Send someone to love me
I need to rest in arms
Keep me safe from harm
In pouring rain
Give me endless summer
Lord I fear the cold
Feel I'm getting old
Before my time
As my soul heals the shame
I will grow through this pain
Lord I'm doing all I can
To be a better man
Go easy on my conscience
'Cause it's not my fault
I know I've been told
To take the blame
Rest assured my angels
Will catch my tears
Walk me out of here
I'm in pain
As my soul heals the shame
I will grow through this pain
Lord I'm doing all I can
To be a better man
Once you've found that lover
You're homeward bound
Love is all around
Love is all around
I know some have fallen
On stony ground
But Love is all around
Send someone to love me
I need to rest in arms
Keep me safe from harm
In pouring rain
Give me endless summer
Lord I fear the cold
Feel I'm getting old
Before my time
As my soul heals the shame
I will grow through this pain
Lord I'm doin' all I can
To be a better man
quinta-feira, setembro 02, 2004
Aldeia Nova, M. Fonseca
“Saem os homens para o trabalho ainda a manhã vem do outro lado do mundo.”
“… e sabe-se lá que noite escura é o passado dessa gente!”
“tudo lhe parece em miniatura. Tudo tal e qual, à parte um ou outro pormenor, mas inexplicavelmente diminuto em relação à recordação que lhe ficara. Decerto está errada a sua memória.”
“Bem vê que é o passado, o passado que enche a casa, desde os vestidos negros da avó até aos retratos suspensos das paredes. O passado que faz silêncio em todas as salas para melhor viver na quietude dos móveis, nos corredores escuros.”
“Na calma da noite o luar nasce quase lua cheia. Traz luminosidades e sombras como um sol já velhinho, amarelo, cansado e alumiar o mundo.”
“E, quando o presente é feio e o futuro incerto, o passado vem-nos sempre à ideia como o tempo em que fomos felizes.”
“… e sabe-se lá que noite escura é o passado dessa gente!”
“tudo lhe parece em miniatura. Tudo tal e qual, à parte um ou outro pormenor, mas inexplicavelmente diminuto em relação à recordação que lhe ficara. Decerto está errada a sua memória.”
“Bem vê que é o passado, o passado que enche a casa, desde os vestidos negros da avó até aos retratos suspensos das paredes. O passado que faz silêncio em todas as salas para melhor viver na quietude dos móveis, nos corredores escuros.”
“Na calma da noite o luar nasce quase lua cheia. Traz luminosidades e sombras como um sol já velhinho, amarelo, cansado e alumiar o mundo.”
“E, quando o presente é feio e o futuro incerto, o passado vem-nos sempre à ideia como o tempo em que fomos felizes.”
quinta-feira, agosto 12, 2004
Noturno Indiano, Tabuchi
“…, mas as fotografias fecham o visível num rectângulo. O visível sem moldura é sempre uma coisa diferente. E depois aquele visível tinha um cheiro demasiado forte. Melhor dizendo, muitos cheiros.”
“Não seu quem disse que no puro acto de olhar há sempre um pouco de sadismo.”
“…, nunca se deve tentar saber demasiado das aparências dos outros.”
“Na altura poderá parecer-nos um acontecimento não particularmente feliz, mas na recordação, como sempre nas recordações, purificada das sensações físicas imediatas, dos cheiros, das cores, da vista daquele bicharoco debaixo do lavatório, a circunstância perde os contornos e a imagem melhora. A realidade passada é sempre menos má do que efectivamente foi: a memória é uma falsária espantosa. É-se desonesto mesmo sem querer.”
“São tão estranhas as coisas.”
Le corps humain pourrait il bien n’être qu’une apparence. Il cache notre réalité, il s’épaissit sur notre lumière ou sur notre ombre. Victor Hugo
“Não seu quem disse que no puro acto de olhar há sempre um pouco de sadismo.”
“…, nunca se deve tentar saber demasiado das aparências dos outros.”
“Na altura poderá parecer-nos um acontecimento não particularmente feliz, mas na recordação, como sempre nas recordações, purificada das sensações físicas imediatas, dos cheiros, das cores, da vista daquele bicharoco debaixo do lavatório, a circunstância perde os contornos e a imagem melhora. A realidade passada é sempre menos má do que efectivamente foi: a memória é uma falsária espantosa. É-se desonesto mesmo sem querer.”
“São tão estranhas as coisas.”
Le corps humain pourrait il bien n’être qu’une apparence. Il cache notre réalité, il s’épaissit sur notre lumière ou sur notre ombre. Victor Hugo
quarta-feira, agosto 04, 2004
Haverá algo pior?
Haverá algo pior do que discutirmos com a pessoa que nos criou?
Sim. O já não podermos discutir. O já não termos oportunidade de mais nada. Nem de pedir desculpas pelos erros. Nem simplesmente de dizer ou mostrar o quanto precisamos ainda dela.
Discute-se porque são duas pessoas diferentes. Uma a achar-se no mundo e a perder-se do ninho. A outra que nem sempre está preparada para os voos da sua cria. É o rumo natural, apesar da dor que por vezes implica.
Infelizmente, há dores mais doídas.
Sim. O já não podermos discutir. O já não termos oportunidade de mais nada. Nem de pedir desculpas pelos erros. Nem simplesmente de dizer ou mostrar o quanto precisamos ainda dela.
Discute-se porque são duas pessoas diferentes. Uma a achar-se no mundo e a perder-se do ninho. A outra que nem sempre está preparada para os voos da sua cria. É o rumo natural, apesar da dor que por vezes implica.
Infelizmente, há dores mais doídas.
Absolute Beginners, D. Bowie
I've nothing much to offer
There's nothing much to take
I'm an absolute beginner
And I'm absolutely sane
As long as we're together
The rest can go to hellI
absolutely love you
But we're absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches (second time)
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true
Nothing much could happen
Nothing we can't shake
Oh we're absolute beginners
With nothing much at stake
As long as you're still smiling
There's nothing more I need
I absolutely love you
But we're absolute beginners
But if my love is your love
We're certain to succeed
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches (second time)
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true
There's nothing much to take
I'm an absolute beginner
And I'm absolutely sane
As long as we're together
The rest can go to hellI
absolutely love you
But we're absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches (second time)
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true
Nothing much could happen
Nothing we can't shake
Oh we're absolute beginners
With nothing much at stake
As long as you're still smiling
There's nothing more I need
I absolutely love you
But we're absolute beginners
But if my love is your love
We're certain to succeed
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches (second time)
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true
Marly de Oliveira
A função do poema: conhecer.
A função do teorema: desafio
Que leva à abstração, à conjetura.
A função da esperança: convencer
Que o poema, o teorema, a ciência, a invenção,
O semáforo, a história, a explosão
De Hiroshima, Picasso e sua glória;
O decalque, a estrutura, a rachadura,
A ruptura, a eternidade, a desmemória;
A ignorância, a pobreza, a riqueza,
A insuficiência, a morte têm sentido.
A função do teorema: desafio
Que leva à abstração, à conjetura.
A função da esperança: convencer
Que o poema, o teorema, a ciência, a invenção,
O semáforo, a história, a explosão
De Hiroshima, Picasso e sua glória;
O decalque, a estrutura, a rachadura,
A ruptura, a eternidade, a desmemória;
A ignorância, a pobreza, a riqueza,
A insuficiência, a morte têm sentido.
sexta-feira, julho 30, 2004
Esclarecimento, Mário-Henrique Leiria
Quando estamos cansados
Deitamos o corpo
E adormecemos
Às vezes não
Procuramos outra mão
Outros olhos
Que nos limpem a fadiga
E evitem o sono
Que nos vem antigo
Quando estamos cansados
Podemos erguer o corpo
E acordar
E morrer acordados
Sem cansaço
Deitamos o corpo
E adormecemos
Às vezes não
Procuramos outra mão
Outros olhos
Que nos limpem a fadiga
E evitem o sono
Que nos vem antigo
Quando estamos cansados
Podemos erguer o corpo
E acordar
E morrer acordados
Sem cansaço
Never Terar Us Apart, INXS
Don't ask me
What you know is true
Don't have to tell you
I love your precious heart
I..........I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart
We could live for a thousand years
But if I hurt you
I'd make wine from your tears
I told you
That we could fly
Cause we all have wings
But some of us don't know why
I..........I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart
I don't ask me
I was standing
You know it's true
You were there
Worlds collided
Two worlds collided
We're shining through
And they could never tear us apart
You don't ask me
You were standing
You know it's true
I was there
Worlds collided
Two worlds collided
We're shining through
And they could never tear us apart
What you know is true
Don't have to tell you
I love your precious heart
I..........I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart
We could live for a thousand years
But if I hurt you
I'd make wine from your tears
I told you
That we could fly
Cause we all have wings
But some of us don't know why
I..........I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart
I don't ask me
I was standing
You know it's true
You were there
Worlds collided
Two worlds collided
We're shining through
And they could never tear us apart
You don't ask me
You were standing
You know it's true
I was there
Worlds collided
Two worlds collided
We're shining through
And they could never tear us apart
quarta-feira, julho 28, 2004
Por outro Lado
Saber entrevistar alguém é, acima de tudo, saber conversar. E saber conversar é saber ouvir o respectivo interlocutor, respeitar os seus silêncios, as suas opiniões, sem atropelamentos, deixar fluir sem impor respostas.
É raros vermos entrevistas assim, como deviam ser. Por isso, é de aproveitar essas raras oportunidades. E elas acontecem semanalmente na :2 por volta das 24:00/24:30 pela mão de Ana Sousa Dias.
Por outro lado…
É raros vermos entrevistas assim, como deviam ser. Por isso, é de aproveitar essas raras oportunidades. E elas acontecem semanalmente na :2 por volta das 24:00/24:30 pela mão de Ana Sousa Dias.
Por outro lado…
The Music of the Night, A.L.W.
Nighttime sharpens, heightens each sensation
Darkness stirs and wakes imagination
Silently the senses abandon their defences
Slowly, gently, night unfurls its splendour
Grasp it, sense it, tremulous and tender
Turn your face away from the garish light of day
Turn your face away from cold, unfeeling light
And listen to the music of the night
Close you eyes and surrender to your darkest dreams
Leave all thoughts of the world you knew before
Close your eyes, let your spirit start to soar
And you'll live as you've never lived before
Softly, deftly, music shall caress you
Hear it, feel it, secretly possess you
Open up your mind, let your fantasies unwind
In this darkness which you know you cannot fight
The darkness of the music of the night
Let your mind start a journey through a strange, new world
Leave all thoughts of the world you knew before
Let your soul take you where you long to go
Only then can you belong to me
Floating, falling, sweet intoxication
Touch me, trust me, savour each sensation
Let the dream begin, let your darker side give in
To the harmony which dreams alone can write
The power of the music of the night
You alone can make my song take fligh
tHelp me make the music of the night
Darkness stirs and wakes imagination
Silently the senses abandon their defences
Slowly, gently, night unfurls its splendour
Grasp it, sense it, tremulous and tender
Turn your face away from the garish light of day
Turn your face away from cold, unfeeling light
And listen to the music of the night
Close you eyes and surrender to your darkest dreams
Leave all thoughts of the world you knew before
Close your eyes, let your spirit start to soar
And you'll live as you've never lived before
Softly, deftly, music shall caress you
Hear it, feel it, secretly possess you
Open up your mind, let your fantasies unwind
In this darkness which you know you cannot fight
The darkness of the music of the night
Let your mind start a journey through a strange, new world
Leave all thoughts of the world you knew before
Let your soul take you where you long to go
Only then can you belong to me
Floating, falling, sweet intoxication
Touch me, trust me, savour each sensation
Let the dream begin, let your darker side give in
To the harmony which dreams alone can write
The power of the music of the night
You alone can make my song take fligh
tHelp me make the music of the night
quinta-feira, julho 22, 2004
Sim/Não
Quantas vezes dissemos sim e na verdade queríamos dizer não?
Quantas vezes dissemos não e na verdade queríamos dizer sim?
Quantas vezes pesamos mais a opinião dos outros do que as nossas preferências ao responder sim ou não?
Quantas respostas foram regidas mais por queremos ser como os outros do que por ser fiéis a nós, aos nossos desejos e, inclusive, aos nossos receios?
Quantas vezes oprimidos pelas circunstâncias nos sentimos obrigados a uma resposta indesejada?
Quantas respostas indevidas ao longo de uma vida demasiado curta para estas perdas de tempo e oportunidade?
Quantas vezes dissemos não e na verdade queríamos dizer sim?
Quantas vezes pesamos mais a opinião dos outros do que as nossas preferências ao responder sim ou não?
Quantas respostas foram regidas mais por queremos ser como os outros do que por ser fiéis a nós, aos nossos desejos e, inclusive, aos nossos receios?
Quantas vezes oprimidos pelas circunstâncias nos sentimos obrigados a uma resposta indesejada?
Quantas respostas indevidas ao longo de uma vida demasiado curta para estas perdas de tempo e oportunidade?
terça-feira, julho 20, 2004
Chanson, Jacques Prévert
Quel jour sommes-nous
Nous sommes tous les jours
Mon amie
Nous sommes toute la vie
Mon amour
Nous nous aimons et nous vivons
Nous vivons e nous nous aimons
Et nous ne savons pas ce que c’est que la vie
Et nous ne savons pas ce que c’est que le jour
Et nous ne savons pas ce que c’est que l’amour.
Nous sommes tous les jours
Mon amie
Nous sommes toute la vie
Mon amour
Nous nous aimons et nous vivons
Nous vivons e nous nous aimons
Et nous ne savons pas ce que c’est que la vie
Et nous ne savons pas ce que c’est que le jour
Et nous ne savons pas ce que c’est que l’amour.
O vendedor de passados, Agualusa
“já nos liga, suspeito, um fio de amizade.”
“Creio que o fazem para provar o risco. Amanhã o risco há-de, talvez, saber-lhes a nêsperas maduras.
“… são os muros que fazem os ladrões.”
“Os homens ignoram quase tudo sobre os pequenos seres com os quais partilham o lar.”
“… todos os meus dias são inúteis, cavalheiro, eu os passeio.”
“Acho que nessa época era uma premonição. Agora é talvez uma confirmação.”
“Julga que a vida nos pede compaixão? Não creio. O que a vida nos pede é que a celebremos.”
“Às vezes sinto o mesmo. Dói-me na alma um excesso de passado e vazio.”
“tenho vai para quinze anos a alma presa a este corpo e ainda não me conformei. Vivi quase um século vestindo a pele de um homem e também nunca me senti inteiramente humano.”
“Um nome pode ser uma condenação. Alguns arrastam o nomeado … por mais que este resista, impõem-lhe um destino. Outros, pelo contrário, são como máscaras: escondem, iludem. A maioria, evidentemente, não tem poder algum.”
“O pior pecado é não amar.”
“Os meus sonhos são, quase sempre, mais verosímeis do que a realidade.”
“a última luz da tarde morria docemente na parede de trás.”
“A única coisa que em mim não muda é o meu passado: a memória do meu passado humano. O passado costume ser estável, está sempre lá, belo ou terrível, e lá ficará para sempre.”
“Ao chegarmos a velhos apenas nos resta a certeza de que em breve seremos ainda mais velhos.”
“A coragem não é contagiosa; o medo, sim.”
“A literatura é a maneira que um mentiroso tem para se fazer aceitar socialmente.”
“A verdade é uma superstição.”
“Deus deu-nos os sonhos para que possamos espreitar o outro lado.”
“Desconheço imensa gente. Nunca fui muito popular.”
“As pessoas morriam de tristeza. Até os cães se enforcavam.”
“… a natureza tem horror ao vazio.”
“Ninguém é um nome!”
“A minha infância está cheia de bons sabores. Cheira bem a minha infância.”
“Só somos verdadeiramente felizes quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. Eu fui feliz para sempre na minha infância.”
“Na grande literatura são raros os amores felizes.”
“A realidade fere, mesmo quando, por instantes, nos parece um sonho.”
“A felicidade é quase sempre uma irresponsabilidade. Somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos.”
“… e em particular aqueles que por essa triste pátria nos desgovernam, governando-se.”
“Não havia na sua vida nada de interessante, excepto as vidas interessantes de duas ou três pessoas que encontrara no caminho.”
“Há verdade, ainda que não haja verosimilhança, em tudo o que um homem sonha.”
“A nossa memória alimenta-se, em larga medida, daquilo que os outros recordam de nós.”
“A memória é uma paisagem contemplada de um comboio em movimento.”
“Fui quem fui porque me faltou coragem para ser diferente.”
“A felicidade nunca é grandiosa.”
“Decidi começar a escrever este diário, hoje mesmo, para persistir na ilusão de que alguém me escuta.”
“Creio que o fazem para provar o risco. Amanhã o risco há-de, talvez, saber-lhes a nêsperas maduras.
“… são os muros que fazem os ladrões.”
“Os homens ignoram quase tudo sobre os pequenos seres com os quais partilham o lar.”
“… todos os meus dias são inúteis, cavalheiro, eu os passeio.”
“Acho que nessa época era uma premonição. Agora é talvez uma confirmação.”
“Julga que a vida nos pede compaixão? Não creio. O que a vida nos pede é que a celebremos.”
“Às vezes sinto o mesmo. Dói-me na alma um excesso de passado e vazio.”
“tenho vai para quinze anos a alma presa a este corpo e ainda não me conformei. Vivi quase um século vestindo a pele de um homem e também nunca me senti inteiramente humano.”
“Um nome pode ser uma condenação. Alguns arrastam o nomeado … por mais que este resista, impõem-lhe um destino. Outros, pelo contrário, são como máscaras: escondem, iludem. A maioria, evidentemente, não tem poder algum.”
“O pior pecado é não amar.”
“Os meus sonhos são, quase sempre, mais verosímeis do que a realidade.”
“a última luz da tarde morria docemente na parede de trás.”
“A única coisa que em mim não muda é o meu passado: a memória do meu passado humano. O passado costume ser estável, está sempre lá, belo ou terrível, e lá ficará para sempre.”
“Ao chegarmos a velhos apenas nos resta a certeza de que em breve seremos ainda mais velhos.”
“A coragem não é contagiosa; o medo, sim.”
“A literatura é a maneira que um mentiroso tem para se fazer aceitar socialmente.”
“A verdade é uma superstição.”
“Deus deu-nos os sonhos para que possamos espreitar o outro lado.”
“Desconheço imensa gente. Nunca fui muito popular.”
“As pessoas morriam de tristeza. Até os cães se enforcavam.”
“… a natureza tem horror ao vazio.”
“Ninguém é um nome!”
“A minha infância está cheia de bons sabores. Cheira bem a minha infância.”
“Só somos verdadeiramente felizes quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. Eu fui feliz para sempre na minha infância.”
“Na grande literatura são raros os amores felizes.”
“A realidade fere, mesmo quando, por instantes, nos parece um sonho.”
“A felicidade é quase sempre uma irresponsabilidade. Somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos.”
“… e em particular aqueles que por essa triste pátria nos desgovernam, governando-se.”
“Não havia na sua vida nada de interessante, excepto as vidas interessantes de duas ou três pessoas que encontrara no caminho.”
“Há verdade, ainda que não haja verosimilhança, em tudo o que um homem sonha.”
“A nossa memória alimenta-se, em larga medida, daquilo que os outros recordam de nós.”
“A memória é uma paisagem contemplada de um comboio em movimento.”
“Fui quem fui porque me faltou coragem para ser diferente.”
“A felicidade nunca é grandiosa.”
“Decidi começar a escrever este diário, hoje mesmo, para persistir na ilusão de que alguém me escuta.”
Déjeuner du Matin, Jacques Prévert
Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
Et j’ai pleuré.
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
Et j’ai pleuré.
quinta-feira, julho 15, 2004
Poema Duplo
Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais.
OBS: Agora lê de baixo para cima.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais.
OBS: Agora lê de baixo para cima.
Cromos Sociais
A nossa vida social é como uma caderneta, vulgo agenda, na qual se vão colando vários cromos que nos vão saindo nas saquetas. A ideia é juntar cromos pessoas com cromos locais, por exemplo: o cromo amiga de infância com o cromo cinema. O objectivo é fazer associações o mais variadas possíveis, no entanto, e não sei bem porquê, no que me diz respeito, os cromos que mais saem são os melgas e cinema.
Na categoria cromos humanos existem muitas sub-espécies: amigos da rua, da escola (vários graus incluídos, como jardim-de-infância, pré-primária, secundário, faculdade, mestrados), do desporto (futebol é o mais comum, mas podem ainda encontrar-se badmington, berlinde, sumo – de uva, claro, matrecos, e muitos mais), dos tempos livres (ponto de cruz, apicultura, cunicultura, canto gregoriano – que normalmente é a seguir aos encontros do clube do sumo de uva), da família, do trabalho.
