quinta-feira, setembro 23, 2004

Andei milhas e milhas

Andei milhas e milhas
Em busca de um amor
Para me sentir pleno.

Passei anos e anos
à espera de um amor
que me completasse.

Percorri terras e terras
À procura de um amor
Para me compreender.

Demorei uma eternidade
A perceber que um amor
Tem de se amar.
18-06-2004

Liberalização do Aborto?

A chegada do barco holandês à nossa costa pertencente à organização “Women on Waves” provocou um grande tumulto no nosso país, pelo menos a nível político e mediático. Se a proibição do governo português para que este entrasse em águas territoriais nacionais levantou muita fleuma, esta parece-me, no entanto, correcta. Digo isto porque, pelo menos de acordo com a actual lei vigente, é uma decisão coerente.
Mas é claro, que o mais importante não é o barco em si. O mais importante é a lei propriamente dita e se esta será a mais adequada. É complicado dizer. Não consigo dizer que sou a favor da liberalização aborto, mas também não consigo deixar de pensar que em certas talvez seja a melhor solução. Talvez não para o bebé, mas… Aliás não consigo deixar de pensar em qualquer das situações (sim/não) sem um grande “mas” a acompanhar.
No passado referendo, confesso que o meu voto foi “não”. Podem até criticar-me, mas foi o que achava na altura e na verdade continuo a pensar. Não me acho com direito a tirar a vida de ninguém, porque é de uma vida que se trata. Podem pensar então que eu seria incapaz de fazer um aborto. Mas a verdade é que, em determinadas circunstâncias, seria. Podem chamar-me hipócrita, porque talvez o seja, mas a verdade é que por vezes aquilo que pensamos e idealizamos não se coaduna muito com a realidade em que vivemos. E a realidade é por vezes muito cruel. E, actualmente, se se realizar um novo referendo, é provável que a minha resposta seja “sim”, apesar do peso que esse sim me possa trazer.
Claro que o ideal é que nunca alguma mulher se tivesse de ver confrontada com uma situação de aborto. Num mundo ideal não haveria mal formações de fetos, não haveria violações, não haveria pessoas inconscientes e inconsequentes relativamente à sua sexualidade, não haveria miséria, não haveria país que não amassem os seus filhos, não haveria… Mas não vivemos num mundo ideal e temos de nos adaptar a ele.
Talvez a liberalização do aborto não seja a melhor das soluções para o nosso mundo, mas se calhar… Não sei, realmente não sei…

sexta-feira, setembro 17, 2004

As pessoas dos Livros, F. Young

“Gosto de chuva, poupa lágrimas. Não, não é isso. Não lembro ao certo, e “ao certo” significa um mundo quando se trata de um verso.”
“… os enquantos são o quântico da literatura.”
“Aquele amor foi uma alga presa em meu biquini.”
“Um livro impresso deve ser respeitado por aquilo que é: a finalização de imensa dor, exaustão e generosidade.”
“Claro, todo mundo esquece mais ou menos das coisas que viveu, no momento em que um amor deixa de ser um grande amor. Quando um amor deixa de ser grande, ele não vira pequeno amor, vira pequeno estorvo.”
“Sentiu um cubo de gelo escorrer pelo meio do corpo – seria o prenúncio da morte? Um cubo de gelo?”

quarta-feira, setembro 15, 2004

Encerro em mim mais um capítulo...


Os estores a três quartos emprestam uma luminosidade ténue às paredes outrora brancas. As cortinas encardidas ameaçam desfazer-se ao mínimo toque, que nem sequer ouso. O pó de anos acumulado impede o reconhecimento da antiga familiaridade dos objectos. Olho e não reconheço neste o meu quarto de infância, perdido, algures, numa outra existência.
Permaneço sob a ombreira de um portal em que não há viagem de regresso à magia. Duvido mesmo que esta tenha existido em tempo algum. Tudo é tão distante. Redobro o esforço. Concentro-me. Mas perdi a ligação.
Percebo que não era ali que vivi anos que todos querem dourar. Está tudo tão vazio de vida, que nem a imaginação consegue florir.
Tento lembrar o momento preciso em que a alegria se esvaiu, mas não consigo fixa-lo na memória. Talvez nem tenha dado por ele – impossível de reconhecer, impossível de alcançar.
O relógio na parede há muito que parou de contar seja o que for e olhamo-nos imóveis: dois desconhecidos outrora íntimos e cúmplices.
Um último olhar em redor e fecho a porta. Encerro em mim mais um capítulo, rasgado e atirado a um canto onde ficará até ao seu fim.

