quinta-feira, junho 17, 2004

Requisitos

Namorado procura-se. De seguida, apresentam-se os requisitos mínimos de candidatura. Aos interessados, que deixem contacto.

Importante:
- sem atachos, vulgo asteriscos, envolventes, namorados, maridos, amantes, esponjas e afins (obrigatório)
- Sentido de humor (obrigatório)
- Inteligente (preferencial)
- Gosto por cinema (obrigatório)
- Não fumador(obrigatório)
- bebedor de álcool ocasional
- capacidade para maratonas de Trivial (preferencial)

Aspecto:
- Idade Mínima/Máxima: 23/33 (a considerar, consoante o candidato)
- Altura: condizente com o meu 1,56m
- Moreno (preferencial)

Concessões:
- dispensa para jogos de futebol semanais com os amigos
- dispensa para saídas semanais com os amigos. Com a amigas só se estas tiverem atachos.

Nós? Complicadas?


Se nos insinuamos, somos atiradiças;
Se ficamos na nossa, estamos a fazer-nos de difíceis.
Se aceitamos fazer amor no início do relacionamento, somos mulheres fáceis; Se não queremos ainda, estamos a fazer-nos de difíceis.
Se pomos limitações no namoro, somos autoritárias;
Se concordamos com o que o namorado diz, somos lerdas.
Se lutamos por estudos e profissões, somos ambiciosas;
Se adoramos falar de política e economia, somos feministas;
Se não ligamos para estes assuntos, somos desinformadas.
Se corremos para matar uma barata, não somos femininas;
Se fugimos de uma barata, somos medrosas.
Se aceitamos tudo na cama, somos vulgares;
Se não aceitamos, somos difíceis.
Se adoramos roupas e cosméticos, somos fúteis;
Se não gostamos, somos desleixadas.
Se nos chateamos com alguma atitude dele, somos mimadas;
Se aceitamos tudo o que ele faz, estamos no papo.
Se queremos ter 4 filhos, somos inconsequentes malucas.
Se gostamos de música light, somos umas românticas sem graça.
Se usamos saias curtas, também somos vulgares
Se usamos roupa composta,somos crentes.
Se estamos brancas, eles dizem para apanharmos um bocadinho de sol;
Se estamos bem bronzeadas, eles olham para a primeira loira que passa, que normalmente é branca.
Se fazemos uma cena de ciúmes, somos neuróticas
Se não fazemos, não sabemos defender seu amor
Se falamos mais alto que eles, somos descontroladas
Se falamos mais baixo, somos submissas
E depois vêm dizer que a mulher é que é complicada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

The Reason, Hoobastank

I'm not a perfect person
There's many things I wish I didn't do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know

I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you

I'm sorry that I hurt you
It's something I must live with everyday
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who catches all your tears
Thats why i need you to hear

I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is You

and the reason is you
and the reason is you
and the reason is you

I'm not a perfect person
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know

I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you

I've found a reason to show
A side of me you didn't know
A reason for all that I do
And the reason is you

In the Shadows, The Rasmus

Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou

No sleep,
No sleep, until I'm done with finding the answer
Won't stop,
Won't stop, before I find the cure for this cancer

Sometimes I feel like going down I'm so disconnected
Somehow I know that I am haunted to be wanted

I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life

Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows...

Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows...

They say that I must learn to kill before I can feel safe
But I, I'd rather kill myself than turn into their slave

Sometimes I feel that I should go and play with the thunder
Somehow I just don't wanna stay and wait for a wonder

I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life

Lately, I've been walking, walking in circles
Watching, waiting for something
Feel me, touch me, heal me
Come take me higher

I've been watching, I've been waiting
In the shadows for my time
I've been searching, I've been living
For tomorrows all my life

I've been watching..........
I've been waiting..........
I've been searching..........
I've been living..........
for tomorrows.....

Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows.....

Oou-oou oou-oou
Oou-oou oou-oou
In the shadows.....