Depois, na categoria dos cromos geográficos o mais vulgar é: local de trabalho, casa, cinema, café. E é nesta categoria que existem talvez dos cromos mais raros de encontrar, como Caraíbas, Nova Zelândia, Katmandu. Nós bem nos fartamos de comprar carteiras para nos sair um destes cromos, de preferência em conjunto com aquele igualmente raro cromo do gajo bom (em todos os aspectos).
Mas enquanto não nos calha tal sorte, bem lá vamos nós andando por estas páginas…
Na categoria cromos humanos existem muitas sub-espécies: amigos da rua, da escola (vários graus incluídos, como jardim-de-infância, pré-primária, secundário, faculdade, mestrados), do desporto (futebol é o mais comum, mas podem ainda encontrar-se badmington, berlinde, sumo – de uva, claro, matrecos, e muitos mais), dos tempos livres (ponto de cruz, apicultura, cunicultura, canto gregoriano – que normalmente é a seguir aos encontros do clube do sumo de uva), da família, do trabalho.
Depois, na categoria dos cromos geográficos o mais vulgar é: local de trabalho, casa, cinema, café. E é nesta categoria que existem talvez dos cromos mais raros de encontrar, como Caraíbas, Nova Zelândia, Katmandu. Nós bem nos fartamos de comprar carteiras para nos sair um destes cromos, de preferência em conjunto com aquele igualmente raro cromo do gajo bom (em todos os aspectos).
Mas enquanto não nos calha tal sorte, bem lá vamos nós andando por estas páginas…
quarta-feira, julho 14, 2004
sexta-feira, junho 18, 2004
Fazes-me Falta, Inês Pedrosa
“Deus procura primeiro os que sofrem antes do conhecimento específico da dor, talvez porque os outros sabem demasiado para poderem ser salvos.”
“Não era a morte que te incomodava, mas o vagar dela, a tortura da doença.”
“Mas o estilo é uma maneira de ser, não uma farda de fim-de-semana.”
“… mas tudo aquilo de que duvidamos é possível,…”
“A morte é um segredo bem guardado, o único de cujos os direitos de autor Ele não prescindiu.”
“… ampliações máximas de pormenores mínimos.”
“eras uma tese de doutoramento existencial em movimento.”
“Mas rala-me pensar que posso não ter mais do que ideias-de-reacção.”
“Pai nosso, eu não quero já o céu. Aos vivos, incomoda-os o cheiro dos mortos.”
“… cheiro a medo que é talvez o cheiro derradeiro.”
“Passei a vida inteira a querer interpretar-te – oh! delicioso desperdício! – e nem sequer era por amor.”
“… ficámos a ver a primeira demão do sol sobre os telhados…”
“… a relatividade das entregas como regra de entrega absoluta.”
“… em busca dessas palavras a menos…”
“… nessa coragem da incompletude…”
“… uma alma capaz de acrescentar cor à tela que lhe apresentamos.”
“Coxeavas um bocadinho da alma, lá aparecia um rasto de lama debaixo da bainha, mala feita à pressa, com a roupa engelhada de quem muito viaja.”
“… nesse rascunho de nuvens…”
“Só para os vivos os mortos têm passado – o pior da morte é este presente obrigatório…”
“Amar em abstracto é muito mais ágil do que amar em concreto.”
“Não há entendimento para o sofrimento dos outros…”
“Um desespero pelo bem que lança pó de estrelas nos olhos e apaga os pequenos ressentimentos quotidianos.”
“A alma é um vício.”
“e aquilo que nos transforma é nosso, meu traste, queira ou não queira.”
“Quando as coisas deixam de durar, alteram-se.”
“… o amor que sobrevive é o das apoteoses obscuras, que não aguentam sequências.”
“… o Bem … prefiro chamar capacidade de renovação humana.”
“Os semeadores de horror sempre foram uma minoria – uma minoria eficaz, sim…”
“Uma memória que me fala sobretudo, como todas as memórias, daquilo que não existiu. Nesta fotografia não te esqueço. Meticulosamente, de cada vez que me esforço por reter-te e começo a inventar-te. Tudo em ti tem asas, agora – o teu riso, os teus passos. Até nas poucas frases que de ti recordo há um restolhar de penas.”
“Não era a morte que te incomodava, mas o vagar dela, a tortura da doença.”
“Mas o estilo é uma maneira de ser, não uma farda de fim-de-semana.”
“… mas tudo aquilo de que duvidamos é possível,…”
“A morte é um segredo bem guardado, o único de cujos os direitos de autor Ele não prescindiu.”
“… ampliações máximas de pormenores mínimos.”
“eras uma tese de doutoramento existencial em movimento.”
“Mas rala-me pensar que posso não ter mais do que ideias-de-reacção.”
“Pai nosso, eu não quero já o céu. Aos vivos, incomoda-os o cheiro dos mortos.”
“… cheiro a medo que é talvez o cheiro derradeiro.”
“Passei a vida inteira a querer interpretar-te – oh! delicioso desperdício! – e nem sequer era por amor.”
“… ficámos a ver a primeira demão do sol sobre os telhados…”
“… a relatividade das entregas como regra de entrega absoluta.”
“… em busca dessas palavras a menos…”
“… nessa coragem da incompletude…”
“… uma alma capaz de acrescentar cor à tela que lhe apresentamos.”
“Coxeavas um bocadinho da alma, lá aparecia um rasto de lama debaixo da bainha, mala feita à pressa, com a roupa engelhada de quem muito viaja.”
“… nesse rascunho de nuvens…”
“Só para os vivos os mortos têm passado – o pior da morte é este presente obrigatório…”
“Amar em abstracto é muito mais ágil do que amar em concreto.”
“Não há entendimento para o sofrimento dos outros…”
“Um desespero pelo bem que lança pó de estrelas nos olhos e apaga os pequenos ressentimentos quotidianos.”
“A alma é um vício.”
“e aquilo que nos transforma é nosso, meu traste, queira ou não queira.”
“Quando as coisas deixam de durar, alteram-se.”
“… o amor que sobrevive é o das apoteoses obscuras, que não aguentam sequências.”
“… o Bem … prefiro chamar capacidade de renovação humana.”
“Os semeadores de horror sempre foram uma minoria – uma minoria eficaz, sim…”
“Uma memória que me fala sobretudo, como todas as memórias, daquilo que não existiu. Nesta fotografia não te esqueço. Meticulosamente, de cada vez que me esforço por reter-te e começo a inventar-te. Tudo em ti tem asas, agora – o teu riso, os teus passos. Até nas poucas frases que de ti recordo há um restolhar de penas.”
Relembro Roma...
A Lia está em Itália a desfrutar de uma merecida semana de férias e a conhecer um país interessantíssimo do qual somente pude apreciar umas horas de Roma. Foi uma experiência curta, mas agradável.
A minha foi uma curta visita. Um passeio com cerca de três horas em que somente percorri algumas ruas que não recordo sequer os nomes. Fui guiada por três colegas de trabalho que me acolheram com a maior das simplicidades e das simpatias em algumas das minhas viagens de trabalho ao estrangeiro: o Frank da Irlanda, a Mirja da Finlândia e o Luciano da Itália.
Como a visita foi curta, eles fizeram questão de me levar primeiro a uma das mais típicas fontes da cidade, na qual atirei uma moeda. Conta a tradição que quem para lá atira uma moeda não morre sem lá voltar novamente. Agora, só falta lá voltar. Não sei quando, mas voltarei certamente.
Passeando pelas poucas ruas que passei, deu para comprovar as habilidades automobilísticas dos italianos. Ou direi dos romanos? Sim, porque agora percebo porque é que os romanos são loucos. Atravessar nas passadeiras? Claro! Mas isso não implica que os carros parem nelas. E o pior não são os carros. São as famosas lambretas e vespas, tradição seguida em Portugal pelos nossos telepizzas. Se for uma estrada mais larga é quase uma aventura épica passar para o outro lado. Na minha opinião, a melhor opção é ver onde está o maior grupo de turistas pronto a atravessar, metermo-nos no meio e aproveitar a maré.
Depois, quando menos se espera, podemos encontrar no meio de uma pequena praça um obelisco egípcio oferecido por um faraó de renome a um imperador, igualmente de renome. Eu acho que foi uma oferta da Cleópatra ao Júlio César, mas não me lembro, por isso pode ter sido doutro qualquer.
Passei igualmente por uma praça bastante ampla e luminosa cheia de pintores, mais ou menos profissionais, exactamente como vemos nos filmes. Depois foi tempo de sentar numa pequena e escondida esplanada e aproveitar mais uma oportunidade, que se revelou ser a última, de estar com o meu trio de acompanhantes.
Relembro Roma como uma cidade quente e banhada pelo sol, a lembrar tempos primitivos em que nada separava os homens do calor impiedoso a não ser a sua própria roupa. Aliás, andar por Roma é desafiar a nossa própria imaginação a colocar-nos noutros tempos, noutras realidades.
Relembro Roma com um sorriso…
A minha foi uma curta visita. Um passeio com cerca de três horas em que somente percorri algumas ruas que não recordo sequer os nomes. Fui guiada por três colegas de trabalho que me acolheram com a maior das simplicidades e das simpatias em algumas das minhas viagens de trabalho ao estrangeiro: o Frank da Irlanda, a Mirja da Finlândia e o Luciano da Itália.
Como a visita foi curta, eles fizeram questão de me levar primeiro a uma das mais típicas fontes da cidade, na qual atirei uma moeda. Conta a tradição que quem para lá atira uma moeda não morre sem lá voltar novamente. Agora, só falta lá voltar. Não sei quando, mas voltarei certamente.
Passeando pelas poucas ruas que passei, deu para comprovar as habilidades automobilísticas dos italianos. Ou direi dos romanos? Sim, porque agora percebo porque é que os romanos são loucos. Atravessar nas passadeiras? Claro! Mas isso não implica que os carros parem nelas. E o pior não são os carros. São as famosas lambretas e vespas, tradição seguida em Portugal pelos nossos telepizzas. Se for uma estrada mais larga é quase uma aventura épica passar para o outro lado. Na minha opinião, a melhor opção é ver onde está o maior grupo de turistas pronto a atravessar, metermo-nos no meio e aproveitar a maré.
Depois, quando menos se espera, podemos encontrar no meio de uma pequena praça um obelisco egípcio oferecido por um faraó de renome a um imperador, igualmente de renome. Eu acho que foi uma oferta da Cleópatra ao Júlio César, mas não me lembro, por isso pode ter sido doutro qualquer.
Passei igualmente por uma praça bastante ampla e luminosa cheia de pintores, mais ou menos profissionais, exactamente como vemos nos filmes. Depois foi tempo de sentar numa pequena e escondida esplanada e aproveitar mais uma oportunidade, que se revelou ser a última, de estar com o meu trio de acompanhantes.
Relembro Roma como uma cidade quente e banhada pelo sol, a lembrar tempos primitivos em que nada separava os homens do calor impiedoso a não ser a sua própria roupa. Aliás, andar por Roma é desafiar a nossa própria imaginação a colocar-nos noutros tempos, noutras realidades.
Relembro Roma com um sorriso…
quinta-feira, junho 17, 2004
Requisitos
Namorado procura-se. De seguida, apresentam-se os requisitos mínimos de candidatura. Aos interessados, que deixem contacto.
Importante:
- sem atachos, vulgo asteriscos, envolventes, namorados, maridos, amantes, esponjas e afins (obrigatório)
- Sentido de humor (obrigatório)
- Inteligente (preferencial)
- Gosto por cinema (obrigatório)
- Não fumador(obrigatório)
- bebedor de álcool ocasional
- capacidade para maratonas de Trivial (preferencial)
Aspecto:
- Idade Mínima/Máxima: 23/33 (a considerar, consoante o candidato)
- Altura: condizente com o meu 1,56m
- Moreno (preferencial)
Concessões:
- dispensa para jogos de futebol semanais com os amigos
- dispensa para saídas semanais com os amigos. Com a amigas só se estas tiverem atachos.
Importante:
- sem atachos, vulgo asteriscos, envolventes, namorados, maridos, amantes, esponjas e afins (obrigatório)
- Sentido de humor (obrigatório)
- Inteligente (preferencial)
- Gosto por cinema (obrigatório)
- Não fumador(obrigatório)
- bebedor de álcool ocasional
- capacidade para maratonas de Trivial (preferencial)
Aspecto:
- Idade Mínima/Máxima: 23/33 (a considerar, consoante o candidato)
- Altura: condizente com o meu 1,56m
- Moreno (preferencial)
Concessões:
- dispensa para jogos de futebol semanais com os amigos
- dispensa para saídas semanais com os amigos. Com a amigas só se estas tiverem atachos.
Nós? Complicadas?
Se nos insinuamos, somos atiradiças;
Se ficamos na nossa, estamos a fazer-nos de difíceis.
Se aceitamos fazer amor no início do relacionamento, somos mulheres fáceis; Se não queremos ainda, estamos a fazer-nos de difíceis.
Se pomos limitações no namoro, somos autoritárias;
Se concordamos com o que o namorado diz, somos lerdas.
Se lutamos por estudos e profissões, somos ambiciosas;
Se adoramos falar de política e economia, somos feministas;
Se não ligamos para estes assuntos, somos desinformadas.
Se corremos para matar uma barata, não somos femininas;
Se fugimos de uma barata, somos medrosas.
Se aceitamos tudo na cama, somos vulgares;
Se não aceitamos, somos difíceis.
Se adoramos roupas e cosméticos, somos fúteis;
Se não gostamos, somos desleixadas.
Se nos chateamos com alguma atitude dele, somos mimadas;
Se aceitamos tudo o que ele faz, estamos no papo.
Se queremos ter 4 filhos, somos inconsequentes malucas.
Se gostamos de música light, somos umas românticas sem graça.
Se usamos saias curtas, também somos vulgares
Se usamos roupa composta,somos crentes.
Se estamos brancas, eles dizem para apanharmos um bocadinho de sol;
Se estamos bem bronzeadas, eles olham para a primeira loira que passa, que normalmente é branca.
Se fazemos uma cena de ciúmes, somos neuróticas
Se não fazemos, não sabemos defender seu amor
Se falamos mais alto que eles, somos descontroladas
Se falamos mais baixo, somos submissas
E depois vêm dizer que a mulher é que é complicada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
The Reason, Hoobastank
I'm not a perfect person
There's many things I wish I didn't do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you
I'm sorry that I hurt you
It's something I must live with everyday
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who catches all your tears
Thats why i need you to hear
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is You
and the reason is you
and the reason is you
and the reason is you
I'm not a perfect person
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you
I've found a reason to show
A side of me you didn't know
A reason for all that I do
And the reason is you
There's many things I wish I didn't do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you
I'm sorry that I hurt you
It's something I must live with everyday
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who catches all your tears
Thats why i need you to hear
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is You
and the reason is you
and the reason is you
and the reason is you
I'm not a perfect person
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you
I've found a reason to show
A side of me you didn't know
A reason for all that I do
And the reason is you
In the Shadows, The Rasmus
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
No sleep,
No sleep, until I'm done with finding the answer
Won't stop,
Won't stop, before I find the cure for this cancer
Sometimes I feel like going down I'm so disconnected
Somehow I know that I am haunted to be wanted
I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows...
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows...
They say that I must learn to kill before I can feel safe
But I, I'd rather kill myself than turn into their slave
Sometimes I feel that I should go and play with the thunder
Somehow I just don't wanna stay and wait for a wonder
I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life
Lately, I've been walking, walking in circles
Watching, waiting for something
Feel me, touch me, heal me
Come take me higher
I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life
I've been watching..........
I've been waiting..........
I've been searching..........
I've been living..........
for tomorrows.....
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows.....
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows.....
I've been waiting...
Oou-oou oou-oou
No sleep,
No sleep, until I'm done with finding the answer
Won't stop,
Won't stop, before I find the cure for this cancer
Sometimes I feel like going down I'm so disconnected
Somehow I know that I am haunted to be wanted
I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows...
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows...
They say that I must learn to kill before I can feel safe
But I, I'd rather kill myself than turn into their slave
Sometimes I feel that I should go and play with the thunder
Somehow I just don't wanna stay and wait for a wonder
I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life
Lately, I've been walking, walking in circles
Watching, waiting for something
Feel me, touch me, heal me
Come take me higher
I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life
I've been watching..........
I've been waiting..........
I've been searching..........
I've been living..........
for tomorrows.....
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows.....
Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows.....
I've been waiting...
terça-feira, junho 15, 2004
Inquérito Mil Folhas
Qual foi o último livro que leu ?
O último que terminei de ler foi Contos do Nascer da Terra, de Mia Couto.
O último que abandonou a meio?
Livros por acabar de ler são alguns. Ou porque naquele momento a minha atenção foi desviada para um outro livro, ou simplesmente porque se calhar não é a melhor altura para o ler. Às vezes, o interregno é de anos, mas acabam por ser lidos.
E o último que ofereceu?
Os últimos foram Mia Couto.
Lê vários ao mesmo tempo?
Actualmente não tenho tanto esse hábito, ou sim. Talvez por isso tenha vários por finalizar. Mas em tempos de faculdade era o prato do dia.
Como é que arruma os seus livros?
Por secções temáticas e dentro das mesmas por ordem alfabética.
Tem mais ficção, poesia, ensaio…?
Ficção.
Onde é que prefere ler (cama, praia, etc.)?
Em casa no quarto. Já li muito no comboio, fui lá que fiz as leituras da faculdade.
Que livro gostaria de ver traduzido em Portugal?
Actualmente raramente leio sem ser em português.
Sublinha os livros, escreve nas margens, usa marcadores?
Sou incapaz de ler um livro sem um lápis por perto. Foi um hábito adquirido na faculdade que não perdi e faço questão em não perder. Sublinho e faço apontamentos, se achar necessário.
Consegue escolher o livro da sua vida?
Não “o”, mas existem “os”. Foram vários os livros que me tocaram. Por uma ordem mais ou menos cronológica: O Monte do Ventos Uivantes de Emily Brontë; Como Água Para Chocolate de Laura Esquível, pela história e a estrutura culinária; Clube dos Anjos/Os Orangotangos de Borges de Luís Fernando Veríssimo, pelo humor dos dois livros, o apelo gastronómico do primeiro e a revisitação de Allen Poe e Borges no segundo; O Chão que Ela Pisa de Salman Rushdie, pelo conhecimento que me deu do mundo oriental e pela fusão com o mundo ocidental; e Loucos Por Amor de Sam Shepard, pelo sentimento através da economia de palavras.
O último que terminei de ler foi Contos do Nascer da Terra, de Mia Couto.
O último que abandonou a meio?
Livros por acabar de ler são alguns. Ou porque naquele momento a minha atenção foi desviada para um outro livro, ou simplesmente porque se calhar não é a melhor altura para o ler. Às vezes, o interregno é de anos, mas acabam por ser lidos.
E o último que ofereceu?
Os últimos foram Mia Couto.
Lê vários ao mesmo tempo?
Actualmente não tenho tanto esse hábito, ou sim. Talvez por isso tenha vários por finalizar. Mas em tempos de faculdade era o prato do dia.
Como é que arruma os seus livros?
Por secções temáticas e dentro das mesmas por ordem alfabética.
Tem mais ficção, poesia, ensaio…?
Ficção.
Onde é que prefere ler (cama, praia, etc.)?
Em casa no quarto. Já li muito no comboio, fui lá que fiz as leituras da faculdade.
Que livro gostaria de ver traduzido em Portugal?
Actualmente raramente leio sem ser em português.
Sublinha os livros, escreve nas margens, usa marcadores?
Sou incapaz de ler um livro sem um lápis por perto. Foi um hábito adquirido na faculdade que não perdi e faço questão em não perder. Sublinho e faço apontamentos, se achar necessário.
Consegue escolher o livro da sua vida?
Não “o”, mas existem “os”. Foram vários os livros que me tocaram. Por uma ordem mais ou menos cronológica: O Monte do Ventos Uivantes de Emily Brontë; Como Água Para Chocolate de Laura Esquível, pela história e a estrutura culinária; Clube dos Anjos/Os Orangotangos de Borges de Luís Fernando Veríssimo, pelo humor dos dois livros, o apelo gastronómico do primeiro e a revisitação de Allen Poe e Borges no segundo; O Chão que Ela Pisa de Salman Rushdie, pelo conhecimento que me deu do mundo oriental e pela fusão com o mundo ocidental; e Loucos Por Amor de Sam Shepard, pelo sentimento através da economia de palavras.
