sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Zumbi final

∑ Ao longo da vida um homem muda de corpo muitas vezes. Estamos sempre a mudar de corpo. Crescemos, engordamos, algumas vezes encolhemos, o cabelo embranquece, perde o vigor e cai. Muita gente acredita que antes de morrermos vemos o filme da nossa própria vida, desenrolando-se vertiginosamente, desde que nascemos até aquele último instante. Se assim fosse o que veriamos seria um ser em permanente mutação, ou seja, alguém com infinitos corpos.
∑ Acho-o bom como um rio. (…) Quero dizer, é uma daquelas pessoas raras, sinceras, que por onde passam deixam tudo mais alegre e exuberante.
∑ A pior das desgraças é trabalhar por necessidade.
∑ Viver é lembrar. Lembrar é sofrer.
∑ Tu sabe, maluco, o homem nasceu lá em África. No princípio só tinha pretos no mundo. Depois alguma coisa deu errado e apareceram os brancos, raça degenerada, de cabelo fraco, com uma pele tão frágil que mal suporta o sol.
∑ Gostaria de se despir do corpo, deixá-lo estendido na cama, vazio e inútil, reaparecendo à sociedade com uma nova pele, um rosto inédito, inteiramente desconhecido. No dia seguinte de manhã, uma das empregadas encontraria a sua pele, uma sombra leve, sedosa, desenhada contra o firme esplendor dos lençóis. Como reagiria? Talvez não estranhasse. Quem sabe, limitar-se-ia a jogar fora o estorvo estranho.
∑ Existe beleza em todas as coisas. O que nem sempre existe são olhos capazes de a ver.
∑ Tudo o que sei aprendi nos livros. Durante muitos anos nem vivia, lia. Sou uma pessoa construída na literatura.
∑ Intuição. Curiosa palavra. Vem do latim tardio, com o significado de imagem reflectida por um espelho.
∑ No céu luminoso correm agora densas nuvens negras. A maioria das pessoas olharia com desgosto para as nuvens. O jornalista, contudo, sorri. Impressiona-o a beleza daquele instante. O prodígio de milhões de partículas de água suspensas na atmosfera. Um rio que desliza, escuro, sobre a cidade.
∑ Os pessimista já se suicidaram todos.
∑ pessimismo é um luxo dos povos felizes.
∑ Regressamos sempre aos velhos lugares aonde amámos a vida. E só então compreendemos que não voltaram jamais as coisas que nos foram queridas. O amor é simples, e o tempo devora as coisas simples.
∑ A tristeza é a morte lenta das coisas mais simples.
∑ Resignação é uma espécie de submissão paciente aos sofrimentos da vida.
∑ Amamos sobretudo aquilo que não conhecemos, não achas?
∑ que me atrai numa mulher não são as suas virtudes visíveis, são os seus abismos…
∑ Não podemos mentir aos amigos. Entre amigos não deve haver lugar sequer para mentiras piedosas.
∑ Só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância.
∑ Qunado uma mulher ri, um homem pode esperar dela alguma misericórdia.
∑ … parece que foi sempre assim desde que Deus criou o mundo, ou desde que o mundo se criou a si próprio, e depois os homens criaram Deus, e que assim há-de ser até ao fim dos tempos.
∑ Há dois tipos de cansaço: o dos vencedores e o dos vencidos.
∑ Um civil pode militarizar-se; um militar é incivilizável.
∑ Na estrada da vida, passado é contramão.
∑ Talvez chore se abrir os olhos, e não consiga mais impedir a torrente de lágrimas, e assim se transforme em rio, e deságue no mar.
∑ A tua pele tem um cheiro estranho. Cheira a sonhos.
∑ Há batalhas que não adianta ganhar e outras que vale a pena perder.
∑ vento não quebra os ramos que sabem se curvar.
∑ Certos erros podem ser mais belos do que a vida.
∑ La vida es muy bonita pero al fin siempre se acaba.
∑ Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores.