I've been waiting...

terça-feira, junho 15, 2004

Inquérito Mil Folhas

Qual foi o último livro que leu ?
O último que terminei de ler foi Contos do Nascer da Terra, de Mia Couto.
O último que abandonou a meio?
Livros por acabar de ler são alguns. Ou porque naquele momento a minha atenção foi desviada para um outro livro, ou simplesmente porque se calhar não é a melhor altura para o ler. Às vezes, o interregno é de anos, mas acabam por ser lidos.
E o último que ofereceu?
Os últimos foram Mia Couto.
Lê vários ao mesmo tempo?
Actualmente não tenho tanto esse hábito, ou sim. Talvez por isso tenha vários por finalizar. Mas em tempos de faculdade era o prato do dia.
Como é que arruma os seus livros?
Por secções temáticas e dentro das mesmas por ordem alfabética.
Tem mais ficção, poesia, ensaio…?
Ficção.
Onde é que prefere ler (cama, praia, etc.)?
Em casa no quarto. Já li muito no comboio, fui lá que fiz as leituras da faculdade.
Que livro gostaria de ver traduzido em Portugal?
Actualmente raramente leio sem ser em português.
Sublinha os livros, escreve nas margens, usa marcadores?
Sou incapaz de ler um livro sem um lápis por perto. Foi um hábito adquirido na faculdade que não perdi e faço questão em não perder. Sublinho e faço apontamentos, se achar necessário.
Consegue escolher o livro da sua vida?
Não “o”, mas existem “os”. Foram vários os livros que me tocaram. Por uma ordem mais ou menos cronológica: O Monte do Ventos Uivantes de Emily Brontë; Como Água Para Chocolate de Laura Esquível, pela história e a estrutura culinária; Clube dos Anjos/Os Orangotangos de Borges de Luís Fernando Veríssimo, pelo humor dos dois livros, o apelo gastronómico do primeiro e a revisitação de Allen Poe e Borges no segundo; O Chão que Ela Pisa de Salman Rushdie, pelo conhecimento que me deu do mundo oriental e pela fusão com o mundo ocidental; e Loucos Por Amor de Sam Shepard, pelo sentimento através da economia de palavras.

The Day After Tomorrow (2004)

Poderá alguém saber com toda a certeza onde estará no dia depois de amanhã? Poderá algum técnico prever com certeza o tempo que fará no dia depois de amanhã? E se o dia depois de amanhã não existir?
A história deste filme assenta na premissa de que o aquecimento global, ao provocar o degelo das calotas polares, poderá causar uma segunda idade do gelo. Esta teoria, tida por muitos como impossível, torna-se, no entanto, realidade. Derrubando qualquer modelo de previsão meteorológica e sem qualquer tipo de aviso, esta calamidade atinge grande parte do hemisfério norte, que se torna um imenso glaciar.
Para além do desenvolvimento desta enorme catástrofe climatérica que nos permite ter grandes cenas de efeitos visuais, a história prossegue igualmente com a sua faceta mais humana. E neste aspecto, em vez de dispersar a linearidade do filme em diversas histórias particulares, o filme segue apenas a o cientista que previu a catástrofe em busca do seu filho soterrado na biblioteca Municipal de Nova Iorque.
Gostei de vários pormenores do filme: a visualização das tempestades e o seu modo de actuação; a fuga aos efeitos pirotécnicos (acho que é o primeiro filme catástrofe que vejo sem explosões); o edifício em que os jovens se refugiam ser uma biblioteca, pois são os edifícios do ponto de vista estrutural talvez mais bem capacitados para resistir a uma calamidade; a alusão à Bíblia de Guttenberg e às leis sobre os impostos; uma nova maneira de ver Nova Iorque “destruída”.
Não gostei: da animação dos lobos; numa biblioteca há mais para queimar do que livros, por exemplo, mesa e cadeiras.

