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terça-feira, novembro 22, 2005

Elizabethtown

Cameron Crowe volta às salas de cinema com mais uma excelente banda sonora a acompanhar uma história engraçada, mas que me parece não ter a solidez de Jerry Maguire ou de Quase Famosos.
Aliás, os seus filmes parecem por vezes antes bandas sonoras ilustradas por uma história e não o contrário, pelo menos essa sensação é mais palpável para mim neste filme. Não é uma questão do argumento ser menosprezado ou menor, é apenas a sensação de que a banda sonora suplanta tudo o resto. Será que a banda sonora da nossa vida suplanta a nossa vida?
Esta questão faz-me estabelecer o seguinte paralelo: Crowe está para o cinema como Hornby está para a literatura. Nick Hornby és um escritor inglês, com vários dos seus livros já adaptados ao cinema também, e em cujo trabalho a música tem um papel preponderante. Quem não se lembra das várias play-lists de John Cusack em Alta Fidelidade e da vida desafogada de Hugh Grant em About a Boy, graças aos royallties do one hit man que foi o seu pai.
Voltando ao filme, a história é engraçada q.b. e parece-me um pouco O Lado Bom da Fúria, versão masculina, embora algumas opiniões o liguem a Garden State, o que compreendo perfeitamente. Seja como for, faz-me pensar que os americanos têm uma relação meio estúpida com a morte. Ou talvez a morte já seja ela tão estúpida que seja impossível ter uma relação decente com ela.
Gostei de ver Orlando Bloom que conhecia apenas de O Sr. dos Anéis em que parecia ser somente um menino bonito. Dêem-lhe bons papéis e penso que o rapaz estará à altura.
ideia do filme que gostei: quem nunca fizer uma road trip na vida, nunca poderá dizer que se conhece. Uma viagem, com a banda sonora adequada, é o melhor modo de nos conhecermos.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Outono Na Sertã, L. Ralha

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- Não estava ainda à beira da loucura, mas já vivera momentos de maior estabilidade mental.
- (...) o teorema de Marques, segundo o qual o tempo que uma mulher demora a preparar-se corresponde à multiplicação de um factor entre 1,7 e 2,5 do número de minutos que anunciou.
- Foi a noite mais longa de todas as noites que lhes aconteceram.
- Conhecimentos inúteis seriam certamente os ossos da omnisciência.

terça-feira, agosto 16, 2005

Possessing the Secret of Joy, A. Walker

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- (…) there could be no happy community in which there was one unhappy child.
- One was left speechless by all such a person couldn’t know.
- When I was younger I thought the church was there because it helped everybody enlarge their spirit, but really, people around here appear to be more meanspirited than ever.
- (…) the people’s characteristics, easily discerned, were imprinted on the landscape.
- Life goes on. The pain of it so sure. The sweetness of it so mysterious.
- That the story is only the mask for the truth?
- (…) men refuse to remember things that don’t happen to them.
- World wars have been fought and lost; for every war is against the world and every war agains the world is lost.
- One never asked for fear of the answer.
- Women are indestructible down there, … they are like leather: the more you chew it, the softer it gets.
- Man is jealous of woman’s pleasure, …, because she does not require him to achieve it.
- (…) suddenly I had to start feeling my own feelings for myself.
- (…) when one has seen too much of life, one understands it is a good thing to die.
- (…) the God of woman is autonomy.
- Religion is an elaborate excuse for what man has done to women and to the earth.
- Do fools need encouragement? … they encourage themselves.
- The pleasure a woman receives comes from her own brain. The brain sends it to any spot a lover can touch.
- It is only because a woman is made into a woman that a man becomes a man.
- (…) maybe death is easier than life, as pregnancy is easier than birth.
- Because women are cowards, and do not need to be reminded that we are.
- There is for humans no greater hell to fear than the one on earth.
- RESISTANCE IS THE SECRET OF JOY!

segunda-feira, agosto 08, 2005

Manhã Submersa, V. Ferreira

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- (…) só é fútil e ingénua a infância dos outros – quando se não é já criança.
- Eu vivia, de resto, agora, e cada vez mais, da minha imaginação. E foi por isso a partir de então que eu descobri a violência da realidade. Nada era como eu havia fantasiado e não sabia porquê. Parecia-me que havia sempre outras coisas à minha volta que eu não supunha, e que essas coisas tinham sempre mais força do que eu julgava. Assim, a minha pessoa e tudo aquilo que eu escolhera para mim não tinham sobre o mais a importância que eu lhes dera. Chegado à realidade, muita coisa erguia a voz por sobre mim e me esquecia.
- Muita coisa aconteceu e me foi modificando certamente, mas não é fácil saber o quê.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Billie Elliot