José Eduardo Agualusa, in O Ano em que Zumbi tomou o rio

Portugal S.A.

Onde tudo se compra e tudo se vende

Sempre disse, e torno a dizer: tudo na vida tem um preço. Há é pessoas que se vendem por um preço muito baixo e nem tudo se compra com dinheiro. O poder ou a fama são por vezes pagamentos mais aliciantes e sedutores que o dinheiro.
No caso de Portugal S.A., dinheiro e poder andam lado a lado, mas sendo o dinheiro apenas uma face visível do poder. O poder dos grupos económicos, o poder político e o poder de bastidores misturam-se provocando uma luta quase titânica.
Os ingredientes são um grande empresário nacional obrigado na década de setenta a exilar-se para o Brasil e a perder grande parte do seu património para as nacionalizações, o seu braço direito com ligações de amizade no governo, o ministro das finanças que põe toda a sua confiança no empresário e é traído, e a grande paixão do braço direito disposta a tudo para salvar o bom nome da empresa do pai. Pelo meio andam ainda uma esposa viciada em drogas e traidora, um padre que através da sua influência vai manipulando os vários peões, uma jornalista cujos escrúpulos deixam muito a desejar.
O argumento é consistente e dinâmico, apesar de dois ou três clichés, e realização é segura. As interpretações, sem serem excepcionais, são boas. Tirando a senhora Cristina Câmara, que eu ainda não percebi porque é que continua a ser chamada, única e exclusivamente, para os filmes produzidos pelo senhor Tino Navarro. A rapariga até é jeitosa, mas… Ou serão outro tipo de relações que a fazem ser cabeça de elenco? Eu não sou de intrigas…

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

4ª Feira de Cinzas, Ethan Hawke

- É fácil gostar de estranhos, mas é difícil gostar das pessoas que conhecemos melhor.
- Agora se alguém me pergunta se acredito em Deus, abano a cabeça como se não ligasse patavina, mas a verdade verdadinha é que acredito. Só não sei o que fazer com isso.
- As pessoas estão sempre a dizer o quanto amam alguém, ou de quão significativo é o amor, sabes? Mas o que é que elas estão dispostas a fazer por isso?
- As pessoas nem se apercebem, mas é entre aqueles pequenos tiquetaques dos ponteiros dos segundos que, bem ou mal, se desenrola toda a nossa vida.
- Graça: capacidade de aceitar a mudança.
- De vez em quando conhecemos um ser humano que pode, muito bem, ser uma surpresa.
- A verdade não necessita que nós a protejamos, basta vivermos dentro dela e ela proteger-nos-á, não é verdade?
- Não há segredos, apenas coisas que as pessoas fingem não saber.
- Há um tipo específico de insatisfação. Há um vazio dentro de nós que não pode ser preenchido. Esse vazio é a nossa necessidade de Deus. É preciso procura-Lo e permanecer com esse desejo.
- É por isso que as pessoas têm crenças. Elas fecham as coisas bem no fundo da sua mente e constroem uma espécie de vedação e decidem aquilo em que devem acreditar, mas isso não significa que a vedação seja real.
- E essa razão é: não fazemos a mínima ideia daquilo que é realmente bom para nós.
- O céu está sempre presente aqui na terra. Já temos tudo aquilo que precisamos. A expectativa é que mata tudo.
- Ao longo de todos estes anos andei a gastar tempo e energia à procura de um lar - para finalmente perceber que o meu lar era simplesmente estar perto da minha própria capacidade de amar.
- Amar alguém é tão doloroso e decepcionante como conhecernos a nós próprios. É provavelmente a única coisa que vale mesmo a pena fazer, mas isso não quer dizer que seja uma viagem suave e perfeita.
- Há algo que me liberta quando um pneu fura, um combóio fica retido, quando o tempo provoca atrasos no aeroporto ou sempre que o mundo deixa de girar no sentido em que se supõe que ele gire.
- É exaustivo ser-se adulto, ter consciência das oportunidades perdidas.
- É preciso expirar para inspirar.
- Durante um curto período de tempo podemos fazer de conta que não conhecemos a verdade. É como estarmos a suster a respiração. Mais tarde ou mais cedo temos de voltar a respirar. Quanto mais fundo se enterra uma mentira, maior será a pressão quando esta explode.