Abaixo o Amor - Down with Love

Na tradição das comédias de enganos, temos Abaixo o Amor – Down With Love, com Renée Zellwegger e Ewan McGregor. Com a história a decorrer algures na década de 60, esta história de amor entre um jornalista engatatão e uma escritora feminista tem como ponto forte a comicidade dos actores, muito bem secundados por Sarah Paulson e David Hyde Pierce.
É um filme engraçado a fazer um triângulo musical com Moulin Rouge (Ewan McGregor) e Chicago (Renée Zellwegger) e que, tal como estes, prima por um guarda roupa glamoroso e colorido, com uma influência bastante Coco Chanel, nas indumentárias femininas.

Sweet November

É um filme romântico com alguns traços de comicidade, mas com final trágico.
Não é nada de especial e, na minha singela opinião, vale apenas como ensaio na credibilidade de Charlize Theron com actriz de cariz dramático.
Quanto à história, Nelson (Keanu Reeves) é um publicitário obcecado pelo seu trabalho, perdendo o contacto com a realidade, que um dia conhece Sara, uma mulher atípica que vive a vida momento a momento. Com dois estilos de vida opostos, as suas vidas chocam literalmente e Sara propõe-lhe que durante um mês Nelson aceite viver de um modo completamente diferente. Ao ser despedido, Nelson resolve aceitar e a sua vida nunca mais será a mesma, blábláblá.
A história não surpreende e os actores também não.

Eu, tu, eles

Eu, Tu, Eles tem como base a vida real. Algures no nordeste brasileiro, uma mulher simples partilha a vida com os seus três maridos e os seus filhos.
Darlene (Regina) é uma jovem mulher para quem a vida não é fácil. Com um filho e após ter sido abandonada à porta da igreja, aceita partilhar a sua vida com Osias (Lima Duarte) um homem um pouco rude e seco que vê em Darlene a oportunidade de ter um filho e de ter alguém que lhe dirija a casa. Esta relação, de início promissora, revela-se um desapontamento para Darlene cuja saída de casa é impedida por Zezinho (Stênio Garcia), um primo de Osias que vai morar lá para casa. Sem o carinho e o respeito que esperava por parte do seu marido, Darlene acaba por ter em Zezinho o seu grande amigo e companheiro e a sua relação acaba por ter como fruto um filho. Mas a vida continua a ser difícil para Darlene, que se vê obrigada a ir trabalhar todos os dias para a apanha da cana-de-açúcar. É aí que conhece Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos), um homem jovem que desperta nela o desejo e a paixão. E dessa paixão nasce uma nova criança.
Um filme de subtilidades e sensibilidades e uma oportunidade para sentir e ver o amor nas suas diversas acepções através do excelente trabalho dos actores.
A ver.

terça-feira, junho 08, 2004

XV Festival de Teatro Amador de Sintra

A edição deste ano do Festival de Teatro Amador de Sintra foi um grande motivo de alegria para o Grupo de Teatro A.C.to. A peça que levamos a concurso foi “A Árvore dos Desejos”, uma história com personagens do universo infantil e com preocupações ambientais.
A história tem início com a apresentação do projecto “Bólis” ao conselho beringélico por parte dos bruxos poluidores. Apesar de parecer um excelente projecto, este revela-se destruidor da floresta Beringela. Então, para a salvar, os seus vários habitantes (Fada, Pássaro Mágico, Rúfia, Cogumelos e Rodolfo) juntam-se num acto de coragem e solidariedade. Pelo meio vão vivendo várias aventuras e momentos de humor.
Foi com esta história que o A.C.to ganhou três prémios: Melhor Texto Original, Melhores Efeitos Teatrais e Melhor Figurino. O Grupo está de parabéns. Todos! Porque nada disto seria possível sem o empenho de cada um. Obrigado.