The Day After Tomorrow (2004)
Poderá alguém saber com toda a certeza onde estará no dia depois de amanhã? Poderá algum técnico prever com certeza o tempo que fará no dia depois de amanhã? E se o dia depois de amanhã não existir?
A história deste filme assenta na premissa de que o aquecimento global, ao provocar o degelo das calotas polares, poderá causar uma segunda idade do gelo. Esta teoria, tida por muitos como impossível, torna-se, no entanto, realidade. Derrubando qualquer modelo de previsão meteorológica e sem qualquer tipo de aviso, esta calamidade atinge grande parte do hemisfério norte, que se torna um imenso glaciar.
Para além do desenvolvimento desta enorme catástrofe climatérica que nos permite ter grandes cenas de efeitos visuais, a história prossegue igualmente com a sua faceta mais humana. E neste aspecto, em vez de dispersar a linearidade do filme em diversas histórias particulares, o filme segue apenas a o cientista que previu a catástrofe em busca do seu filho soterrado na biblioteca Municipal de Nova Iorque.
Gostei de vários pormenores do filme: a visualização das tempestades e o seu modo de actuação; a fuga aos efeitos pirotécnicos (acho que é o primeiro filme catástrofe que vejo sem explosões); o edifício em que os jovens se refugiam ser uma biblioteca, pois são os edifícios do ponto de vista estrutural talvez mais bem capacitados para resistir a uma calamidade; a alusão à Bíblia de Guttenberg e às leis sobre os impostos; uma nova maneira de ver Nova Iorque “destruída”.
Não gostei: da animação dos lobos; numa biblioteca há mais para queimar do que livros, por exemplo, mesa e cadeiras.
A história deste filme assenta na premissa de que o aquecimento global, ao provocar o degelo das calotas polares, poderá causar uma segunda idade do gelo. Esta teoria, tida por muitos como impossível, torna-se, no entanto, realidade. Derrubando qualquer modelo de previsão meteorológica e sem qualquer tipo de aviso, esta calamidade atinge grande parte do hemisfério norte, que se torna um imenso glaciar.
Para além do desenvolvimento desta enorme catástrofe climatérica que nos permite ter grandes cenas de efeitos visuais, a história prossegue igualmente com a sua faceta mais humana. E neste aspecto, em vez de dispersar a linearidade do filme em diversas histórias particulares, o filme segue apenas a o cientista que previu a catástrofe em busca do seu filho soterrado na biblioteca Municipal de Nova Iorque.
Gostei de vários pormenores do filme: a visualização das tempestades e o seu modo de actuação; a fuga aos efeitos pirotécnicos (acho que é o primeiro filme catástrofe que vejo sem explosões); o edifício em que os jovens se refugiam ser uma biblioteca, pois são os edifícios do ponto de vista estrutural talvez mais bem capacitados para resistir a uma calamidade; a alusão à Bíblia de Guttenberg e às leis sobre os impostos; uma nova maneira de ver Nova Iorque “destruída”.
Não gostei: da animação dos lobos; numa biblioteca há mais para queimar do que livros, por exemplo, mesa e cadeiras.
Abaixo o Amor - Down with Love
Na tradição das comédias de enganos, temos Abaixo o Amor – Down With Love, com Renée Zellwegger e Ewan McGregor. Com a história a decorrer algures na década de 60, esta história de amor entre um jornalista engatatão e uma escritora feminista tem como ponto forte a comicidade dos actores, muito bem secundados por Sarah Paulson e David Hyde Pierce.
É um filme engraçado a fazer um triângulo musical com Moulin Rouge (Ewan McGregor) e Chicago (Renée Zellwegger) e que, tal como estes, prima por um guarda roupa glamoroso e colorido, com uma influência bastante Coco Chanel, nas indumentárias femininas.
É um filme engraçado a fazer um triângulo musical com Moulin Rouge (Ewan McGregor) e Chicago (Renée Zellwegger) e que, tal como estes, prima por um guarda roupa glamoroso e colorido, com uma influência bastante Coco Chanel, nas indumentárias femininas.
Sweet November
É um filme romântico com alguns traços de comicidade, mas com final trágico.
Não é nada de especial e, na minha singela opinião, vale apenas como ensaio na credibilidade de Charlize Theron com actriz de cariz dramático.
Quanto à história, Nelson (Keanu Reeves) é um publicitário obcecado pelo seu trabalho, perdendo o contacto com a realidade, que um dia conhece Sara, uma mulher atípica que vive a vida momento a momento. Com dois estilos de vida opostos, as suas vidas chocam literalmente e Sara propõe-lhe que durante um mês Nelson aceite viver de um modo completamente diferente. Ao ser despedido, Nelson resolve aceitar e a sua vida nunca mais será a mesma, blábláblá.
A história não surpreende e os actores também não.
Não é nada de especial e, na minha singela opinião, vale apenas como ensaio na credibilidade de Charlize Theron com actriz de cariz dramático.
Quanto à história, Nelson (Keanu Reeves) é um publicitário obcecado pelo seu trabalho, perdendo o contacto com a realidade, que um dia conhece Sara, uma mulher atípica que vive a vida momento a momento. Com dois estilos de vida opostos, as suas vidas chocam literalmente e Sara propõe-lhe que durante um mês Nelson aceite viver de um modo completamente diferente. Ao ser despedido, Nelson resolve aceitar e a sua vida nunca mais será a mesma, blábláblá.
A história não surpreende e os actores também não.
Eu, tu, eles
Eu, Tu, Eles tem como base a vida real. Algures no nordeste brasileiro, uma mulher simples partilha a vida com os seus três maridos e os seus filhos.
Darlene (Regina) é uma jovem mulher para quem a vida não é fácil. Com um filho e após ter sido abandonada à porta da igreja, aceita partilhar a sua vida com Osias (Lima Duarte) um homem um pouco rude e seco que vê em Darlene a oportunidade de ter um filho e de ter alguém que lhe dirija a casa. Esta relação, de início promissora, revela-se um desapontamento para Darlene cuja saída de casa é impedida por Zezinho (Stênio Garcia), um primo de Osias que vai morar lá para casa. Sem o carinho e o respeito que esperava por parte do seu marido, Darlene acaba por ter em Zezinho o seu grande amigo e companheiro e a sua relação acaba por ter como fruto um filho. Mas a vida continua a ser difícil para Darlene, que se vê obrigada a ir trabalhar todos os dias para a apanha da cana-de-açúcar. É aí que conhece Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos), um homem jovem que desperta nela o desejo e a paixão. E dessa paixão nasce uma nova criança.
Um filme de subtilidades e sensibilidades e uma oportunidade para sentir e ver o amor nas suas diversas acepções através do excelente trabalho dos actores.
A ver.
Darlene (Regina) é uma jovem mulher para quem a vida não é fácil. Com um filho e após ter sido abandonada à porta da igreja, aceita partilhar a sua vida com Osias (Lima Duarte) um homem um pouco rude e seco que vê em Darlene a oportunidade de ter um filho e de ter alguém que lhe dirija a casa. Esta relação, de início promissora, revela-se um desapontamento para Darlene cuja saída de casa é impedida por Zezinho (Stênio Garcia), um primo de Osias que vai morar lá para casa. Sem o carinho e o respeito que esperava por parte do seu marido, Darlene acaba por ter em Zezinho o seu grande amigo e companheiro e a sua relação acaba por ter como fruto um filho. Mas a vida continua a ser difícil para Darlene, que se vê obrigada a ir trabalhar todos os dias para a apanha da cana-de-açúcar. É aí que conhece Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos), um homem jovem que desperta nela o desejo e a paixão. E dessa paixão nasce uma nova criança.
Um filme de subtilidades e sensibilidades e uma oportunidade para sentir e ver o amor nas suas diversas acepções através do excelente trabalho dos actores.
A ver.
terça-feira, junho 08, 2004
XV Festival de Teatro Amador de Sintra
A edição deste ano do Festival de Teatro Amador de Sintra foi um grande motivo de alegria para o Grupo de Teatro A.C.to. A peça que levamos a concurso foi “A Árvore dos Desejos”, uma história com personagens do universo infantil e com preocupações ambientais.
A história tem início com a apresentação do projecto “Bólis” ao conselho beringélico por parte dos bruxos poluidores. Apesar de parecer um excelente projecto, este revela-se destruidor da floresta Beringela. Então, para a salvar, os seus vários habitantes (Fada, Pássaro Mágico, Rúfia, Cogumelos e Rodolfo) juntam-se num acto de coragem e solidariedade. Pelo meio vão vivendo várias aventuras e momentos de humor.
Foi com esta história que o A.C.to ganhou três prémios: Melhor Texto Original, Melhores Efeitos Teatrais e Melhor Figurino. O Grupo está de parabéns. Todos! Porque nada disto seria possível sem o empenho de cada um. Obrigado.
A história tem início com a apresentação do projecto “Bólis” ao conselho beringélico por parte dos bruxos poluidores. Apesar de parecer um excelente projecto, este revela-se destruidor da floresta Beringela. Então, para a salvar, os seus vários habitantes (Fada, Pássaro Mágico, Rúfia, Cogumelos e Rodolfo) juntam-se num acto de coragem e solidariedade. Pelo meio vão vivendo várias aventuras e momentos de humor.
Foi com esta história que o A.C.to ganhou três prémios: Melhor Texto Original, Melhores Efeitos Teatrais e Melhor Figurino. O Grupo está de parabéns. Todos! Porque nada disto seria possível sem o empenho de cada um. Obrigado.
sábado, junho 05, 2004
Van Helsing
Quem muitos burros toca, algum lhe há-de escapar. Quem quer colocar quase todo o tipo de monstros num só filme, não tem uma história muito coerente. O que tem é uma versão “maléfica” da Liga de Cavalheiros Extraordinários (ver em registo anterior: LXG).
Tecnicamente, os filme tem pormenores muito interessantes. No entanto, não deixa de parecer um filme noir de série B da década de 40, assim estilo Ed Wood, mas a cores. Aliás os primeiros minutos de filme são exactamente uma recriação explicita do género. Na minha opinião, um dos grandes “pecados” do filme é exactamente estar demasiado preso aos clichés do género, que são misturados com todos os ingredientes dos filmes de acção. Temos, inclusive, direito a um Mr. Q, de aspecto demasiado medieval para a época.
O filme é sobretudo um veículo de promoção do actor Hugh Jackman, ou seja, vive de e para a sua personagem. As outras personagens apesar da tentativa de lhes fornecer uma densidade dramática nunca chegam a sair da sua superficialidade. E bem vistas as coisas, nem a personagem Van Helsing o atinge.
Mesmo em termos de efeitos especiais, apesar de bem feitos, não chegam a ser surpreendentes.
Ainda numa de provérbios: muita parra e pouca uva, quem tudo quer, tudo perde, etc.
Tecnicamente, os filme tem pormenores muito interessantes. No entanto, não deixa de parecer um filme noir de série B da década de 40, assim estilo Ed Wood, mas a cores. Aliás os primeiros minutos de filme são exactamente uma recriação explicita do género. Na minha opinião, um dos grandes “pecados” do filme é exactamente estar demasiado preso aos clichés do género, que são misturados com todos os ingredientes dos filmes de acção. Temos, inclusive, direito a um Mr. Q, de aspecto demasiado medieval para a época.
O filme é sobretudo um veículo de promoção do actor Hugh Jackman, ou seja, vive de e para a sua personagem. As outras personagens apesar da tentativa de lhes fornecer uma densidade dramática nunca chegam a sair da sua superficialidade. E bem vistas as coisas, nem a personagem Van Helsing o atinge.
Mesmo em termos de efeitos especiais, apesar de bem feitos, não chegam a ser surpreendentes.
Ainda numa de provérbios: muita parra e pouca uva, quem tudo quer, tudo perde, etc.
Amor e Sexo
Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval
Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora
AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval
Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora
AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)
sexta-feira, junho 04, 2004
Monster’s Ball – Depois do Ódio
Quando se chega ao fundo do poço pensa-se que nada mais resta senão deixarmo-nos afogar. Mas tal como a vida é cruel, também nos reserva alguma esperança. Como alguém já disse, quando Deus nos fecha uma porta, abre-nos sempre uma janela.
Este filme retrata a chegada ao fundo do poço e a janela que se entreabre depois.
Hank é um guarda prisional que faz o acompanhamento de condenados à morte, algures numa pequena cidade do sul da América. Vive com o seu pai, também ele antigo guarda prisional e extremamente preconceituoso e racista, e com o filho, a quem nunca soube amar, nem demonstrar carinho, numa atitude de punição pelo abandono da mulher. Sem nunca ter sentido qualquer tipo de emoção e de amor, Hank só se apercebe do vazio da sua vida quando o seu único filho se suicida e tenta recompor-se da sua perda - de alguém a quem nunca realmente soube amar, mas a pessoa que mais perto o levou desse sentimento.
Letícia é uma mulher negra e que num curto espaço de tempo vê o seu marido executado, perde o emprego, a sua casa e o seu único filho morre atropelado à beira da estrada. Socorrida por Hank nesse momento fatídico, os dois vão pouco a pouco desenvolvendo uma improvável relação que os vai reabilitar emocionalmente.
Extremamente poético, este filme aborda temas tão delicados como o racismo e o desamor e as consequências profundas destes dois sentimentos tão nefastos. Mas, de um modo igualmente delicado, mostra como a qualquer momento podemos mudar as linhas orientadoras da nossa vida, basta estarmos abertos a novas .
Vejam.
Este filme retrata a chegada ao fundo do poço e a janela que se entreabre depois.
Hank é um guarda prisional que faz o acompanhamento de condenados à morte, algures numa pequena cidade do sul da América. Vive com o seu pai, também ele antigo guarda prisional e extremamente preconceituoso e racista, e com o filho, a quem nunca soube amar, nem demonstrar carinho, numa atitude de punição pelo abandono da mulher. Sem nunca ter sentido qualquer tipo de emoção e de amor, Hank só se apercebe do vazio da sua vida quando o seu único filho se suicida e tenta recompor-se da sua perda - de alguém a quem nunca realmente soube amar, mas a pessoa que mais perto o levou desse sentimento.
Letícia é uma mulher negra e que num curto espaço de tempo vê o seu marido executado, perde o emprego, a sua casa e o seu único filho morre atropelado à beira da estrada. Socorrida por Hank nesse momento fatídico, os dois vão pouco a pouco desenvolvendo uma improvável relação que os vai reabilitar emocionalmente.
Extremamente poético, este filme aborda temas tão delicados como o racismo e o desamor e as consequências profundas destes dois sentimentos tão nefastos. Mas, de um modo igualmente delicado, mostra como a qualquer momento podemos mudar as linhas orientadoras da nossa vida, basta estarmos abertos a novas .
Vejam.
TOP #5
Nota: A listagem poderá sofrer alterações a qualquer momento.
Livros
1. O Monte do Ventos Uivantes, Emily Brontë
2. Como Água Para Chocolate, Laura Esquível
3. Clube dos Anjos/Os Orangotangos de Borges, Luís Fernando Veríssimo
4. O Chão que Ela Pisa, Salman Rushdie
5. Loucos Por Amor, Sam Shepard
Autores
1. Mia Couto
2. Luís Fernando Veríssimo
3. Jacinto Lucas Pires
4. Eduardo Agualusa
5. Inês Pedrosa
Filmes
1. Vertigem Azul
2. E Tudo o Vento Levou
3. Sete Pecados Mortais
4. Monster’s Ball – Depois do Ódio
5. Plattoon
Séries
1. 7 Palmos de Terra
2. Anjos na América
3. Testemunha Silenciosa
4. Orgulho e Preconceito
5. ER
Actores/Actrizes
1. Willem Dafoe / Susan Sarandon
2. Colin Firth /
3. John Cusack /
4. Alan Rickman /
5. Ewan McGregor /
Realizadores
1. Luc Besson
2. Kevin Smith
3. Pedro Almodovar
4. Woody Allen
5. Coen Bros.
Música
1. The Hands That Built America, U2
2. I’m Going Slightly Mad, Queen
3. No Meu Quarto, Delfins
4. Daughter, Peral Jam
5. Wicked Games, Chris Isaak
Grupos
1. Delfins
2. U2
3. Simple Red
4. The Goo Goo Dolls
5. Red Hot Chilli Peppers
Cantores/Cantoras
1. Marisa Monte
2. Chris Isaak
3. André Sardet
4. Bruce Springsteen
5. Robbie Williams
Livros
1. O Monte do Ventos Uivantes, Emily Brontë
2. Como Água Para Chocolate, Laura Esquível
3. Clube dos Anjos/Os Orangotangos de Borges, Luís Fernando Veríssimo
4. O Chão que Ela Pisa, Salman Rushdie
5. Loucos Por Amor, Sam Shepard
Autores
1. Mia Couto
2. Luís Fernando Veríssimo
3. Jacinto Lucas Pires
4. Eduardo Agualusa
5. Inês Pedrosa
Filmes
1. Vertigem Azul
2. E Tudo o Vento Levou
3. Sete Pecados Mortais
4. Monster’s Ball – Depois do Ódio
5. Plattoon
Séries
1. 7 Palmos de Terra
2. Anjos na América
3. Testemunha Silenciosa
4. Orgulho e Preconceito
5. ER
Actores/Actrizes
1. Willem Dafoe / Susan Sarandon
2. Colin Firth /
3. John Cusack /
4. Alan Rickman /
5. Ewan McGregor /
Realizadores
1. Luc Besson
2. Kevin Smith
3. Pedro Almodovar
4. Woody Allen
5. Coen Bros.
Música
1. The Hands That Built America, U2
2. I’m Going Slightly Mad, Queen
3. No Meu Quarto, Delfins
4. Daughter, Peral Jam
5. Wicked Games, Chris Isaak
Grupos
1. Delfins
2. U2
3. Simple Red
4. The Goo Goo Dolls
5. Red Hot Chilli Peppers
Cantores/Cantoras
1. Marisa Monte
2. Chris Isaak
3. André Sardet
4. Bruce Springsteen
5. Robbie Williams
quarta-feira, maio 26, 2004
Contos do nascer da terra
… mutilado de Guerra e incapacitado de paz.
A cozinha é onde se fabrica a casa inteira.
É que o tempo namora com ele próprio. Só finge que gosta de nós.
Eu nasci na arrecadação da paisagem, num lugar bem desmapeado do mundo.
Como se esse nó de forca fosse o meu cordão desumbilical.
Que o amor é como o mar: sendo infinito espera ainda em outra água se completar.
Os que beijam são sempre príncipes. No beijo todas são belas e adormecidas.
Na vida tudo chega de súbito. O resto, o que desperta tranquilo, é aquilo que, sem darmos conta, já tinha acontecido.
Domingo não é dia. É uma ausência de dia.
Você tem doença da água: mesmo da nuvem sempre regressa.
A morte gosta muito de ouvir cantar. Se distrai de mim e dança.
Velhos são aqueles que não visitam as suas próprias idades.
De improvável a vida é uma goteira pingando ao avesso.
Nessa altura eu receava o amor. Não sei se temia a palavra ou o sentimento. Se o sentimento me parecia insuficiente, a palavra soava a demasiado.
Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a a certeza que morro de uma só única vez.
Me deram o caso para que lhe desvendasse os acasos.
Demorei em coisas nenhumas.
A punição do sonho é aquela que mais dói.
Em sua maior parte, o matrimónio é um maltrimónio. Os dois pensando somar, afinal, se traem e subtraem.
O que o homem tem do pássaro é inveja. Saudade é o que o peixe sente da nuvem.
O cansaço é um modo do corpo ensinar a cabeça.
Há mulheres que buscam um homem que lhes abra o mundo. Outras buscam um que as tire do mundo. A maior parte, porém, acaba se unindo a alguém que lhes tira o mundo.
A vida é um por enquanto no que há-de vir.
… a água corre com saudade do que nunca teve: o total, imenso mar.
… suas vestes eram a sujidade. Havia quase nenhuma roupa em seu sarro.
… o vagabundo se ergueu e apressou umas passadas para alcançar o longe. Se entrecruzou com a sua sombra, assustado de haver escuro e luz.
… os homens se comportam, neste mundo, como estrangeiros. A machice é arrogância dos que têm medo, mais excluídos que emigrantes. Só as mulheres são indígenas da vida.
Tal pai, fatal filho.
A tristeza é uma janela que se abre nas traseiras do mundo.
Estrangeiro é o lugar onde não se espera ninguém.
- homem não deve mexer em sangue. Só a mulher.
- e porquê?
- em vocês, homens, o sangue anda sempre junto com a morte.
- você fala coisa que não sabe.