sábado, fevereiro 07, 2004

Negócio Arriscado

Este é o nome do filme em português, em inglês chama-se Along Came Polly.
Ora bem, se seguir o título nacional só perguntamos onde é que no filme o romance é arriscado. Não é. E o que é que a Polly tem de especial? Nada.
Ok. O protagonista é um analista se seguros, que planeia a sua vida só pelo que é seguro. O que não o impede de ter surpresas desagradáveis pelo caminho, como ser traído pela quase angélica esposa no primeiro dia de lua-de-mel. E para compensar o que faz? Resolve apaixonar-se pela ex-colega de liceu que segue a vida pelo plano do não-plano. Ou seja, água e azeite.
Ok. Ideia engraçada. Original? Não, e muito mais bem explorada em muitos outros filmes. Até demais para os mencionar.
Personagens engraçadas? Apenas q.b.
Bons actores? Sim. Com especial destaque para os secundários Phillip Seymor Hofman e Brian Brown. Boas interpretações? Não. Aliás, seria impossível porque os papéis são tão medianos que até dá pena ver tão bons actores, fazer algo que nem lhes dá oportunidade de brilhar.
Ok. Não deixa de ser um filme jeitoso para sexta-feira à noite, mas é só isso. Algumas gargalhadas à base de humor escatológicos, personagens já vistas (todas elas), história já vista. Depois disto, por favor, outros filmes para os mesmo actores.

Mil Folhas

Porque viver na terra é sangrar sem conhecer.
Hilda Hilst

 Ela vale muito mais do que escreveu na esperança de chamar a atenção para o que vale.
 …- a todas as biografias parece faltar o centro. A capacidade para dar um sentido é uma virtude privada. Os outros só podem imaginar sentidos gerais a partir de factos.
 Infância – o tempo em que se julga que se pode conhecer.
 Um dia a inocência passa como a maioria das doenças.
 …, e ao que vem depois, quando depois não vem mais nada -…
 … a ideia de que o passado desenha os acontecimentos do futuro que estão a desenhar-se no presente.
Teresa Coelho

 Qualquer escritor numa missão é um escritor a evitar. A ideia é contar uma boa história, e não mudar a cabeça das pessoas.
 Para identificar emoções, ele faz uma busca na sua memória até encontrar um exemplo concreto.
Mark Haddon

God is now here.
God is nowhere.
Douglas Coupland

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Na Mira do Jô

Quem sabe, sabe. Quem sabe fazer humor, faz em qualquer tipo de meio: televisão, cinema, rádio e em palco. E Jô Soares provou a quem foi ao CCB o porquê do seu sucesso nesta área.
Foram duas horas de espectáculo, sozinho em palco, coadjuvado somente por uma cadeira, um balde de lixo e uns holofotes, sem que qualquer momento fosse perdido em piadas menores. Algumas já conhecidas? Talvez, mas o que interessa em comédia não é exactamente o que se conta, é como se conta. E Jô Soares é um exímio contador de histórias. Qualidade já comprovada em outras áreas, como na literatura. (Conselho: ler ou ver a adaptação cinematográfica de O Xangô de Baker Street, ou seja, Sherlock Holmes como nunca o imaginamos).
Um palco demasiado grande para uma só pessoa, apesar do seu respeitoso porte? Não. Nem por sombras.
Como qualquer comediante de stand-up, muito em voga e com humildes aprendizes/fazedores na plateia, Jô pegou em várias situações conhecidas de todos nós como: a tentação de Adão e Eva, uma ida ao supermercado, a gravidez, o momento …da-se, a utilização da linguagem, etc; e deu-lhes um cunho muito pessoal. Com um humor acessível, sem deixar de ser inteligente, as gargalhadas de um público participante foram bem genuínas. E que dizer da sensibilidade do artista, quando as piadas, sobretudo as políticas, são tão bem adaptadas à realidade nacional.
Eu diverti-me e muito.
A quem perdeu o Jô a fazer de anão, digo somente LOLOLOL.