sábado, junho 05, 2004

Van Helsing

Quem muitos burros toca, algum lhe há-de escapar. Quem quer colocar quase todo o tipo de monstros num só filme, não tem uma história muito coerente. O que tem é uma versão “maléfica” da Liga de Cavalheiros Extraordinários (ver em registo anterior: LXG).
Tecnicamente, os filme tem pormenores muito interessantes. No entanto, não deixa de parecer um filme noir de série B da década de 40, assim estilo Ed Wood, mas a cores. Aliás os primeiros minutos de filme são exactamente uma recriação explicita do género. Na minha opinião, um dos grandes “pecados” do filme é exactamente estar demasiado preso aos clichés do género, que são misturados com todos os ingredientes dos filmes de acção. Temos, inclusive, direito a um Mr. Q, de aspecto demasiado medieval para a época.
O filme é sobretudo um veículo de promoção do actor Hugh Jackman, ou seja, vive de e para a sua personagem. As outras personagens apesar da tentativa de lhes fornecer uma densidade dramática nunca chegam a sair da sua superficialidade. E bem vistas as coisas, nem a personagem Van Helsing o atinge.
Mesmo em termos de efeitos especiais, apesar de bem feitos, não chegam a ser surpreendentes.
Ainda numa de provérbios: muita parra e pouca uva, quem tudo quer, tudo perde, etc.

Amor e Sexo

Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval

Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois

Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora


AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)

sexta-feira, junho 04, 2004

Monster’s Ball – Depois do Ódio

Quando se chega ao fundo do poço pensa-se que nada mais resta senão deixarmo-nos afogar. Mas tal como a vida é cruel, também nos reserva alguma esperança. Como alguém já disse, quando Deus nos fecha uma porta, abre-nos sempre uma janela.
Este filme retrata a chegada ao fundo do poço e a janela que se entreabre depois.
Hank é um guarda prisional que faz o acompanhamento de condenados à morte, algures numa pequena cidade do sul da América. Vive com o seu pai, também ele antigo guarda prisional e extremamente preconceituoso e racista, e com o filho, a quem nunca soube amar, nem demonstrar carinho, numa atitude de punição pelo abandono da mulher. Sem nunca ter sentido qualquer tipo de emoção e de amor, Hank só se apercebe do vazio da sua vida quando o seu único filho se suicida e tenta recompor-se da sua perda - de alguém a quem nunca realmente soube amar, mas a pessoa que mais perto o levou desse sentimento.
Letícia é uma mulher negra e que num curto espaço de tempo vê o seu marido executado, perde o emprego, a sua casa e o seu único filho morre atropelado à beira da estrada. Socorrida por Hank nesse momento fatídico, os dois vão pouco a pouco desenvolvendo uma improvável relação que os vai reabilitar emocionalmente.
Extremamente poético, este filme aborda temas tão delicados como o racismo e o desamor e as consequências profundas destes dois sentimentos tão nefastos. Mas, de um modo igualmente delicado, mostra como a qualquer momento podemos mudar as linhas orientadoras da nossa vida, basta estarmos abertos a novas .
Vejam.

TOP #5

Nota: A listagem poderá sofrer alterações a qualquer momento.

Livros
1. O Monte do Ventos Uivantes, Emily Brontë
2. Como Água Para Chocolate, Laura Esquível
3. Clube dos Anjos/Os Orangotangos de Borges, Luís Fernando Veríssimo
4. O Chão que Ela Pisa, Salman Rushdie
5. Loucos Por Amor, Sam Shepard

Autores
1. Mia Couto
2. Luís Fernando Veríssimo
3. Jacinto Lucas Pires
4. Eduardo Agualusa
5. Inês Pedrosa

Filmes
1. Vertigem Azul
2. E Tudo o Vento Levou
3. Sete Pecados Mortais
4. Monster’s Ball – Depois do Ódio
5. Plattoon

Séries

1. 7 Palmos de Terra
2. Anjos na América
3. Testemunha Silenciosa
4. Orgulho e Preconceito
5. ER

Actores/Actrizes
1. Willem Dafoe / Susan Sarandon
2. Colin Firth /
3. John Cusack /
4. Alan Rickman /
5. Ewan McGregor /

Realizadores
1. Luc Besson
2. Kevin Smith
3. Pedro Almodovar
4. Woody Allen
5. Coen Bros.