- a mulher é que pega no sangue e faz nascer uma outra vida.
Sempre onde chego é um lugar. Mas abrigo maior não encontrei senão nas paragens da memória.
Verdade é como ninho de cobra: se confirma apanhando não o ovo, mas a fatal picada.
A gente nasce grão. Morre terra.
Deus é bonito de lhe não vermos, Padre. Mesmo eu estou negar de ir para o céu para não sofrer desilusão.
Entendo só de raízes, vésperas de flores.
Formigas transportam infinitamente a terra. Estarão mudando eternamente de planeta? Estarão engolindo o mundo?
Sei só escrever palavras que não há.
… a lua morre e é grande enquanto as estrelas, ainda que pequeninas, ficam a brilhar.
Nem tudo se explica, para que se compreenda melhor.
Quando não se podem tomar decisões só se tomam decisões erradas.
Quando o pão é magro quem escasseia é o homem.
Mia Couto, Contos do nascer da terra
A cozinha é onde se fabrica a casa inteira.
É que o tempo namora com ele próprio. Só finge que gosta de nós.
Eu nasci na arrecadação da paisagem, num lugar bem desmapeado do mundo.
Como se esse nó de forca fosse o meu cordão desumbilical.
Que o amor é como o mar: sendo infinito espera ainda em outra água se completar.
Os que beijam são sempre príncipes. No beijo todas são belas e adormecidas.
Na vida tudo chega de súbito. O resto, o que desperta tranquilo, é aquilo que, sem darmos conta, já tinha acontecido.
Domingo não é dia. É uma ausência de dia.
Você tem doença da água: mesmo da nuvem sempre regressa.
A morte gosta muito de ouvir cantar. Se distrai de mim e dança.
Velhos são aqueles que não visitam as suas próprias idades.
De improvável a vida é uma goteira pingando ao avesso.
Nessa altura eu receava o amor. Não sei se temia a palavra ou o sentimento. Se o sentimento me parecia insuficiente, a palavra soava a demasiado.
Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a a certeza que morro de uma só única vez.
Me deram o caso para que lhe desvendasse os acasos.
Demorei em coisas nenhumas.
A punição do sonho é aquela que mais dói.
Em sua maior parte, o matrimónio é um maltrimónio. Os dois pensando somar, afinal, se traem e subtraem.
O que o homem tem do pássaro é inveja. Saudade é o que o peixe sente da nuvem.
O cansaço é um modo do corpo ensinar a cabeça.
Há mulheres que buscam um homem que lhes abra o mundo. Outras buscam um que as tire do mundo. A maior parte, porém, acaba se unindo a alguém que lhes tira o mundo.
A vida é um por enquanto no que há-de vir.
… a água corre com saudade do que nunca teve: o total, imenso mar.
… suas vestes eram a sujidade. Havia quase nenhuma roupa em seu sarro.
… o vagabundo se ergueu e apressou umas passadas para alcançar o longe. Se entrecruzou com a sua sombra, assustado de haver escuro e luz.
… os homens se comportam, neste mundo, como estrangeiros. A machice é arrogância dos que têm medo, mais excluídos que emigrantes. Só as mulheres são indígenas da vida.
Tal pai, fatal filho.
A tristeza é uma janela que se abre nas traseiras do mundo.
Estrangeiro é o lugar onde não se espera ninguém.
- homem não deve mexer em sangue. Só a mulher.
- e porquê?
- em vocês, homens, o sangue anda sempre junto com a morte.
- você fala coisa que não sabe.
- a mulher é que pega no sangue e faz nascer uma outra vida.
Sempre onde chego é um lugar. Mas abrigo maior não encontrei senão nas paragens da memória.
Verdade é como ninho de cobra: se confirma apanhando não o ovo, mas a fatal picada.
A gente nasce grão. Morre terra.
Deus é bonito de lhe não vermos, Padre. Mesmo eu estou negar de ir para o céu para não sofrer desilusão.
Entendo só de raízes, vésperas de flores.
Formigas transportam infinitamente a terra. Estarão mudando eternamente de planeta? Estarão engolindo o mundo?
Sei só escrever palavras que não há.
… a lua morre e é grande enquanto as estrelas, ainda que pequeninas, ficam a brilhar.
Nem tudo se explica, para que se compreenda melhor.
Quando não se podem tomar decisões só se tomam decisões erradas.
Quando o pão é magro quem escasseia é o homem.
Mia Couto, Contos do nascer da terra
quinta-feira, maio 20, 2004
Avassaladoras
Para quem gosta de comédias românticas, Avassaladoras é uma boa proposta do cinema brasileiro. Este filme relata as histórias de quatro amigas em busca do amor e das suas tentativas frustradas de o encontrar. Entre a que parece não ter qualquer atractivo para os homens e que decide mesmo recorrer a uma agência de encontros, a que conhece vários homens mas é sempre deixada ou enganada, a que vai ficando com o mesmo namorado que não ama até aparecer o amor e a que tem uma vida profissional tão activa que nem tempo para encontros tem, esta história é uma excelente alternativa ao mesmo género de filmes de origem americana. Por não seguir à risca a mesma estrutura e nos apresentar várias hipóteses de histórias, não deixa de nos dar finais felizes mesmo que não cor-de-rosa. Permite ainda ver o trabalho de actores a que nos habituamos a ver somente nas novelas num outro registo. É um filme leve e divertido recomendado para uma sexta-feira à noite.
Mudar é preciso
Mudar é preciso. Não podemos ficar sempre na mesma, por isso resolvi mudar o blog. Espero que gostem do novo aspecto. Ainda há uns pormenores para afinar e melhorar, mas hei-de lá chegar. Entretanto, se tiverem sugestões, já sabem. Estou aqui para as ler.
Vertigem Azul
Revi recentemente o filme que mais marcou a minha adolescência: Vertigem Azul. O filme que me mostrou que o cinema se faz de imagens poderosas e não de falas históricas, que me mostrou como se pode fazer poesia com imagens, e como se podem mostrar sentimentos apenas com olhar.
Vertigem Azul ficou marcado na minha adolescência como o filme da minha vida. Agora, passados mais de dez anos vi um outro filme. É curioso o que o tempo faz.
O filme gira em torno de Jacques Maiol, um homem invulgar e enigmático como o mar.
Com uma existência real, Maiol foi na década de 60 recordista mundial de mergulho livre, estabelecendo um recorde de profundidade de 340m, que só viria a ser quebrado pelo próprio na década de 80, quando contava já com 57 anos de idade. Luc Besson pegou nesta figura fora do vulgar, que é conhecido no seu meio como o Homem-Golfinho, devido à sua capacidade de adaptação ao ambiente aquático, e deu-lhe uma aura, mais do que mística, diria mítica.
Enquanto personagem, Maiol é um ser desajustado com o ambiente humano que o rodeia. O único ambiente em que se completa e se sente feliz é no mar, junto dos golfinhos, que considera a sua única família. Incapaz de compreender os desígnios dos homens e do amor, deixa-se seduzir pelo canto das sereias que se escondem algures no mar.
O filme que vi há mais de 10 anos, contou-me esta história de sedução pelo mar, irresistível no seu feitiço e abraço envolvente. Agora descobri um pouco mais de percurso de Maiol pelo mundo humano. Não só porque agora o filme foi visto com outra experiência, como os cerca de 30 minutos extra da versão de realizador acrescentam outros pormenores.
Seja como for, foi um filme que me marcou, mais não seja porque me deu a conhecer Luc Besson e dois extraordinários actores: Jean Marc Barr e Jean Reno. Vejam.
Vertigem Azul ficou marcado na minha adolescência como o filme da minha vida. Agora, passados mais de dez anos vi um outro filme. É curioso o que o tempo faz.
O filme gira em torno de Jacques Maiol, um homem invulgar e enigmático como o mar.
Com uma existência real, Maiol foi na década de 60 recordista mundial de mergulho livre, estabelecendo um recorde de profundidade de 340m, que só viria a ser quebrado pelo próprio na década de 80, quando contava já com 57 anos de idade. Luc Besson pegou nesta figura fora do vulgar, que é conhecido no seu meio como o Homem-Golfinho, devido à sua capacidade de adaptação ao ambiente aquático, e deu-lhe uma aura, mais do que mística, diria mítica.
Enquanto personagem, Maiol é um ser desajustado com o ambiente humano que o rodeia. O único ambiente em que se completa e se sente feliz é no mar, junto dos golfinhos, que considera a sua única família. Incapaz de compreender os desígnios dos homens e do amor, deixa-se seduzir pelo canto das sereias que se escondem algures no mar.
O filme que vi há mais de 10 anos, contou-me esta história de sedução pelo mar, irresistível no seu feitiço e abraço envolvente. Agora descobri um pouco mais de percurso de Maiol pelo mundo humano. Não só porque agora o filme foi visto com outra experiência, como os cerca de 30 minutos extra da versão de realizador acrescentam outros pormenores.
Seja como for, foi um filme que me marcou, mais não seja porque me deu a conhecer Luc Besson e dois extraordinários actores: Jean Marc Barr e Jean Reno. Vejam.
quinta-feira, maio 13, 2004
Fica Comigo Esta Noite, Inês Pedrosa
“E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs.”
“A mesma, com a luz das rugas que me faltavam no tempo…”
“Não acreditavas em nada, vivias num aquário de sonhos impossíveis que faziam de ti um anjo negro, abismo de lágrimas congeladas. ”
“… e foi esse que o meu corpo ensinou aos outros homens, aos vários em que tentou enganar a tua ausência, ao único que soube contornar a tua ausência para permanecer em mim. ”
“Os olhos da mulher de um homem que nos ama são indiscretos. ”
“… parece-me que a ausência de memória é a grande quaestio do nosso tempo. ”
“E depois vamos os dois ter saudades da vida que não partilhámos. ”
“É uma questão de sorte, e a sorte não diz muito da pessoa. Não lhe pertence. ”
“Acreditamos naquilo que precisamos, não é? ”
“Mas as regras do jogo de Deus são outras, …: temos apenas a liberdade das nossas escolhas, os anjos observam, anotam os pontos que as pequenas peças cá em baixo vão somando, suspirarão talvez diante da absoluta previsibilidade da violência, do infinito tédio da violência, e é tudo. ”
“Há muitas maneiras de escolher o mesmo destino. ”
“Ainda não havia estrelas esquecidas pelo céu…”
“Agora posso escrever-te, porque te escrevo para mim. ”
“Só nos livros o amor racha corações em relâmpago. ”
“… eternidade, que é o sitio onde todas as recordações desapareceram. ”
“Deixei de ter caves e sótãos dentro de mim, corredores escuros onde o vento do medo uivava. ”
“O bom advogado é o mais eficaz na defesa da injustiça. ”
“Todo o amor é uma prisão, minha querida, uma prisão inventada por nós contra a escancarada brutalidade da vida. ”
“A beleza está é no coração de quem a sente…”
“Os homens são todos faro, como as mulheres faróis. ”
“O esplendor da Europa fez-se da teimosia de dobrar o mundo até o fazer coincidir com os sonhos. ”
“… a ilusão do domínio, a maior e a mais masculina das ilusões. ”
“Mas há sempre uma noite mais escura do que a escuridão do mundo…”
“A dor entra pelas pregas do tempo, molda-lhe o tecido, dá-lhe corpo.”
“A mesma, com a luz das rugas que me faltavam no tempo…”
“Não acreditavas em nada, vivias num aquário de sonhos impossíveis que faziam de ti um anjo negro, abismo de lágrimas congeladas. ”
“… e foi esse que o meu corpo ensinou aos outros homens, aos vários em que tentou enganar a tua ausência, ao único que soube contornar a tua ausência para permanecer em mim. ”
“Os olhos da mulher de um homem que nos ama são indiscretos. ”
“… parece-me que a ausência de memória é a grande quaestio do nosso tempo. ”
“E depois vamos os dois ter saudades da vida que não partilhámos. ”
“É uma questão de sorte, e a sorte não diz muito da pessoa. Não lhe pertence. ”
“Acreditamos naquilo que precisamos, não é? ”
“Mas as regras do jogo de Deus são outras, …: temos apenas a liberdade das nossas escolhas, os anjos observam, anotam os pontos que as pequenas peças cá em baixo vão somando, suspirarão talvez diante da absoluta previsibilidade da violência, do infinito tédio da violência, e é tudo. ”
“Há muitas maneiras de escolher o mesmo destino. ”
“Ainda não havia estrelas esquecidas pelo céu…”
“Agora posso escrever-te, porque te escrevo para mim. ”
“Só nos livros o amor racha corações em relâmpago. ”
“… eternidade, que é o sitio onde todas as recordações desapareceram. ”
“Deixei de ter caves e sótãos dentro de mim, corredores escuros onde o vento do medo uivava. ”
“O bom advogado é o mais eficaz na defesa da injustiça. ”
“Todo o amor é uma prisão, minha querida, uma prisão inventada por nós contra a escancarada brutalidade da vida. ”
“A beleza está é no coração de quem a sente…”
“Os homens são todos faro, como as mulheres faróis. ”
“O esplendor da Europa fez-se da teimosia de dobrar o mundo até o fazer coincidir com os sonhos. ”
“… a ilusão do domínio, a maior e a mais masculina das ilusões. ”
“Mas há sempre uma noite mais escura do que a escuridão do mundo…”
“A dor entra pelas pregas do tempo, molda-lhe o tecido, dá-lhe corpo.”
Amor, António Mega Ferreira
“… achava a utopia uma forma de vaidade pessoal,…”
“… o conhecimento do mundo devia servir-nos para compreender a razão das diferenças, …”
“… e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.”
“… a indiferença vaga e casual com que um homem se refere a coisas passadas verdadeiramente importantes, …”
“às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação de efeitos sem correspondência com a realidade.”
“… morrer nem sequer é uma surpresa contingente, apenas uma circunstância: morremos aos poucos, pouco a pouco,…”
“… todo o amor é um acto de identificação e reconhecimento. Encontramos na pessoa amada, não um reflexo, o que seria pobre, mas uma ressonância da nossa própria alma.”
“E ter todo o tempo do mundo é que é amar.”
“Alguma coisa eu queria ter escrito aqui, abri a entrada, deixei-a assim dias a fio. O que se perdeu? O que ficou por dizer? A percepção desta ausência, a sensação de que algo desapareceu sem deixar rasto, dá-me a medida de tudo o que ficará por escrever, das coisas e dos dias, e das pessoas, e das ideias, e isso é uma dor e uma desolação. Era Inverno, devia estar frio, talvez chovesse. E é tudo.”
“… uma mulher atormentada pela sua própria incapacidade de gerar o drama que julgava ser necessário para alimentar a escrita?”
“… cheia unicamente de coisas singulares, destinadas apenas a serem conhecidas por um único ser e certamente inexplicáveis.”
“… entre o passado e o futuro, que é apenas a outra metade do que nunca há-de acontecer.”
“… porque se convencera que era preciso viver uma vida para poder escrevê-la. O seu romance, esse sim, é que talvez desse uma vida.”
“… o conhecimento do mundo devia servir-nos para compreender a razão das diferenças, …”
“… e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.”
“… a indiferença vaga e casual com que um homem se refere a coisas passadas verdadeiramente importantes, …”
“às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação de efeitos sem correspondência com a realidade.”
“… morrer nem sequer é uma surpresa contingente, apenas uma circunstância: morremos aos poucos, pouco a pouco,…”
“… todo o amor é um acto de identificação e reconhecimento. Encontramos na pessoa amada, não um reflexo, o que seria pobre, mas uma ressonância da nossa própria alma.”
“E ter todo o tempo do mundo é que é amar.”
“Alguma coisa eu queria ter escrito aqui, abri a entrada, deixei-a assim dias a fio. O que se perdeu? O que ficou por dizer? A percepção desta ausência, a sensação de que algo desapareceu sem deixar rasto, dá-me a medida de tudo o que ficará por escrever, das coisas e dos dias, e das pessoas, e das ideias, e isso é uma dor e uma desolação. Era Inverno, devia estar frio, talvez chovesse. E é tudo.”
“… uma mulher atormentada pela sua própria incapacidade de gerar o drama que julgava ser necessário para alimentar a escrita?”
“… cheia unicamente de coisas singulares, destinadas apenas a serem conhecidas por um único ser e certamente inexplicáveis.”
“… entre o passado e o futuro, que é apenas a outra metade do que nunca há-de acontecer.”
“… porque se convencera que era preciso viver uma vida para poder escrevê-la. O seu romance, esse sim, é que talvez desse uma vida.”
quinta-feira, abril 29, 2004
Trombeta de Casal da Burra
Para rirem com humor inteligente e sarcástico e acompanhar as desventuras de uma pequena aldeia alentejana em quase, quase, tudo igual a esta nossa aldeia global. Visitem Casal da Burra e delirem.
Love's Divine
de Seal
Then the rainstorm came, over me
And I felt my spirit break
I had lost all of my, belief you see
And realize my mistake
But time through a prayer, to me
And all around me, it came still
I need love, loves divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name
Through the rainstorm came, century
And I felt my spirit fly
I had felt, all of my, reality
I realize what it takes
'Cause I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name
Oh I, don't bet (don't bet), don't bet (don't bet)
Show me how to live a promise me you won't forsake
'Cause love can help me know my name
Well I try to say there's nothing wrong
But inside felt that all in all
But the message here was plain to see
Believe:
'Cause I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name
Oh I, don't bet (don't bet), don't bet (don't bet)
Show me how to live a promise me you won't forsake
'Cause love can help me know my name
Love can help me know my name.
Then the rainstorm came, over me
And I felt my spirit break
I had lost all of my, belief you see
And realize my mistake
But time through a prayer, to me
And all around me, it came still
I need love, loves divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name
Through the rainstorm came, century
And I felt my spirit fly
I had felt, all of my, reality
I realize what it takes
'Cause I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name
Oh I, don't bet (don't bet), don't bet (don't bet)
Show me how to live a promise me you won't forsake
'Cause love can help me know my name
Well I try to say there's nothing wrong
But inside felt that all in all
But the message here was plain to see
Believe:
'Cause I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name
Oh I, don't bet (don't bet), don't bet (don't bet)
Show me how to live a promise me you won't forsake
'Cause love can help me know my name
Love can help me know my name.
Behind Blue Eyes
de Limp Biskit
No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes
And no one knows
What it's like to be hated
To be faded to telling only lies
But my dreams they aren't as empty
As my conscious seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free
No one knows what its like
To feel these feelings
Like i do, and i blame you!
No one bites back as hard
On their anger
None of my pain woe
Can show through
No one knows what its like
To be mistreated, to be defeated
Behind blue eyes
No one know how to say
That they're sorry and don't worry
I'm not telling lies
No one knows what its like
To be the bad man, to be the sad man
Behind blue eyes.
No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes
And no one knows
What it's like to be hated
To be faded to telling only lies
But my dreams they aren't as empty
As my conscious seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free
No one knows what its like
To feel these feelings
Like i do, and i blame you!
No one bites back as hard
On their anger
None of my pain woe
Can show through
No one knows what its like
To be mistreated, to be defeated
Behind blue eyes
No one know how to say
That they're sorry and don't worry
I'm not telling lies
No one knows what its like
To be the bad man, to be the sad man
Behind blue eyes.
Mad World
de Gary Jules
All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow
And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world mad world
Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me, look right through me
And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world ... world
Enlarge your world
Mad world
All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow
And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world mad world
Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me, look right through me
And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world ... world
Enlarge your world
Mad world
quarta-feira, abril 28, 2004
A Paixão de Cristo
É um filme controverso pela sua temática e pela abordagem feita, mas seria-o sempre qualquer que fosse a sua forma de retratar os últimos dias da vida de Cristo.
Ao centrar o seu filme nas últimas horas da vida de Cristo, período a que a tradição católica denomina de Paixão, Mel Gibson, um fervoroso católico, quis realçar o sofrimento sentido por este. Assim, uma das grandes críticas é o excesso de violência demonstrado no filme.
Neste aspecto não é um filme fácil, sobretudo para quem tem um estômago mais frágil ou é facilmente influenciável, devido ao extremo realismo dos efeitos especiais que nos conseguem transportar e crer na veracidade do que vemos. Mas mais importante do que dizer se é demasiado violento ou não, é tentar ver qual é o objectivo de tal demonstração e saber se esse sim é válido ou não.
Na minha visão, a violência, e neste caso acho que nem é bem a palavra adequada, tem por objectivo dar ao espectador a dimensão de todo o sofrimento, enquanto representante de todo o pecado do mundo e fardo que Cristo se propõe a suportar. E nesse sentido todo o pingo de violência tem sentido. Como é dito no filme: poderá alguém suportar o fardo de todo o pecado do mundo?