Reflexão

Se as coisas são feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas, então por amamos as coisas e usamos as pessoas?

sexta-feira, janeiro 30, 2004

O Ano Em Que Zumbi tomou o rio, Agualusa...

- Sabias que as palavras monstro, montra e o verbo mostrar, têm todas a mesma origem? Os monstros exercem a sua monstruosidade mostrando-se, exibindo-se nas montras. Os monstros servem ao estimado público como termo de comparação.
- O fumo, naquele espaço, parecia capturar e tornar ainda mais amargo o lume do crepúsculo.
- Lembro-me sempre do que dizia o meu avô: bate na tua mulher todos os dias. Tu podes não saber porque bates, mas ela há-de saber porque está a apanhar.
- o mito dos dragões era um fenómeno universal, ligado à passagem dos dinossaúrios pela terra: "Os mitos não são outra coisa senão a memória degenerada, corrompida pelo passar dos séculos, de acontecimentos muito antigos."
- "A lenda dos vampiros talvez tenha surgido na sequência de uma epidemia de raiva. Os doentes com raiva sofrem de fotofobia, evitam a luz, escondem-se na sombra. Além disso atacam de repente, mordem, e dessa forma transmitem o mal."
- Numa pesquisa realizada nos anos setenta, em todo o território brasileiro, pediu-se aos entrevistados para se definirem em termos de raça. As pessoas responderam com um total de cento e trinta e seis definições diferentes.
- (o riso dela parece água a bater na água).
- Os nomes resumem a essência das coisas.
- A elegância começa na palavra. É preciso saber falar para saber pensar.
- As pessoas pequenas, (…), são normalmente pacíficas. A violência, afinal, é um recurso dos fortes. Os anões alcançaram grande poder em algumas cortes europeias, na função de bobos, porque os monarcas não os temiam. Era improvável que um anão, um bobo, tentasse um regicídio. As pessoas pequenas desenvolvem a argúcia, tornam-se por força das circunstâncias capazes de dissimular ideias e sentimentos, adquirem por vezes talentos de camaleão e mesmo o dom excepcional da invisibilidade.
- Os governos totalitários receiam o riso tanto quanto aos vampiros horroriza a luz do Sol.
- (…) é sujando os pés, enfiando os pés na lama, que uma criança aprende a amar o seu país.
- As aranhas não comem as presas – bebem-nas. Elas injectam no corpo das vítimas um veneno paralisante. Produzem também enzimas capazes de liquefazer por completo os órgãos internos dos insectos que caem nas suas teias. Os fluidos resultantes são sugados e digeridos depois por um estômago poderoso. (…) Insectos têm seis patas. As aranhas possuem oito para e são aracnídeos, como os ácaros e os escorpiões.
- ... mas ninguém nos ensina a esquecer. Como alguém faz para esquecer? (…) nunca se esquecem as lições aprendidas na dor.

Since you went away.
The days grow long,
And soon I?ll hear old winter’s song.
But I miss you mus of all, my darling, When autumn leaves start to fall.

Nat King Cole

quarta-feira, janeiro 28, 2004

terça-feira, janeiro 27, 2004

Special Weapons and Tactics aka S.W.A.T.