Música
1. The Hands That Built America, U2
2. I’m Going Slightly Mad, Queen
3. No Meu Quarto, Delfins
4. Daughter, Peral Jam
5. Wicked Games, Chris Isaak

Grupos
1. Delfins
2. U2
3. Simple Red
4. The Goo Goo Dolls
5. Red Hot Chilli Peppers

Cantores/Cantoras
1. Marisa Monte
2. Chris Isaak
3. André Sardet
4. Bruce Springsteen
5. Robbie Williams

quarta-feira, maio 26, 2004

Contos do nascer da terra

… mutilado de Guerra e incapacitado de paz.
A cozinha é onde se fabrica a casa inteira.
É que o tempo namora com ele próprio. Só finge que gosta de nós.
Eu nasci na arrecadação da paisagem, num lugar bem desmapeado do mundo.
Como se esse nó de forca fosse o meu cordão desumbilical.
Que o amor é como o mar: sendo infinito espera ainda em outra água se completar.
Os que beijam são sempre príncipes. No beijo todas são belas e adormecidas.
Na vida tudo chega de súbito. O resto, o que desperta tranquilo, é aquilo que, sem darmos conta, já tinha acontecido.
Domingo não é dia. É uma ausência de dia.
Você tem doença da água: mesmo da nuvem sempre regressa.
A morte gosta muito de ouvir cantar. Se distrai de mim e dança.
Velhos são aqueles que não visitam as suas próprias idades.
De improvável a vida é uma goteira pingando ao avesso.
Nessa altura eu receava o amor. Não sei se temia a palavra ou o sentimento. Se o sentimento me parecia insuficiente, a palavra soava a demasiado.
Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a a certeza que morro de uma só única vez.
Me deram o caso para que lhe desvendasse os acasos.
Demorei em coisas nenhumas.
A punição do sonho é aquela que mais dói.
Em sua maior parte, o matrimónio é um maltrimónio. Os dois pensando somar, afinal, se traem e subtraem.
O que o homem tem do pássaro é inveja. Saudade é o que o peixe sente da nuvem.
O cansaço é um modo do corpo ensinar a cabeça.
Há mulheres que buscam um homem que lhes abra o mundo. Outras buscam um que as tire do mundo. A maior parte, porém, acaba se unindo a alguém que lhes tira o mundo.
A vida é um por enquanto no que há-de vir.
… a água corre com saudade do que nunca teve: o total, imenso mar.
… suas vestes eram a sujidade. Havia quase nenhuma roupa em seu sarro.
… o vagabundo se ergueu e apressou umas passadas para alcançar o longe. Se entrecruzou com a sua sombra, assustado de haver escuro e luz.
… os homens se comportam, neste mundo, como estrangeiros. A machice é arrogância dos que têm medo, mais excluídos que emigrantes. Só as mulheres são indígenas da vida.
Tal pai, fatal filho.
A tristeza é uma janela que se abre nas traseiras do mundo.
Estrangeiro é o lugar onde não se espera ninguém.
- homem não deve mexer em sangue. Só a mulher.
- e porquê?
- em vocês, homens, o sangue anda sempre junto com a morte.
- você fala coisa que não sabe.
- a mulher é que pega no sangue e faz nascer uma outra vida.
Sempre onde chego é um lugar. Mas abrigo maior não encontrei senão nas paragens da memória.
Verdade é como ninho de cobra: se confirma apanhando não o ovo, mas a fatal picada.
A gente nasce grão. Morre terra.
Deus é bonito de lhe não vermos, Padre. Mesmo eu estou negar de ir para o céu para não sofrer desilusão.
Entendo só de raízes, vésperas de flores.
Formigas transportam infinitamente a terra. Estarão mudando eternamente de planeta? Estarão engolindo o mundo?
Sei só escrever palavras que não há.
… a lua morre e é grande enquanto as estrelas, ainda que pequeninas, ficam a brilhar.
Nem tudo se explica, para que se compreenda melhor.
Quando não se podem tomar decisões só se tomam decisões erradas.
Quando o pão é magro quem escasseia é o homem.