Tem também o efeito de nos fazer pensar e ver como a violência pode assumir proporções inclusive indesejadas devido ao efeito das massas. Quando uma grande mole se reúne, a mínima faísca pode originar consequências imprevisíveis.
Gostei muito de certos pormenores do tratamento das personagens, nomeadamente a personagem de Pilatos que é chamado a tomar uma decisão sobre um conflito que sabe não ter nada a ver com justiça e cuja decisão, seja ela qual for, implica derramamento de sangue. É a imagem do estadista perante uma escolha de Salomão e cuja a única saída é optar pelo mal menor, sem deixar de sentir que lhe foi armado um cerco nesse sentido, mas igualmente sem outras opções de saída. Daí o seu famoso lavar de mãos.
Aliás todas as personagens em termos de interpretação estão muito bem construídas e representadas e a escolha de actores desconhecidos do grande público revelou-se uma opção acertada. Provavelmente a corrida aos Óscares do próximo ano terá vários destes actores em competição.
Ao centrar o seu filme nas últimas horas da vida de Cristo, período a que a tradição católica denomina de Paixão, Mel Gibson, um fervoroso católico, quis realçar o sofrimento sentido por este. Assim, uma das grandes críticas é o excesso de violência demonstrado no filme.
Neste aspecto não é um filme fácil, sobretudo para quem tem um estômago mais frágil ou é facilmente influenciável, devido ao extremo realismo dos efeitos especiais que nos conseguem transportar e crer na veracidade do que vemos. Mas mais importante do que dizer se é demasiado violento ou não, é tentar ver qual é o objectivo de tal demonstração e saber se esse sim é válido ou não.
Na minha visão, a violência, e neste caso acho que nem é bem a palavra adequada, tem por objectivo dar ao espectador a dimensão de todo o sofrimento, enquanto representante de todo o pecado do mundo e fardo que Cristo se propõe a suportar. E nesse sentido todo o pingo de violência tem sentido. Como é dito no filme: poderá alguém suportar o fardo de todo o pecado do mundo?
Tem também o efeito de nos fazer pensar e ver como a violência pode assumir proporções inclusive indesejadas devido ao efeito das massas. Quando uma grande mole se reúne, a mínima faísca pode originar consequências imprevisíveis.
Gostei muito de certos pormenores do tratamento das personagens, nomeadamente a personagem de Pilatos que é chamado a tomar uma decisão sobre um conflito que sabe não ter nada a ver com justiça e cuja decisão, seja ela qual for, implica derramamento de sangue. É a imagem do estadista perante uma escolha de Salomão e cuja a única saída é optar pelo mal menor, sem deixar de sentir que lhe foi armado um cerco nesse sentido, mas igualmente sem outras opções de saída. Daí o seu famoso lavar de mãos.
Aliás todas as personagens em termos de interpretação estão muito bem construídas e representadas e a escolha de actores desconhecidos do grande público revelou-se uma opção acertada. Provavelmente a corrida aos Óscares do próximo ano terá vários destes actores em competição.
sexta-feira, abril 23, 2004
LXG
A Liga de Cavalheiros Extraordinários teve a sua origem na banda desenhada e passou o ano passado para as telas de cinema.
Qual a premissa da história? Juntar grandes heróis da literatura de aventuras numa liga com o objectivo de derrotar o mal. E quem são esses heróis? Allan Quatermain, Capitão Nemo, Dorian Grey, Mina Harker, Dr. Jekyll, Mr. Hide, O Homem Invísivel e Tom Sawyer.
E o que farão estes heróis, alguns deles picarescos, juntos? O seu objectivo é salvar a humanidade, redimindo-se assim de alguns erros de percurso.
Se a premissa é bastante interessante, no entanto, o resultado final fica aquém das expectativas.
Não conheço a história em banda desenhada, por isso não me posso pronunciar sobre esta. Mas a versão cinematográfica tem um argumento fraco, muito óbvio, com falta de coesão e sem um necessário aprofundamento das personagens. É claro que todas elas têm os seus próprios espaços nos livros de que são originárias, mas neste filme parece somente que foram recortadas e coladas às outras com fita-cola e sem um cuidado mínimo de coerência. Somente a personagem de Allan Quatermain tem direito a um aprofundamento de perfil psicológico, sem que este seja mesmo assim suficiente.
Quanto à intriga que junta estas personagens é muito insonsa. Se atendermos ao facto de que alguns destes personagens estão mais para vilões do que para heróis propriamente ditos, é já de início pouco credível que estes se juntem para salvar a humanidade.
E qual é a grande ameaça à humanidade? Alguém está a criar um exército de “mutantes” e a desenvolver armas com capacidade de destruição maciça.
(Novidade? Pelo menos actualmente não há novidade alguma neste diabólico plano.)
Depois, mesmo em termos de efeitos especiais e de fotografia, já vimos aquilo algures. Por exemplo, o Mr. Hyde é uma versão não verde do Hulk e o esconderigio do vilão-mor (a saber James Moriarty, arqui-inimigo de Sherlock Holmes) também não é novidade.
É pena que o filme não cumpra as expectativas. Talvez a galeria de personagens se adequasse mais ao formato televisivo. Como série, haveria mais tempo e oportunidade para desenvolver as personagens e também de explorar outras possibilidades de aventuras. Assim, numa espécie de A-team ou Missão: Impossível do século XIX.
Qual a premissa da história? Juntar grandes heróis da literatura de aventuras numa liga com o objectivo de derrotar o mal. E quem são esses heróis? Allan Quatermain, Capitão Nemo, Dorian Grey, Mina Harker, Dr. Jekyll, Mr. Hide, O Homem Invísivel e Tom Sawyer.
E o que farão estes heróis, alguns deles picarescos, juntos? O seu objectivo é salvar a humanidade, redimindo-se assim de alguns erros de percurso.
Se a premissa é bastante interessante, no entanto, o resultado final fica aquém das expectativas.
Não conheço a história em banda desenhada, por isso não me posso pronunciar sobre esta. Mas a versão cinematográfica tem um argumento fraco, muito óbvio, com falta de coesão e sem um necessário aprofundamento das personagens. É claro que todas elas têm os seus próprios espaços nos livros de que são originárias, mas neste filme parece somente que foram recortadas e coladas às outras com fita-cola e sem um cuidado mínimo de coerência. Somente a personagem de Allan Quatermain tem direito a um aprofundamento de perfil psicológico, sem que este seja mesmo assim suficiente.
Quanto à intriga que junta estas personagens é muito insonsa. Se atendermos ao facto de que alguns destes personagens estão mais para vilões do que para heróis propriamente ditos, é já de início pouco credível que estes se juntem para salvar a humanidade.
E qual é a grande ameaça à humanidade? Alguém está a criar um exército de “mutantes” e a desenvolver armas com capacidade de destruição maciça.
(Novidade? Pelo menos actualmente não há novidade alguma neste diabólico plano.)
Depois, mesmo em termos de efeitos especiais e de fotografia, já vimos aquilo algures. Por exemplo, o Mr. Hyde é uma versão não verde do Hulk e o esconderigio do vilão-mor (a saber James Moriarty, arqui-inimigo de Sherlock Holmes) também não é novidade.
É pena que o filme não cumpra as expectativas. Talvez a galeria de personagens se adequasse mais ao formato televisivo. Como série, haveria mais tempo e oportunidade para desenvolver as personagens e também de explorar outras possibilidades de aventuras. Assim, numa espécie de A-team ou Missão: Impossível do século XIX.
sábado, abril 03, 2004
Sábado à Noite
É Sábado à noite e estou em casa.
É verdade.
Se bem que na verdade é um dos poucos Sábados em que nos últimos tempos tenho ficado em casa. Está a saber bem descansar um pouco e quiçá até me deite a uma hora decente.
Sim, a uma hora decente porque a porcaria do pdi já se começa a sentir.
Já actualizei o blog.
Já fiz um zapping televisivo, no qual constatei:
Novelas na TVI, entre as quais um anúncio ao Coração Malandro. Pergunta: mas isso não era coisa para já ter acabado no século passado?
Sic: Air Force 1. OK filme decente a horas minimanente decentes, mas já visto pelo menos duas vezes.
RTP1: OK, filme em que um submarino mete água.
Na :2 há a Brit Com e Na Minha Família o casal Harper acaba de ser avô. (Algo me diz que esta construção frásica não foi muito feliz, mas assim como assim, não há-de ser a única). Depois há as meninas do canal Viver, que ainda não está descodificado a esta hora, a falar de valores machistas. Ok. Talvez até fosse interessante, dispenso é o sotaque “bragacence”.
Lol. Toparam? Este toque de humor linguístico? Fui eu que escrevi. Lol.
Euronews? Há depressivos melhores.
Disney codificado. Bem sei que a pedófilia está nas bocas do mundo (mais um comentário infeliz), mazzzz.. zá chegou à caza Dizneiiii, meuz amigoz, não habia nexexidade, hum.
Cana 21? ??????
Panda? Nunca compreendi muito bem estas séries jubenis deste canal. São piores que os Dallas doutras décadas e não sei muito bem porquê são quase sempre de origem australiana. Porquê? E depois ainda há as tartarugas ninja.
Do TCM eu gosto. Sempre se revê uns filmes interessantes e como não tenho guito para pôr os Canais Premiére, tenho de me aguentar à bronca.
Canal saúde. Olha outro codificado. Hoje deve ser a história da enfermeira mamalhuda, sim aquela especialista no tratamento de sintomas pré e pós traumáticos genitais masculinos.
MCN e MTV. OK. Vou parar um bocadito aqui para ver Red Hot.
SIC Notícias. Epá. Não está a dar o João Adelino Faria. Não sei se está dentro de todos os meus requisitos, mas que faz muito bem à menina dos olhos, aaahhh, à isso faz.
O GNT está em PUB. Eu é mais TPM.
Eurosport. Bem agora é que isto está lindo. Gajos grandes, em calções, suados, com caras de mau, algumas cicatrizes. Olha se eu fosse gay?
Na Odisseia há três milhões de anos os movimentos da crosta terrestre fizeram qualquer coisa. Mas como cheguei atrasada, já não vi nada de especial.
TV religião. Saravá. Deus é grande. Eu vi a luz. (Por favor, dizer em voz alta em sotaque “bragacençe”. Obrigado).
RTP África. Declaração de deputado português Carlos almeida em Cabo Verde. Karful, iu are véri uaite, put some sancrime on.
E não é que a porra da telenovela continua.
Bem, e como agora não me apetece ver o Monstro e Cia, vou mesmo para a cama.
É verdade.
Se bem que na verdade é um dos poucos Sábados em que nos últimos tempos tenho ficado em casa. Está a saber bem descansar um pouco e quiçá até me deite a uma hora decente.
Sim, a uma hora decente porque a porcaria do pdi já se começa a sentir.
Já actualizei o blog.
Já fiz um zapping televisivo, no qual constatei:
Novelas na TVI, entre as quais um anúncio ao Coração Malandro. Pergunta: mas isso não era coisa para já ter acabado no século passado?
Sic: Air Force 1. OK filme decente a horas minimanente decentes, mas já visto pelo menos duas vezes.
RTP1: OK, filme em que um submarino mete água.
Na :2 há a Brit Com e Na Minha Família o casal Harper acaba de ser avô. (Algo me diz que esta construção frásica não foi muito feliz, mas assim como assim, não há-de ser a única). Depois há as meninas do canal Viver, que ainda não está descodificado a esta hora, a falar de valores machistas. Ok. Talvez até fosse interessante, dispenso é o sotaque “bragacence”.
Lol. Toparam? Este toque de humor linguístico? Fui eu que escrevi. Lol.
Euronews? Há depressivos melhores.
Disney codificado. Bem sei que a pedófilia está nas bocas do mundo (mais um comentário infeliz), mazzzz.. zá chegou à caza Dizneiiii, meuz amigoz, não habia nexexidade, hum.
Cana 21? ??????
Panda? Nunca compreendi muito bem estas séries jubenis deste canal. São piores que os Dallas doutras décadas e não sei muito bem porquê são quase sempre de origem australiana. Porquê? E depois ainda há as tartarugas ninja.
Do TCM eu gosto. Sempre se revê uns filmes interessantes e como não tenho guito para pôr os Canais Premiére, tenho de me aguentar à bronca.
Canal saúde. Olha outro codificado. Hoje deve ser a história da enfermeira mamalhuda, sim aquela especialista no tratamento de sintomas pré e pós traumáticos genitais masculinos.
MCN e MTV. OK. Vou parar um bocadito aqui para ver Red Hot.
SIC Notícias. Epá. Não está a dar o João Adelino Faria. Não sei se está dentro de todos os meus requisitos, mas que faz muito bem à menina dos olhos, aaahhh, à isso faz.
O GNT está em PUB. Eu é mais TPM.
Eurosport. Bem agora é que isto está lindo. Gajos grandes, em calções, suados, com caras de mau, algumas cicatrizes. Olha se eu fosse gay?
Na Odisseia há três milhões de anos os movimentos da crosta terrestre fizeram qualquer coisa. Mas como cheguei atrasada, já não vi nada de especial.
TV religião. Saravá. Deus é grande. Eu vi a luz. (Por favor, dizer em voz alta em sotaque “bragacençe”. Obrigado).
RTP África. Declaração de deputado português Carlos almeida em Cabo Verde. Karful, iu are véri uaite, put some sancrime on.
E não é que a porra da telenovela continua.
Bem, e como agora não me apetece ver o Monstro e Cia, vou mesmo para a cama.
Eu gosto de...
Eu gosto de Luís Fernando Veríssimo.
Eu gosto de Sam Shepard.
Eu gosto de Musicais.
Eu gosto de Jacinto Lucas Pires.
Eu gosto de José Eduardo Agualusa.
Eu gosto de Teatro.
Eu gosto de Woody Allen.
Eu gosto de Kevin smith.
Eu gosto de Luc Besson.
Eu gosto de Pedro Almodovar.
Eu gosto de Das palmas e das luzes e dos bastidores e da magia e algumas lágrimas do teatro.
Eu gosto de Ser cogumelo.
Eu gosto de Literatura.
Eu gosto de Amendoas de chocolate.
Eu gosto d’E Tudo o Vento Levou.
Eu gosto de Cinema.
Eu gosto do Vertigem Azul.
Eu gosto do meu Imac.
Eu gosto da Andreia, do David e do André.
Eu gosto de Escrever.
Eu gosto de Road movies (que me lembram a minha infância).
Eu gosto de Ler.
Eu gosto de Caracóis.
Eu gosto de Laranjas.
Eu gosto da Minha cama nova.
Eu gosto do Cheiro a terra molhada.
Eu gosto de Humor caústico.
Eu gosto do Chilrear dos pássaros.
Eu gosto de Brit-coms.
Eu gosto do Willem Dafoe.
Eu gosto de Água do poço.
Eu gosto das Absolutamente Fabulosas.
Eu gosto de Dormir em cima de dois colchões.
Eu gosto de Simply Red.
Eu gosto de Pipocas salgadas.
Eu gosto da Voz do Carlos do Carmo.
Eu gosto de Torresmos e couratos.
Eu gosto do 7 Palmos de Terra.
Eu gosto de Comer.
Eu gosto de Ser surpreendida.
Eu gosto de Smint’s Limão.
Eu gosto de Ganga.
Eu gosto de Straciatella.
Eu gosto de Massagens.
Eu gosto de Calças e camisolas.
Eu gosto de Beijos e mordidelas.
Eu gosto de Vermelho sangue, amarrelo torrado, verde seco, azul claro, guerná, bbordeaux, preto, pérola, castanho.
Eu gosto do Calor da lareira.
Eu gosto de Jogar Trivial.
Eu gosto de Andar acompanhada.
Eu gosto de Demorar no duche quente.
Eu gosto de Aterrar em Lisboa à noite.
Eu gosto de Rir com os amigos.
Eu gosto de Fogo de artificio.
Eu gosto da Santa Terrinha.
Eu gosto de Bayley’s, café com natas (muitas), martini rosso, sangria, caipirinha, ponchas.
Eu gosto de Karaoke: Like a Virgin e Don’t Cry For Me Argentina.
Eu gosto da Minha camisola vermelha de decote sexy.
Eu gosto de Nadar.
Eu gosto da Minha mala de ganga.
Eu gosto de Leite.
Eu gosto de Pézinhos de porco de coentrada.
Eu gosto do Meu Yaris.
Eu gosto de Céu estrelado.
Eu gosto da Liberdade de ter o meu carro.
Eu gosto de Dormir.
Eu gosto do Toy Story.
Eu gosto dos Meus caracóis.
Eu gosto de Ténis e botas com look Miss Ema Peel.
Eu gosto de Céu azul e nuvens brancas.
Eu gosto de Desenhos animados.
Eu gosto de Pita-shoarma.
Eu gosto de Dançar a noite toda.
Eu gosto de Ir aos bolos.
Eu gosto da Ladie’s Night no Gringo’s.
Eu gosto de Puré de castanhas.
Eu gosto do Estrada Velha.
Eu gosto de Chocolate negro.
Eu gosto de Bares irlandeses.
Eu gosto da Trombeta de Casal da Burra.
Eu gosto de Praia numa noite de verão.
Eu gosto de Publicidade.
Eu gosto de Comida chinesa.
Eu gosto de Camurça.
Eu gosto de Sam Shepard.
Eu gosto de Musicais.
Eu gosto de Jacinto Lucas Pires.
Eu gosto de José Eduardo Agualusa.
Eu gosto de Teatro.
Eu gosto de Woody Allen.
Eu gosto de Kevin smith.
Eu gosto de Luc Besson.
Eu gosto de Pedro Almodovar.
Eu gosto de Das palmas e das luzes e dos bastidores e da magia e algumas lágrimas do teatro.
Eu gosto de Ser cogumelo.
Eu gosto de Literatura.
Eu gosto de Amendoas de chocolate.
Eu gosto d’E Tudo o Vento Levou.
Eu gosto de Cinema.
Eu gosto do Vertigem Azul.
Eu gosto do meu Imac.
Eu gosto da Andreia, do David e do André.
Eu gosto de Escrever.
Eu gosto de Road movies (que me lembram a minha infância).
Eu gosto de Ler.
Eu gosto de Caracóis.
Eu gosto de Laranjas.
Eu gosto da Minha cama nova.
Eu gosto do Cheiro a terra molhada.
Eu gosto de Humor caústico.
Eu gosto do Chilrear dos pássaros.
Eu gosto de Brit-coms.
Eu gosto do Willem Dafoe.
Eu gosto de Água do poço.
Eu gosto das Absolutamente Fabulosas.
Eu gosto de Dormir em cima de dois colchões.
Eu gosto de Simply Red.
Eu gosto de Pipocas salgadas.
Eu gosto da Voz do Carlos do Carmo.
Eu gosto de Torresmos e couratos.
Eu gosto do 7 Palmos de Terra.
Eu gosto de Comer.
Eu gosto de Ser surpreendida.
Eu gosto de Smint’s Limão.
Eu gosto de Ganga.
Eu gosto de Straciatella.
Eu gosto de Massagens.
Eu gosto de Calças e camisolas.
Eu gosto de Beijos e mordidelas.
Eu gosto de Vermelho sangue, amarrelo torrado, verde seco, azul claro, guerná, bbordeaux, preto, pérola, castanho.
Eu gosto do Calor da lareira.
Eu gosto de Jogar Trivial.
Eu gosto de Andar acompanhada.
Eu gosto de Demorar no duche quente.
Eu gosto de Aterrar em Lisboa à noite.
Eu gosto de Rir com os amigos.
Eu gosto de Fogo de artificio.
Eu gosto da Santa Terrinha.
Eu gosto de Bayley’s, café com natas (muitas), martini rosso, sangria, caipirinha, ponchas.
Eu gosto de Karaoke: Like a Virgin e Don’t Cry For Me Argentina.
Eu gosto da Minha camisola vermelha de decote sexy.
Eu gosto de Nadar.
Eu gosto da Minha mala de ganga.
Eu gosto de Leite.
Eu gosto de Pézinhos de porco de coentrada.
Eu gosto do Meu Yaris.
Eu gosto de Céu estrelado.
Eu gosto da Liberdade de ter o meu carro.
Eu gosto de Dormir.
Eu gosto do Toy Story.
Eu gosto dos Meus caracóis.
Eu gosto de Ténis e botas com look Miss Ema Peel.
Eu gosto de Céu azul e nuvens brancas.
Eu gosto de Desenhos animados.
Eu gosto de Pita-shoarma.
Eu gosto de Dançar a noite toda.