sábado, setembro 11, 2004

As longas lágrimas derramadas

As longas lágrimas derramadas
em solidariedade se juntam
lamentando a má fortuna
dos homens inspirados
que ao enxergar mais longe
mais não vêem que a sua pequenez
tão doída e difícil de enfrentar.
29/10/2003

sexta-feira, setembro 10, 2004

Pessoa

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Letreiro, M. Torga

Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim – meu principal motivo
De insatisfação -,
Diante de qualquer adoração
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Ser Mejor, R. Williams

Llename la vida
Dame tranquilidad
Calma el temporal
Que hay en mi piel

Dame primaveras
Para disfrutar
Dias que se van
No han de volver

Puede ser que la voz
De tu paz y el amor
Me ayuden a cambiar
Y me hagan ser mejor

Perdona mis manias
No doy para mas
No se aparentarS
oy como soy

Angel de la guarda
Ven y salvame
Salvame del mal
Ayudame

Puede ser que la voz
De tu paz y el amor
Me ayuden a cambiar
Y me hagan ser mejor

Siempre hay en la vida (oportunidad)
Para amar mejor
No hay que amar de mas
Muchos an caido de tanto dar (de tanto dar)
Y de tanto amar

LLename la vida
Dame tranquilidad
Calma el temporal
Que hay en mi piel

Dame primaveras
Para disfrutar
Dias que se van
No han de volver

Puede ser que la voz
De tu paz y el amor
Me ayuden a cambiar
Y me hagan ser mejor

Better man, R. Williams

Send someone to love me
I need to rest in arms
Keep me safe from harm
In pouring rain

Give me endless summer
Lord I fear the cold
Feel I'm getting old
Before my time

As my soul heals the shame
I will grow through this pain
Lord I'm doing all I can
To be a better man

Go easy on my conscience
'Cause it's not my fault
I know I've been told
To take the blame

Rest assured my angels
Will catch my tears
Walk me out of here
I'm in pain

As my soul heals the shame
I will grow through this pain
Lord I'm doing all I can
To be a better man

Once you've found that lover
You're homeward bound
Love is all around
Love is all around

I know some have fallen
On stony ground
But Love is all around

Send someone to love me
I need to rest in arms
Keep me safe from harm
In pouring rain

Give me endless summer
Lord I fear the cold
Feel I'm getting old
Before my time

As my soul heals the shame
I will grow through this pain
Lord I'm doin' all I can
To be a better man

Aldeia Nova, M. Fonseca

“Saem os homens para o trabalho ainda a manhã vem do outro lado do mundo.”
“… e sabe-se lá que noite escura é o passado dessa gente!”
“tudo lhe parece em miniatura. Tudo tal e qual, à parte um ou outro pormenor, mas inexplicavelmente diminuto em relação à recordação que lhe ficara. Decerto está errada a sua memória.”
“Bem vê que é o passado, o passado que enche a casa, desde os vestidos negros da avó até aos retratos suspensos das paredes. O passado que faz silêncio em todas as salas para melhor viver na quietude dos móveis, nos corredores escuros.”
“Na calma da noite o luar nasce quase lua cheia. Traz luminosidades e sombras como um sol já velhinho, amarelo, cansado e alumiar o mundo.”
“E, quando o presente é feio e o futuro incerto, o passado vem-nos sempre à ideia como o tempo em que fomos felizes.”

quinta-feira, agosto 12, 2004

Noturno Indiano, Tabuchi

“…, mas as fotografias fecham o visível num rectângulo. O visível sem moldura é sempre uma coisa diferente. E depois aquele visível tinha um cheiro demasiado forte. Melhor dizendo, muitos cheiros.”
“Não seu quem disse que no puro acto de olhar há sempre um pouco de sadismo.”
“…, nunca se deve tentar saber demasiado das aparências dos outros.”
“Na altura poderá parecer-nos um acontecimento não particularmente feliz, mas na recordação, como sempre nas recordações, purificada das sensações físicas imediatas, dos cheiros, das cores, da vista daquele bicharoco debaixo do lavatório, a circunstância perde os contornos e a imagem melhora. A realidade passada é sempre menos má do que efectivamente foi: a memória é uma falsária espantosa. É-se desonesto mesmo sem querer.”
“São tão estranhas as coisas.”

Le corps humain pourrait il bien n’être qu’une apparence. Il cache notre réalité, il s’épaissit sur notre lumière ou sur notre ombre.
Victor Hugo

quarta-feira, agosto 04, 2004

Haverá algo pior?