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A Inglaterra dos anos oitenta sofreu muito com o encerramento de muitas das suas minas, que no caso de várias cidades eram o seu principal pólo de sustentação económica. Foi uma situação económico-social tão delicada, que ainda hoje continua a servir de pano de fundo a várias das produções cinematográficas britânicas. Antes de Billie Eliot, podemos assistir a Brassed Off – Os Virtuosos e The Full Monty – Tudo ou Nada.
Quais os pontos de contacto entre os três? Em todos eles as suas personagens procuram fugir ao seu fatídico futuro através da “arte”, seja ela maior ou menor. A diferença de Billie Elliot é que esta procura se faz pela visão de um jovem adolescente. Este não é um filme extraordinário, mas é um filme escorreito e bem feito. Vale pelo louvor da procura e conquista de um sonho, mesmo nadando contra a maré, e a compreensão e aceitação da diferença.

quarta-feira, agosto 03, 2005

Mr. & Mrs. Smith

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Este filme teve a melhor publicidade que se pode desejar: páginas e páginas nas revistas cor-de-rosa devido ao romance entre os seus protagonistas que extrapolou o ecrã. Aliás, o que mais parecia apelar aos espectadores era constatar se essa paixão “real” seria visível no ecrã. E que ninguém, seja desenganado, Brangelina é realmente o casal sensação do momento. Não sei se na realidade a química é tão palpável com a que existe no ecrã, mas a verdade é que quem pagou 5 Euro para os ver juntos, nesse aspecto não ficou enganado.Mas como não só de estrelas vive um filme, ou sim, mas isso são outras histórias, este é um óptimo produto de entretenimento em que a acção se coaduna perfeitamente com o cómico. A edição está bem ritmada com Doug Lyman (The Bourne Supremacy) a mostrar novamente ser um dos mais dotados realizadores de acção da actualidade.

terça-feira, agosto 02, 2005

O Fio das Missangas, M. Couto

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- Ardores querem-se aplacados, amores querem-se deitados.
- (…) o homem estava caindo? Aquele gerúndio era um desmando nas graves leis da gravidade: quem cai, já caiu.
- Onde nada se passa, tudo pode acontecer.
- Antes eu não tinha hora. Agora perdi o tempo.
- Onde eu vivo não é na sombra. É por detrás do sol, onde toda a luz há muito se pôs.
- Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentido prazer em ter vergonha.
- (…) falar é fácil. Custa é aprender a calar.
- Verdade é luxo de rico. A nós, menores de existência, resta-nos a mentira.
- Era lá que eu sonhava. Não sonhava ser feliz, que isso era demasiado para mim. Sonhava para me sentir longínqua, distante até do meu cheiro.
- Toda a vida acreditei: amor é dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns.
- (…) nem todo o bicho é um animal.
- não sou velho, é verdade. Mas fui ganhando muitas velhices.
- (…) esplendoroso é o que sucede, não o que se espera.
- A lágrima lava a sofrência.
- A aranha ateia diz ao aranho na teia: o nosso amor está por um fio!
- Minha sabedoria é ignorar minhas originais certezas.
- Não existe terra, existem mares que estão vazios.
- O pulo é o desajeito humano de ensaiar um voo.
- De que vale acordar se o que vivo é menos do que o que sonhei?
- A aldeia, quanto mais pequena, mais carece de um louco. Como se por via desse louco se salvassem, os restantes, da loucura.

sábado, julho 23, 2005

Joga como Beckham

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Que fazer quando os sonhos pessoais são incompatíveis com os valores tradicionais e morais de uma comunidade. Que podem uma jovem inglesa de origem indiana fazer quando o seu sonho é exactamente jogar com Beckham? E principalmente quando tem consciência das suas capacidades, mas seguir em frente com elas tem implicações não só para si, como para a sua família.
As dificuldades de adaptação à cultura ocidental, ou, mais ainda, a tentativa de manter uma identidade original, ou originária, num país para o qual se emigra é um tema recorrente no cinema britânico. E o passado colonial britânico faz com que a comunidade indiana seja a mais citada. Este mesmo conflito estava presente em Tradição é Tradição. E à baila anda também sempre o tema da homossexualidade.
Joga como Beckham é um filme engraçado e que catapultou para a ribalta Keira Knhightley, que volta e meia se encontra num cinema perto de nós, e que, desculpem lá a franqueza, não acho que seja uma actriz extraordinária. Talvez com o tempo eu mude de opinião, mas só a consigo ver como modelo anoréctica.