Eu gosto de Ir aos bolos.
Eu gosto da Ladie’s Night no Gringo’s.
Eu gosto de Puré de castanhas.
Eu gosto do Estrada Velha.
Eu gosto de Chocolate negro.
Eu gosto de Bares irlandeses.
Eu gosto da Trombeta de Casal da Burra.
Eu gosto de Praia numa noite de verão.
Eu gosto de Publicidade.
Eu gosto de Comida chinesa.
Eu gosto de Camurça.
Não gosto de...
Não gosto de Ver a selecção perder.
Não gosto de Maracujá, melão e pepino.
Não gosto de Cheiro e sabor a tabaco.
Não gosto de Certo tipo de jornalismo.
Não gosto de Cerveja.
Não gosto de Falta de humildade.
Não gosto de Lavar o carro.
Não gosto da Atitude “coitadinho”.
Não gosto de Aspirar.
Não gosto de Casacos de peles verdadeiras.
Não gosto de Picar o ponto.
Não gosto de Me ver no meio de fogo cruzado.
Não gosto de Dar satisfações.
Não gosto de Intrigas extra-cinematográficas.
Não gosto de Filmes de terror.
Não gosto de Jazz.
Não gosto de Me dar a conhcer.
Não gosto de Blusas.
Não gosto de Ser pitosga.
Não gosto do Preço das bebidas.
Não gosto de Mentes obtusas.
Não gosto de Conduzir com o sol a encadear.
Não gosto de Não gosto de Muito barulho.
Não gosto de Correr.
Não gosto da IC19 em hora de ponta.
Não gosto de Bolas de Berlim.
Não gosto de Whisky.
Não gosto de Sapatos com solas finas.
Não gosto de Cachecóis e luvas.
Não gosto de Condutores inconsequentes.
Não gosto de Bebedeiras.
Não gosto de Filmes demasiado previsiveis.
Não gosto de Demagogia.
Não gosto de Pesadelos.
Não gosto de Vários bichos.
Não gosto de Amendoas de açúcar.
Não gosto de Homens de fato.
Não gosto de Louros.
Não gosto de Falta de humor.
Não gosto de Cabelo espigado.
Não gosto de Maracujá, melão e pepino.
Não gosto de Cheiro e sabor a tabaco.
Não gosto de Certo tipo de jornalismo.
Não gosto de Cerveja.
Não gosto de Falta de humildade.
Não gosto de Lavar o carro.
Não gosto da Atitude “coitadinho”.
Não gosto de Aspirar.
Não gosto de Casacos de peles verdadeiras.
Não gosto de Picar o ponto.
Não gosto de Me ver no meio de fogo cruzado.
Não gosto de Dar satisfações.
Não gosto de Intrigas extra-cinematográficas.
Não gosto de Filmes de terror.
Não gosto de Jazz.
Não gosto de Me dar a conhcer.
Não gosto de Blusas.
Não gosto de Ser pitosga.
Não gosto do Preço das bebidas.
Não gosto de Mentes obtusas.
Não gosto de Conduzir com o sol a encadear.
Não gosto de Não gosto de Muito barulho.
Não gosto de Correr.
Não gosto da IC19 em hora de ponta.
Não gosto de Bolas de Berlim.
Não gosto de Whisky.
Não gosto de Sapatos com solas finas.
Não gosto de Cachecóis e luvas.
Não gosto de Condutores inconsequentes.
Não gosto de Bebedeiras.
Não gosto de Filmes demasiado previsiveis.
Não gosto de Demagogia.
Não gosto de Pesadelos.
Não gosto de Vários bichos.
Não gosto de Amendoas de açúcar.
Não gosto de Homens de fato.
Não gosto de Louros.
Não gosto de Falta de humor.
Não gosto de Cabelo espigado.
Eu já...
Eu já Conheço alguns aeroportos europeus.
Eu já Andei mais de dez minutos no aeroporto de Schippol.
Eu já Deixei as chaves em casa demasiadas vezes.
Eu já Mandei fazer chaves numa lavandaria.
Eu já Deitei uma moeda na Fontana di …
Eu já Fui a Roma.
Eu já Fiz de chauffer.
Eu já Vi neve
Eu já Fugi de possíveis amores.
Eu já Comi num restaurante medieval numa pequena cidade alemã.
Eu já Fui para Torres vedras em vez de Torres Novas.
Eu já Fui ao Quem Quer Ser Milionário.
Eu já Copiei.
Eu já Tive 18 a Latim.
Eu já Me inscrevi no Um Contra Todos.
Eu já Fiz o casting para o Elo Mais Fraco, mas não me chamaram.
Eu já Tive uma nega a Educação física.
Eu já Tentei a dança do ventre.
Eu já Fui contra um poste (e sem carro).
Eu já Tentei escrever uma peça.
Eu já Acabar coisas.
Eu já Assisti Portugal a ser campeão do mundo.
Eu já Estive no velhinho Estádio da Luz a rebentar pelas costuras.
Eu já Ser boa dona de casa.
Eu já Vi o Lichenstein a perder 9-0.
Eu já Fui ao Museu de Arte Moderna de Sintra.
Eu já Reconheci jogadores de futebol pelo corte de cabelo.
Eu já Suspirei pelos New Kids On The Block.
Eu já Eu já Soube quase todas as letras dos Delfins de cor.
Eu já Subi à Torre Eiffel ao anoitecer.
Eu já Subi ao Arco do Triunfo num dia de sol sublime.
Eu já Estive à porta do Moulin Rouge.
Eu já Vi a cadeira da montra do Museu do Erotismo ao pé do Moulin Rouge.
Eu já Fui à Disneyland Paris.
Eu já Vi o Robbie Williams ao vivo.
Eu já Voei no mundo do Peter Pan.
Eu já Visitei a casa da família Robinson.
Eu já Voei em primeira classe.
Eu já Chorei ao som de uma música.
Eu já Chorei com tantos filmes.
Eu já Comi vegetariano.
Eu já Tentei deixar de roer as unhas.
Eu já Andei à procura de travestis numa madrugada de quinta-feira.
Eu já Enchi balões por causa da minha religião.
Eu já Tive um grupo restrito.
Eu já Andei no cemitério de Oeiras à procura de um jazigo.
Eu já Joguei Trivial até às cinco da manhã.
Eu já Andei de gaivota.
Eu já Perdi lentes de contacto.
Eu já Tenho um autografo do Willem Dafoe.
Eu já Roubei chocolates.
Eu já Dei muitas voltas a rotundas.
Eu já Dormi numa estação de serviço.
Eu já Cheguei tarde demais à casa de banho.
Eu já Mergulhei a cabeça numa fonte pública de Évora.
Eu já Escrevi tentativas de poemas.
Eu já Tenho um blog.
Eu já Andei com adesivo nos óculos
Eu já andei de trotinete.
Eu já Escrevi uma letra de música que ninguém musicou.
Eu já Andei de buggy.
Eu já Escrevi um soneto.
Eu já Plantei uma àrvore, mas não vingou.
Eu já Comi churros na Costa.
Eu já Vi revistas porno no meio da praia.
Eu já Bati com o carro.
Eu já Apanhei escaldões.
Eu já Tive dores de dentes.
Eu já Perdi a confiança em algumas pessoas.
Eu já Descobri algumas pessoas.
Eu já Comi castanhas às seis da manhã.
Eu já Estive no centro Geodésico de Portugal.
Eu já Visitei o Museu das aldeias.
Eu já Andei mais de dez minutos no aeroporto de Schippol.
Eu já Deixei as chaves em casa demasiadas vezes.
Eu já Mandei fazer chaves numa lavandaria.
Eu já Deitei uma moeda na Fontana di …
Eu já Fui a Roma.
Eu já Fiz de chauffer.
Eu já Vi neve
Eu já Fugi de possíveis amores.
Eu já Comi num restaurante medieval numa pequena cidade alemã.
Eu já Fui para Torres vedras em vez de Torres Novas.
Eu já Fui ao Quem Quer Ser Milionário.
Eu já Copiei.
Eu já Tive 18 a Latim.
Eu já Me inscrevi no Um Contra Todos.
Eu já Fiz o casting para o Elo Mais Fraco, mas não me chamaram.
Eu já Tive uma nega a Educação física.
Eu já Tentei a dança do ventre.
Eu já Fui contra um poste (e sem carro).
Eu já Tentei escrever uma peça.
Eu já Acabar coisas.
Eu já Assisti Portugal a ser campeão do mundo.
Eu já Estive no velhinho Estádio da Luz a rebentar pelas costuras.
Eu já Ser boa dona de casa.
Eu já Vi o Lichenstein a perder 9-0.
Eu já Fui ao Museu de Arte Moderna de Sintra.
Eu já Reconheci jogadores de futebol pelo corte de cabelo.
Eu já Suspirei pelos New Kids On The Block.
Eu já Eu já Soube quase todas as letras dos Delfins de cor.
Eu já Subi à Torre Eiffel ao anoitecer.
Eu já Subi ao Arco do Triunfo num dia de sol sublime.
Eu já Estive à porta do Moulin Rouge.
Eu já Vi a cadeira da montra do Museu do Erotismo ao pé do Moulin Rouge.
Eu já Fui à Disneyland Paris.
Eu já Vi o Robbie Williams ao vivo.
Eu já Voei no mundo do Peter Pan.
Eu já Visitei a casa da família Robinson.
Eu já Voei em primeira classe.
Eu já Chorei ao som de uma música.
Eu já Chorei com tantos filmes.
Eu já Comi vegetariano.
Eu já Tentei deixar de roer as unhas.
Eu já Andei à procura de travestis numa madrugada de quinta-feira.
Eu já Enchi balões por causa da minha religião.
Eu já Tive um grupo restrito.
Eu já Andei no cemitério de Oeiras à procura de um jazigo.
Eu já Joguei Trivial até às cinco da manhã.
Eu já Andei de gaivota.
Eu já Perdi lentes de contacto.
Eu já Tenho um autografo do Willem Dafoe.
Eu já Roubei chocolates.
Eu já Dei muitas voltas a rotundas.
Eu já Dormi numa estação de serviço.
Eu já Cheguei tarde demais à casa de banho.
Eu já Mergulhei a cabeça numa fonte pública de Évora.
Eu já Escrevi tentativas de poemas.
Eu já Tenho um blog.
Eu já Andei com adesivo nos óculos
Eu já andei de trotinete.
Eu já Escrevi uma letra de música que ninguém musicou.
Eu já Andei de buggy.
Eu já Escrevi um soneto.
Eu já Plantei uma àrvore, mas não vingou.
Eu já Comi churros na Costa.
Eu já Vi revistas porno no meio da praia.
Eu já Bati com o carro.
Eu já Apanhei escaldões.
Eu já Tive dores de dentes.
Eu já Perdi a confiança em algumas pessoas.
Eu já Descobri algumas pessoas.
Eu já Comi castanhas às seis da manhã.
Eu já Estive no centro Geodésico de Portugal.
Eu já Visitei o Museu das aldeias.
Eu Nunca...
Eu nunca Fui à Austrália.
Eu nunca Vi o Sunset Boulevard.
Eu nunca Consegui a perfeição.
Eu nunca vi o Citizen Kane.
Eu nunca Acordei às 5 da manhã e peguei no carro para pensar na vida.
Eu nunca Vi o Papa ao vivo.
Eu nunca Pensei estar onde estou.
Eu nunca Fiz danças de salão.
Eu nunca Planeei tudo ao mínimo pormenor.
Eu nunca Fui à américa.
Eu nunca Fui ao Taj Mahal.
Eu nunca Li a Biblia.
Eu nunca Fui operada.
Eu nunca Fui aos Clérigos.
Eu nunca Fui ao Concento de Cristo.
Eu nunca Fui ao Castelo de Almorol.
Eu nunca Andei de TGV.
Eu nunca Andarei de Concorde
Eu nunca Andei no Expresso do Oriente.
Eu nunca Fui a Matchu Pitchu.
Eu nunca Fui ao Norte.
Eu nunca Andei de patins.
Eu nunca Saltei de para-quedas.
Eu nunca Farei bungee-jumping.
Eu nunca Comprei lingerie vermelha.
Eu nunca Vi pegadas de dinossauro.
Eu nunca Andei de foguetão.
Eu nunca Escrevi um livro.
Eu nunca Tive um filho.
Eu nunca Fui pedida em namoro.
Eu nunca Tive coragem para seguir alguns sonhos.
Eu nunca Tive coragem para assumir possíveis amores.
Eu nunca Chumbei (excepto os dentes).
Eu nunca Deixei de roer as unhas.
Eu nunca Raptei alguém, devidamente raptado.
Eu nunca Fumei uma ganza.
Eu nunca Deixei de sonhar acordada.
Eu nunca Deixei de fantasiar.
Eu nunca Andei de mão dada sob as estrelas.
Eu nunca Pedi desculpas ao Miguel.
Eu nunca Fui a um motel.
Eu nunca Vi o Sunset Boulevard.
Eu nunca Consegui a perfeição.
Eu nunca vi o Citizen Kane.
Eu nunca Acordei às 5 da manhã e peguei no carro para pensar na vida.
Eu nunca Vi o Papa ao vivo.
Eu nunca Pensei estar onde estou.
Eu nunca Fiz danças de salão.
Eu nunca Planeei tudo ao mínimo pormenor.
Eu nunca Fui à américa.
Eu nunca Fui ao Taj Mahal.
Eu nunca Li a Biblia.
Eu nunca Fui operada.
Eu nunca Fui aos Clérigos.
Eu nunca Fui ao Concento de Cristo.
Eu nunca Fui ao Castelo de Almorol.
Eu nunca Andei de TGV.
Eu nunca Andarei de Concorde
Eu nunca Andei no Expresso do Oriente.
Eu nunca Fui a Matchu Pitchu.
Eu nunca Fui ao Norte.
Eu nunca Andei de patins.
Eu nunca Saltei de para-quedas.
Eu nunca Farei bungee-jumping.
Eu nunca Comprei lingerie vermelha.
Eu nunca Vi pegadas de dinossauro.
Eu nunca Andei de foguetão.
Eu nunca Escrevi um livro.
Eu nunca Tive um filho.
Eu nunca Fui pedida em namoro.
Eu nunca Tive coragem para seguir alguns sonhos.
Eu nunca Tive coragem para assumir possíveis amores.
Eu nunca Chumbei (excepto os dentes).
Eu nunca Deixei de roer as unhas.
Eu nunca Raptei alguém, devidamente raptado.
Eu nunca Fumei uma ganza.
Eu nunca Deixei de sonhar acordada.
Eu nunca Deixei de fantasiar.
Eu nunca Andei de mão dada sob as estrelas.
Eu nunca Pedi desculpas ao Miguel.
Eu nunca Fui a um motel.
quarta-feira, março 31, 2004
Sobre a amizade
"Se você viver cem anos eu quero viver cem anos menos um dia, assim nunca terei de viver sem vocë"- Winnie Pooh.
"A verdadeira amizade é como a saúde perfeita, seu valor raramente é reconhecido até que seja perdida" -Charles Caleb Colton.
"O verdadeiro amigo é aquele que aparece quando o resto do mundo desaparece".
"A amizade é um espírito em dois corpos"- Mencius.
"Se você morrer antes de mim, pergunte se pode levar um amigo"- Stone Temple Pilots.
"Me apoiarei em você e você se apoiará em mim, e nós estaremos bem"- Dave Mathew's Band.
"Os amigos são a forma de Deus cuidar de nós"
"Se todos meus amigos tivessem que pular de uma ponte, eu não pularia com eles; eu estaria no fundo para pegá-los"
"Todos ouvem o que você diz. Os amigos escutam o que você fala. Os melhores amigos prestam atenção ao que você não diz".
"Todos nós tomamos diferentes trilhas na vida; mas, não importa aonde vamos, aproveitamos um pouco de cada uma delas em toda parte". Tim cGrew.
"Meu pai costuma dizer sempre: quando você morrer, se tiver (feito) cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável"- Lee Iacocca.
"Segure um verdadeiro amigo com ambas as mãos"-Provérbio Nigeriano.
"Um amigo é alguém que sabe a canção de seu coração e pode cantá-la quando você tiver esquecido a letra" - Autor desconhecido.
"A verdadeira amizade é como a saúde perfeita, seu valor raramente é reconhecido até que seja perdida" -Charles Caleb Colton.
"O verdadeiro amigo é aquele que aparece quando o resto do mundo desaparece".
"A amizade é um espírito em dois corpos"- Mencius.
"Se você morrer antes de mim, pergunte se pode levar um amigo"- Stone Temple Pilots.
"Me apoiarei em você e você se apoiará em mim, e nós estaremos bem"- Dave Mathew's Band.
"Os amigos são a forma de Deus cuidar de nós"
"Se todos meus amigos tivessem que pular de uma ponte, eu não pularia com eles; eu estaria no fundo para pegá-los"
"Todos ouvem o que você diz. Os amigos escutam o que você fala. Os melhores amigos prestam atenção ao que você não diz".
"Todos nós tomamos diferentes trilhas na vida; mas, não importa aonde vamos, aproveitamos um pouco de cada uma delas em toda parte". Tim cGrew.
"Meu pai costuma dizer sempre: quando você morrer, se tiver (feito) cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável"- Lee Iacocca.
"Segure um verdadeiro amigo com ambas as mãos"-Provérbio Nigeriano.
"Um amigo é alguém que sabe a canção de seu coração e pode cantá-la quando você tiver esquecido a letra" - Autor desconhecido.
terça-feira, março 30, 2004
Saia Justa
As mulheres são complicadas? Sim, são. E o facto de ser mulher permite-me dizê-lo com toda a sinceridade e conhecimento de causa. Somos mais complicadas que os homens? Talvez. Porque existem alguns espécimes que também conseguem ser muito complicados.
E o que é que nos faz complicadas? Nada mais do que a diversidade. Somos todas diferentes, iguais apenas no facto de sermos mulheres. Todas temos aspirações diferentes, reacções diferentes, sonhos diferentes, emoções diferentes, etc. diferentes. E não faz mal nenhum sê-lo, temos apenas de ter a consciência que assim somos e ser tolerantes connosco e com os outros. Ou seja, aceitar as nossas próprias diferenças.
E porquê todo este discurso? Porque existe na TV Cabo, mais propriamente no canal GNT, um programa chamado Saia Justa, que recomendo a quem quer conhecer um pouco mais do universo feminino e da sua diversidade.
O programa reúne semanalmente quatro mulheres num ambiente de tertúlia em que são abordados os mais variados temas: desde política à religião, passando pelos problemas inerentes à mulheres e inclusivamente algumas críticas à classe masculina. Tudo isto é transmitido de um modo divertido por quatro mulheres com perspectivas diferentes, são elas: Fernanda Young (romancista), Rita Lee (cantora), Marisa Orth (actriz) e Monica Waldwoguel (jornalista).
Um dia destes, passem pelo GNT num deste horários: Domingo às 23:30 e Segunda às 13:30. É possível que hajam mais horários, mas não os conheço.
E o que é que nos faz complicadas? Nada mais do que a diversidade. Somos todas diferentes, iguais apenas no facto de sermos mulheres. Todas temos aspirações diferentes, reacções diferentes, sonhos diferentes, emoções diferentes, etc. diferentes. E não faz mal nenhum sê-lo, temos apenas de ter a consciência que assim somos e ser tolerantes connosco e com os outros. Ou seja, aceitar as nossas próprias diferenças.
E porquê todo este discurso? Porque existe na TV Cabo, mais propriamente no canal GNT, um programa chamado Saia Justa, que recomendo a quem quer conhecer um pouco mais do universo feminino e da sua diversidade.
O programa reúne semanalmente quatro mulheres num ambiente de tertúlia em que são abordados os mais variados temas: desde política à religião, passando pelos problemas inerentes à mulheres e inclusivamente algumas críticas à classe masculina. Tudo isto é transmitido de um modo divertido por quatro mulheres com perspectivas diferentes, são elas: Fernanda Young (romancista), Rita Lee (cantora), Marisa Orth (actriz) e Monica Waldwoguel (jornalista).
Um dia destes, passem pelo GNT num deste horários: Domingo às 23:30 e Segunda às 13:30. É possível que hajam mais horários, mas não os conheço.
sábado, março 27, 2004
Mil Folhas
Há sempre alguém que vem antes de alguém e há sempre alguém que vem depois de alguém.
Richard Ford, in Pecados Sem Conta
- As lembranças são peixes nadando ao invés da corrente.
- A aranha ateia diz ao aranho na teia: o nosso amor está por um fio.
Mia Couto
Richard Ford, in Pecados Sem Conta
- As lembranças são peixes nadando ao invés da corrente.