Mia Couto, Contos do nascer da terra

quinta-feira, maio 20, 2004

Avassaladoras

Para quem gosta de comédias românticas, Avassaladoras é uma boa proposta do cinema brasileiro. Este filme relata as histórias de quatro amigas em busca do amor e das suas tentativas frustradas de o encontrar. Entre a que parece não ter qualquer atractivo para os homens e que decide mesmo recorrer a uma agência de encontros, a que conhece vários homens mas é sempre deixada ou enganada, a que vai ficando com o mesmo namorado que não ama até aparecer o amor e a que tem uma vida profissional tão activa que nem tempo para encontros tem, esta história é uma excelente alternativa ao mesmo género de filmes de origem americana. Por não seguir à risca a mesma estrutura e nos apresentar várias hipóteses de histórias, não deixa de nos dar finais felizes mesmo que não cor-de-rosa. Permite ainda ver o trabalho de actores a que nos habituamos a ver somente nas novelas num outro registo. É um filme leve e divertido recomendado para uma sexta-feira à noite.

Mudar é preciso

Mudar é preciso. Não podemos ficar sempre na mesma, por isso resolvi mudar o blog. Espero que gostem do novo aspecto. Ainda há uns pormenores para afinar e melhorar, mas hei-de lá chegar. Entretanto, se tiverem sugestões, já sabem. Estou aqui para as ler.

Vertigem Azul

Revi recentemente o filme que mais marcou a minha adolescência: Vertigem Azul. O filme que me mostrou que o cinema se faz de imagens poderosas e não de falas históricas, que me mostrou como se pode fazer poesia com imagens, e como se podem mostrar sentimentos apenas com olhar.
Vertigem Azul ficou marcado na minha adolescência como o filme da minha vida. Agora, passados mais de dez anos vi um outro filme. É curioso o que o tempo faz.
O filme gira em torno de Jacques Maiol, um homem invulgar e enigmático como o mar.
Com uma existência real, Maiol foi na década de 60 recordista mundial de mergulho livre, estabelecendo um recorde de profundidade de 340m, que só viria a ser quebrado pelo próprio na década de 80, quando contava já com 57 anos de idade. Luc Besson pegou nesta figura fora do vulgar, que é conhecido no seu meio como o Homem-Golfinho, devido à sua capacidade de adaptação ao ambiente aquático, e deu-lhe uma aura, mais do que mística, diria mítica.
Enquanto personagem, Maiol é um ser desajustado com o ambiente humano que o rodeia. O único ambiente em que se completa e se sente feliz é no mar, junto dos golfinhos, que considera a sua única família. Incapaz de compreender os desígnios dos homens e do amor, deixa-se seduzir pelo canto das sereias que se escondem algures no mar.
O filme que vi há mais de 10 anos, contou-me esta história de sedução pelo mar, irresistível no seu feitiço e abraço envolvente. Agora descobri um pouco mais de percurso de Maiol pelo mundo humano. Não só porque agora o filme foi visto com outra experiência, como os cerca de 30 minutos extra da versão de realizador acrescentam outros pormenores.
Seja como for, foi um filme que me marcou, mais não seja porque me deu a conhecer Luc Besson e dois extraordinários actores: Jean Marc Barr e Jean Reno. Vejam.