Connie & Carla

Connie e Carla são duas amigas cujo o sonho de infância é singrar no mundo artístico como cantoras. Quando, por acidente, assistem a um assassinato decidem fugir para L.A. e disfarçam-se de drag queens, mantendo assim via a chama desse sonho. A coisa vai resultando até que uma delas se apaixona pelo irmão de um vizinho gay.
O argumento é da autoria de Nia Vardalos (Connie) que surpreendeu ao escrever “viram-se Gregos para Casar”, que não sendo um filme extraordinário, parece-me mais conseguido que este segundo. São filmes que se vêem bem, mas que vivem sobretudo de clichés e não apresentam nehuma ideia verdadeiramente inovadora. Um explora os gags de mulheres a passarem por homens a passarem por mulheres e o outro a eterna luta entre culturas tradicionais de emigrantes e a sua adaptação às culturas urbanas nos países de recepção.

A Cidade Deus

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Se correr o bicho pega,
Se ficar o bicho morde.
Que diferença pode uma máquina fotográfica fazer na vida de uma pessoa? Pode salva-la de um destino fatalmente dedicado à marginalidade.
A história acompanha a vida de dois amigos criados numa das mais conhecidas favelas brasileiras, a Cidade de Deus, e como enveredar pelo crime e a marginalidade é quase tão natural como a sua sede e do qual não há saída. Mas um deles, ao ser presenteado com uma máquina fotográfica, consegue encontrar um lugar nessa sociedade clandestina de uma quase invisibilidade e que lhe permite o acesso a uma outra sociedade, a dita normal e moralmente aceitável.
As grandes “diferenças” desta narrativa são a utilização de saltos narrativos e a sua fotografia (no que agora a academia denomina de cinematografia).
Mas o melhor mesmo deste filme que foi buscar os seus actores às favelas, é que para alguns deles funcionou exactamente como a máquina fotográfica funcionou para a sua personagem principal, ou seja, livrou-os de uma vida de marginais e é possível ver vários deles em várias produções da Globo. Afinal, a arte ainda serve para modificar vidas.

quarta-feira, julho 20, 2005

Madagáscar

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Não é o mais divertido filme de animação com que temos sido brindados nos últimos tempos, mas é um bom entretenimento. A história tem a sua ironia e o melhor mesmo são algumas das personagens, a saber: Melvin, a girafa hipocondríaca, os pinguins psicóticos e o rei dos lémures.
A melhor piada: costeletas em versão Beleza Americana.

A lot like love

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A vida é o que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.
É uma possível tagline para este filme que me surpreendeu pela positiva. Fui ver a pensar que seria algo lamechas, como muitas das comédias românticas que para aí andam, mas afinal foi bastante divertido.
A história acompanha Oliver e Emily ao longo de quase sete anos de uma amizade colorida até que percebem que é mais do que amizade o que realmente os une. Pelo meio ficam as peripécias do florescer dessa amizade e da paixão.
O que se pode reter da história? Não adianta planificar a vida ao mínimo pormenor, porque ela encarrega-se de nos surpreender.

P.S. E não é que o Ashton Kutcher tem um sorriso muito, muito giro mesmo.

sexta-feira, julho 08, 2005

Garden State

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É uma pérola de sensibilidade, cuja beleza se entranha em nós cena a cena, diálogo a diálogo e até silêncio a silêncio.
Garden State é a primeira obra de Zach Braff, mais conhecido do público português pela série Scrubs transmitida pela SIC Radical. Além de dar vida à personagem principal, Braff é igualmente realizador, argumentista e responsável pela selecção musical da banda sonora, pela qual ganhou inclusive um Grammy, apenas um dos muitos galardões granjeados por esta obra.
A história? Um jovem de 26 anos regressa a casa após nove anos para o funeral da mãe e, interrompendo uma medicação de calmantes que faz parte da sua rotina desde a infância, começa a sentir a vida e as suas peculiaridades, como o amor. Assim, acompanhamos Braff ao longo desta viagem iniciática em que se equaciona a família (e as disfuncionalidades que torna cada família única), o amor, a amizade e os sonhos.
Creio que este é um filme bastante apelativo para a geração dos 20 something que durante este período se apercebe que a vida não uma festa, mas que pode ser aquilo que nos propusermos a fazer dela. Como se diria num outro filme: you either make life a chiken salad or a shit salad.
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E agora, algumas citações:
Largeman: We may not be as happy as you always dreamed we would be, but, for the first time let's just allow ourselves to be whatever it is that we are.