- A aranha ateia diz ao aranho na teia: o nosso amor está por um fio.
Mia Couto
sexta-feira, março 26, 2004
Bem-vindos à Selva
Sexta-feira à noite é um óptimo dia para uma ida ao cinema com os amigos, especialmente se o filme em questão for bom para as gargalhadas.
Bem-vindos à Selva é um desses filmes.
The Rock é um cobrador de cobranças difíceis cujo último trabalho (é sempre o último, meu deus) consiste em encontrar Sean William Scott, o filho de um “mafioso” armado em arqueólogo que algures na selva amazónica se meteu com um mafioso/ditador pior que o pai, bem se vê. Pelo meio misturam-se ainda uma bela mulher e um grupo de guerrilha cujo objectivo é libertar da “escravidão” os trabalhadores do garimpo do tal mafioso/ditador, interpretado por Christopher Walken, irrepreensível, se bem que sem outros registos de genialidade com que já nos habituou neste tipo de registo.
Rock/Sean são uma dupla que funciona e que alimentam o humor do filme muito bem, e não me enganarei muito se daqui a uns tempos tivermos uma sequela.
A imagem dada do Brasil demonstra o impacto de filmes como a Central do Brasil e Cidade de Deus tiveram no meio cinematográfico norte-americano. Os brasileiros são pobres e vivem numa quase escravidão, sem meios de subsistência.
Agora os defeitos: a continuidade tem algumas falhas, como por exemplo, copos de sumo vazios que se enchem quase por milagre; as falas em português/brasileiro são dobradas, as traduções e o que é dito não coincidem muito.
Bem-vindos à Selva é um desses filmes.
The Rock é um cobrador de cobranças difíceis cujo último trabalho (é sempre o último, meu deus) consiste em encontrar Sean William Scott, o filho de um “mafioso” armado em arqueólogo que algures na selva amazónica se meteu com um mafioso/ditador pior que o pai, bem se vê. Pelo meio misturam-se ainda uma bela mulher e um grupo de guerrilha cujo objectivo é libertar da “escravidão” os trabalhadores do garimpo do tal mafioso/ditador, interpretado por Christopher Walken, irrepreensível, se bem que sem outros registos de genialidade com que já nos habituou neste tipo de registo.
Rock/Sean são uma dupla que funciona e que alimentam o humor do filme muito bem, e não me enganarei muito se daqui a uns tempos tivermos uma sequela.
A imagem dada do Brasil demonstra o impacto de filmes como a Central do Brasil e Cidade de Deus tiveram no meio cinematográfico norte-americano. Os brasileiros são pobres e vivem numa quase escravidão, sem meios de subsistência.
Agora os defeitos: a continuidade tem algumas falhas, como por exemplo, copos de sumo vazios que se enchem quase por milagre; as falas em português/brasileiro são dobradas, as traduções e o que é dito não coincidem muito.
quarta-feira, março 17, 2004
Scary Movie 3
As maiores vítimas deste terceiro episódio são Signs, 8 Miles e The Ring. Como é que estes três filmes se fundem é fácil: o reverendo de Signs tem um irmão rapper nas horas vagas que se apaixona por uma jornalista a braços com um sobrinho que vê cassetes com avisos estranhos. Na tradição das anteriores fitas, continua a dar-nos alguns gags hilariantes, muitos óbvios, e que, no entanto, não têm a força dos primeiros dois filmes. Saliento apenas a presença de Charlie Sheen que andou meio desaparecido da ribalta durante uns anos, e pode ter neste filme a oportunidade para outros voos, mais de acordo com as provas dadas na sua juventude.
quinta-feira, março 11, 2004
Os Fantasmas de Pessoa, Manuel Jorge Marmelo
A morte é a curva na estrada, morrer é só não ser visto.
Fernando Pessoa
-… o destino é uma estrada cheia de curvas e contra-curvas.
-… o número de crédulos será tanto maior quanto mais ousada for a mentira.
-A vida deixa de fazer algum sentido se nos abandona a certeza de que alguém vela por nós e cuida para que a maldade do mundo não fique impune.
-Talvez fosse ele, talvez fosse eu. Sucede-me muitas vezes não saber quem sou.
-A mais importante característica das coisas secretas é que elas permaneçam efectivamente em segredo.
-…, não vendo e não sabendo, sequer, que coisa seja a felicidade, aqueles que a escuridão oprime não podem sequer aspirar a ser felizes, conhecendo como conhecem, a angústia do medo e a servidão.
-…, a necessidade de viver tudo de todas as maneiras, inteira e profundamente, como forma de conhecimento da verdade que há dentro de cada homem.
-… a vida é isto: a eterna incerteza.
-Pois bem: a procura da plenitude. A face de todas as coisas e também o seu contrário. A verdade toda e a impossível verdade, a oculta, aquela que jamais alcançaremos.
-Nós estamos na confluência do tempos e do espaço, no sítio onde o mistério último, a palavra perdida, se manifesta.
-Eu não sou um iniciado. Simplesmente sinto-me múltiplo. Sinto crenças que não tenho. Sinto-me viver vidas alheias a mim, incompletamente, como se participasse na vida de todos os homens. Mas não sou um iniciado.
-A mentira é só uma das metades da verdade e só conhecendo a ambas e negando-as depois chegaremos perto de conhecer tudo.
-Porque é que, para ser feliz, é preciso não o saber?
-…, o raciocinador nunca crê que a razão possa ser substancialmente irracional.
-Às vezes não sei se enlouqueço deveras ou se apenas vivo demasiado intensamente a loucura das personagens.
Fernando Pessoa
-… o destino é uma estrada cheia de curvas e contra-curvas.
-… o número de crédulos será tanto maior quanto mais ousada for a mentira.
-A vida deixa de fazer algum sentido se nos abandona a certeza de que alguém vela por nós e cuida para que a maldade do mundo não fique impune.
-Talvez fosse ele, talvez fosse eu. Sucede-me muitas vezes não saber quem sou.
-A mais importante característica das coisas secretas é que elas permaneçam efectivamente em segredo.
-…, não vendo e não sabendo, sequer, que coisa seja a felicidade, aqueles que a escuridão oprime não podem sequer aspirar a ser felizes, conhecendo como conhecem, a angústia do medo e a servidão.
-…, a necessidade de viver tudo de todas as maneiras, inteira e profundamente, como forma de conhecimento da verdade que há dentro de cada homem.
-… a vida é isto: a eterna incerteza.
-Pois bem: a procura da plenitude. A face de todas as coisas e também o seu contrário. A verdade toda e a impossível verdade, a oculta, aquela que jamais alcançaremos.
-Nós estamos na confluência do tempos e do espaço, no sítio onde o mistério último, a palavra perdida, se manifesta.
-Eu não sou um iniciado. Simplesmente sinto-me múltiplo. Sinto crenças que não tenho. Sinto-me viver vidas alheias a mim, incompletamente, como se participasse na vida de todos os homens. Mas não sou um iniciado.
-A mentira é só uma das metades da verdade e só conhecendo a ambas e negando-as depois chegaremos perto de conhecer tudo.
-Porque é que, para ser feliz, é preciso não o saber?
-…, o raciocinador nunca crê que a razão possa ser substancialmente irracional.
-Às vezes não sei se enlouqueço deveras ou se apenas vivo demasiado intensamente a loucura das personagens.
Literatura ou Morte
Literatura ou Morte é uma das mais interessantes colecções literárias que vi nos últimos tempos, e que sigo incondicionalmente.
A colecção é originalmente da responsabilidade de um editora brasileira e em Portugal a edição está a cargo da Asa. A proposta inicial foi contactar autores contemporâneos vivos e desafia-los a escrever um livro em que estivessem obrigatoriamente envolvidos uma morte e um escritor já falecido. Existem já oito livros editados e todos eles muito curiosos, porque é possível sempre ficar a conhecer um pouco da escrita de novos autores vivos (alguns nem sequer sabia da sua existência), um pouco da vida dos já falecidos e também entrar no espírito da sua escrita.
Desde modo recomendo todos os livros:
Adeus Hemingway, Leonardo Padura Fuentes
Os Orangotangos de Borges, Luis Fernando Veríssimo
Os Leopardos de Kafka, Moacyr Scliar
A Morte de Rimbaud, Leandro Konder
Os Fantasmas de Pessoas, Manuel Jorge Marmelo
O Doente Moliére, Rubem Fonseca
Medo de Sade, Bernardo Carvalho
Stevenson Sob as Palmeiras, Alberto Manguel
A colecção é originalmente da responsabilidade de um editora brasileira e em Portugal a edição está a cargo da Asa. A proposta inicial foi contactar autores contemporâneos vivos e desafia-los a escrever um livro em que estivessem obrigatoriamente envolvidos uma morte e um escritor já falecido. Existem já oito livros editados e todos eles muito curiosos, porque é possível sempre ficar a conhecer um pouco da escrita de novos autores vivos (alguns nem sequer sabia da sua existência), um pouco da vida dos já falecidos e também entrar no espírito da sua escrita.
Desde modo recomendo todos os livros:
Adeus Hemingway, Leonardo Padura Fuentes
Os Orangotangos de Borges, Luis Fernando Veríssimo
Os Leopardos de Kafka, Moacyr Scliar
A Morte de Rimbaud, Leandro Konder
Os Fantasmas de Pessoas, Manuel Jorge Marmelo
O Doente Moliére, Rubem Fonseca
Medo de Sade, Bernardo Carvalho
Stevenson Sob as Palmeiras, Alberto Manguel
quarta-feira, março 10, 2004
Pago Para Esquecer
Paycheck – Pago para Esquecer é o novo filme do realizador John Woo, que já nos habituou a filmes de acção de ritmo frenético, tais como Missão: Impossível II e Face Off/Volte Face. John Woo que já dirigiu Tom Cruise em Missão: Impossível II pega numa história de Phillip k. Dick, cujo Relatório Minoritário já tinha sido igualmente produzido e interpretado por Cruise.
Em Paycheck – Pago para Esquecer a temática base de Relatório Minoritário está presente: a evolução da tecnologia atingiu um ponto tal que é possível antever o futuro antes mesmo de este ter acontecido. Se no primeiro caso, se anteviam crimes e procurava-se evita-los através da prisão antecipada dos seus autores, neste segundo caso o futuro é uma incógnita quase até ao final do filme.
Se para evitar uma tragédia futura é necessário aprender com o passado. O que não seria problemático, se o protagonista tivesse conhecimento do seu passado recente. Isto, porque Ben Affleck interpreta um engenheiro informático que vende a propriedade intelectual dos seus trabalhos a quem pagar melhor e uma das contrapartidas dos seus “patrões” é que a sua memória seja apagada, para que o mesmo trabalho não seja vendido a outras empresas. Mas no seu último trabalho algo correu menos bem e após a sua conclusão Affleck vê-se na contigência de descobrir o seu passado. E esta viagem é em tudo semelhante à de Guy Pearce em Memento de Christopher Nolan.
Condimentado com dinâmicas cenas de acção e perseguição e a levantar algumas questões sobre o futuro e o destino da cada um de nós, é um filme que se vê bem numa Sexta-feira feira à noite.
Em Paycheck – Pago para Esquecer a temática base de Relatório Minoritário está presente: a evolução da tecnologia atingiu um ponto tal que é possível antever o futuro antes mesmo de este ter acontecido. Se no primeiro caso, se anteviam crimes e procurava-se evita-los através da prisão antecipada dos seus autores, neste segundo caso o futuro é uma incógnita quase até ao final do filme.
Se para evitar uma tragédia futura é necessário aprender com o passado. O que não seria problemático, se o protagonista tivesse conhecimento do seu passado recente. Isto, porque Ben Affleck interpreta um engenheiro informático que vende a propriedade intelectual dos seus trabalhos a quem pagar melhor e uma das contrapartidas dos seus “patrões” é que a sua memória seja apagada, para que o mesmo trabalho não seja vendido a outras empresas. Mas no seu último trabalho algo correu menos bem e após a sua conclusão Affleck vê-se na contigência de descobrir o seu passado. E esta viagem é em tudo semelhante à de Guy Pearce em Memento de Christopher Nolan.
Condimentado com dinâmicas cenas de acção e perseguição e a levantar algumas questões sobre o futuro e o destino da cada um de nós, é um filme que se vê bem numa Sexta-feira feira à noite.
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Stevenson sob as Palmeiras, Alberto Manguel
- acho que as histórias ensinam melhor do que os sermões, ou quase isso. As histórias dão mais o que pensar, porque são menos directas.
- prova apenas que a Palavra sempre haverá de sobreviver à carne.
- A palavra nostalgia (ele havia lido em algum lugar) for a cunhada no século XVII por um estudante alsaciano na sua tese de medicina para se referir à molestia a que sucumbiam os soldados suiços que se viam longe das suas montanhas natives.
- No seu caso, era o contrario: nostalgia era a falta dolorosa que sentia dos lugares que jamais conhecera.
- prova apenas que a Palavra sempre haverá de sobreviver à carne.
- A palavra nostalgia (ele havia lido em algum lugar) for a cunhada no século XVII por um estudante alsaciano na sua tese de medicina para se referir à molestia a que sucumbiam os soldados suiços que se viam longe das suas montanhas natives.
- No seu caso, era o contrario: nostalgia era a falta dolorosa que sentia dos lugares que jamais conhecera.
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
Reflexão
A vida não é medida pelo número de vezes que respiramos, mas pelos momentos
que nos tiram a respiração.
que nos tiram a respiração.
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
Geração Rasca
Não é de minha autoria, mas identifico-me com muito orgulho.
"Em conversa com o irmão mais novo de um amigo, cheguei a uma triste
conclusão. A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está
perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que
hoje rondam os 30.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom
Sawyer. "Quem?" , perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer!?
Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música:
"Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom
Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como o hino
senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não
conhece outros ícones da juventude de outrora:
* O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma
caniche;
* Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica,
que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares;
* O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus;
* O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas
membranas no meio dos dedos;
* A Super-Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver
mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?);
* O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é
a mesma coisa. Naquela altura era actual...;
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou
mais gente numa só geração:
* O Verão Azul. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não
merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do
genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não
passaram, o que os torna fracos. Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca
caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia
ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava
com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que
roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é
inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no
Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo
real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles
vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara
Croft. Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas,
nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos
e a fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa a
fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com
nomes tipo "Moleculum infanticus", que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho (muitas vezes chamado de "terno" nem
via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra
espalhada por cima não estancasse.
Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas,
porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo, na altura, aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real
de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos
tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia
para ir para a praia. E sabíamos viver com isso.
Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos
maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração "rasca"... Nós éramos
mais a geração "à rasca" , isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à
rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre
à rasca a ver se a namorada estava grávida, sempre à rasca para tirar a
carta, para o pai emprestar o carro.
Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se
juntar e para servir de prenda de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro,
pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele
pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela
versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que
8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o tóto de óculos, que levava porrada
de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que
depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de
computadores, mas não curtiu nada. Hoje, se um puto é normal, ou seja, não
tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele, anda de
bicicleta e fica na rua até às dez da noite, os outros são proibidos de se
dar com ele."
"Em conversa com o irmão mais novo de um amigo, cheguei a uma triste
conclusão. A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está
perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que
hoje rondam os 30.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom
Sawyer. "Quem?" , perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer!?
Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música:
"Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom
Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como o hino
senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não
conhece outros ícones da juventude de outrora:
* O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma
caniche;
* Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica,
que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares;
* O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus;
* O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas
membranas no meio dos dedos;
* A Super-Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver
mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?);
* O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é
a mesma coisa. Naquela altura era actual...;
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou
mais gente numa só geração:
* O Verão Azul. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não
merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do
genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não
passaram, o que os torna fracos. Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca
caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia
ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava
com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que
roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é
inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no
Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo
real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles
vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara
Croft. Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas,
nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos
e a fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa a
fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com
nomes tipo "Moleculum infanticus", que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho (muitas vezes chamado de "terno" nem
via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra
espalhada por cima não estancasse.
Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas,
porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo, na altura, aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real
de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos
tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia
para ir para a praia. E sabíamos viver com isso.
Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos
maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração "rasca"... Nós éramos
mais a geração "à rasca" , isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à
rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre
à rasca a ver se a namorada estava grávida, sempre à rasca para tirar a
carta, para o pai emprestar o carro.
Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se
juntar e para servir de prenda de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro,
pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele
pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela
versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que
8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o tóto de óculos, que levava porrada
de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que
depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de
computadores, mas não curtiu nada. Hoje, se um puto é normal, ou seja, não
tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele, anda de
bicicleta e fica na rua até às dez da noite, os outros são proibidos de se
dar com ele."
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
Tirei a minha pele
Há coisas que lemos e nos impelem a nossa imaginação em frente, indagando outras realidades para aquelas palavras, outros sentimentos escondidos em camadas subtis.
E há outras que nos lembram coisas já escritas. Foi o caso desta do Agualusa
que me lembrou outra escrita por mim há algum tempo e diz assim:
Tirei a minha pele
aquela que conheces
e julgas ser eu
despi-a inteiramente.
Tem um aspecto translúcido
Dai o teu engano
Ao julgares conhecer-me
Tão profundamente.
Não, não foi embuste
Apenas má visão.
Translúcido não é transparente,
Nem o será jamais.
Deixei-a primeiro ao Deus dará
Depois, e por respeito,
Por ti e pelo que nela vivi
resolvi arruma-la.
Dobrei cuidadosamente
Juntei cada ponta cada saliência
Ficou bem guardada
na segunda gaveta da cómoda.
Agora, podes pegar nela.
Se e quando quiseres.
Podes até cheirar
Se algum aroma restou.
Só não restei eu
Que saí e agora algures
Visto outra pele.
Outro engano, certamente.
29/01/03
E há outras que nos lembram coisas já escritas. Foi o caso desta do Agualusa
que me lembrou outra escrita por mim há algum tempo e diz assim:
Tirei a minha pele
aquela que conheces
e julgas ser eu
despi-a inteiramente.
Tem um aspecto translúcido
Dai o teu engano
Ao julgares conhecer-me
Tão profundamente.
Não, não foi embuste
Apenas má visão.
Translúcido não é transparente,
Nem o será jamais.
Deixei-a primeiro ao Deus dará
Depois, e por respeito,
Por ti e pelo que nela vivi
resolvi arruma-la.
Dobrei cuidadosamente
Juntei cada ponta cada saliência
Ficou bem guardada
na segunda gaveta da cómoda.
Agora, podes pegar nela.
Se e quando quiseres.
Podes até cheirar
Se algum aroma restou.
Só não restei eu
Que saí e agora algures
Visto outra pele.
Outro engano, certamente.
29/01/03
Zumbi final
∑ Ao longo da vida um homem muda de corpo muitas vezes. Estamos sempre a mudar de corpo. Crescemos, engordamos, algumas vezes encolhemos, o cabelo embranquece, perde o vigor e cai. Muita gente acredita que antes de morrermos vemos o filme da nossa própria vida, desenrolando-se vertiginosamente, desde que nascemos até aquele último instante. Se assim fosse o que veriamos seria um ser em permanente mutação, ou seja, alguém com infinitos corpos.
∑ Acho-o bom como um rio. (…) Quero dizer, é uma daquelas pessoas raras, sinceras, que por onde passam deixam tudo mais alegre e exuberante.
∑ A pior das desgraças é trabalhar por necessidade.
∑ Viver é lembrar. Lembrar é sofrer.
∑ Tu sabe, maluco, o homem nasceu lá em África. No princípio só tinha pretos no mundo. Depois alguma coisa deu errado e apareceram os brancos, raça degenerada, de cabelo fraco, com uma pele tão frágil que mal suporta o sol.
∑ Gostaria de se despir do corpo, deixá-lo estendido na cama, vazio e inútil, reaparecendo à sociedade com uma nova pele, um rosto inédito, inteiramente desconhecido. No dia seguinte de manhã, uma das empregadas encontraria a sua pele, uma sombra leve, sedosa, desenhada contra o firme esplendor dos lençóis. Como reagiria? Talvez não estranhasse. Quem sabe, limitar-se-ia a jogar fora o estorvo estranho.
∑ Existe beleza em todas as coisas. O que nem sempre existe são olhos capazes de a ver.
∑ Tudo o que sei aprendi nos livros. Durante muitos anos nem vivia, lia. Sou uma pessoa construída na literatura.
∑ Intuição. Curiosa palavra. Vem do latim tardio, com o significado de imagem reflectida por um espelho.