Pois é, lá andei eu outra vez no cinema. Desta feita fui ver o S.W.A.T., ou seja, duas horas de entretenimento bem passadas.
De resto pouco tenho a dizer. Os actores são bons, mas já deram provas melhores noutros filmes. O argumento está coerente, mas sem ser inesperado. Há tiros e explosões q.b., sem, no entanto, me parecerem demasiado exageradas. Aliás, uma equipa S.W.A.T. é conhecida pela sua eficácia e não pelo seu desperdício de munições. A realização é segura.
O pior mesmo é o Colin Farrell não tirar a camisola mais vezes, mas helas, outros filmes virão.

OBS. Querem uma sala de cinema só para vocês à sexta-feira à noite?

sexta-feira, janeiro 23, 2004

A Morte Melancólica do Rapaz Ostra e Outras Estórias

Mais conhecido do público pela sua faceta de realizador, Tim Burton deu também vida a outras personagens que se distinguem das cinematográficas apenas porque são apresentadas noutro tipo de suporte.
Este pequeno livro editado em Portugal pela Errata, é preenchido por várias criaturas diferentes e que pela sua própria diferença são repelidas pela sociedade e muito principalmente pela família, para a qual deveriam ser um motivo de alegria e orgulho e apenas representam a vergonha e o medo.
Estas crianças/criaturas são seres inadpatados à procura do seu lugar no mundo que não está preparado para as receber, para as amar, para as compreender.
Mas a particulariedade do livro deve-se igualmente às ilustrações que acompanham cada pequena história e que em conjunto com o texto conferem ou confirmam o dramático destino das suas personagens.
Dos seres mais estranhos que encontramos podemos tirar algumas remniscências da obra cinematográfica de Burton. Por exemplo, a Rapariga de olhos Fixos que nos recorda a apaixonada do protagonista de "O estranho mundo de Jack".
Burton explora aqui uma vez mais o lado sombrio e mórbido do ser humano, repleto não de monstros no armário e do medo que estes provocam, mas que vem lembram que os verdadeiros monstros não são as más caras de Halloween, mas sim quem por trás delas se esconde.
Os seus heróis são crianças indesejadas pelos pais cujas relações são exploradas com um enorme cinismo e ironia além de uma grande simplicidade e cujo final é na maioria das vezes marcado pela morte. São filhos do mar, do desconhecido, da tecnologia, nunca reconhecidos pelos verdadeiros progenitores, incapazes do acto de amar uma criança diferente. Ao apresentar estes seres amaldiçoados, podemos ver nestas histórias a desconstrução ou o desmorenamento do sonho americano, do american way of life.
Temos ainda que congratular a excelente tradução de Margarida Vale de Gato, que tenta manter sempre as rimas e os trocadilhos a que Burton também já nos habituara na série animada Beetljuice.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Apelidos Curiosos

Para quem não sabe, durante o Verão passado trabalhei durante dois meses a inserir fichas numa base de dados. Quero partilhar agora com vocês alguns dos apelidos mais curiosos que encontrei. Aqui vai:

Pécurto Pinto
Siúja
Cornacho
Galhanas Cavaco
Arraiolos Calado
Calado Catrola
Camponês Calado
Milho Registo Valente
Prezado Louro
Amado de Jesus
Nascimento Bastardo
Messias dos Santos
Parcelas Perpétuo
Máximo Bicha
Palma Palminha
Fidalgo Francisquinho
Samúdio
Cavaleiro Gatoeiro
Navelfa
Lusitano-Espinhal
Riça Ablu
Serrachino
Borrego Aranha
Lambério
Bexiga Ruivo
Zé Tola
Laudácias
Serambeque
Malfeito
Mercachita
Diz Traquina Periquito
Parraxo Prior
Azengue
Jarego
Chemela
Carreço Perninhas
Farrobilha
Pegacha Paquincha
Endereço Canhoto
Alabaça
Bacatelo
Saianda
Dias Maluco
Patinho Ricos-Olhos
Patarrana
Capela Alface
Mão de Ferro Marmelo
Pinto Rijo
Pifano Quinas
Bonito Ourives
Curinha Bezerra
Maneta Projecto Lapão
Bucho Burralho
Farfalho
Faz Tudo
Cota Charrua
Remechido Cristo
Pernas Alegrias
Rebola Amante
Russo Rato
Messias Branco
Azougado
Bragadeste
Melgas
Palhoça
Jarnito
Pinóia
Bolila
Ricos-Olhos Laranjo
Roleta Lacoete
Massas Mouquinho
Vira Manhoso
Jesus Patego
Quendera
Sinais de Oliveira
Queijinho Rato