Sam: This is your one opportunity to do something that no one has ever done before and that no one will copy throughout human existence. And if nothing else, you will be remembered as the one guy who ever did this. This one thing.

Sam: If you can't laugh at yourself, life is going to seem a whole lot longer than you'd like.

Largeman: Fuck, this hurts so much.
Sam: I know it hurts. But it's life, and it's real. And sometimes it fucking hurts, but it's life, and it's pretty much all we got.

Largeman: You know that point in your life when you realize that the house that you grew up in isn't really your home anymore? All of the sudden even though you have some place where you can put your stuff that idea of home is gone.
Sam: I still feel at home in my house.
Largeman: You'll see when you move out. It just sort of happens one day, one day and it's just gone. And you can never get it back. It's like you get homesick for a place that doesn't exist. I mean it's like this rite of passage, you know. You won't have this feeling again until you create a new idea of home for yourself, you know, for your kids, for the family you start, it's like a cycle or something. I miss the idea of it. Maybe that's all family really is. A group of people who miss the same imaginary place.

terça-feira, junho 28, 2005

Lover Boy – A Educação de Paul

Lover Boy é a primeira experiência de realização de Kevin Bacon e, infelizmente, não é bem sucedida. A história relata o desejo egoísta de uma mulher em ter um filho para poder canalizar a sua necessidade de amar e que se torna incapaz de o dividir com mais alguém. Este amor obsessivo é um tema interessante, mas a sua exploração é quase penosa para o espectador. Bacon usa e abusa de flash-backs com o intuito de exemplificar as carências afectivas desta mãe o que, além de interromper o normal fluir da história, se torna demasiado repetitivo.
O filme conta com a participação de vários actores que ao longo da sua carreira trabalharam com Bacon e Kira Sedgwick, esposa deste e a intérprete desta mãe disfuncional, e que aqui mostra o seu potencial como actriz.
A quem arriscar ver, recomendo uma boa dose de paciência para não desistir pelo caminho.

sexta-feira, junho 24, 2005

O lado bom da fúria

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… é o que aprendemos depois desta passar. Conclusão a que chega uma das personagens no final da história. Uma conclusão supostamente sábia mas que se aplica a quase tudo na vida que é menos agradável. O lado bom é a lição.
O filme é interessante, mas não é nada de extraordinário. Relata a vida de uma família de mulheres após o suposto abandono da figura do pai e o modo como esta encara essa perda. O melhor ainda é Costner que apesar de alguns flops na sua carreira parece talhados para filmes românticos e de preferência a interpretar jogadores de beisebal.
Nota ainda para a jovem actriz Rachel Evan Ward, da série Começar de Novo, cujos trabalhos até ao momento auguram uma carreira promissora.

quinta-feira, junho 23, 2005

Star Wars - A Vingança dos Sith

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É verdade, finalmente o terceiro episódio e com ele o final das sagas que marcaram a nossa geração. E o mais curioso é que as grandes sagas cinematográficas tiveram início e terminam um ciclo exactamente com Star Wars. Digo terminam um ciclo porque não se sabe o que o futuro trará, mas certamente para as gerações dos thirty e fourty someting este é o final de um capítulo.
Voltando à história, é claro que este é talvez o filme com menos surpresas em termos do que irá acontecer, ficando as novidades apenas no como irão acontecer. Assim sendo, gosta do filme quem é fã e quem se deixa ainda deslumbrar pela magia do cinema. Essa magia que é feita de histórias simples e da sedução dos efeitos especiais que mais não são do que uma demonstração da nossa capacidade de imaginação.
Eu deixei me deslumbrar.
Com o crescendo de fatalidade em torno da personagem de Anakin Skywalker, que recorda as grandes tragédias gregas e seu o clímax trágico. Com a eterna luta entre o bem e o mal e como este última pode entrar tão subtilmente na vida de alguém e pouco a pouco minar uma existência. Com a beleza dos efeitos especiais e essa capacidade de nos levarem mais além. Ou como se diria numa outra série de culto: to boldly go where no man has ever been. Com as coreografias das lutas de sabre de luz que sempre me fascinaram.
Sim, a saga não poderia acabar de melhor maneira.
Agora resta-nos uma certa melancolia…