∑ No céu luminoso correm agora densas nuvens negras. A maioria das pessoas olharia com desgosto para as nuvens. O jornalista, contudo, sorri. Impressiona-o a beleza daquele instante. O prodígio de milhões de partículas de água suspensas na atmosfera. Um rio que desliza, escuro, sobre a cidade.
∑ Os pessimista já se suicidaram todos.
∑ pessimismo é um luxo dos povos felizes.
∑ Regressamos sempre aos velhos lugares aonde amámos a vida. E só então compreendemos que não voltaram jamais as coisas que nos foram queridas. O amor é simples, e o tempo devora as coisas simples.
∑ A tristeza é a morte lenta das coisas mais simples.
∑ Resignação é uma espécie de submissão paciente aos sofrimentos da vida.
∑ Amamos sobretudo aquilo que não conhecemos, não achas?
∑ que me atrai numa mulher não são as suas virtudes visíveis, são os seus abismos…
∑ Não podemos mentir aos amigos. Entre amigos não deve haver lugar sequer para mentiras piedosas.
∑ Só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância.
∑ Qunado uma mulher ri, um homem pode esperar dela alguma misericórdia.
∑ … parece que foi sempre assim desde que Deus criou o mundo, ou desde que o mundo se criou a si próprio, e depois os homens criaram Deus, e que assim há-de ser até ao fim dos tempos.
∑ Há dois tipos de cansaço: o dos vencedores e o dos vencidos.
∑ Um civil pode militarizar-se; um militar é incivilizável.
∑ Na estrada da vida, passado é contramão.
∑ Talvez chore se abrir os olhos, e não consiga mais impedir a torrente de lágrimas, e assim se transforme em rio, e deságue no mar.
∑ A tua pele tem um cheiro estranho. Cheira a sonhos.
∑ Há batalhas que não adianta ganhar e outras que vale a pena perder.
∑ vento não quebra os ramos que sabem se curvar.
∑ Certos erros podem ser mais belos do que a vida.
∑ La vida es muy bonita pero al fin siempre se acaba.
∑ Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores.
José Eduardo Agualusa, in O Ano em que Zumbi tomou o rio
∑ Acho-o bom como um rio. (…) Quero dizer, é uma daquelas pessoas raras, sinceras, que por onde passam deixam tudo mais alegre e exuberante.
∑ A pior das desgraças é trabalhar por necessidade.
∑ Viver é lembrar. Lembrar é sofrer.
∑ Tu sabe, maluco, o homem nasceu lá em África. No princípio só tinha pretos no mundo. Depois alguma coisa deu errado e apareceram os brancos, raça degenerada, de cabelo fraco, com uma pele tão frágil que mal suporta o sol.
∑ Gostaria de se despir do corpo, deixá-lo estendido na cama, vazio e inútil, reaparecendo à sociedade com uma nova pele, um rosto inédito, inteiramente desconhecido. No dia seguinte de manhã, uma das empregadas encontraria a sua pele, uma sombra leve, sedosa, desenhada contra o firme esplendor dos lençóis. Como reagiria? Talvez não estranhasse. Quem sabe, limitar-se-ia a jogar fora o estorvo estranho.
∑ Existe beleza em todas as coisas. O que nem sempre existe são olhos capazes de a ver.
∑ Tudo o que sei aprendi nos livros. Durante muitos anos nem vivia, lia. Sou uma pessoa construída na literatura.
∑ Intuição. Curiosa palavra. Vem do latim tardio, com o significado de imagem reflectida por um espelho.
∑ No céu luminoso correm agora densas nuvens negras. A maioria das pessoas olharia com desgosto para as nuvens. O jornalista, contudo, sorri. Impressiona-o a beleza daquele instante. O prodígio de milhões de partículas de água suspensas na atmosfera. Um rio que desliza, escuro, sobre a cidade.
∑ Os pessimista já se suicidaram todos.
∑ pessimismo é um luxo dos povos felizes.
∑ Regressamos sempre aos velhos lugares aonde amámos a vida. E só então compreendemos que não voltaram jamais as coisas que nos foram queridas. O amor é simples, e o tempo devora as coisas simples.
∑ A tristeza é a morte lenta das coisas mais simples.
∑ Resignação é uma espécie de submissão paciente aos sofrimentos da vida.
∑ Amamos sobretudo aquilo que não conhecemos, não achas?
∑ que me atrai numa mulher não são as suas virtudes visíveis, são os seus abismos…
∑ Não podemos mentir aos amigos. Entre amigos não deve haver lugar sequer para mentiras piedosas.
∑ Só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância.
∑ Qunado uma mulher ri, um homem pode esperar dela alguma misericórdia.
∑ … parece que foi sempre assim desde que Deus criou o mundo, ou desde que o mundo se criou a si próprio, e depois os homens criaram Deus, e que assim há-de ser até ao fim dos tempos.
∑ Há dois tipos de cansaço: o dos vencedores e o dos vencidos.
∑ Um civil pode militarizar-se; um militar é incivilizável.
∑ Na estrada da vida, passado é contramão.
∑ Talvez chore se abrir os olhos, e não consiga mais impedir a torrente de lágrimas, e assim se transforme em rio, e deságue no mar.
∑ A tua pele tem um cheiro estranho. Cheira a sonhos.
∑ Há batalhas que não adianta ganhar e outras que vale a pena perder.
∑ vento não quebra os ramos que sabem se curvar.
∑ Certos erros podem ser mais belos do que a vida.
∑ La vida es muy bonita pero al fin siempre se acaba.
∑ Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores.
José Eduardo Agualusa, in O Ano em que Zumbi tomou o rio
Portugal S.A.
Onde tudo se compra e tudo se vende
Sempre disse, e torno a dizer: tudo na vida tem um preço. Há é pessoas que se vendem por um preço muito baixo e nem tudo se compra com dinheiro. O poder ou a fama são por vezes pagamentos mais aliciantes e sedutores que o dinheiro.
No caso de Portugal S.A., dinheiro e poder andam lado a lado, mas sendo o dinheiro apenas uma face visível do poder. O poder dos grupos económicos, o poder político e o poder de bastidores misturam-se provocando uma luta quase titânica.
Os ingredientes são um grande empresário nacional obrigado na década de setenta a exilar-se para o Brasil e a perder grande parte do seu património para as nacionalizações, o seu braço direito com ligações de amizade no governo, o ministro das finanças que põe toda a sua confiança no empresário e é traído, e a grande paixão do braço direito disposta a tudo para salvar o bom nome da empresa do pai. Pelo meio andam ainda uma esposa viciada em drogas e traidora, um padre que através da sua influência vai manipulando os vários peões, uma jornalista cujos escrúpulos deixam muito a desejar.
O argumento é consistente e dinâmico, apesar de dois ou três clichés, e realização é segura. As interpretações, sem serem excepcionais, são boas. Tirando a senhora Cristina Câmara, que eu ainda não percebi porque é que continua a ser chamada, única e exclusivamente, para os filmes produzidos pelo senhor Tino Navarro. A rapariga até é jeitosa, mas… Ou serão outro tipo de relações que a fazem ser cabeça de elenco? Eu não sou de intrigas…
Sempre disse, e torno a dizer: tudo na vida tem um preço. Há é pessoas que se vendem por um preço muito baixo e nem tudo se compra com dinheiro. O poder ou a fama são por vezes pagamentos mais aliciantes e sedutores que o dinheiro.
No caso de Portugal S.A., dinheiro e poder andam lado a lado, mas sendo o dinheiro apenas uma face visível do poder. O poder dos grupos económicos, o poder político e o poder de bastidores misturam-se provocando uma luta quase titânica.
Os ingredientes são um grande empresário nacional obrigado na década de setenta a exilar-se para o Brasil e a perder grande parte do seu património para as nacionalizações, o seu braço direito com ligações de amizade no governo, o ministro das finanças que põe toda a sua confiança no empresário e é traído, e a grande paixão do braço direito disposta a tudo para salvar o bom nome da empresa do pai. Pelo meio andam ainda uma esposa viciada em drogas e traidora, um padre que através da sua influência vai manipulando os vários peões, uma jornalista cujos escrúpulos deixam muito a desejar.
O argumento é consistente e dinâmico, apesar de dois ou três clichés, e realização é segura. As interpretações, sem serem excepcionais, são boas. Tirando a senhora Cristina Câmara, que eu ainda não percebi porque é que continua a ser chamada, única e exclusivamente, para os filmes produzidos pelo senhor Tino Navarro. A rapariga até é jeitosa, mas… Ou serão outro tipo de relações que a fazem ser cabeça de elenco? Eu não sou de intrigas…
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
4ª Feira de Cinzas, Ethan Hawke
- É fácil gostar de estranhos, mas é difícil gostar das pessoas que conhecemos melhor.
- Agora se alguém me pergunta se acredito em Deus, abano a cabeça como se não ligasse patavina, mas a verdade verdadinha é que acredito. Só não sei o que fazer com isso.
- As pessoas estão sempre a dizer o quanto amam alguém, ou de quão significativo é o amor, sabes? Mas o que é que elas estão dispostas a fazer por isso?
- As pessoas nem se apercebem, mas é entre aqueles pequenos tiquetaques dos ponteiros dos segundos que, bem ou mal, se desenrola toda a nossa vida.
- Graça: capacidade de aceitar a mudança.
- De vez em quando conhecemos um ser humano que pode, muito bem, ser uma surpresa.
- A verdade não necessita que nós a protejamos, basta vivermos dentro dela e ela proteger-nos-á, não é verdade?
- Não há segredos, apenas coisas que as pessoas fingem não saber.
- Há um tipo específico de insatisfação. Há um vazio dentro de nós que não pode ser preenchido. Esse vazio é a nossa necessidade de Deus. É preciso procura-Lo e permanecer com esse desejo.
- É por isso que as pessoas têm crenças. Elas fecham as coisas bem no fundo da sua mente e constroem uma espécie de vedação e decidem aquilo em que devem acreditar, mas isso não significa que a vedação seja real.
- E essa razão é: não fazemos a mínima ideia daquilo que é realmente bom para nós.
- O céu está sempre presente aqui na terra. Já temos tudo aquilo que precisamos. A expectativa é que mata tudo.
- Ao longo de todos estes anos andei a gastar tempo e energia à procura de um lar - para finalmente perceber que o meu lar era simplesmente estar perto da minha própria capacidade de amar.
- Amar alguém é tão doloroso e decepcionante como conhecernos a nós próprios. É provavelmente a única coisa que vale mesmo a pena fazer, mas isso não quer dizer que seja uma viagem suave e perfeita.
- Há algo que me liberta quando um pneu fura, um combóio fica retido, quando o tempo provoca atrasos no aeroporto ou sempre que o mundo deixa de girar no sentido em que se supõe que ele gire.
- É exaustivo ser-se adulto, ter consciência das oportunidades perdidas.
- É preciso expirar para inspirar.
- Durante um curto período de tempo podemos fazer de conta que não conhecemos a verdade. É como estarmos a suster a respiração. Mais tarde ou mais cedo temos de voltar a respirar. Quanto mais fundo se enterra uma mentira, maior será a pressão quando esta explode.
- Agora se alguém me pergunta se acredito em Deus, abano a cabeça como se não ligasse patavina, mas a verdade verdadinha é que acredito. Só não sei o que fazer com isso.
- As pessoas estão sempre a dizer o quanto amam alguém, ou de quão significativo é o amor, sabes? Mas o que é que elas estão dispostas a fazer por isso?
- As pessoas nem se apercebem, mas é entre aqueles pequenos tiquetaques dos ponteiros dos segundos que, bem ou mal, se desenrola toda a nossa vida.
- Graça: capacidade de aceitar a mudança.
- De vez em quando conhecemos um ser humano que pode, muito bem, ser uma surpresa.
- A verdade não necessita que nós a protejamos, basta vivermos dentro dela e ela proteger-nos-á, não é verdade?
- Não há segredos, apenas coisas que as pessoas fingem não saber.
- Há um tipo específico de insatisfação. Há um vazio dentro de nós que não pode ser preenchido. Esse vazio é a nossa necessidade de Deus. É preciso procura-Lo e permanecer com esse desejo.
- É por isso que as pessoas têm crenças. Elas fecham as coisas bem no fundo da sua mente e constroem uma espécie de vedação e decidem aquilo em que devem acreditar, mas isso não significa que a vedação seja real.
- E essa razão é: não fazemos a mínima ideia daquilo que é realmente bom para nós.
- O céu está sempre presente aqui na terra. Já temos tudo aquilo que precisamos. A expectativa é que mata tudo.
- Ao longo de todos estes anos andei a gastar tempo e energia à procura de um lar - para finalmente perceber que o meu lar era simplesmente estar perto da minha própria capacidade de amar.
- Amar alguém é tão doloroso e decepcionante como conhecernos a nós próprios. É provavelmente a única coisa que vale mesmo a pena fazer, mas isso não quer dizer que seja uma viagem suave e perfeita.
- Há algo que me liberta quando um pneu fura, um combóio fica retido, quando o tempo provoca atrasos no aeroporto ou sempre que o mundo deixa de girar no sentido em que se supõe que ele gire.
- É exaustivo ser-se adulto, ter consciência das oportunidades perdidas.
- É preciso expirar para inspirar.
- Durante um curto período de tempo podemos fazer de conta que não conhecemos a verdade. É como estarmos a suster a respiração. Mais tarde ou mais cedo temos de voltar a respirar. Quanto mais fundo se enterra uma mentira, maior será a pressão quando esta explode.
sábado, fevereiro 07, 2004
Negócio Arriscado
Este é o nome do filme em português, em inglês chama-se Along Came Polly.
Ora bem, se seguir o título nacional só perguntamos onde é que no filme o romance é arriscado. Não é. E o que é que a Polly tem de especial? Nada.
Ok. O protagonista é um analista se seguros, que planeia a sua vida só pelo que é seguro. O que não o impede de ter surpresas desagradáveis pelo caminho, como ser traído pela quase angélica esposa no primeiro dia de lua-de-mel. E para compensar o que faz? Resolve apaixonar-se pela ex-colega de liceu que segue a vida pelo plano do não-plano. Ou seja, água e azeite.
Ok. Ideia engraçada. Original? Não, e muito mais bem explorada em muitos outros filmes. Até demais para os mencionar.
Personagens engraçadas? Apenas q.b.
Bons actores? Sim. Com especial destaque para os secundários Phillip Seymor Hofman e Brian Brown. Boas interpretações? Não. Aliás, seria impossível porque os papéis são tão medianos que até dá pena ver tão bons actores, fazer algo que nem lhes dá oportunidade de brilhar.
Ok. Não deixa de ser um filme jeitoso para sexta-feira à noite, mas é só isso. Algumas gargalhadas à base de humor escatológicos, personagens já vistas (todas elas), história já vista. Depois disto, por favor, outros filmes para os mesmo actores.
Ora bem, se seguir o título nacional só perguntamos onde é que no filme o romance é arriscado. Não é. E o que é que a Polly tem de especial? Nada.
Ok. O protagonista é um analista se seguros, que planeia a sua vida só pelo que é seguro. O que não o impede de ter surpresas desagradáveis pelo caminho, como ser traído pela quase angélica esposa no primeiro dia de lua-de-mel. E para compensar o que faz? Resolve apaixonar-se pela ex-colega de liceu que segue a vida pelo plano do não-plano. Ou seja, água e azeite.
Ok. Ideia engraçada. Original? Não, e muito mais bem explorada em muitos outros filmes. Até demais para os mencionar.
Personagens engraçadas? Apenas q.b.
Bons actores? Sim. Com especial destaque para os secundários Phillip Seymor Hofman e Brian Brown. Boas interpretações? Não. Aliás, seria impossível porque os papéis são tão medianos que até dá pena ver tão bons actores, fazer algo que nem lhes dá oportunidade de brilhar.
Ok. Não deixa de ser um filme jeitoso para sexta-feira à noite, mas é só isso. Algumas gargalhadas à base de humor escatológicos, personagens já vistas (todas elas), história já vista. Depois disto, por favor, outros filmes para os mesmo actores.
Mil Folhas
Porque viver na terra é sangrar sem conhecer.
Hilda Hilst
Ela vale muito mais do que escreveu na esperança de chamar a atenção para o que vale.
…- a todas as biografias parece faltar o centro. A capacidade para dar um sentido é uma virtude privada. Os outros só podem imaginar sentidos gerais a partir de factos.
Infância – o tempo em que se julga que se pode conhecer.
Um dia a inocência passa como a maioria das doenças.
…, e ao que vem depois, quando depois não vem mais nada -…
… a ideia de que o passado desenha os acontecimentos do futuro que estão a desenhar-se no presente.
Teresa Coelho
Qualquer escritor numa missão é um escritor a evitar. A ideia é contar uma boa história, e não mudar a cabeça das pessoas.
Para identificar emoções, ele faz uma busca na sua memória até encontrar um exemplo concreto.
Mark Haddon
God is now here.
God is nowhere.
Douglas Coupland
Hilda Hilst
Ela vale muito mais do que escreveu na esperança de chamar a atenção para o que vale.
…- a todas as biografias parece faltar o centro. A capacidade para dar um sentido é uma virtude privada. Os outros só podem imaginar sentidos gerais a partir de factos.
Infância – o tempo em que se julga que se pode conhecer.
Um dia a inocência passa como a maioria das doenças.
…, e ao que vem depois, quando depois não vem mais nada -…
… a ideia de que o passado desenha os acontecimentos do futuro que estão a desenhar-se no presente.
Teresa Coelho
Qualquer escritor numa missão é um escritor a evitar. A ideia é contar uma boa história, e não mudar a cabeça das pessoas.
Para identificar emoções, ele faz uma busca na sua memória até encontrar um exemplo concreto.
Mark Haddon
God is now here.
God is nowhere.
Douglas Coupland
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Na Mira do Jô
Quem sabe, sabe. Quem sabe fazer humor, faz em qualquer tipo de meio: televisão, cinema, rádio e em palco. E Jô Soares provou a quem foi ao CCB o porquê do seu sucesso nesta área.
Foram duas horas de espectáculo, sozinho em palco, coadjuvado somente por uma cadeira, um balde de lixo e uns holofotes, sem que qualquer momento fosse perdido em piadas menores. Algumas já conhecidas? Talvez, mas o que interessa em comédia não é exactamente o que se conta, é como se conta. E Jô Soares é um exímio contador de histórias. Qualidade já comprovada em outras áreas, como na literatura. (Conselho: ler ou ver a adaptação cinematográfica de O Xangô de Baker Street, ou seja, Sherlock Holmes como nunca o imaginamos).
Um palco demasiado grande para uma só pessoa, apesar do seu respeitoso porte? Não. Nem por sombras.
Como qualquer comediante de stand-up, muito em voga e com humildes aprendizes/fazedores na plateia, Jô pegou em várias situações conhecidas de todos nós como: a tentação de Adão e Eva, uma ida ao supermercado, a gravidez, o momento …da-se, a utilização da linguagem, etc; e deu-lhes um cunho muito pessoal. Com um humor acessível, sem deixar de ser inteligente, as gargalhadas de um público participante foram bem genuínas. E que dizer da sensibilidade do artista, quando as piadas, sobretudo as políticas, são tão bem adaptadas à realidade nacional.
Eu diverti-me e muito.
A quem perdeu o Jô a fazer de anão, digo somente LOLOLOL.
Foram duas horas de espectáculo, sozinho em palco, coadjuvado somente por uma cadeira, um balde de lixo e uns holofotes, sem que qualquer momento fosse perdido em piadas menores. Algumas já conhecidas? Talvez, mas o que interessa em comédia não é exactamente o que se conta, é como se conta. E Jô Soares é um exímio contador de histórias. Qualidade já comprovada em outras áreas, como na literatura. (Conselho: ler ou ver a adaptação cinematográfica de O Xangô de Baker Street, ou seja, Sherlock Holmes como nunca o imaginamos).
Um palco demasiado grande para uma só pessoa, apesar do seu respeitoso porte? Não. Nem por sombras.
Como qualquer comediante de stand-up, muito em voga e com humildes aprendizes/fazedores na plateia, Jô pegou em várias situações conhecidas de todos nós como: a tentação de Adão e Eva, uma ida ao supermercado, a gravidez, o momento …da-se, a utilização da linguagem, etc; e deu-lhes um cunho muito pessoal. Com um humor acessível, sem deixar de ser inteligente, as gargalhadas de um público participante foram bem genuínas. E que dizer da sensibilidade do artista, quando as piadas, sobretudo as políticas, são tão bem adaptadas à realidade nacional.
Eu diverti-me e muito.
A quem perdeu o Jô a fazer de anão, digo somente LOLOLOL.
Reflexão
Se as coisas são feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas, então por amamos as coisas e usamos as pessoas?
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