gastar três palavras para definir três coisas assim tão semelhantes.
- Há uma ira pecaminosa e uma ira santa, uma ira odiosa e uma ira justa, uma ira do Diabo e uma ira de Deus.
- Emoções são preciosas na guerra e é preciso pôr os homens num estado de nervos que seja só nervos.
- Nem sempre se tem a sorte de enfrentar um adversário mais fraco.
- É melhor ser escarnecido sob o céu que louvado sob a terra.
- A morte pode vir por instrumentos diferentes, se bem que isso não faz muita diferença.
- A inveja é a mãe da ira, mas não a única, que a ira tem muitas mães, vários pais e não poucos tios.
- … não há limites para a imaginação de quem ama.
- Uma coisa é sonhar e outra o sonho tornar-se realidade.
- Chegou à conclusão de que a medalha seria melhor, pois, se preciso, ela poderia ser empenhada, sendo ao mesmo temo glória e lucro, lógica que mostra o erro dos que dizem que neste mundo a honra não vale nada.
- Então, duas lágrimas vieram até seus olhos: a da esquerda por ódio aos inimigos, a da direita, por pena dos mortos.

Acho que não gosto de grande coisa

Your Taste in Music:

80's Rock: Medium Influence
80's Pop: Low Influence
90's Alternative: Low Influence
90's Pop: Low Influence
Adult Alternative: Low Influence
Classic Rock: Low Influence

sábado, abril 30, 2005

20 Days to the Fall

Red

You were destined to have a Red Lightsaber.
Red is the color of fire and blood, so it is
associated with energy, war, danger, strength,
power, and determination as well as passion and
desire. You have seen the Strength and Power of
the Dark Side of the Force and have you thirst
for more of it.

What Colored Lightsaber Would You Have?

sexta-feira, abril 29, 2005

De-Lovely

ou a vida musical de Cole Porter
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De-lovely é uma bela história de amor de duas pessoas que viveram, sobretudo, em prol da sua paixão pela música. Cole e Linda Porter viveram mais que uma sentida história de amor, viveram uma história de companheirismo, de aceitação do outro como este é. Mais do que reviver muitos dos grandes êxitos de Porter, este filme assume-se como um grande tributo à garra da sua mulher, que aceitou viver com ele a sua paixão pela música e a sua alegria de viver, mesmo que constantemente afrontada com as traições homossexuais do marido.
O filme celebra o encontro de duas almas gémeas e desenrola-se da única maneira possível, como o musical em que o protagonista é o próprio Porter. Com um magnifica recriação de época, transporta-nos para a magia do musical, que diz a regra: nunca acaba mal, nem com uma balada. Mas como algumas regras são feitas para quebrar, aqui fica a música final.


In the Still Of The Night
In the still of the night
As I gaze from my window
At the moon in its flight
My thoughts all stray to you
In the still of the night
All the world is in slumber
All the times without number
Darling when I say to you
Do you love me, as I love you
Are you my life to be, my dream come true
Or will this dream of mine fade out of sight
Like the moon growing dim, on the rim of the hill
In the chill, still, of the night
Like the moon growing dim, on the rim of the hill
In the chill, still, of the night

Let's Do It (Let's Fall In Love), C. Porter

birds do it,
bees do it
even educated fleas do it
let's do it, let's fall in love
in spain, the best upper sets do it
lithuanians and letts do it
let's do it, let's fall in love
the dutch in old amsterdam do it
not to mention the finns
folks in siam do it
think of siamese twins
some argentines, without means, do it
people say, in boston, even beans do it
let's do it, let's fall in love
romantic sponges, they say, do i
toysters, down in oyster bay, do it
let's do it, let's fall in love
cold cape cod clams, against their wish, do it
even lazy jellyfish do it
let's do it, let's fall in love
electric eels, i might add, do it
though it shocks 'em, i know.
why ask if shad do it
waiter, bring me shad roe.
in shallow shoals, english soles do it
goldfish, in the privacy of bowls, do it
let's do it, let's fall in love

terça-feira, abril 26, 2005

Manual para quem sai à noite

Este manual pode salvar vidas! Por favor use-o.
Causas, efeitos secundários e soluções possíveis derivados do consumo deálcool:

1. Sintoma: Pés húmidos e frios.
Causa: Estás a agarrar o copo com um ângulo incorrecto.
Solução: Vai virando o copo até a parte aberta ficar virada paracima.

2. Sintoma: Pés quentes e molhados.
Causa: Já te mijaste.
Solução: Procura a casa de banho mais próxima e seca-te.

3. Sintoma: A parede à tua frente está cheia de luzes.
Causa: Caíste de costas.
Solução: Posiciona o teu corpo 90º em relação ao chão.

4. Sintoma: Tens a boca cheia de beatas de cigarros.
Causa: Caíste com a fronha dentro do cinzeiro.
Solução: Cospe e enxagua com um bom gin tónico.

5. Sintoma: O chão está desfocado.
Causa: Estás a olhar através de um copo vazio.
Solução: Enche o copo!!!

6. Sintoma: O chão está a mexer-se.
Causa: Estás a ser arrastado.
Solução: Pergunta ao menos para onde é que te estão a levar,casoseja para outro bar está tudo bem, no caso contrário, manifesta-te!

7. Sintoma: Reflexo de caras a olhar para ti através da água.
Causa: Estás no lavatório a tentar ir ao grego.
Solução: Mete o dedo (Na garganta).

8. Sintoma: Ouves as pessoas a falar com um estranho eco.
Causa: Tens o copo na orelha.
Solução: Pára de te armar em parvo.

9. Sintoma: A discoteca mexe-se muito, toda a gente está vestida debranco e a música já começa a ser repetitiva.
Causa: Estás numa ambulância.
Solução: Não te mexas; possível coma alcoólico.

10. Sintoma: O teu pai parece chateado e os teus irmãos olham parati como se não soubessem quem tu és.
Causa: Ups! Casa Errada!!!.
Solução: Pergunta se sabem onde fica a tua.

11. Sintoma: Um enorme foco de luz do disco quase te deixa cego.
Causa: Estás a arrochar no meio da rua e já amanheceu.
Solução: Café e uma boa sorna.

PS: Não guardes esta informação só para ti, partilha-a com os teusamigos,eles hão-de agradecer-te!

sexta-feira, abril 22, 2005

FUNERAL BLUES, W. H. Auden

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Impeçam os cães de ladrar com um osso apetitoso,
Calem-se os pianos e com ribombares abafados
Tragam o caixão, que as carpideiras chorem.

Que os aviões circulem gemendo sobre nós
Escrevendo no céu a mensagem Ele Está Morto,
Ponham fitas crepe nos pescoços brancos das pombas públicas,
Que os polícias de trânsito usem luvas de algodão preto.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho e o meu descanso de Domingo,
O meu dia, a minha noite, a minha conversa, a minha canção;
Pensava que o amor durava para sempre: estava errado.

As estrelas já não são desejadas; apaguem uma a uma;
Embalem a lua e desmanchem o sol;
Despejem o oceano e varram as florestas;
Pois já nada pode vir a ser bom.