quarta-feira, junho 22, 2005

Memória das Minhas Putas Tristes, G. G. Marquez

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· a moral também é uma questão de tempo, …
· a verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e continuamo-nos a ver-nos de dentro como sempre tínhamos sido, mas os outros vêem-nas de for a.
· naquela noite descobri o prazer inverosímil de contemplar o corpo de uma mulher adormecida sem as pressas do desejo ou os entraves do pudor.
· Uma mulher não perdoa nunca que um homem despreze a sua estreia.
· … senti na garganta o nó górdio de todos os amores que podiam ter sido e não foram.
· … assim como os factos reais se esquecem, também alguns que nunca existiram podem estar nas recordações como se tivessem existido.
· a idade não é a que temos mas a que sentimos.
· … os que não cantam não podem imaginar o que é a felicidade de cantar.
· Incrível: vendo-a e tocando-lhe em carne e osso, parecia-lhe menos real do que nas minhas recordações.
· O sangue circulava pelas suas veias com a fluidez de uma canção que se ramificava até aos pontos mais recônditos do seu corpo e voltava ao coração purificado pelo amor.
· … não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência.
· Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma mas um signo do Zodíaco.
· … a força invencível que impulsionou o mundo não são os amores felizes mas os contrariados.
· Não se engane: os loucos mansos adiantam-se ao futuro.
· O sexo é o consolo de uma pessoa quando lhe falta o amor.
· O que pensa uma mulher enquanto cose um botão.
· … porque o amor me ensinou demasiado tarde que nos arranjamos para alguém, nos vestimos e perfumamos para alguém, e eu nunca tinha tido ninguém.
· Já pensou o que vai fazer se eu lhe disser que sim?
· … uma vez mais comprovei com horror que se envelhece mais e pior nos retratos do que na realidade.
· … os ciúmes sabem mais do que a verdade.
· É impossível não acabar sendo como os outros julgam que somos.
· Faças o que fizeres, neste ano ou daqui a cem, estarás morto para sempre.

sexta-feira, março 18, 2005

Uma Casa no fim do Mundo, M. Cunningham (II)

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Nunca cheguei a perceber se era uma questão de ética ou simples falta de imaginação. Por vezes as duas coisas estão tão intimamente ligadas que se tornam indistinguíveis.
Acabamos sempre por nos transformar nas histórias que contamos sobre nós próprios.
Somos criaturas adaptáveis. É essa a fonte do nosso conforto terreno e, suponho, da nossa raiva silenciosa.
A inesperada desvantagem da visa moderna é a nossa vitória sobre os nossos próprios destinos. Somos chamados a decidir sobre quase tudo e conhecemos minuciosamente as repercussões dos nossos actos.
Se bem que pensamos nos mortos como habitantes do passado, acredito agora que eles vivem num presente infinito.
As pessoas que vão muito ao cinema são geralmente capazes de apreciar a ironia de uma grande variedade de situações.
Julgo que, na extravagância da juventude, oferecemos os nossos afectos facilmente, na falsa convicção de que teremos sempre mais para dar.
… nenhum horizonte está verdadeiramente vazio.
…, mas os mortos são um assunto complicado. Aquilo que têm de mais notável é a sua constância.
Começo a compreender a verdadeira diferença entre a juventude e a idade adulta. Os jovens têm tempo para fazer planos e inventar novas ideias. As pessoas mais velhas têm de investir todas as energias na manutenção daquilo que já foi posto em acção.
As pessoas bem comportadas desconhecem a liberdade de se ser má rés.
… que os mortos nos pertencem ainda menos do que os vivos, que a nossa única hipótese de felicidade – uma hipótese bastante remota – reside na aceitação da mudança.
A minha limitação era a minha própria racionalidade. Eu era demasiado equilibrado, demasiado sensato.
Por vezes a obrigação transformava-se em afecto genuíno, em verdadeira preocupação.
Acho que estávamos à espera de que as nossas verdadeiras vidas começassem. Acho que provavelmente cometemos um erro.
Os simples factos da doença e da morte podem parecer-nos remotos desde que não sintamos o cheio da cal imaculada dos medicamentos. Desde que não vejamos um rosto assumir a cor do barro.
As nossas mentiras não afectam grandemente o mundo.
Existe beleza no mundo, embora seja mais austero do que imaginávamos.
…, eu compreendo que um lar é também um sítio ao qual escapar.
… o hiato entre aquilo que imaginamos e aquilo que podemos, de facto criar.