Haverá algo pior do que discutirmos com a pessoa que nos criou?
Sim. O já não podermos discutir. O já não termos oportunidade de mais nada. Nem de pedir desculpas pelos erros. Nem simplesmente de dizer ou mostrar o quanto precisamos ainda dela.
Discute-se porque são duas pessoas diferentes. Uma a achar-se no mundo e a perder-se do ninho. A outra que nem sempre está preparada para os voos da sua cria. É o rumo natural, apesar da dor que por vezes implica.
Infelizmente, há dores mais doídas.

Absolute Beginners, D. Bowie

I've nothing much to offer
There's nothing much to take
I'm an absolute beginner
And I'm absolutely sane
As long as we're together
The rest can go to hellI
absolutely love you
But we're absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches (second time)
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true

Nothing much could happen
Nothing we can't shake
Oh we're absolute beginners
With nothing much at stake
As long as you're still smiling
There's nothing more I need
I absolutely love you
But we're absolute beginners
But if my love is your love
We're certain to succeed

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean/sail over heartaches (second time)
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true

Marly de Oliveira

A função do poema: conhecer.
A função do teorema: desafio
Que leva à abstração, à conjetura.
A função da esperança: convencer
Que o poema, o teorema, a ciência, a invenção,
O semáforo, a história, a explosão
De Hiroshima, Picasso e sua glória;
O decalque, a estrutura, a rachadura,
A ruptura, a eternidade, a desmemória;
A ignorância, a pobreza, a riqueza,
A insuficiência, a morte têm sentido.

sexta-feira, julho 30, 2004

Esclarecimento, Mário-Henrique Leiria

Quando estamos cansados
Deitamos o corpo
E adormecemos

Às vezes não

Procuramos outra mão
Outros olhos
Que nos limpem a fadiga
E evitem o sono
Que nos vem antigo

Quando estamos cansados
Podemos erguer o corpo
E acordar
E morrer acordados
Sem cansaço

Never Terar Us Apart, INXS

Don't ask me
What you know is true
Don't have to tell you
I love your precious heart

I..........I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart

We could live for a thousand years
But if I hurt you
I'd make wine from your tears
I told you
That we could fly
Cause we all have wings
But some of us don't know why

I..........I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart

I don't ask me
I was standing
You know it's true
You were there
Worlds collided
Two worlds collided
We're shining through
And they could never tear us apart

You don't ask me
You were standing
You know it's true
I was there
Worlds collided
Two worlds collided
We're shining through
And they could never tear us apart

quarta-feira, julho 28, 2004

Por outro Lado

Saber entrevistar alguém é, acima de tudo, saber conversar. E saber conversar é saber ouvir o respectivo interlocutor, respeitar os seus silêncios, as suas opiniões, sem atropelamentos, deixar fluir sem impor respostas.
 É raros vermos entrevistas assim, como deviam ser. Por isso, é de aproveitar essas raras oportunidades. E elas acontecem semanalmente na :2 por volta das 24:00/24:30 pela mão de Ana Sousa Dias.
Por outro lado…

Viciada?

6.25 %

My weblog owns 6.25 % of me.
Does your weblog own you?

The Music of the Night, A.L.W.

Nighttime sharpens, heightens each sensation
Darkness stirs and wakes imagination
Silently the senses abandon their defences

Slowly, gently, night unfurls its splendour
Grasp it, sense it, tremulous and tender
Turn your face away from the garish light of day
Turn your face away from cold, unfeeling light
And listen to the music of the night

Close you eyes and surrender to your darkest dreams
Leave all thoughts of the world you knew before
Close your eyes, let your spirit start to soar
And you'll live as you've never lived before

Softly, deftly, music shall caress you
Hear it, feel it, secretly possess you
Open up your mind, let your fantasies unwind
In this darkness which you know you cannot fight
The darkness of the music of the night

Let your mind start a journey through a strange, new world
Leave all thoughts of the world you knew before
Let your soul take you where you long to go
Only then can you belong to me

Floating, falling, sweet intoxication
Touch me, trust me, savour each sensation
Let the dream begin, let your darker side give in
To the harmony which dreams alone can write
The power of the music of the night

You alone can make my song take fligh
tHelp me make the music of the night

quinta-feira, julho 22, 2004

Sim/Não

Quantas vezes dissemos sim e na verdade queríamos dizer não?
Quantas vezes dissemos não e na verdade queríamos dizer sim?
Quantas vezes pesamos mais a opinião dos outros do que as nossas preferências ao responder sim ou não?
Quantas respostas foram regidas mais por queremos ser como os outros do que por ser fiéis a nós, aos nossos desejos e, inclusive, aos nossos receios?
Quantas vezes oprimidos pelas circunstâncias nos sentimos obrigados a uma resposta indesejada?
Quantas respostas indevidas ao longo de uma vida demasiado curta para estas perdas de tempo e oportunidade?