terça-feira, janeiro 20, 2004

Abril Despedaçado

Abril Despedaçado (2001) PosterAbril Despedaçado conta a história de Menino, assim mesmo, Menino, mas com uma pronúncia do interior do Brazil, exactamente aquela com o erres enrolados. Menino esse que nos relata a sua história de amor fraternal e o seu fascínio e encamento pelas sereias.

Bem no interior desse imenso país, no início de século, existem duas famílias rivais cujo obtuso sentido de honra e vingança exige alternadamente a vida de cada um dos seus homens. Homens esses que crescem com o peso da "obrigação" de vingar os seus queridos tirando a vida, única e exclusivamente, de quem a ceifou ao seu ente mais próximo, sem nunca derramar o sangue de inocentes pelo meio.
Neste vai e vem de vinganças, a família de Menino, que de tão desgraçada nem um nome lhe deu, encontra-se em clara desvantagem. O seu filho mais velho foi o último morto a enterrar, agora a sombra da morte sobre Tonho, o filho do meio, restando depois apenas Menino. Com a linha do tempo cada vez mais curta, Tonho tem ainda viver nos poucos dias a vida que sempre lhe foi proibida pelo pai autoritário. E é neste dias que os dois irmãos se encantam pela sereia e pelo circo e que a coragem e dignidade de Menino termina com este ciclo vicioso de mortes.
Abril Despedaçado é um filme a ver. Um dos exemplos do mais recente cinema brasileiro e com o qual se fica a conhecer um pouco do seu interior.

Povos e armas

Passou ontem na :2 um interessante documentário sobre os povos europeus, como estes se debateram em guerra e foram saindo vencedores. Foi interessante ver como as técnicas, estratégias e armamentos evoluiram ao longo dos cerca de 20 séculos retratados, bem como as suas motivações.
A viagem começou com os celtas cuja técnica de guerra consistia sobretudo na utilização de uma espada com cerca de 90 cm de cumprimento e no aterrorizar os seus oponentes através de uma aparência caótica e gritos de amedrontamento.
De seguida, foi passado em revista o exército romano, considerado um dos mais eficientes de sempre, quer devido à sua extrema organização quer ao equipamento utilizado. A grande inovação dos romanos foi a sua organização em falanges, centúrias, coortes e legiões, bem como a sua estratégia no campo de batalha com tácticas como a carapaça de tartaruga, na qual os soldados avançavam protegidos pelos escudos cuja disposição era semelhante a uma carapaça. Em termos de equipamento, o exército romanos desenvolveu a utilização do pillum (dardo) e do gládio, uma pequena espada para combate a curta distância.
Um dos povos que combateram os romanos foram os Hunos, cujas maiores arma eram a sua destreza como cavaleiros e a sua eficácia com o arco e flecha. Mesmo montados a cavalo, os hunos tinham um grande grau de eficácia com esta arma.
Outro dos povos retratado foram os Vikings, que além de manejar espadas com cerca de 1 m, desenvolveram técnicas de combate náutico, nomeadamente de abordagem. Os seus longos barcos (entre 13 e 26 m) eram feitos a partir de um único tronco de árvore. Em alto mar e recorrendo às velas conseguiam atingir uma velocidade de 10 nós, quando se aproximavam de terra recorriam então à força braçal e utilizavam os remos. Foi com este tipo de embarcação que, por ser extremamente baixa, conseguiram conquistar algumas das mais importantes povoações fluviais europeias, bem como ser o primeiro povo a chegar à costa americana, mais propriamente à Gronelândia no reinado de Eric, o Vermelho.
Nas suas viagens, os Vikings conheceram as suas primeiras derrotas na Irlanda devido ao seu desconhecimento das marés locais e à extrema eficácia do povo autóctone no manejamento do machado, denominado tahoa.
Já os Normandos desenvolveram a arte da cavalaria. Estes iniciavam o seu aprendizado aos sete anos, quando entravam ao serviço de um cavaleiro, e só o terminavam aos 21, quando eram finalmente designados cavaleiros.