quinta-feira, maio 13, 2004

Fica Comigo Esta Noite, Inês Pedrosa

“E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs.”
“A mesma, com a luz das rugas que me faltavam no tempo…”
“Não acreditavas em nada, vivias num aquário de sonhos impossíveis que faziam de ti um anjo negro, abismo de lágrimas congeladas. ”
“… e foi esse que o meu corpo ensinou aos outros homens, aos vários em que tentou enganar a tua ausência, ao único que soube contornar a tua ausência para permanecer em mim. ”
“Os olhos da mulher de um homem que nos ama são indiscretos. ”
“… parece-me que a ausência de memória é a grande quaestio do nosso tempo. ”
“E depois vamos os dois ter saudades da vida que não partilhámos. ”
“É uma questão de sorte, e a sorte não diz muito da pessoa. Não lhe pertence. ”
“Acreditamos naquilo que precisamos, não é? ”
“Mas as regras do jogo de Deus são outras, …: temos apenas a liberdade das nossas escolhas, os anjos observam, anotam os pontos que as pequenas peças cá em baixo vão somando, suspirarão talvez diante da absoluta previsibilidade da violência, do infinito tédio da violência, e é tudo. ”
“Há muitas maneiras de escolher o mesmo destino. ”
“Ainda não havia estrelas esquecidas pelo céu…”
“Agora posso escrever-te, porque te escrevo para mim. ”
“Só nos livros o amor racha corações em relâmpago. ”
“… eternidade, que é o sitio onde todas as recordações desapareceram. ”
“Deixei de ter caves e sótãos dentro de mim, corredores escuros onde o vento do medo uivava. ”
“O bom advogado é o mais eficaz na defesa da injustiça. ”
“Todo o amor é uma prisão, minha querida, uma prisão inventada por nós contra a escancarada brutalidade da vida. ”
“A beleza está é no coração de quem a sente…”
“Os homens são todos faro, como as mulheres faróis. ”
“O esplendor da Europa fez-se da teimosia de dobrar o mundo até o fazer coincidir com os sonhos. ”
“… a ilusão do domínio, a maior e a mais masculina das ilusões. ”
“Mas há sempre uma noite mais escura do que a escuridão do mundo…”
“A dor entra pelas pregas do tempo, molda-lhe o tecido, dá-lhe corpo.”

Amor, António Mega Ferreira

“… achava a utopia uma forma de vaidade pessoal,…”
“… o conhecimento do mundo devia servir-nos para compreender a razão das diferenças, …”
“… e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.”
“… a indiferença vaga e casual com que um homem se refere a coisas passadas verdadeiramente importantes, …”
“às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação de efeitos sem correspondência com a realidade.”
“… morrer nem sequer é uma surpresa contingente, apenas uma circunstância: morremos aos poucos, pouco a pouco,…”
“… todo o amor é um acto de identificação e reconhecimento. Encontramos na pessoa amada, não um reflexo, o que seria pobre, mas uma ressonância da nossa própria alma.”
“E ter todo o tempo do mundo é que é amar.”
“Alguma coisa eu queria ter escrito aqui, abri a entrada, deixei-a assim dias a fio. O que se perdeu? O que ficou por dizer? A percepção desta ausência, a sensação de que algo desapareceu sem deixar rasto, dá-me a medida de tudo o que ficará por escrever, das coisas e dos dias, e das pessoas, e das ideias, e isso é uma dor e uma desolação. Era Inverno, devia estar frio, talvez chovesse. E é tudo.”
“… uma mulher atormentada pela sua própria incapacidade de gerar o drama que julgava ser necessário para alimentar a escrita?”
“… cheia unicamente de coisas singulares, destinadas apenas a serem conhecidas por um único ser e certamente inexplicáveis.”
“… entre o passado e o futuro, que é apenas a outra metade do que nunca há-de acontecer.”
“… porque se convencera que era preciso viver uma vida para poder escrevê-la. O seu romance, esse sim, é que talvez desse uma vida.”