terça-feira, março 15, 2005

Um Casa no Fim do Mundo, M. Cunningham (I)

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Por vezes continua a ser difícil distinguir entre o que aconteceu e o que podia ter acontecido.
Por uns momentos esforçamo-nos por subir no ar, (…), uma fracção de centímetro. Doce glória. É nisto que reside o segredo do voo – temos de o fazer imediatamente, antes que o nosso corpo compreenda que está a desafiar as leis.
Março. Depois do degelo. Atravesso o cemitério a pensar na minha vida infinita.
Continua a tentar superar o hábito de esperar pouco da vida.
Sempre acreditei que é possível chegar ao conhecimento através do bluff.
Passaram-se anos – agora vivemos no futuro, que é muito diferente do que tínhamos planeado.
Os mortos são só pessoas que quiseram as mesmas coisas que tu e eu queremos.
Foi outra lição no processo continuo da minha aprendizagem: como qualquer outra prática ilegal, o amor entre rapazes deve ser tratado como uma trivialidade.
Gostava de pensar que podia mudar a minha vida sem abrir mão das pequenas verdades do dia a dia.
Aos treze anos tomamos demasiadas opções sem pensar nas consequências e no modo como podem arrastar-se pelas décadas.
A fé é para a gente nova. Já li tudo o que havia para ler. Já não sou bonita.
É isto que fazemos. Tentamos construir um futuro a partir das matérias-primas disponíveis.
Não éramos amantes, mas quase. Ocupávamos a esfera superior do amor, onde as pessoas acarinham a companhia e excentricidades umas das outras, onde se querem bem.
A diferença entre os vinte e cinco e os trinta e seis anos é que aos vinte e cinco anos não conseguimos ter um ar patético. A juventude permite-nos tudo. Podemos vestir qualquer coisa, fazer seja o que for ao cabelo, sem deixar de ter um aspecto perfeitamente aceitável. Ainda estamos a tentar definir-nos, por isso não há problema. Mas há medida que os anos passam, começamos a ser atraiçoados pelas nossas ilusões.
Não estava seguro daquilo que sentia e não queria que me pedissem para dar um nome a esses sentimentos. Talvez temesse, ao descreve-los tão prematuramente, esgotar-lhes o potencial para o crescimento e a mudança. Talvez tivesse razão.
Neste mundo não conhecemos necessariamente as pessoas. Principalmente se nos deixarmos distrair pela música e pela passagem das horas.
Ocorreu-me que a morte podia ser uma forma mais remota de participação na história continua do mundo.

sábado, março 05, 2005

O Vale dos Pigmeus, I. Allende

“… enfim, um imenso arsenal de objectos fantásticos para atenuar o medo de viver.”
“pode-se fazer o mal ou o bem. Não há recompensa por fazer o bem, só satisfação na tua alma.”
“a sugestão faz milagres.”
“as crenças próprias chamam-se religião, a dos outros chamam-se superstição.”
“o que falamos é idioma, o que os outros falam é dialecto”
“o que os broncos fazem é arte e o que as outras raças fazem é artesanato.”
“o clima dos trópicos esgotava o corpo e provocava uma pesada indiferença na alma.”
“Mas uma vez começado o ritual da caça, não há tempo para ver a ironia da situação, o caçador e a presa sabem que esta dança só acaba com a morte.”
“Os deuses africanos são mais compassivos e razoáveis que os deuses de outros povos. (…) um dues africano jamais mandaria o seu único filho morrer na cruz para salvar os pecados humanos, que pode apagar com um só gesto. Os deuses africanos não criaram os seres humanos `sua imagem e também não os amam, mas ao menos deixam-nos em paz. Os espíritos, pelo contrário, são mais perigosos, porque têm os mesmos defeitos que as pessoas, são avarentos, cruéis, ciumentos.”
“expressar a sua relação por palavras significava defini-la, estabelecer limites, reduzi-la: não a mencionando, continuava livre e incontaminada.”
“A maior parte das pessoas vive desligada do que é divino e não se apercebe dos sinais, das coincidências, das premonições e dos minúsculos milagres quotidianos através dos quais se manifesta o sobrenatural.”
“… cada ser contribui com a sua experiência para a imensa reserva espiritual do universo. Uns fazem-no através do sofrimento causado pela maldade, outros através da luz que se adquire através da compaixão.”
“… a força do inimigo é também a sua fraqueza.”
“… cada um tem a sua verdade e todas são válidas.”