sabedoria

Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever onde o vento o esquecimento e o perdão se encarreguem de passar e apagar a lembrança. Por outro lado, quando nos acontece algo de grandioso, devemos gravar isso na pedra da memória e no coração onde vento nenhum em todo o mundo possa passar.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Mais leituras...

(...) Decididamente, há livros que nos prendem desde as primeiras páginas, porque é como se tivessem sido escritos para nós. Não é que o mundo não tenha direito a conhece-los; apenas enquanto os lemos, o resto do mundo deixa de existir para nós.
António Mega Ferreira, in Visão

Para ti Bruno

The Hands That Built America

Oh, my love, it's a long way we've come
From the freckled hills to the steel and glass canyons
From the stony fields to hanging steel from sky
From digging in our pockets for a reason not to say goodbye

These are the hands that built America
America

Last saw your face in a watercolor sky
As sea birds argue, a long goodbye
I took your kiss on the spray of the new land star
You gotta live with your dreams, don't make them so hard

And these are the hands that built America
America

Of all the promises, is this one we could keep
Of all of the dreams, is this one still out of reach

Halle, holy

It's early fall, there's a cloud on the New York skyline
Innocence dragged across a yellow line

These are the hands that built America
These are the hands that built America
America
America

quarta-feira, janeiro 14, 2004

O Último Samurai

Vi no passado domingo o muito famigerado O Último Samurai, anunciado por muitos como um dos grandes candidatos aos Óscares deste ano. Possíveis nomeações à parte, este é um filme bastante interessante.
O maior motivo de interesse do filme é o véu que levanta sobre o código de honra dos samurais. Digo ponta do véu porque mesmo para mim que pouco sei sobre o assunto fica sempre a sensação de que há muito mais para além do que é mostrado na edição de cinema. Talvez numa posterior edição em DVD tenhamos direito a mais pormenores sobre a ética dos samurais. Mas por agora temos que nos ficar pelo que o filme nos mostra e cujo objectivo me parece plenamente conseguido. Para um filme concebido para atingir um grande número de espectadores, talvez até nem se possa pedir mais.
Tirando o final de toque cor-de-rosa dos últimos cinco minutos de filme, que é bonito sim senhor, mas apenas acessório para um final feliz, o filme aborda não só o final de uma elite de guerreiros como o final do império japonês.
Quanto a aspectos técnicos gostei particularmente da fotografia, da coreografia das cenas de luta, bem como do guarda-roupa. O argumento é como já disse interessante, mas também feito à medida de Tom Cruise (que não, não é o último samurai), mas para mim a grande estrela do filme é sim Ken Watanabe (sim o último samurai).
Já agora uma sugestão, uma versão DVD sem o Tom.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

horóscopo diário

o meu horoscopo de hoje diz:

Um óptimo dia para planear uma viagem com um amigo chegado. Simplesmente pelo prazer de passar uns dias juntos.

Assim sendo, aceitam-se sugestões e inscrições. só não vale idas à Buraca, Baixa da Banheira e Cova da Moura. Para isso já me basta Cacém city.